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O Amor na Porta à Frente

por Andrusca ღ, em 22.11.12

Capítulo 19

A Gripe

 

Evelyn levantou-se da cama e sentiu-se zonza. Olhou-se ao espelho e verificou que estava completamente horrível. As olheiras estavam enormes e os olhos avermelhados. Tossiu e notou que tinha uma certa dificuldade em respirar: o nariz estava entupido. Olhou para as horas, tinha que ir trabalhar, e suspirou. Não se sentia nada bem. Mesmo assim, vestiu uma roupa quentinha e bebeu uma caneca de leite para não se demorar muito.

Doug tinha acabado de sair do táxi que o tinha trazido do aeroporto. Já era manhã e não tinha dormido a noite inteira devido à pessoa que vinha sentada ao seu lado na viagem, um homem gordo e grosseiro que só discutia e ressonava, discutia e ressonava. Esfregou os olhos e bocejou, até já estava a sonhar acordado com a sua cama quente e fofinha onde se ia deitar e dormir umas boas horas. Pegou na mala, cumprimentou o porteiro, e começou a subir as escadas. Ouviu tosse, franziu as sobrancelhas e, quando chegou ao último lance de escadas que levava ao seu andar, viu de quem provinha. A médica estava a sair de casa e não lhe parecia nada bem. Por poucos segundos apenas se miraram, mas então Doug falou.

- Estás bem, Evie?

Ela assentiu com a cabeça e esforçou-se por sorrir.

- Sim, óptima – disse, com uma voz rouca e uma entoação ranhosa.

Ele cerrou os olhos.

- Pareces… doente?

- Eu? Não… não… estou bem – mas não estava, e a sua voz reflectia isso mesmo: doença – Tenho que ir trabalhar Doug, tenho que…

E então Evelyn parou de falar e começou a ficar pálida. Cerrou os olhos na tentativa de fazer com que a escadaria se parasse de mover, mas tal não aconteceu. Em menos de cinco segundos desmaiou e, se o vizinho não tivesse largado a mala para a amparar, tinha caído pelas escadas.

Por momentos Doug não soube o que fazer, mas como a porta da casa da rapariga ainda estava aberta, pegou-a ao colo com jeito e entrou. Ficou surpreendido com a elegância de toda a decoração, visto nunca ter passado do hall. Encontrou o quarto e deitou-a na cama, para de seguida regressar às escadas para ir buscar a sua mala e a dela. A sua deixou no chão do hall, mas a dela pousou num cadeirão na sala. Regressou então ao quarto, onde a descalçou e a enfiou entre os lençóis. Pousou a mão na sua testa, estava quente, muito quente. Embora todos os seus músculos pedissem paz e sossego, não a podia deixar ali sozinha.

Foi até à cozinha e procurou por um pano, que molhou e depois lhe colocou por cima da testa. Em seguida deixou-a a repousar e procurou pelo número da clínica, para a qual ligou.

- “Life’s Great, Clínica Privada” – atendeu Phil.

- Bom dia… é o Phil? – Perguntou Doug.

- “Com quem estou a falar?”

- É o Doug, o vizinho da Evie. Estive aí há uns dias…

- “Ah sim! Passa-se alguma coisa?”

- Ela está doente e não pode ir trabalhar hoje, parece que está com uma grite horrível.

Phil engoliu em seco e até sentiu pena de Doug.

- “Lamento… boa sorte”.

- Boa sorte? Para o quê?

O outro riu.

- “A Evie é uma óptima médica… mas uma terrível doente” – dito isto, desligou a chamada.

 

 

 - Evie, acorda – Doug abanou-a gentilmente depois de lhe retirar o pano húmido da testa.

Aos poucos os sentidos de Evelyn começaram a regressar. Abriu os olhos e pôde vê-lo ao lado da cama, com um tabuleiro na mão. Franziu as sobrancelhas e olhou para o relógio, vendo que já era quase uma hora da tarde.

- O que é que… tenho que ir trabalhar! – Disse logo, com o nariz todo entupido, começando depois com um ataque de espirros.

