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O Amor na Porta à Frente

por Andrusca ღ, em 22.10.12

Capítulo 6

Relatos aos Amigos

 

Evelyn estava no consultório com uma pilha de nervos. Não tinha nenhum paciente, e não conseguia ficar quieta. Primeiro batia com o pé, depois andava de um lado para o outro. Tentava a todo o custo lembrar-se de mais pormenores da noite passada, apesar de já se lembrar de todas as partes importantes. Era seguro dizer que estava arrependida, mas uma pequena parte de si continuava a reviver aqueles momentos. Talvez fosse pelo facto de nunca ter estado, até àquela altura, com outro homem sem ser Grayson, mas a verdade era que ela tinha gostado. Não de um modo perverso ou de fetiche, fora diferente. Agora só conseguia pensar em como iria encarar Doug, mas algo que lhe dizia que ele já mal se iria lembrar. Entravam tantas raparigas por aquela porta à frente da sua, que ela não passava apenas de mais uma. E queria que tudo continuasse assim. Fora uma noite, nada mais.

Finalmente a porta do seu gabinete se abriu e, por trás dela, apareceu Lizzie. Vinha radiante, como sempre, em cima dos seus sapatos altos e com um vestido simples.

- O que aconteceu? – Perguntou, assim que entrou.

A médica foi até à amiga e puxou-a até à maca, onde a sentou. Sentou-se também ao seu lado e respirou fundo.

- Não me podes julgar – avisou-a logo. Lizzie assentiu com a cabeça.

- Conta-me, conta-me!

- Então, ontem à noite fui para casa sozinha… lembras-te?

- Sim, e…?

- E estava a entrar em casa quando comecei a pensar no que tinhas dito… que tinha que relaxar mais, e fazer asneiras…

- Eu nunca disse para fazeres asneiras.

Evelyn revirou os olhos, ela podia não ter usado exactamente aquelas palavras…

- Pronto. Comecei a pensar nisso, e olhei para a porta à frente da minha e depois acho que nem pensei mais e… fiz uma asneira.

Primeiro Lizzie ficou a olhar para ela com um ar confuso mas depois, de um momento para o outro, foi como se uma luz se tivesse acendido no seu cérebro. Abriu a boca numa exclamação e começou-se a rir.

- Com o vizinho sexy?! – Lizzie olhava escandalizada para a amiga, que estava mais vermelha que um tomate.

- Sim… - confirmou ela – Oh Deus, Lizzie, o que fui eu fazer?

A modelo soltou uma gargalhada bem sonora.

- Algo que se eu pudesse, já tinha feito há muito tempo! – Evelyn olhou chocada para a ela – Oh, não me digas que isso nunca te tinha passado pela cabeça. O homem é, provavelmente, um dos mais bonitos que por aqui andam. E olha que eu conheço modelos internacionais!

Evelyn revirou os olhos, já devia esperar uma reacção daquele género vindo dela. Lizzie podia ser muito boa pessoa, mas era a pior a quem se podia recorrer para conselhos daquele género. Para ela o melhor remédio para superar uma relação, é entrar-se logo noutra. Estranhamente, é solteira desde que Evelyn a conhece.

- Mas vá, agora vamos almoçar, não é? Anda lá que já estou esfomeada – disse – Onde vamos?

- Agora tenho dois sítios a evitar: o restaurante onde ia com o Grayson, e o café onde o Doug trabalha.

Lizzie sorriu maquiavelicamente, o que fez com que Evelyn franzisse as sobrancelhas.

- Estás numa encruzilhada, querida amiga. A qual desses dois sítios vamos?

- Há mais restaurantes em Nova Iorque, Lizzie.

- Mas eu quero ir a um desses. A escolha é tua.

 

 

- E ela apareceu-me à porta! Foi completamente do nada! – Doug fazia um relato pouco pormenorizado sobre a noite anterior, e os seus três amigos olhavam-no incrédulos.

