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O Amor na Porta à Frente

por Andrusca ღ, em 02.11.12

Este chegou um pouco mais depressa do que o previsto...

Espero que gostem (:

 

Capítulo 10

As Opiniões da Família

 

Quando Evelyn despertou estava sozinha naquele quarto. Sentiu um cheiro a natureza que, para ser sincera, não desgostou. Ouvia os pássaros em vez do trânsito, e isso também lhe agradava. Sorriu ligeiramente e depois, ao voltar-se para o lado, deu um grito enorme ao ver Donald, o pato branco, em cima da cama ao seu lado. Ao voltar-se depressa, caiu da cama e ouviu toda a casa em alvoroço: toda a família se encontrava agora à porta do quarto.

- Alguém que cozinhe este maldito pato – murmurou, entre dentes, sem ninguém ouvir.

- Evie! Estás bem? – Perguntou Theresa, preocupada – O Donald fez-te alguma coisa?

- Não, não… - a médica apoiou-se na cama e sorriu com um ar um pouco tímido e embaraçado – Assustei-me, foi só isso. Está tudo bem – Porém, ao observá-los, viu que faltava um deles – Onde está o Doug?

- Foi dar milho às galinhas – disse-lhe Steve – Não queres vir comer qualquer coisa? Deves ter fome. A Theresa fez um bolo de laranja fabuloso!

- Claro. Vou-me só vestir.

Ela não percebeu porquê, mas todos a olharam de lado ao ouvi-la dizer aquilo. Theresa ainda se encontrava de camisa de noite; Steve envergava o que parecia ser um fato-de-treino velho; e a pequena Lola tinha também o pijama e dois totós. Mesmo assim, pegaram em Donald, saíram do quarto e deixaram-na à vontade. Evelyn remexeu na roupa que tinha levado, na mala, e percebeu que não sabia o que vestir. Optou por umas calças castanhas e uma blusa bege, com alguns folhos e bastante bonita, e por uns sapatos de salto alto do mesmo tom. Foi até à casa de banho e, após passar a cara por água, penteou-se e aplicou apenas um pouco de maquilhagem.

Tocaram à campainha e, como ia no corredor, Evelyn gritou para os pais do suposto namorado a dizer que ia abrir a porta. Ao fazê-lo, deu de caras com Wren e Maura.

- Olha quem eu encontrei a meio do caminho – comentou a irmã de Doug, a rir-se. Só então reparou na roupa da médica, e até Wren franziu as sobrancelhas – Hum… Evie… vais a algum lado?

Ela encolheu os ombros.

- Acho que não… porquê?

- Nada, deixa lá.

Maura entrou e dirigiu-se à cozinha, onde os pais estavam. Já Wren fechou a porta e posicionou-se ao lado de Evelyn, suspirando.

- Isto não é Nova Iorque, Evie, não precisas de andar tão arranjada – comentou, fazendo-a olhar para ele confusa.

- Mas… é as roupas que tenho… estou mal?

- Não, estás… demasiado bem. As pessoas aqui vestem-se de um modo mais simples, percebes? Saltos altos, por exemplo, só usam em festas ou saídas… e quando estão em casa estão com a roupa mais confortável que têm.

- Não sabia…

Acabaram por encolher os ombros e dirigirem-se à cozinha, onde ouviram os outros a falar.

- Olha lá mãe… ela é muito fina, não é? – Perguntava Maura.

- Maura! É a namorada do teu irmão, não armes confusões – ralhava o pai.

- Oh, vá lá, admite que é verdade. E parece tão… superior – insistiu ela.

- E parece um pouco deslocada, temos que admitir – apoiou Theresa – Pobre coitada, viram a cara dela quando Donald estava no quarto? Deve detestar o campo.

“Lá isso é verdade”, concordou Evelyn. Entrou na cozinha com Wren e todos o cumprimentaram. Deu para ver que eram chegados.

- Meu Deus, tanta comida! – Exclamou ela, ao ver que na mesa se encontrava o tal bolo de laranja, leite, sumo, ovos…

- Não tenhas vergonha, come o que quiseres.

Evelyn sorriu. Apesar de não terem muito boa impressão de si, estavam-se a esforçar para que se sentisse bem. Ela ia tentar também, mais que não fosse para tentar garantir que aquelas três semanas corriam bem.

Sentou-se à mesa e comeu uma fatia do bolo em conjunto com uma chávena de café. Wren também aproveitou para petiscar e comeu umas quantas bolachas, tal como Maura.

Doug chegou pouco depois, vestido com umas calças de ganga, uma blusa branca de cavas e uma camisa com um padrão axadrezado, desabotoada. Evelyn arrepiou-se da cabeça aos pés.

