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Destinos Trocados

por Andrusca ღ, em 20.09.12

Capítulo 20

Resolver Antigas Rixas

 

- Não acredito que me obrigaste a fazer isto! – Reclamou Nate, enquanto caminhava ligeiramente atrás da namorada. Caroline olhou para ele e riu-se.

- Obriguei? Quase que me imploraste para vires.

- Isso foi porque queria estar contigo, mas não exactamente a fazer isto…

Estava no Rodeo Drive. O cartão de crédito de Caroline já estava pronto, e por isso tinha aproveitado a tarde livre para comprar algumas roupas. Como a sua carta de condução ainda ia demorar algum tempo a chegar, Nate não quis que viesse de autocarro e ofereceu-se para ser o seu motorista pessoal mas, ao ver a quantidade de sacos que já ambos carregavam, estava a começar a arrepender-se.

Entraram em mais meia dúzia de lojas e a rapariga comprou mais umas coisinhas. Depois decidiram ir para o carro mas, ao chegarem ao parque de estacionamento, viram que havia ali confusão. Três rapazes cercavam um, que nenhum deles conseguia ver quem era.

- Vamos dar uma volta, deixa a confusão acalmar – aconselhou Nate, ao ver que, para chegarem ao carro, iam ter que passar mesmo pelo meio da luta.

Caroline assentiu e ia dar meia volta quando o rapaz foi mandado ao chão por um empurrão de outro, e o reconheceu. Jack, o rapaz que conhecera mesmo ali naquele estacionamento. Parou subitamente e viu que outro dos rapazes lhe deu um pontapé. Nate olhou para ela quando viu que não o ia seguir, e depois para Jack, identificando-o também. Caroline já lhe tinha contado tudo o que se tinha passado: as ameaças, o que Cindy tinha feito a Jack, a conversa na casa de banho dos rapazes do liceu…

- Caroline, anda – insistiu ele, a ver que a namorada ia fazer alguma coisa que se ia arrepender.

E sim, talvez Caroline se arrependesse mais tarde, mas a verdade era que não conseguia deixar ali o rapaz tão sozinho e indefeso. Largou os sacos e aproximou-se do grupo a passos largos.

- Larguem-no! – Exigiu, puxando toda a atenção dos outros para si.

Nate engoliu em seco e largou também as compras, deixando-as cair sem cuidado no alcatrão. Correu até à namorada e colocou-se ao seu lado a tempo de ver os outros três a rir.

- Vai-te embora miúda – aconselhou um deles – E leva o teu principezinho contigo.

Dito isto, voltou a pontapear Jack, que se contorceu no chão. Caroline sentiu uma pequena raiva dentro de si.

- Caroline, esquece… - murmurou Nate.

Mas Caroline não esqueceu.

- Eu disse para o largares! – Exclamou, antes de puxar o rapaz para si e lhe pregar um murro no nariz. Nate ficou boquiaberto, tal como os outros companheiros do rapaz; e Jack, do chão, não podia acreditar no que via.

O rapaz ia retornar o murro, por isso Nate afastou Caroline e deu também um nele, que o fez virar a cara. Já tinha o nariz a sangrar.

- Vão-se embora – Mandou.

Os outros dois riram e começaram a aproximar-se de si de uma maneira intimidante, mas Caroline agarrou numa pedra solta que lá estava e mandou-a a um deles, acertando-lhe na cabeça.

- Deixem-nos em paz! – Exigiu. Ao ver que dois polícias passavam ao fim da rua, colocou a sua face ameaçadora – Saiam daqui ou eu grito!

Os rapazes engoliram em seco e foram-se embora a resmungar uns com os outros. Nate olhou para a namorada ainda sem perceber bem o que tinha acabado de acontecer, e Caroline foi até Jack e ajudou-o a levantar-se. Encostou-o ao carro de Nate, enquanto este ia buscar os sacos das compras, e esperou que recuperasse o fôlego.

- Deixa-me adivinhar – murmurou Jack – És a gémea boa.

Caroline revirou os olhos.

- Porque é que eles te estavam a bater? – Perguntou.

- Não te diz respeito.

- Caso não tenhas reparado, ela é a única razão para não estares ainda estendido no chão a levar porrada – interveio Nate, fazendo com que Jack revirasse os olhos.

- Tivemos um mal-entendido. Um deles não gostou que eu tivesse… bem… tomado liberdades com a irmã. E não quero parecer ingrato, mas vocês não tinham que se meter em nada.

