Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O Amor na Porta à Frente

por Andrusca ღ, em 15.10.12

Cá está ele (:

Comentem muito, que acho que do próximo vão gostar ;)

6 comentários ^^

 

Capítulo 4

Noite de Raparigas

 

Aquele barulho ensurdecedor soava de novo em todo aquele prédio no centro de Nova Iorque, mas Evelyn não se importou. Em vez de ficar logo aborrecida e stressada por, às oito da manhã, não conseguir dormir mais, optou por tomá-lo como um sinal de que hoje, o seu primeiro dia de regresso ao trabalho, ia ser um bom dia para o recomeço da sua vida. Se Grayson a tinha deixado, não podia ficar “agarrada” à esperança de um dia ele mudar de ideias e a ir buscar. Tinha que continuar em frente. E foi isso que fez.

Levantou-se da cama e tomou um duche rápido. Vestiu uma das suas saias pretas, justas ao corpo e um pouco acima do joelho, juntamente com uma camisa e calçou uns sapatos de salto alto. Optou por prender o cabelo numa trança e, depois de ter comido os seus cereais, saiu de casa e começou a caminhar de um modo confiante pelas ruas. “E então se estiveste numa relação de dez anos e agora estás solteira pela primeira vez desde a puberdade? Não há-de ser nada de mais, vais sobreviver”, pensava para si.

Quando chegou à clínica respirou fundo e entrou, dirigindo-se logo à bancada de recepção. Phil olhou-a de alto a baixo e sorriu.

- Então doutora, como estamos hoje?

- Vai-se andando, Phil – respondeu ela, forçando-se a sorrir – Como têm estado as coisas na clínica?

- Só esteve fora três dias, não aconteceu nada de especial. Ah! A Sra. Turner entrou em trabalho de parto.

- Já teve os bebés?

- Chegou aqui à sua procura, mas a Dra. Jones tratou do assunto. Teve duas meninas lindas.

Evelyn respirou de alívio.

- Graças a Deus. Se chegar alguém para mim, manda entrar, está bem?

- Pode deixar, doutora.

A médica dirigiu-se então ao seu consultório, onde vestiu a sua bata branca e se sentou à secretária. Olhou a fotografia que lá estava numa moldura, de si com Grayson, e suspirou. Agarrou nela e fechou-a dentro da gaveta, “fora da mente, fora do coração”, mas se ao menos fosse assim tão simples…

A meio da manhã teve um paciente, mas não passou disso. Assim que o “despachou”, foi até à máquina automática e comprou umas bolachas para acalmar o estômago até à hora do almoço. Quando voltou para o consultório pôs-se a ler um livro. Os seus livros prediletos sempre foram aqueles com os títulos gigantes e incompreensíveis, cheios de uma linguagem técnica e complicada e para lá de oitocentas páginas.

A clínica tinha dias bastante atarefados, mas outros em que só se ouviam as moscas. Os segundos iam passando, naquele relógio redondo pendurado por cima da porta, e Evelyn não deixava de pensar que, à uma hora em ponto, Grayson iria aparecer à sua porta, como sempre, com o seu sorriso encantador para irem ambos almoçar. Mas tal não aconteceu. Era uma e um quarto quando despiu a bata e se voltou a dirigir a Phil.

- Vou almoçar Phil, se chegar alguém diz-lhe que não demoro.

- Está bem, bom apetite doutora.

Decidiu não ir ao restaurando onde sempre iam juntos. Optou por comer uma sandes num café a meio caminho da clínica e da sua casa. Entrou e sentou-se numa mesa.

- Por aqui? – Ao olhar para cima viu Doug, com o avental verde-escuro preso apenas da cintura para baixo, com um bloco de notas e uma caneta na mão – Não é normal ver-te aqui à hora de almoço, boneca.

- Estou a tentar mudar de hábitos – justificou ela – Trazes-me uma sandes mista e um sumo de maçã?

- Dás-me uma gorjeta? Dava-me jeito gorjetas para poder começar com a banda…

Evelyn revirou os olhos.

- Tu não tens nenhuma banda, Doug.

Ele riu-se e foi embora tratar do pedido da vizinha.

Enquanto comia aquele almoço fora do normal, o telemóvel da médica começou a tocar, e ela sorriu ao ver de quem se tratava.

- Sim, Lizzie, levantei-me, arranjei-me e fui para o trabalho – disse logo ao atender, fazendo a amiga rir. Ela sabia o quanto Lizzie andava preocupada consigo.

- “Ainda bem! Sai cedo da clínica, porque hoje vamos sair as duas. O meu trabalho acabou mais cedo e não aceito um “não” como resposta!”

