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O Amor na Porta à Frente

por Andrusca ღ, em 24.10.12

Capítulo 7

A Namorada Falsa

 

Evelyn tinha acabado de atender um paciente quando a Dra. Jones, outra das médicas da clínica, a foi chamar.

- Evie, vens comigo? – Pedira.

Levou-a até à sala comum, uma pequena sala com dois sofás, um frigorífico cuja luz já nem acende, uma mesa com umas cadeiras e uma televisão daquelas que já passaram de moda. Lá esperavam-na Phil e o Dr. Porter, o último dos médicos da clínica. Ela estranhou estarem lá todos reunidos.

- O que se passa? – Questionou.

- Senta-te, por favor – pediu Phil.

Após engolir em seco, a médica fez o que lhe fora pedido. Os outros três ficaram à sua frente, e não pareciam estar muito descontraídos. Será que havia algum problema? Estaria a clínica com dívidas? Será que os medicamentos tinham passado o prazo de validade e que, por engano, alguém os tinha dado a algum paciente?

- Vá lá, digam-me. Há algum problema com a clínica?

- Não, nada disso – negou o Dr. Porter, sempre com o seu tom calmo e compreensivo – Queríamos falar contigo sobre uma coisa. Como sabes, o Natal está-se a aproximar e…

- Ah, isso! Não têm nada com que se preocupar – apressou-se ela a interromper, forçando um sorriso. A clínica nunca fechava, por isso entre eles tinham que coordenar as férias para que houvesse sempre alguém lá para o caso de haver alguma emergência – Podem tirar as duas semanas antes e uma depois, eu fico por cá.

Os dois médicos trocaram um olhar entre si, tal como entre o recepcionista.

- Era mesmo disso que queríamos falar… - disse a Dra. Jones – Queremos que tires tu essas três semanas.

Evelyn franziu as sobrancelhas.

- Mas eu trabalho sempre no Natal – argumentou.

- Por isso é que deves ser tu a ter as férias este ano – disse Phil.

- Exacto! – Exclamou o Dr. Porter – Desde que viemos os três para cá que nunca tiveste férias no Natal… não é justo. Eu e a Claire falámos e combinámos conciliar as nossas férias para que a clínica nunca ficasse sem ninguém. Não tens que te preocupar com nada, vai descansada.

- Não Carl… - discutiu Evelyn – Eu trabalho sempre no Natal… a minha mãe está na Alemanha e o Grayson também fica sempre no escritório… apesar de isso agora já nem importar. Não sei o que fazer com três semanas livres…

- Viaja… lê um livro… vê televisão… - disse-lhe Claire – A verdade é que tens muitas horas de férias acumuladas… Talvez precises de algum tempo para te recompores de tudo o que aconteceu.

- Estou solteira Claire, não morreu ninguém.

- Mesmo assim – insistiu Carl – Por três semanas estás proibida de vir para cá a não ser que estejas com uma doença grave, entendido?

Ao olhar para a cara dos três, Evelyn viu que não tinha nenhuma oportunidade de se livrar daquilo. Na verdade trabalhar no Natal nunca a incomodara, como não tinha ninguém para o passar consigo, preferia até distrair-se a fazer algo de útil.

- Se tem mesmo de ser… - concordou, contrariada.

 

 

Doug e Wren subiam as escadas para a casa do primeiro. Já passavam das sete da tarde e nenhum deles tinha planos para mais tarde: planeavam beber umas cervejas, mandar vir uma pizza e “agarrar-se” à PlayStation.

- Não sei o que fazer… - desabafava Doug. Mais cedo, nesse próprio dia, tinha recebido um telefonema dos pais. Como sempre, iria lá passar o Natal e, visto que tinha três semanas de férias, combinaram que ia assim que elas começassem. Era um modo de estarem mais tempo juntos e de matarem as saudades. Porém os pais de Doug não o esperavam apenas a ele…

- Isso não é nenhum problema – disse-lhe o amigo – Arranjas uma mulher qualquer, seduze-la por esta semana, leva-la contigo e depois quando voltarem acabam tudo. É simples.

Doug revirou os olhos e retirou as chaves do bolso, deixando-as cair.

- Pois, sim, como se houvesse alguma maluca capaz de concordar com isso – disse, céptico – Nem o ser mais desesperado à face da Terra concordava com uma coisa dessas.

- Mas não lhe precisas de dizer.