- Não tens de quê – afirmou Caroline.

- Ouve… - Jack mordeu o lábio e respirou fundo – Desculpa pelo que aconteceu… eras tu, certo? Foste tu que encontrei aqui e…

- Sim, era eu – interrompeu ela – E não, não desculpo. Estás tão enfiado numa vingança idiota que estás a perder a tua vida. Sim, a Cindy lixou-te bem, mas não é ao meteres-te com ela outra vez que isso vai ser resolvido. Estás de volta agora, não achas que devias aproveitar?

- De novo… não te diz respeito.

- Conheces a Cindy Geller de todo? – Ambos os rapazes ficaram a olhar para si – Porque eu só a conheço há poucos dias… mas já percebi que o pior castigo para ela era que lhe parassem de dar atenção. Enquanto tu andares atrás dela… ela já ganhou. Supera, arranja uma vida. Pára de te meter em situações destas e cresce.

Fez-se silêncio por alguns minutos e depois Nate disse que já se estava a fazer tarde. Jack percebeu a dica e desviou-se o carro, pondo-se em andamento.

- E Jack – Chamou Caroline, quando estava já prestes a entrar no carro, fazendo-o voltar-se – Se alguma vez tiveres o azar de me bateres outra vez, vais perder uma parte do corpo.

 

✽✽✽

 

Terry insistira que Nate jantasse com eles, e depressa Dorcas disse que comida para mais uma boca havia sempre. Jantaram num clima de simpatia e cumplicidade, e ficou combinado que os pais dele iriam lá jantar na noite seguinte. Marshall e Terry ficaram a ver televisão na sala enquanto as “crianças” subiram para o andar de cima.

Cindy estava fechada no quarto, a andar nervosamente de um lado para o outro. Os risos da irmã e de Nate estavam a pôr-lhe os nervos em folha. Ela estava feliz. Estava lá, e estava feliz, e nunca se quereria ir embora.

- É impossível! – Queixava-se, ao telemóvel.

- “Apenas temos que nos esforçar um pouco mais. Mas Cindy… ela é tua irmã, achas mesmo que a vais conseguir arrancar de casa?” – Questionou Rebecca.

Cindy suspirou e deixou-se cair sentada na cama.

- Tenho que conseguir – afirmou.

Entretanto, no quarto ao lado, Caroline estava deitada na cama encostada ao peito de Nate, que lhe brincava com o cabelo. As gargalhadas já tinham cessado, e agora aproveitavam os dois de um bom e acolhedor momento de silêncio. Não era daquele silêncio constrangedor, era mais daquele que até conseguia ser agradável.

- Nate? – Perguntou Caroline.

- Sim?

- Estava a pensar numa coisa… - ela ajeitou-se de modo a conseguir ver-lhe a cara, e depois respirou fundo – Achas… achas que se tivesse sido a Cindy a ser levada, e que se eu tivesse crescido aqui… achas que eu ia ser como ela?

Primeiro Nate ficou especado a olhar para a namorada, mas depois uma enorme gargalhada ecoou pelo quarto já perfeitamente arrumado e decorado.

- Nem num milhão de anos! – Exclamou ele, convicto das suas palavras.

- Não tem graça – discutiu ela – Porque eu acho que podia ser… quer dizer, faz sentido.

Nate encheu o peito de ar e depois deitou-o fora todo de uma vez.

- Não acredito nisso – defendeu – Vocês podem ser iguais por fora, mas acredita quando digo que não há ninguém capaz de ser como a Cindy Geller. E acredita também, que não há ninguém capaz de ser como tu. E isso não é pelo facto de terem sido criadas em ambientes diferentes… é algo que já nasce convosco.

- Achas mesmo?

- Tenho a certeza absoluta. Eu amo-te como nunca amei ninguém, e isso é devido ao facto de seres quem és. Se tivesse sido ela a ter sido levada, só havia uma diferença: tu e eu já nos teríamos encontrado muito mais cedo. Apenas isso.

Caroline sorriu e assentiu, para depois voltar a encostar a cabeça ao peito dele. “Eu amo-te”, dissera ele. Já se tivera declarado como apaixonado por ela, mas nunca tinha proferido aquela palavra em particular.

- Eu também te amo – murmurou Caroline.

 

Olá olá

Então essas aulas?

Bem, esta história está a entrar em contagem regressiva... faltam 4/5 capítulos para o fim.

Digam-me o que acharam (:

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