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Mini História

por Andrusca ღ, em 29.09.12

Esta vai ser pequenina e, como já sabem a amante de sobrenatural e fantasia que sou, óbvio que não me consigo afastar desses temas muitos tempo.

Isto é assim uma história entre o Thor e o John Carter.

Espero que gostem ^^

 

O Deus Caído

- A História de Suptka

 

Primeira Parte

 

A Humanidade sabe da existência de outros planetas no Sistema Solar. Mercúrio, Vénus, todos até ao desvalorizado Plutão. Os Homens foram até à Lua. Querem ir até Marte. Querem controlar as galáxias quando nem da Terra conseguem cuidar. Mas ninguém, nem num milhão de anos-luz, conseguirá alguma vez descobrir todas as galáxias, todos os mundos, todos os universos. Seres vivem desconhecidos por todo o lado, desde a lua até planetas distantes e anónimos. Seres aos quais muitos chamam extraterrestres, Deuses, monstros… Seres que são um pouco de tudo, e de nada. Com poderes mágicos, com mais ou menos dedos que os humanos, maiores ou mais pequenos.

Suptka é um desses planetas ainda por descobrir onde alguns desses seres habitam. Governados por Deuses fortes e poderosos, a maior parte dos cidadãos de Suptka assemelha-se aos humanos em termos de parecença. Os Deuses são como os Homens: uma cabeça, cinco dedos em cada mão e pé, dois olhos, um nariz e uma boca. É nas capacidades que se diferem. Muitas vezes temidos e considerados como impiedosos e injustos, muitos Deuses foram destituídos dos seus cargos à força pelos Suptakianos, até que houve um que conseguiu prevalecer.

Kamikamikan é, actualmente, o Imperador do planeta. Adorado pelas mulheres e admirado pelos homens, Kamikamikan jurou dar sempre o seu melhor e pensar sempre nos seus súbitos quanto às decisões a serem tomadas. Jurou ser um melhor Deus e, especialmente, um melhor governante. Apesar da sua actual figura aparentemente debilitada, das longas barbas loiras claras e dos olhos já sem o brilho de outrora, nunca ninguém o desafiou. Casou com uma belíssima Deusa, de seu nome Alith, e tiveram dois bebés: Gnaux e Kröll.

E esta é uma história sobre como um planeta inteiro foi salvo, e um herói encontrou o seu coração.

Num dia negro, que adivinhava o pior, Gnaux, filho mais velho de Kamikamikan, começou um golpe contra o pai. Era jovem e bonito, popular entre as meninas e influente entre os guerreiros. Convenceu alguns Suptakianos de que o pobre velho já era incapaz de governar e que mereciam um Deus Imperador mais competente. Com as ideias bem pensadas, precisou apenas de meia dúzia de guerreiros e, em menos de nada, a confusão instalou-se no Solar Divino, casa de Kamikamikan e família próxima. Feitiços eram lançados, espadas batiam umas nas outras, lutava-se corpo-a-corpo. Foi perante esta confusão que Kröll despertou. Bom guerreiro como era, e sempre com os instintos em alta, saiu dos aposentos e empunhou a espada. Ao ver todo o alarido e ao perceber a causa dele, percebeu que apenas tinha uma solução. A Espada Dourada da Paz. Reza a lenda mais antiga de Suptka que, aquele que possuir a Espada Dourada da Paz, sendo também o ser mais puro de todos, é capaz de combater qualquer inimigo. E, por sorte ou azar, essa espada encontrava-se no Solar.

Kröll abriu caminho, matou soldados, empurrou mulheres e crianças. Só lhe interessava chegar à espada, matar o irmão e continuar no poder. Com Gnaux afastado, quando o pai cedesse finalmente às centenas de anos que já viva, o Império ficaria para si. O poder ficaria para si. E, como guerreiro e por ter um coração corrompido com guerras e falta de sentimentos puros, o poder era tudo o que lhe importava.