- Claro, só preciso de a apresentar à família toda após uma semana de namoro.

Nesse momento a porta das escadas abriu-se e Evelyn entrou com um saco de comida chinesa numa mão, e o telemóvel na outra, começando a subir as escadas.

- Não Lizzie… oh pá, eu sei, mas não estava nada à espera… - reclamava.

- “Então mas três semanas de férias é assim tão mau?”

- Se três semanas de férias é mau?! – Doug arrebitou o ouvido, e Wren viu no seu olhar que um plano se formava – É péssimo! Não tenho nada para fazer durante esse tempo, vou ficar a apodrecer em casa!

- “Vai viajar… vai até Roma, ou ao Japão… sai de Nova Iorque. Vai fazer-te bem mudar de ares”.

- Mudar de ares? Esquece… vou só… comer porcarias enquanto vejo filmes o dia inteiro…

Evelyn chegou até ao seu andar, onde encontrou os outros dois que a observavam com ar de caso.

- “Tu é que sabes” – disse-lhe a amiga.

- Olha Lizzie, telefono-te depois, está bem? Beijo – não a deixou dizer mais nada e desligou a chamada, olhando depois para Doug e Wren à medida que franzia as sobrancelhas – Porque é que estão a olhar assim para mim?

Doug olhou para o amigo.

- Achas…?

- Não, é má ideia – advertiu-o ele, em vão.

- Ouve, Evie… eu sei que temos as nossas diferenças mas… ouvi que ias passar o Natal sozinha, e isso é simplesmente triste – disse Doug, com uma voz demasiado calma. Evelyn olhou para Wren, confusa, mas este apenas encolheu os ombros – Podias vir connosco para Alabama. Vais adorar! Podes ficar com a minha família, vais ver que te divertes.

Ela não sabia se havia de rir, ou ficar chocada.

- O quê…? – Perguntou – Estás a falar do quê? Claro que não vou passar o Natal com a tua família, nem sequer os conheço.

- Conheces-me a mim, e ao Wren. As pessoas de lá são todas simpáticas, prometo! – Insistiu ele.

Sim, as pessoas do sul eram sempre amigáveis mas também não gostavam muito das pessoas que vinham de grandes cidades, e tinham por hábito fazer muitos mexericos a toda a hora.

- E devo acreditar que me estás a fazer essa oferta pela pura bondade do teu coração… - murmurou a médica, com sarcasmo.

- Claro!

- Pára de dizer tretas, Doug. Para que é que precisas de mim?

Doug suspirou e revirou os olhos, enquanto o amigo se riu.

- Ele precisa de uma namorada – justificou Wren – para apresentar aos pais.

Evelyn riu-se.

- E eu ia ser a namorada? Porque… estamos tão apaixonados e damo-nos tão bem?

- É só por três semanas.

- Porque é que precisas de uma namorada?

- Ouve... há uns tempos disse à minha mãe que tinha encontrado uma rapariga... e ela pediu-me que a levasse lá.

- E essa rapariga, é real ao menos?

- Real é... eu só não disse aos meus pais foi que já tínhamos acabado tudo. Vá lá Evie, não vai ser assim tão mau.

Evelyn começou a pensar. Em Nova Iorque não ia ficar a fazer nada, mas também não lhe apetecia muito ir enfiar-se em Alabama. Talvez se tivesse algum incentivo…

- O que é que eu ganho? – Perguntou.

- Isso é chantagem – acusou Doug.

- Então podes apresentar-lhes o Wren. Já estou a ouvir os comentários, “filho de gente local assume-se gay após trinta anos”.

Ela encolheu os ombros e abriu a porta de casa, sem dar qualquer sinal de que mudaria de ideias. Doug soltou um pequeno grunhido de frustração e depois respirou bem fundo.

- Silêncio – disse-lhe, captando-lhe de novo a atenção – Detestas ter-me a ensaiar em casa… arranjo outro sítio e não tens que me voltar a ouvir. Serve?

Ainda de costas para ele, Evelyn sorriu triunfante. Três semanas no sul em troca de uma vida inteira sem ter que ouvir aquela guitarra enervante novamente? Era uma proposta ainda melhor do que a que esperava.

- Combinado. Estou livre a partir de sexta-feira.

 

Só três comentários no capítulo anterior?

Então pessoal, quem tem tempo para ler também tem para comentar um simples "gosto" ou "não gosto", não custa nada.

Kiss

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