- Não tens frio? – Perguntou, sem lhe dar o beijo de bons dias que todos esperavam. Ele foi melhor actor, e baixou-se dando-lhe um leve beijo na testa.

- Tenho. Vim buscar um casaco e vou até à cidade. Não queres vir comigo, boneca?

Ela mordeu-se toda. Odiava que lhe chamasse boneca.

- Sim, pode ser.

Mas então ele olhou-a e mordeu os lábios.

- Então vais mudar de roupa – afirmou, para surpresa de todos – Primeiro, vais ter frio com isso… e segundo, não vamos a festa nenhuma, não precisas de andar tão aperaltada.

- A minha roupa é toda assim.

- Anda, vamos tratar disso.

Foram até ao quarto e Doug tirou de uma das gavetas uma blusa sua, quente e de manga comprida, cor de vinho. Passou-lha para as mãos, e Evelyn mirou-o.

- Com essa não tens frio, e ninguém te vai olhar de lado – disse ele, convicto.

Ela encolheu os ombros e acedeu ao seu pedido. Após ele sair do quarto, vestiu umas calças de ganga com aquela blusa e umas botas pretas também de salto alto. Quando saiu do quarto, todos a miraram. A blusa ficava-lhe um palmo abaixo da cintura, e estava-lhe algo larga, mas não lhe ficava mal.

- Bolas, ficas sexy! – Exclamou Doug, fazendo todos rir – Mãe, não contes connosco para o almoço, vou-lhe mostrar a cidade.

“Não deve ter muito que ver”, pensou Evelyn para si.

E tinha razão. Havia apenas um café/bar e um restaurante. Uma pequena livraria e uma pastelaria. Uma bomba de gasolina e uma pequena capela. Não era nada de extraordinário, nada como a grande cidade que nunca dorme.

Wren ainda os acompanhou por algumas horas, almoçou com eles no café, mas então teve que ir fazer uns recados à mãe. Continuaram os dois o passeio, até que uma bela mulher de cabelos castanhos, curtos, fez a curva e Doug ficou com o olhar preso nela. Vestia uma saia comprida e um casaco bem quente. Ao vê-lo, abriu os lábios num sorriso.

- Doug?! Não acredito! – Cumprimentaram-se com um grande abraço, e então a mulher ficou a olhar para Evelyn com um ar curioso.

- Lynn, esta é a Evelyn. Evie, esta é a Lynn – apresentou ela. Cumprimentaram-se as duas com breves “olá” e sorrisos trocados.

- É a tua namorada? – Questionou Lynn. Evelyn notou a reticência dele em responder, mas Doug acabou por dizer que sim – É linda. És um rapaz cheio de sorte.

- Sim, pois sou.

- Olha, já que cá estás… amanhã alguns homens da cidade vão-se encontrar perto da escola para ajudar a pintá-la e a arranjar algumas das salas. Já estava a ficar demasiado degradada… espero que dê para conseguirmos despachá-la antes das aulas começarem.

- Precisas de ajuda?

- Toda ela é pouca. Se quiseres aparece por lá às dez da manhã, está bem? Tu também podes vir, Evie.

- Claro – prontificou-se logo Doug. Evelyn assentiu com a cabeça.

- Agora tenho que ir, vou para lá. Até amanhã então.

Lynn seguiu o seu caminho, e os outros dois sentaram-se num dos bancos, posicionados no passeio, que acompanhavam a estrada.

- O que aconteceu entre vocês? – Perguntou Evelyn, ao fim de alguns minutos de silêncio.

- O quê?

- Entre ti e a Lynn.

- Namorámos por alguns anos. Então fui para Nova Iorque, ela quis ficar… acabei com ela. Soube pouco tempo depois que se tinha tornado professora na escola primária daqui.

- Pensava que tinhas dito que, se encontrasses o amor da tua vida, nunca a deixarias escapar.

Doug riu-se ligeiramente.

- Ela não era o amor da minha vida. Disse isso, sim, mas se achasse que essa pessoa ficava melhor sem mim era o primeiro a afastar-me. A minha mãe costuma dizer “se amas algo, deves deixá-lo ir. Se regressar, pertence-te”. Que não podemos lutar com o destino, e o que tiver que ser será.

- Acreditas nisso? No destino?

Ele encolheu os ombros e olhou directamente para ela.

- Não sei. Tu acreditas?

- Não. Sou uma médica… não posso esperar que uma doença se cure por causa do destino. Acredito que nós fazemos o nosso próprio destino.

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