Evelyn engoliu em seco, não lhe apetecia muito sair.

- Está bem – murmurou, contrariada.

Durante a tarde teve três pacientes, mas nenhum deles apresentava algum sintoma grave. Agora a gripe andava aí e, associada a ela, as faringites e laringites que teimavam em não passar sem uma injecção. Saiu do trabalho às sete, despedindo-se de Phil, e caminhou apressadamente até casa. Depois de um duche rápido, e ainda de toalha enrolada ao corpo, comeu uma sopa e depois escolheu o que vestir. Não estava habitada a ir a bares, mas sabia que era exactamente a um sítio desses onde Lizzie a levaria esta noite. Optou por um vestido azul-escuro com uma pequena racha e justo ao corpo, e por calçar uns sapatos fechados, pretos, com um salto bastante alto. O seu cabelo, longo e liso, ficou solto. Esperou que a amiga tocasse à campainha, e então desceu para ir ter com ela.

A modelo conduziu-a até um bar a mais ou menos dez minutos de distância, onde tiveram que esperar na fila para entrar. Quando finalmente o puderam fazer, Evelyn constatou que até tinha um bom ambiente, apesar de não ser o tipo de sítio a onde voltaria muitas vezes. Ela era mais do género de grupos de leitura, pequenos ajuntamentos de negócios, festas de firmas e coisas do género.

- Anda, vamos buscar uma bebida – disse Lizzie, que envergava um justo e curto vestido dourado, enquanto puxava a amiga pela mão.

Foram até ao bar e sentaram-se lá nuns bancos altos. O empregado depressa acedeu ao pedido de ambas e colocou as bebidas coloridas às suas frentes, recebendo o seu dinheiro. Lizzie deu um golo, através da palhinha, na sua bebida e depois sorriu.

- Então, o que achas?

Evelyn encolheu os ombros.

- A música está demasiado alta.

Lizzie riu-se e revirou os olhos.

- Não temos absolutamente nada em comum, Dra. Tucker. Ainda estou para saber o que vi em ti.

Evelyn riu-se e começou a lembrar-se da primeira vez que tinha visto Lizzie. Estava na clínica e notou uma grande agitação na rua, por isso decidira ir espreitar à janela. Lizzie estava a tentar passar a estrada, mas tinha demasiadas pessoas à sua volta. Evelyn lembra-se de ter pensado que a outra se tratava de uma cantora, ou uma actriz, visto não conhecer muitas pessoas dessas áreas. Enfim, com toda a confusão à sua volta, e devido aos enormes saltos que levava nos pés, Lizzie acabou por trocar os passos e cair no chão. Nesse momento os instintos de médica de Evelyn levaram a melhor e então ela saiu a correr para o meio da rua, para a ajudar a levantar.

- Sou a Dra. Tucker – disse, ao ver que a modelo não se conseguia colocar em pé – Parece que torceu o pé, Sra.…

- McAdams. Lizzie McAdams – completou a outra.

- O meu consultório é já ali do outro lado da rua. Vamos levá-la até lá.

Dentro do consultório, enquanto Evelyn tratava do tornozelo de Lizzie, esta começou a fazer todo o tipo de perguntas. Aos poucos começaram a encontrar-se, a tornar-se mais familiares, até ficarem completamente inseparáveis.

- Nem eu, Sra. McAdams – respondeu Evelyn, ao anterior comentário da amiga – Nem eu.

- Anda lá, vamos dançar!

Antes de conseguir refilar, já Lizzie tinha agarrado na sua mão para a puxar para a pista de dança. A modelo começou a abanar-se ao som da música, porém Evelyn parecia estar hipnotizada.

- Não sei dançar este tipo de música! – “Tango, valsa, merengue, tudo bem, mas música de discoteca é que não”, pensou para si.

- Só tens que te descontrair – aconselhou a amiga – E eu tenho que te arranjar um menino jeitoso para te divertires esta noite.

- Lizzie!

- O que foi? Tens quase trinta anos e só estiveste com um homem, Evie. Diverte-te hoje à noite, faz tudo o que não pudeste fazer em dez anos!

“Tenho vinte e seis anos… ainda faltam quatro para os trinta…”, corrigiu ela.

- Mas não me quero divertir.

- Isso vai mudar depois de uns shots. Qual é o teu plano? Arranjar um gato e viver com ele até morreres? Não! Vais arranjar um rapaz jeitoso, vais ter a melhor noite da tua vida, ser aventurosa, ser romântica, e amanhã voltas a ser aborrecida.

6 comentários

Comentar post