Estavam os quatro sentados no café onde ele trabalhava, e ele tinha o avental verde à cintura e o bloco de notas na mão, porém parecia estar bastante descontraído.

- A doutora sexy? – Perguntou Dave, sem conseguir acreditar – Aquela que mora à tua frente? A que usa as saias apertadas e…

Dave era um homem com quase trinta anos, com os cabelos claros e olhos escuros. Vestia sempre um casaco de cabedal escuro e umas calças de ganga. Era, de entre os quatro, o mais entroncado e o que mais músculos possuía.

- Sim! – Exclamou Doug.

- E ela simplesmente… não acredito – murmurou Riucci.

Riucci tinha chegado à América, vindo da Índia, há cinco anos. Adaptara-se rapidamente ao novo país, e conseguia fazer amigos com uma certa facilidade. Tinha a pele muito bronzeada e o cabelo escuríssimo, tal como os olhos.

- Bolas… tu és um gajo cheio de sorte – disse Wren, a rir-se.

Wren tinha andado na escola com Doug, já se conheciam há muitos anos. Depois de Doug ter deixado Alabama para ir para Nova Iorque, pararam de falar, mas então Wren mudou-se também para lá e voltaram a dar-se bem. Fora Doug que o apresentara ao resto do grupo.

- Digo-vos… fui uma noite “do caraças”! – Riu-se Doug.

Os outros abanaram a cabeça e reviraram os olhos enquanto se riam. Pararam com os risinhos quando viram o patrão de Doug a aproximar-se da mesa com um ar pouco contente. Era um homem de origem oriental já com os seus cinquenta anos, muito redondinho e com pouco mais de três cabelos na nuca.

- Ei, Doug! Eu pago-te para estares aí sentado na conversa ou para servires cafés?! Vá, toca a trabalhar! – Ralhou-lhe.

Doug engoliu em seco e trocou um olhar com os amigos antes de se levantar.

- Desculpe, chefe – pediu, à medida que se dirigia de novo ao balcão.

Poucos minutos depois entraram Lizzie e Evelyn, que andava contrariada. Primeiro optara por ir ao restaurante onde costumava ir com o antigo namorado, mas ao chegar lá arrependeu-se. Tal como se estava a arrepender agora. Passaram pela mesa onde os amigos de Doug estavam sentados e eles olharam-nas de alto a baixo.

- Olá doutora – disse-lhe Wren, rindo-se. Evelyn olhou para ele e sorriu-lhe.

- Olá Wren. Olá rapazes – cumprimentou. Não os conhecia bem, apenas de os ver poucas vezes no prédio. Doug tinha o descaramento de lhe ir pedir pipocas ou bebidas para eles. Ao contrário dele, Wren sempre fora simpático para ela, era alguém de quem não tinha queixas nenhumas.

Foram-se sentar numa mesa um pouco mais afastada e, para sorte da médica, foi um dos outros empregados a anotar o pedido de ambas. Doug estava para dentro da cozinha.

Conversaram sozinhas durante algum tempo, até que quem veio com as suas comidas foi o vizinho que Evelyn esperava conseguir evitar por mais algum tempo. Ao vê-la, Doug não conseguiu evitar colocar o seu sorriso matreiro.

- Olá, mademoiselles. Então doutora, hoje vamos brincar outra vez aos enfermeiros? Ou vais-me só devolver o meu lençol? – Brincou, enquanto lhe punha o prato à frente. Evelyn sentiu as bochechas a corar.

- Meu Deus… talvez possamos brincar aos polícias… e eu te possa dar um tiro – ripostou, com um tom azedo.

- Desde que me dês mimos depois…

Doug foi para trás do balcão e Lizzie começou a rir-se à gargalhada, para embaraçado a amiga. “Isto vai ser bonito vai”, pensou ela, com receio do que pudesse vir aí.

 

O que estão a achar da história até agora?

Demasiado parada e previsivel? xD

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