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O Amor na Porta à Frente

por Andrusca ღ, em 25.12.12

Capítulo 30

“Compras com a Mãe”

 

O telemóvel de Evelyn começou a tocar desenfreadamente pela casa. Tanto a médica, como o namorado, foram apanhados desprevenidos. Trocaram olhares e então ele vestiu os boxers à pressa para o ir buscar, à sala, enquanto ela foi atrás enrolada no lençol. No caminho para lá iam a rir e a brincar um com o outro mas, quando Doug viu o nome no ecrã do telemóvel, calou-se.

- É a tua mãe – anunciou, passando o telemóvel à namorada. Ela olhou para ele com uns olhos como se lhe pedisse por socorro, e então encheu-se de coragem e respirou fundo.

- Estou? – Atendeu. Por vários segundos apenas se ouviu a respiração do outro lado – Está aí alguém?

- “S… sim” – disse Christina Tucker, por fim, clareando a voz – “Telefonei para dizer que recebi o convite… para o casamento”.

- Sim, mandámo-lo na semana passada.

- “Evelyn, sei bem que não apoiei muito essa relação…”

- Então não vens?

- “Não, claro que vou. Posso não concordar, mas és a minha única filha e vais-te casar, nunca poderia faltar a tal coisa”.

- Está bem, óptimo.

- “Se precisares de ajuda na organização, ou algo assim, também quero que saibas que estou disponível”.

- Não é preciso, a irmã do Doug e a Lizzie estão-me a ajudar.

- “Bem… tenho que voltar ao trabalho. Espero… espero que consigamos resolver as coisas enquanto aí estiver”.

- Tudo depende de ti. Telefonas antes de vir?

- “Como sempre”.

- Está bem. Adeus.

- “Adeus, querida”.

 

 

O tempo tinha passado a correr, e a Primavera tinha chegado. Faltava uma semana para o casamento, e por isso a família de Doug já tinha ido para Nova Iorque. Os pais dele, tal como Lola, tinham ficado na casa dele e de Evelyn, mas Maura e o namorado tinham ido para um hotel, para ficarem mais à vontade.

Como Evelyn tinha a última prova do vestido, e Maura ainda tinha que experimentar o seu de dama d’honor, decidiram ir juntas. Claro que Lola, assim que soube o que iam fazer, disse logo que também queria ir.

- Já viste, tia, a barriga da tia Maura está cada vez maior! – Comentava ela, enquanto andavam até à loja dos vestidos.

Evelyn riu-se.

- Sim, é verdade. Estás de quantos meses, Maura, oito?

- Oito e uma semana. Já falta pouco – respondeu ela, com algum nervosismo.

- Vamos ter um bebé na família – comentou Evelyn, radiante.

- Podíamos ter dois, se vocês se apressassem – murmurou Maura, em tom de brincadeira – Não queres, Evie, ser mãe?

Evelyn pensou por alguns momentos.

- Quero. Sempre quis, adoro crianças. Mas primeiro está o casamento, depois logo se vê, ainda temos tempo para isso tudo. É verdade, já que saímos só nós, mulheres, que me dizem de depois de irmos ver dos vestidos irmos comprar umas coisinhas e fazer um lanche especial? Parece-vos bem?

- Sim! – Exclamou logo a pequena.

- Vamos ver se a Quinn concorda – disse Maura, a rir-se. “Quinn” seria o nome que daria à filha.

Quando chegaram à loja vestiram os respectivos vestidos e Lola ficou boquiaberta ao ver Evelyn naquele lindo vestido branco. Nas suas palavras, “parecia uma princesa dos contos de fadas”. Maura queixou-se que a barriga estava demasiado grande, e que os pés lhe iam inchar, mas depois acabou por concordar que o vestido de dama d’honor podia-lhe ficar muito pior.

Quando saíram de lá passaram por várias lojas. Compraram perfumes, sapatos, alguns acessórios… Como Maura já se estava a sentir cansada, foi para o hotel e Evelyn seguiu sozinha com Lola. Acabaram a fazer uma manicure e uma pédicure, coisa à qual a pequena achou imensa piada porque lhe fazia cócegas nos pés. No fim sentaram-se as duas numa esplanada e Evelyn mandou vir dois bolos e dois sumos, para o lanche.

- O tio diz que se comeres muitos doces, ficas gorda – comentou ela, a rir-se que nem uma perdida. Evelyn fingiu-se de ofendida.

- O teu tio não sabe é a sorte que tem. Até gorda ele me queria, ias ver – disse-lhe, também a rir.

- Claro que ia, és tão bonita. Quero ser como tu quando crescer.

- Oh… Lola – murmurou Evelyn, sem resposta – Não precisas de ser como eu quando cresceres, porque vais poder ser algo muito melhor: tu própria. E vais ver como óptimo isso vai ser.

- Posso-te fazer uma pergunta?

- Claro, querida, o que foi?

Ela pareceu um pouco reticente, mas então lá arranjou alguma coragem e começou a falar.

- É assim que é irmos às compras com a nossa mãe?

Evelyn foi completamente apanhada de surpresa. Mesmo assim, depois de respirar fundo, encolheu os ombros e, com um ar simples, respondeu.

- Não sei querida… a minha mãe nunca me levava às compras. Mas é assim que as tias e as sobrinhas passam uma boa tarde.

Lola riu-se.

- Pois é. Mas não vamos dizer ao tio que estivemos a comer bolos!

- Claro que não! Já imaginaste o que ele ia dizer? “O quê, estiveram a comer bolos sem mim”? – As duas riram – Por falar nele, podemos levar-lhe um.

- Sim! Posso ir escolher?

- Claro, vai lá.

Enquanto Lola foi escolher o bolo para Doug, Evelyn recostou-se na cadeira e respirou fundo enquanto a observava. Sim, tinham passado uma boa tarde, mas era evidente o quanto aquela menina pequena sentia a falta de uma mãe e de um pai, apesar de nunca o mostrar. Quando regressou à mesa, já com o bolo numa pequena caixa de papel, Evelyn foi pagar e foram embora.

- Estás nervosa com o casamento? – Perguntou Lola, enquanto caminhavam.

- Claro que não, porque é que haveria de estar?

- Porque vais estar linda, à frente de todas aquelas pessoas. E se escorregas e cais?

- Bem… então caio para cima das minhas damas d’honor e de ti, que levas as alianças, por isso tenho uma boa aterragem.

 

Vamos ter (ou não) um casamento no próximo capítulo :b

Feliz Natal!

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