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Destinos Trocados

por Andrusca ღ, em 18.09.12

Capítulo 19

Guerra de Irmãs

 

Assim que chegaram à escola, Cindy separou-se de Keith e Caroline e dirigiu-se às amigas. Os outros dois foram-se encostar ao pequeno muro perto da entrada, à espera que Nate chegasse. Os olhares em direcção a Caroline eram tudo menos discretos. Os adolescentes olhavam e comentavam, depois olhavam para Cindy e voltavam a comentar. Não era difícil de descobrir quem era quem. Cindy usava um vestido muito mais chamativo que a roupa de Caroline, que vestia umas calças justas, uma blusa e uns sapatos com um pouco de salto, além de estar coberta de joias. Keith olhou para a amiga e engoliu em seco.

- Estás bem? – Perguntou, ao perceber que ela estava a reparar nos olhares dos outros.

- Sim – mentiu ela – Isto é apenas novidade para eles, mais tarde ou mais cedo vão-se habituar à ideia de que agora há duas Geller.

Na verdade aquilo incomodava-a. Os olhares, os mexericos, a fofocas mal contadas. Sabia que na escola havia, pelo menos, três versões diferentes da sua vida e cinco razões para ter voltado, sendo a mais falada o facto de a família ter dinheiro. O facto de saber que Cindy faria tudo ao seu alcance para a “expulsar” de lá também não a fazia ficar mais descansada.

Finalmente, Nate chegou. Estacionou o carro e sorriu ao vê-la ali parada ao lado de Keith. Caminhou até eles e cumprimentou o amigo com um aperto de mão, posicionando-se depois à frente da namorada. O beijo que lhe dera depois do jogo de basquetebol também era um dos assuntos do dia. Todos queriam saber o que se ia passar a seguir, perceber se ele sabia quem beijava, ou se pensava tratar-se da verdadeira Cindy.

- Como é que te estás a aguentar? – Perguntou, com um sorriso de orelha a orelha – Os tubarões já te comeram?

Caroline riu.

- Eu sei nadar depressa – respondeu – Mas está toda a gente um bocado chocada com isto tudo.

- Queres chocá-los mais um bocadinho? – Nate olhou em volta e notou que muitos dos olhos daquele sítio estavam em cima de ambos. Caroline sorriu e ele aproximou-se mais, beijando-a para espanto de quase todos.

Rebecca e Phoebe, que observavam o que estava a acontecer, chamaram a atenção de Cindy, que cerrou os punhos.

- Meninas – disse ela, com um tom de voz forte e implacável.

- Sim, Cindy? – Questionou Phoebe.

- Temos que a tirar de Beverly Hills – anunciou – Isto é guerra.

 

✽✽✽

 

As primeiras aulas tinham sido um pouco embaraçantes, e Caroline tinha ouvido alguns comentários menos bons. Mas, finalmente, a hora do almoço tinha chegado e agora encontrava-se com Nate e Keith, juntamente com Rachel. Estavam os quatro numa mesa redonda, no bar, a comer descansadamente.

- Então… foi assim que descobriste? – Caroline e Keith tinham terminado de explicar tudo a Rachel.

- Sim – acabou Caroline por dizer.

- É horrível – murmurou a outra, mostrando um pequeno sorriso – Por isso acho que é terrível dizer que gostei que tudo isso tivesse acontecido.

Os outros três franziram as sobrancelhas e olharam para ela, incrédulos.

- O quê? – Perguntou Nate.

- Se não tivesses tido essa vida, não precisarias do dinheiro; se não precisasses do dinheiro, nunca terias vindo substituir a Cindy; se não tivesses substituído a Cindy, nunca terias feito os amigos que fizeste; e se não nos tivesses conhecido, nunca me terias juntado com o Keith.

Caroline riu, e Keith corou ligeiramente. Nate revirou os olhos, também com um pequeno sorriso nos lábios, e levou o copo de água à boca.

- Faz sentido – acabou Caroline por dizer.

- Faz mesmo – reforçou Rachel – Eu sei que toda a gente está a agir de um modo estranho com tudo isto, mas tens amigos aqui. Tens-nos a nós, e a todas as pessoas para quem foste simpática quando a verdadeira Cindy as desprezou. E tenho a certeza que algum dia essas pessoas vão abrir os olhos e perceber que a Caroline é melhor que a Cindy.

Quando acabaram de comer, foram levar os tabuleiros para os seus suportes, para que depois a loiça pudesse ser lavada e arrumada. Nate ofereceu-se para levar o da namorada, mas Caroline negou logo. Foi a última a ir, e para lá chegar tinha que passar pela mesa da irmã, coisa que não lhe apetecia nada. Ao vê-la a vir, Cindy fez sinal a Rebecca que esticou a perna mesmo a tempo de a fazer cair. Caroline olhou para ela furiosa, e ia-se levantar quando a gémea lhe despejou o copo de água por cima, deixando-a ainda pior.

