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O Amor na Porta à Frente

por Andrusca ღ, em 21.12.12

Está uma treta, porque acho que a inspiração também foi de férias.

Feliz fim do mundo

 

Capítulo 28

A Mudança

 

- É tão estranho sair daqui – confidenciou Evelyn.

Estava em frente à porta do seu apartamento, com o namorado ao lado, e duas pequenas caixas de papelão no chão perto das escadas. A casa já se encontrava vazia, todos os seus pertences tinham ido já para a futura casa dos dois. Era estranho ver aquele espaço assim, sem mobília, sem vida, sem nada. Triste, até.

- Sim, pois é – concordou Doug. Também já a sua casa tinha sido “despida” por completo. As últimas semanas tinham sido dedicadas a isso, à primeira das grandes mudanças que este ano lhes trazia.

Evelyn riu-se.

- Afinal, foi graças a este sítio que agora sou feliz e tenho tudo o que tenho – pensou, em voz alta. Doug riu-se também.

- Sim, é verdade. E de pensar que tudo o que tínhamos que fazer era olhar para a porta em frente para ficarmos felizes… mas não, tu preferias ir gritar comigo e mandar-me parar a música.

Ela deu-lhe um pequeno empurrão, com a anca.

- Parvo, não me deixavas descansar nada. Chegava eu tarde da clínica, e depois de manhã não podia dormir. Ainda por cima só fazias era barulho!

Ele fingiu-se de ofendido.

- Até parece que era assim tão mau. Se fosse assim tão mau nunca me terias escolhido para aquela noite – disse-lhe, com um sorriso com uma mistura de gozão e maléfico nos lábios.

- Engraçadinho, já te disse que estava bêbeda. Claramente faço escolhas péssimas enquanto estou bêbeda.

Ambos se riram, e o momento de silêncio que se seguiu durou algum tempo. O que se seguia terminava um período na vida dos dois. A partir de agora iam morar juntos, iam casar, tudo ia mudar. Por um lado, aqueles dois apartamentos, agora vazios, representavam a liberdade de cada um, a independência. Mas há muito que já dependiam um do outro, e viverem sob o mesmo tecto era algo que já faziam há vários meses, entre uma casa e a outra. Mas agora é que ia mesmo ser definitivo. Agora é que era a valer.

- Mas agora a falar a sério – continuou Doug –, vou sentir a falta deste sítio.

Ela assentiu e, após respirar fundo, fechou a porta e trancou-a.

Depois de irem entregar as chaves ao porteiro, seguiram no carro de Wren, que os esperava fora do prédio, para o novo “ninho do amor”, como ele lhe chamava.

Lá estavam ainda Riucci e Dave, que tinham dado uma mãozinha durante as mudanças, a acabar de montar umas prateleiras. Evelyn foi deixada na pizzaria para levar o almoço para todos.

Só ao fim da tarde é que eles foram deixados sozinhos no novo apartamento. A espaçosa sala estava agora mobilada com os sofás da casa de Evelyn e alguns móveis da de Doug; no quarto de ambos tinha ficado a mobília dela, mas o escritório era inteiramente mobilado com as coisas de Doug, além dos livros já expostos nas enormes estantes, que eram sobre medicina e outros temas; na cozinha tinha ficado a mesa de Evelyn, e os pratos e talheres e tudo o mais eram os dos dois; num dos outros quartos, o de hóspedes, estava a mobília do antigo quarto de Doug, e o outro permanecia vazio. Planeavam, com o tempo, comprar outras mobílias em conjunto e dar outro ar à casa, transformá-la num verdadeiro lar, mas por agora servia. Era sofisticada q.b. e, ao mesmo tempo, simples. Reflectia o que cada um deles tinha de melhor.

Eram quase onze horas quando Doug acabou de pendurar o último cortinado, e puderam finalmente descansar. Deixaram-se cair na cama, completamente esgotados.

- Devíamos celebrar o facto de estarmos na nossa casa nova – disse Doug, com um sorriso matreiro de orelha a orelha. Porém, assim que olhou para a noiva, reparou que esta dormia profundamente. Era normal, entre a clínica e as mudanças, Evelyn andava completamente esgotada. Ele sorriu e desviou-lhe uma mecha de cabelo dos olhos, observando a maneira calma como ela dormia – Dorme bem, boneca.

Deu-lhe um beijo suave na bochecha e desligou a luz depois de os tapar a ambos com os cobertores e a colcha.

Quando Evelyn acordou, Doug não estava na cama, porém ela abraçava a sua almofada. Estava prestes a levantar-se quando o viu entrar para o quarto com um tabuleiro na mão. Lá vinha um prato com torradas, duas canecas com leite, um copo de sumo, duas fatias de bolo e uma pequena rosa ao lado.

- O que é isso tudo? – Perguntou ela, ainda sonolenta. Ele riu-se.

- O nosso pequeno-almoço. Chega-te para lá, estás a ocupar o meu espaço da cama.

- Oh, querido, a partir do momento em que decidimos viver juntos, o teu espaço da cama passou a ser meu também.

Ela sorriu e desviou-se, para agarrar em seguida no tabuleiro. Já instalado ao seu lado, Doug retirou uma torrada e começaram a comer num clima bastante cúmplice.

- Sabes, assim fico mal-habituada – disse a médica.

- E sabes o pior? – Ele fingiu um ar de amuado – Ainda nem sequer me deste um beijinho de agradecimento – Ela riu-se e beijou-o como se o mundo pudesse acabar amanhã, sem se preocupar com mais nada – Ena, tenho que te trazer o pequeno-almoço à cama mais vezes.

- Parvo.

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