Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O Amor na Porta à Frente

por Andrusca ღ, em 23.11.12

Capítulo 20

O Lord e o Vagabundo

 

Hoje ia ser um dia atarefado. Evelyn tinha meia dúzia de coisas para fazer e o tempo era escasso.

Ao sair de casa embateu em Doug, a quem se apressou a agradecer por ter tomado conta de si há dois dias, enquanto se encontrava engripada. Porém nem tempo teve para admirar aqueles olhos verdes e o cabelo despenteado. Quase correu para a clínica, onde já tinha clientes à espera. Era como se todos tivessem decidido empatar-lhe o dia.

- Bom dia – cumprimentou Phil, ao vê-la chegar – Mando entrar o primeiro paciente?

- Sim Phil, por favor. Ah, bom dia.

O primeiro paciente entrou em conjunto com ela e Evelyn viu-o com cuidado e trocou-lhe o gesso da perna. Durante todo esse processo o rapaz, Tim, não parou de a mirar. A mãe queria que ele fosse ao hospital, mas aquela médica era muito mais bonita que as outras, e por isso ele ateimou em vir a esta clínica.

- Tens que ter mais cuidado, Tim – advertiu ela – Já é terceira vez que cá apareces com lesões assim.

- Oh, da primeira vez foi só o dedo, doutora – argumentou ele.

- Andar de skate é muito giro, mas qualquer dia partes-te todo. Tem mais cuidado, está bem?

Ele suspirou.

- Sim, está bem.

A paciente que se seguia tinha uma amigdalite, a outra estava indisposta, tirando essas mais duas precisaram de mudar pensos e levar vacinas.

Almoçou apenas uma sandes e uma peça de fruta, e quando chegou às quatro da tarde foi ter com a médica no consultório ao lado, a Dra. Jones.

- Claire – chamou, ao bater à porta – Posso entrar?

- Sim, entra. Passa-se alguma coisa?

- Não, não é nada. Lembras-te de te ter dito que hoje ia ter que sair mais cedo?

- Sim, vais já?

- Sim. Arranjas-te bem sozinha?

- Vai-te mas é embora, que já me estás a empatar. Vá, vai lá. E diverte-te.

Evelyn sorriu e foi-se embora. Enfiou-se logo de seguida na cabeleireira, onde lavou o cabelo e lhe foi feito um bonito apanhado cheio de caracóis soltos. Depois passou na lavandaria, onde foi buscar o seu vestido.

Às seis horas chegou a casa e comeu um iogurte. Tirou então o vestido do saco e observou-o. Há meses que não vestia uma coisa tão chique. Após se vestir e calçar, viu-se ao espelho. Estava belíssima. O vestido, azul-escuro e comprido, com vários brilhantes em todo ele, não tinha mangas e tinha apenas uma racha no lado direito. A pulseira posta na mão esquerda era de prata, tal como os brincos. Os sapatos eram também prateados, e o casaco também possuía essa cor. Assim que se terminou de despachar, o seu telemóvel começou a tocar, Grayson tinha chegado.

Ao sair encontrou o vizinho de novo, que vinha agora a chegar, e que ficou embasbacado a olhar para ela.

- Uau, tu estás…

- Obrigado – agradeceu ela, corando – A firma onde o Grayson trabalha faz hoje vinte anos… há uma festa.

- Diverte-te então.

Ao vê-lo ali tão normal, ao saber que estava tão bonita e produzida, não conseguiu deixar de pensar que talvez pertencessem mesmo a mundos diferentes.

 

 

O enorme salão alugado para a festa estava cheio, e o glamour notava-se a cada canto. Todos os vestidos de cerimónia, os smokings, as jóias, a comida exótica e gourmet,… tudo naquele sítio gritava a luxo. Parecia uma festa da realeza, onde os nobres, os lordes, os duques, tratavam de assuntos do país enquanto as acompanhantes de divertiam.

