Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O Amor na Porta à Frente

por Andrusca ღ, em 06.11.12

Capítulo 12

O Pequeno Casamento

 

A campainha soou e Doug foi abrir a porta. Era uma mulher nos seus trinta anos, que ele reconheceu instintivamente. Depois de a cumprimentar com um abraço, dirigiu-a à sala onde Evelyn jogava ao Monopoly com Lola e os outros viam televisão. As obras na escola estavam finalmente terminadas e, daí a quatro dias, seria o Natal. Era incrível de crer que já se tinham passado quase duas semanas desde que chegaram a Alabama.

- Boa tarde, família! – Cumprimentou, com uma pronúncia carregada.

Theresa levantou-se do sofá e deu-lhe um braço, tal como Steve a seguir o fez. Evelyn levantou-se do chão e sorriu-lhe timidamente.

- Sou a Evelyn – apresentou-se. A outra encolheu os ombros, disse que se chamava Dina, e puxou-a para a abraçar também. Era isto que Evelyn achava incrível nas pessoas do sul, eram sempre tão amorosas e familiares com toda a gente.

- É a minha namorada – completou Doug. Evelyn olhou para ele, ainda não estava habituada a ser apresentada assim.

- Quem diria, o meu priminho com uma moça tão jeitosa, hum? Sabem porque é que aqui vim? – Dina esticou o braço, permitindo ver um pequeno diamante no seu dedo – O casamento é amanhã!

- Já? – Perguntou Theresa – É tão súbito, Dina.

- Eu sei, mas quisemos fazer tudo antes do Natal. Vocês vão, certo? Vai ser no centro da cidade, ao ar livre, como eu sempre quis…

- Claro – aceitou Steve, prontamente – Só não sei o que te vamos dar de presente… não estávamos a planear ir a uma grande festa dessas agora.

- Ora, deixa isso, dão-me depois. Só vos quis vir convidar, agora tenho que regressar aos preparativos…

- Eu… - todos olharam para Evelyn, para que ela pudesse ser escutada – Obrigado pelo convite, Dina, mas acho que não vou…

Dina ficou chocada a olhar para ela.

- O quê? Mas porquê?

- Porque… não sou família, não sei – balbuciou a médica – Um casamento normalmente é algo privado, e tu nem sequer me conheces…

- Tolices! És a namorada do meu primo, por isso tenho todo o gosto em ter-te lá comigo. Não aceito um “não” como resposta.

 

 

Evelyn estava no quarto, apenas de roupão vestido, com a roupa toda espalhada pela cama. Doug entrou e olhou em choque para aquilo tudo.

- O que é se passa?

- Não tenho nada para vestir – ele olhou incrédulo para ela – Não vim preparada para um casamento, não…

- Estás maluca? Tens uns cinco vestidos em cima da cama!

- Sim, mas não são de cerimónia, não…

- Meu Deus… - ele revirou os olhos e depois dirigiu-se ao roupeiro, de onde tirou uma camisa e um fato. Desviou alguns dos vestidos e colocou a sua roupa também em cima da cama. Em seguida tirou a blusa, e Evelyn desviou o olhar. Ele riu-se – Estás a gozar?

- O que foi?

- Deixa-me adivinhar… achas que se olhares para mim, não me vais conseguir resistir – disse, presunçoso, enquanto andava na direcção dela e se punha à sua frente.

- O quê? Isso é de loucos. Só para que saibas… acho-te repugnante. Aliás, nem sei como é que estás há tantos dias sem uma rapariga, o máximo que te tinha visto sozinho tinham sido dois dias.

- Repugnante? – De novo, Doug riu – Vá lá, boneca, se fosse assim tão repugnante não tinhas vindo bater à minha porta naquela noite.

Ela olhou para ele de boca aberta.

- Estava bêbeda, seu idiota! E tu aproveitaste-te! – Acusou.

- Ei! Tu é que vieste para cima de mim com tudo o que tinhas. Limitei-me a não recusar.

- Deus, és mesmo horrível. Sai daqui, quero-me vestir.

- Podes-te vestir, não há nada que ainda não tenha visto.

Ela rangeu os dentes e empurrou-o para conseguir chegar aos vestidos. Agarrou num lilás e despiu a blusa – que era dele –, e as calças. O vestido era de meia manga e dava-lhe um pouco acima do joelho. Tinha um decote bem acentuado, e para o enfeitar Evelyn colocou um cinto preto, largo, a condizer com os sapatos de salto alto. Em seguida fez um apanhado com o cabelo e aplicou um pouco de maquilhagem. Infelizmente, não tinha nenhuma bolsa de cerimónia, teve que levar a mala que sempre usava, também preta.

