Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O Deus Caído

por Andrusca ღ, em 05.10.12

 Sexta Parte

 

Quando Natalie deu por si estava numa rua completamente lotada. Tinha criaturas de três cabeças e quatro braços a lutar com seres iguais aos humanos; gigantes e anões com espadas; um inferno autêntico. Ao ver que quase era atingida pela lâmina de uma espada, soltou um pequeno grito de susto e começou a fugir aos tropeções para sair dali. Conseguiu refugiar-se dentro de uma casa cuja porta estava aberta, e suspirou de alívio.

- Quem és tu? – Ouviu, ao mesmo tempo que sentiu algo a pressionar as suas costas.

Um Suptakiano, dono daquela moradia, apontava-lhe a sua espada. Ela pôs logo as mãos ao ar.

- Não tenho armas – declarou – E sei que estão em guerra, mas não vos quero mal.

O Suptakiano franziu as sobrancelhas e desviou a espada. Inspirou ar e depois olhou para ela, admirado.

- Volta-te – ordenou. Ela obedeceu prontamente – Cheiras a… humana.

Natalie engoliu em seco. Aquele ser impunha-lhe um certo respeito.

- Sabes onde o Kröll mora? – Perguntou, sem rodeios, surpreendendo-o.

- O Deus Herdeiro está aprisionado na Terra.

- Mas onde morava, antes disso?

- No Solar Divino, obviamente.

- Como chego lá?

 

✵✵✵

 

Dentro do Solar Divino o ambiente era mais calmo. Natalie tinha-se conseguido infiltrar sem grandes problemas, pois era pequena e ninguém lhe prestava muita atenção. Andou alguns minutos perdida, e a cada curva que dava ficava mais maravilhada com aquele palácio completamente feito a ouro, prata e pedras preciosas. Um verdadeiro lar dos Deuses. Ia a andar livremente quando ouviu alguém a vir, e escondeu-se por trás da primeira porta que encontrou, que correspondia a uma sala oval apenas com uma espada no meio, cravada num pedestal grego.

- Ele não vai a lado nenhum – ouviu, do outro lado da porta.

Gnaux riu.

- O meu irmão vai apodrecer naquelas masmorras com os seus amados pais. Nunca devia ter retornado da Terra, ter morrido lá seria um destino muito menos doloroso.

Natalie engoliu em seco. Pelo menos agora sabia onde o amado se encontrava. Masmorras.

Ao voltar-se para o lado de dentro da sala onde estava, abriu a boca de espanto ao ver a Espada Dourada da Paz. Aproximou-se do pedestal para a ver melhor, completamente conquistada pela sua beleza. Era dourada de uma ponta à outra, e no cabo tinha alguns rubis e algumas esmeraldas impregnados. Todo o pedestal estava envolto por um manto ligeiramente dourado também, que funcionava como uma barreira de protecção para afastar todos os corações impuros que desejassem apoderar-se da arma mais poderosa de toda Suptka.

- É tão bonita… - sussurrou Natalie.

“Se eu vou à procura dele… vou precisar de uma arma”, pensou. Engoliu em seco e encheu o peito de ar enquanto levava a mão ao cabo da espada. Para sua surpresa, a sua mão passou sem problemas por aquela barreira, e arrancou a espada do pedestal com a maior das facilidades. Por poucos segundos a Espada Dourada ainda imitiu o seu brilho divino, mas depois cessou-o. Agora pertencia a Natalie, ao coração mais puro e bonito em toda a Suptka.

 

✵✵✵

 

Kröll conseguiu sair da cela. Atraiu o seu vigiante e agarrou-o, forçando-o a libertá-lo. Depois de ter tirado as chaves da cela dos pais, fechou-o lá dentro, levando-lhe também a espada. Subiram os três as escadas que iam dar ao andar de cima do Solar Divino e encontraram alguns empecilhos pelo caminho, que Kröll se apressou a aniquilar. Ao passarem por um dos quartos abertos, puderam ver que um dos guardas de Gnaux agarrava numa miúda pequena e, enquanto noutros tempos o Deus teria passado por ali como se nada fosse, Kröll teve que a salvar antes de prosseguir caminho. Tinha encontrado a sua consciência, o seu coração, a sua humanidade, e isso faria de si um melhor Deus. Um Deus como o seu grande pai, Kamikamikan.

Andavam os três por um dos imensos corredores do Solar quando ouviram movimento à curva. Ele depressa fez sinal aos pais que não fizessem barulho, e encostou-se à parede pronto a atacar. Natalie vinha alarmada e a olhar para todos os lados e, ao colocar-se ao lado de Kröll, este estendeu-lhe a espada. Mesmo sem ter tido tempo para pensar, a Espada Dourada “voou” até à espada dele e bloqueou-lhe o ataque sem qualquer comando de Natalie, que nunca na vida tinha manejado uma arma daquelas. Ficaram todos a olhar uns para os outros, Kamikamikan observava a espada principalmente, mas Kröll estava fixado na humana que tinha à frente.

- Nat… - murmurou.

- Encontrei-te – disse ela, sentindo um alívio enorme – Oh, graças a Deus.

Kröll ia dizer mais qualquer coisa, porém guardas começaram a aparecer de todos os lados, juntamente com Gnaux.

- Luta – disse Kamikamikan, para a terrestre.

- O quê? – Gritou ela, enquanto via Kröll a lutar com quase cinco guardas ao mesmo tempo – Não sei lutar.

- A Espada sabe!

Natalie engoliu em seco e deixou que a Espada Dourada guiasse os seus movimentos. Em poucos segundos ajudou Kröll a derrotar todos os guardas e outros que ainda teimavam a aparecer, e desarmou Gnaux, deitando-lhe o Ceptro ao chão. Kamikamikan apanhou o que era seu por direito e caminhou até ao filho, que ainda se encontrava deitado no chão.

- Pelo teu comportamento… serás exilado! – Declarou.

O Ceptro imitiu um brilho muito forte e Gnaux desapareceu, indo dar a um planeta distante e completamente deserto. Natalie trocou um breve olhar com Kröll e depois dirigiu-se a Kamikamikan, esticando o braço que agarrava na espada para ele.

- Agradeço, mas deves ser tu a pô-la de novo no pedestal – disse ele – Não sei quem és, mas não pertences a Suptka. Mesmo assim, agradeço o que fizeste.

 

E agora como é que vai ser? Voltam os dois para a Terra? Ficam os dois em Suptka? Ou fica cada um no seu planeta?

6 comentários

Comentar post