Mas não conseguiu o pretendido. Gnaux prendeu os pais nas masmorras; roubou o Ceptro Mágico do Deus Imperador e deu-se a si mesmo esse título; interceptou Kröll e, fazendo uso do poder do Ceptro pela primeira vez, consciente de que o irmão era o único capaz de lhe tirar tudo o que tinha conquistado, condenou-o a passar o resto da sua vida na Terra, juntamente com os Humanos que tanto desprezava por os considerar mais fracos, sem quaisquer recordações de alguma vez ter sido um Deus. Foi esse o dia em que a humanidade viu o que lhe parecia um meteorito cair num descampado em San Francisco. Foi esse o dia em que um Deus caiu dos céus.

 

✵✵✵

 

Natalie não era nada além de uma humana vulgar com uma vida que considerava miserável. Professora de uma escola secundária, sentia-se presa a um trabalho que não a completava. Sem família nem amigos chegados, chegava a pensar que era amaldiçoada e nunca acharia o amor da sua vida nem constituiria família.

Naquela tarde solarenga, estava na esplanada de um café com duas outras professoras da mesma escola, mas não prestava qualquer atenção ao que era dito. Limitava-se a pensar em assuntos completamente sem nexo.

Sem qualquer aviso prévio, várias buzinas começaram a buzinar, e uma das professoras abriu a boca de incredulidade.

- Olhem ali – Chamou Mary a atenção. As outras mulheres voltaram-se para trás e viram um homem bastante alto e de corpo bem definido no meio da estrada. Vestia apenas umas calças e uma t-shirt, estando a roupa completamente rota e suja. Estava descalço, e tinha os cabelos até quase aos ombros, loiros, todos desgrenhados. Tinha uma barba também loira, já um pouco crescida, e parecia perdido no meio do trânsito.

Natalie abriu a boca de espanto. Parecia-lhe uma figura completamente fora do vulgar, completamente mágica. Sabia que um homem daqueles nunca olharia para si, uma mulher esguia e baixinha, com um cabelo castanho-escuro pelos ombros, sem qualquer qualidade aparente.

- Ele é…

- De tirar o fôlego – murmurou Natalie, para surpresa das outras.

- Eu ia dizer grotesco, mas claro… se gostares de sem-abrigo e gigante, ele é de tirar o fôlego – discutiu Mary.

Natalie não tirou os olhos de cima daquela figura por um segundo, e viu-a a ir contra alguns carros e depois subir para o passeio, embatendo também em algumas pessoas. Parecia desorientado. Viu-o a trocar os passos e a andar confuso até tropeçar e cair para o chão. As pessoas à volta, como nada bons samaritanos, limitavam-se a passar à volta.

Para surpresa das colegas de Natalie, esta levantou-se e quase correu até ele, baixando-se para depois se inclinar sobre o seu corpo.

- Está bem? – Perguntou, admirada com a beleza do homem. Sim, não era uma beleza característica de um homem de sonho. Era preciso olhar além disso, apreciar e deixar-se cativar. Ela tinha feito isso no primeiro segundo.

Kröll abriu os olhos e viu aquela mulher de cabelos castanhos e ondulados, curvada sobre si, e franziu as sobrancelhas.

- Não sei – respondeu-lhe. Tinha uma voz ríspida mas suave ao mesmo tempo, e o coração de Natalie falhou uma batida ao olhar para aqueles olhos azuis dele.

- Venha lá, eu ajudo-o a levantar-se – deu-lhe a mão e ajudou-o a pôr-se de pé, verificando que era muito mais alto que ela – Como é que se chama?

Kröll franziu as sobrancelhas e pensou. Pensou muito, mas não se conseguia lembrar de nada.

- Não me lembro – murmurou.

- Não se lembra? Bem… de onde é que vem?

De novo o Deus procurou bem dentro da sua mente, mas regressou sem respostas.

- Não sei – constatou.

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