Ele pousou o tabuleiro na cama e agarrou num pacote de lenços, que tinha deixado em cima da mesa-de-cabeceira, e passou-lho para as mãos para que se assoasse.

- Hoje ficas em casa. Estás doente e precisas de descansar.

- Mas eu…

- Não há “mas” nem meio “mas”! Trouxe-te qualquer coisa para comeres, vai-te fazer bem. A seguir tens que tomar os comprimidos.

Ela assentiu e ajeitou-se na cama de modo a ficar sentada para que ele lhe colocasse o tabuleiro no colo. Lá estavam torradas com manteiga e uma caneca de leite bem quente com mel, tal como a paleta dos comprimidos.

- Obrigado – agradeceu ela, ainda contrariada.

Ele sorriu.

- Há alguém que queiras que chame? – Perguntou-lhe – Alguém para te fazer companhia?

Evelyn pensou em Grayson, mas logo dispensou essa ideia. Ele tentava não mostrar, mas na verdade detestava estar perto de doentes, e além disso não queria que estivesse a faltar ao trabalho.

- Podes tu ficar comigo? – Pediu, um pouco a medo.

Doug sorriu e assentiu, sentando-se na cadeira que tinha trazido da cozinha e colocado ao lado da cama. Ela começou a comer.

- O que é isto? – Evelyn apontou para a caneca de leite.

- Leite com mel. É bom para a gripe, a minha mãe dava-me sempre que estava doente – explicou ele, sorrindo.

A médica assentiu e deu um gole.

- Como foi o aniversário do teu pai?

- Normal. Perguntaram por ti.

- Perguntaram?

- Sim. A Lola não se calou o tempo todo.

A conversa ficou por aí, e quando ela terminou de comer Doug insistiu para que se deitasse e descansasse um pouco mais. Após resmungar muito, Evelyn viu que tinha finalmente encontrado alguém mais teimoso que ela, por isso teve que concordar e voltou a deitar-se. Ele ficou a vê-la dormir, tinha um ar tão pacífico, tal calmo. Era tão bonita, mesmo num momento de fraqueza. A respiração estava um pouco pesada devido à gripe, mas mesmo assim era um barulho suave.

Foi até à sua bagagem e de lá retirou um pequeno caderno e uma caneta, voltando depois para a cadeira. Sem pensar muito, começou a compor a canção que lhe daria todo o sucesso.

Eram quase quatro horas quando o telemóvel de Evelyn tocou e, para que não a acordasse, Doug viu-se forçado a atender e a falar com quem menos queria. Pouco mais de meia hora passada, a campainha tocou.

- Ela está bem? – Perguntou Grayson, assim que o outro lhe abriu a porta. Doug assentiu – Obrigado por teres cuidado dela. Acho que ainda não nos conhecemos… sou o Grayson.

- Sim, eu sei. Doug.

Grayson sorriu e deu-lhe um aperto de mão.

- Ela passou bem o dia?

- Tem estado sempre a dormir. Já tomou os medicamentos, agora só tem que os voltar a tomar às nove.

- Obrigado, de novo. Eu fico com ela a partir de agora.

Doug concordou e foi-se embora, levando a mala, sem regressar ao quarto. Foi para o apartamento em frente e deixou-se cair no sofá, completamente exausto.

Grayson caminhou até ao quarto e observou a namorada. Tomou então o antigo lugar do vizinho, e sentou-se a vê-la enquanto dormia. Pouco depois, ela despertou e estranhou vê-lo ali.

- Grayson? O que é que estás a fazer aqui…? Onde está o Doug…?

- Evie, porque não me disseste que estavas doente? Sabes que teria vindo logo a correr.

Evelyn suspirou e voltou-se de barriga para cima, mirando o tecto. Como lhe podia explicar que preferia ser tratada por Doug e não por si?

- Não queria que faltasses ao trabalho, sei que não gostas muito de estar junto a doentes.

Grayson riu e levantou-se da cadeira, deitando-se na cama ao lado dela.

- Não… mas tu és a minha doente.

 

Então que tal? :b

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