Saíram todos juntos para o casamento. O largo estava belissimamente enfeitado, com as cadeiras em redor do peloirinho, onde os noivos trocaram os votos de amor e foram abençoados pelo padre local. Depois todos se dirigiram aos comes e bebes, feitos no pequeno parque lá ao lado, onde estavam várias mesas com comida, e outras sem nada para serem ocupadas pelos convidados.

- Olhem, ela vai lançar o buquê! – Disse uma das solteironas da localidade. De súbito, todas começaram a correr para ao pé Dina, que se encontrava em cima de uma das mesas.

- Não o vais tentar apanhar? – Perguntou Maura, a Evelyn.

- Não, eu…

- Vai lá – a irmã de Doug empurrou a médica para o meio da multidão e ela permaneceu lá, quieta. Mesmo sem se esforçar, o ramo de flores da noiva foi-lhe parar directamente às mãos, deixando-a em estado de choque.

- Olha ali, parece que vais ter casório em breve – gozou Wren com Doug, que revirou os olhos ao ver a suposta namorada a ficar com o buquê.

Depois disso a música começou, mas estava tudo muito calmo. Os convidados comiam, conversavam, mas Evelyn estava sentada numa cadeira perto do lago, completamente sozinha e presa em memórias. A mãe de Doug chegou-se ao pé dele, que estava sentado a beber champagne com Wren, e deu-lhe um toque no ombro.

- O que é que ela tem? – Perguntou-lhe.

- Sei lá, mãe.

Theresa deu-lhe uma pancadinha na cabeça, o que o fez revirar os olhos.

- Então vai descobrir, ora essa!

Doug trocou um olhar com Wren e pousou o copo de champagne na mesa, soltando um suspiro. Caminhou até à médica e tocou-lhe no ombro, para a fazer ver que estava ali.

- Precisas de alguma coisa? – Perguntou ela, esforçando-se por sorrir.

Doug franziu as sobrancelhas, ela tinha os olhos brilhantes e tristonhos.

- Anda lá, vamos dançar – propôs, com um sorriso de orelha a orelha.

Evelyn olhou para a relva destinada a esse fim, e verificou que estava vazia.

- Mas não está ninguém a dançar.

- Só estão à espera que alguém comece. Anda lá – Ele puxou-a e conduziu-a até à pista de dança. Colocou a sua mão em redor da cintura dela e juntou os corpos de ambos. Evelyn franziu as sobrancelhas, ele dançava bem – Vais-me dizer porque é que estás tão triste?

- É estúpido, Doug.

- Diz-me.

Evelyn engoliu em seco e depois respirou bem fundo.

- Pensei que fosse ficar noiva – Doug olhou para ela e franziu as sobrancelhas.

- O quê?

- Na noite em que o Grayson acabou comigo, pensava que me ia pedir em casamento. Era o nosso décimo aniversário e pensei… não sei. Mas vir a este casamento, e apanhar o buquê… acho que me atingiu mais do que pensava que ia atingir.

Ele apenas assentiu e não disse mais nada. Como tinha afirmado antes, agora outros pares dançavam ao som da música tocada por aquela banda tudo menos sincronizada. Uns quantos casais foram meter conversa com eles, primos distantes de Doug, e mostraram-se os dois sempre muito simpáticos.

- E então primo, para quando é o casamento? – Perguntou uma mulher baixa e gorda.

- Oh, nós ainda não pensamos nisso – disse logo Doug, algo atrapalhado.

- Ora… então e filhos? De certeza que já pensaram em filhos. Quantos querem? – Questionou um outro primo.

- Dois – disseram Doug e Evelyn ao mesmo tempo, trocando depois um pequeno sorriso entre si. Evelyn prosseguiu: - Uma menina e um menino. A rapariga vai-se chamar Maggie.

Desde pequena que Evelyn adora esse nome, e sempre o quis pôr a uma filha sua.

- Adoro o nome “Maggie”! – Exclamou Doug, fazendo com que todos rissem – E o rapaz vai ser Steve, graças ao meu pai.

Evelyn assentiu e a conversa continuou. Passados poucos minutos os casais começaram a dispersar, e os dois ficaram de novo sozinhos na pista de dança. Mas isso não intimidou o sulista, que agarrou de novo na rapariga e a fez rodopiar. Ela soltou uma gargalhada e assentiu com a cabeça, a dança ia continuar.

- Estavas tão preocupada com o que vestir, que nem reparaste que estás mais bonita que a noiva – elogiou ele, fazendo-a revirar os olhos.

- Não abuses – brincou ela – E obrigado.

5 comentários

Comentar post