- Oh… desculpa… entornou-se – disse Cindy, com uma falsa preocupação na voz – Precisas de ajuda…? Pareces perdida e deslocada.

Caroline engoliu em seco ao ouvir uma gargalhada geral, e em frente viu os amigos a olhar especados para ela, enquanto Nate se ia aproximar. Levantou-se e encheu o peito de ar.

- Não – respondeu, sem deixar o namorado falar – Não preciso de nada de ti, Cindy. De facto… - Caroline aumentou um pouco o tom de voz – acho que ninguém precisa. Porque tudo o que fazes é tratar mal as pessoas e agir como se fosses superior. Mas ei… talvez até tenhas motivos para isso, afinal toda a gente aqui é estúpida o suficiente para te deixar fazer isso. Mas adivinha: eu não sou daqui, e não sou assim tão estúpida, e não tenho medo de ti.

Cindy levantou-se e tomou uma posição mais autoritária.

- Estás toda molhada e coberta com os restos do almoço – disse-lhe – Isto não é nada, porque vou fazer da tua vida um inferno. Diz-me Caroline, alguma vez estiveste assim tão suja quando vivias sozinha nas ruas?

Os risos desta vez foram menos. Algumas pessoas apenas se limitavam a pensar como é que Cindy tinha a coragem de humilhar a própria irmã daquela maneira. Mas as outras não se importavam, adoravam rebaixamentos e ver como as outras pessoas eram pobres e indefesas. O único problema… era que Caroline não era indefesa.

- Ei! – Nate mandou um berro para calar o bar inteiro, e todos ficaram expectantes à espera do resto.

Cindy olhou para a irmã e sorriu cinicamente.

- Acalma-te querida – aconselhou – Não queremos fazer uma cena.

Caroline, depois disto, clareou o garganta e deu um leve toque em Cindy, desviando-a para subir à mesa para que todos a vissem bem.

- Sim, Cindy, andei mais suja que isto quando vivi nas ruas. E sim, Cindy, andei mais suja que isto quando vivia com um traficante. E sim, Cindy, posso não ter tido uma vida de princesa mas isso não me impediu de encontrar o meu príncipe ou de me tornar numa pessoa muito melhor do que qualquer um de vocês. Porque vocês são mesquinhos, e fúteis, e inúteis. Porque é que quando eu estava a fingir ser a Cindy… sim, isso aconteceu durante três meses… todos vocês gostavam de mim? Por causa das roupas, e do nome, e da popularidade. Bem, adivinhem, eu não quero as vossas amizades falsas porque prefiro mil vezes ser a Caroline, e ter vivido nas ruas, do que ser uma rapariga maldosa e sem coração que não faz ideia de como a vida é. E, para que saibam, podem-me mandar ao chão, e atirar-me comida, e rir enquanto eu passo, porque nada disso vai mudar o facto de que eu, uma rapariga das ruas, consigo ser muito melhor que qualquer um de vocês. O que vocês dizem não me caracteriza a mim, mas a vocês. Porque vocês não se importam com o que aconteceu na nossa família, ou o porquê de a Cindy ter uma irmã gémea. Só se preocupam em ter alguém novo com quem gozar. Bem, tentem de novo, porque eu não vou ser esse alguém. Arranjem uma vida.

Nem uma mosca se ouviu nos segundos seguintes, e Caroline desceu de cima da mesa e voltou a colocar-se em frente à irmã.

- Comigo não tens uma cena – murmurou Caroline – Tens logo o filme inteiro. Tu e as tuas amiguinhas podem-me fazer o que quiserem, porque no fim eu vou continuar aqui.

Cindy engoliu em seco, com uma fúria enorme dentro de si, e depois saiu a andar apressadamente para o pátio. Rebecca e Phoebe seguiram-na, atrapalhadas, e Keith e Rachel aproximaram-se de Nate e Caroline.

- Estás bem? – Perguntou Rachel, a observar a amiga. Caroline assentiu – Isso foi tão corajoso. Ninguém, nunca, enfrentou a Cindy.

- Talvez partilhemos a teimosia… - murmurou ela.

- Anda lá – disse Nate – Vamos-te limpar.

Pela primeira vez Caroline olhou para a sua figura. Tinha restos de esparguete e de molho na blusa e nas calças, tal como em alguns sítios no cabelo, que também estava molhado devido à água. Sem pensar muito, começou a rir, fazendo com que os amigos e o namorado ficassem a olhar para si.

- Tenho que admitir, depois de tudo o que vivi nunca esperei que o liceu fosse assim tão complicado – pensou em voz alta, entre os risos.

 

Bem meus amores, isto agora não vai dar para vir todos os dias

Prometo que vou tentar postar sempre que puder

Continuem a ler e a comentar, e boas aulas (:

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