As pessoas conversavam animadamente, e então a hora do jantar chegou. Os lugares estavam marcados, e foram rapidamente preenchidos pelos convidados que se sentaram em mesas redondas para seis.

Os sócios da firma deram um discurso, e depois o jantar foi servido.

- Oh Evelyn, está tão bonita – elogiou Marie, uma mulher que se sentou na mesma mesa que eles e que Evelyn já conhecia de outras festas da firma – Não sei como consegues ser sempre tão sofisticada.

A médica sentiu-se a corar.

- Ora essa, Marie, também estás óptima.

E estava mesmo.

O noivo de Marie, Quentin, interrompeu a conversa que levava com Grayson para agora se dirigir também a Evelyn.

- E então Evelyn, para quando é o casamento?

Ela quase que se engasgava, mas esforçou-se por manter a postura. Sorriu forçosamente e encolheu os ombros.

- É para breve, tenho a certeza – foi Grayson quem respondeu, surpreendendo-a com o que disse – Se não a agarrar depressa ainda me foge, e isso não pode ser.

- Depois de dez anos? – Meteu-se a outra senhora que estava na mesa, uma já um pouco velhota, Carlota – Não me parece, rapaz.

Aquela conversa estava a deixar Evelyn cada vez mais desconfortável, o que era estranho. Já em Billingsley lhe tinham feito a mesma pergunta, em relação a Doug, e não se tinha sentido assim. E eles nem sequer estavam relacionados, e ela respondeu com uma naturalidade estonteante.

- Então e filhos, vão querer? – Perguntou Marie.

- Sim… claro – respondeu ela.

- Talvez só um – continuou Grayson, rindo – Uma rapazote para lhe ensinar a jogar à bola.

- Ou uma menina – interveio Evelyn.

- Seja o que for, vai ser nosso e vou amá-lo – arrematou ele, admirando todos.

O jantar prosseguiu, e quando todos acabaram a música começou e o champagne foi servido. No entanto, todos se deixaram ficar sentados à conversa e o sítio destinado à dança permanecia vazio.

- Grayson, não queres vir dançar? – Propôs Evelyn. Ele mirou o espaço e franziu o nariz.

- Mas não está ninguém a dançar.

- Então, começamos nós.

- Espera mais um pouco Evie, vamos quando mais alguém for.

Ela suspirou e agarrou-se ao copo de champagne, relembrando os momentos em Alabama. De repente, naquele salão cheio de falsa magia e esplendor, o seu príncipe encantado já não parecia tão encantado assim, e a tentação de fugir para o “plebeu” era cada vez mais difícil de resistir.

A festa terminou sem danças, e como a firma era mais próxima da casa de Grayson e já era tarde, ele convidou-a para passar a noite consigo.

Quando chegaram Evelyn foi tomar banho e regressou ao quarto de toalha enrolada, indo depois ele para a casa de banho.

Ela abriu o roupeiro e procurou por algo para vestir, e optou por uma blusa quente que lhe ficava abaixo da coxa. Quando Grayson regressou e a viu com aquela sua blusa, franziu as sobrancelhas.

- O que foi? – Perguntou ela.

- Não é nada…

- Já te conheço. Queres que vista outra coisa?

- Não, achas? Não tens que cá nada teu, deixa-te estar.

Deitaram-se os dois, mas a médica sentia-se tudo menos confortável. Ele começou-se a chegar até ela e colocou-lhe a mão na cintura, dando-lhe um beijo no ombro e outro nos lábios.

- Grayson…

Ele não ligou, e começou a deslizar a mão por dentro da blusa, sentindo a pele quente da namorada, enquanto ainda a beijava.

- Grayson, a sério, hoje não.

Grayson parou e olhou para ela, pensativo.

- Passa-se alguma coisa, Evie? Pareces diferente.

- Não sejas tonto, estou só cansada. Quero dormir, nada de mais.

 

postei hoje porque amanhã não estou cá

comentem, não se esqueçam (:

9 comentários

Comentar post