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O Amor na Porta à Frente

por Andrusca ღ, em 27.12.12

Capítulo 31

O Grande Casamento

 

- Vá lá, vá lá, está quase na hora. Evelyn Tucker, desliga essa televisão imediatamente! – Disse Christina, ao entrar naquela pequena sala da igreja que se destinava à noiva e às damas d’honor.

- É horrível… - murmurou Lizzie, ao agarrar no comando e desligar o aparelho.

Tinha havido um acidente brutal que envolveu quatro carros, e por isso os hospitais e os bombeiros estavam todos num estado caótico, com as emergências e os primeiros socorros e tudo o mais.

- Mas bem, não vamos pensar em desgraças! – Exclamou Maura, forçando um sorriso. Depois agarrou na mão de Evelyn e forçou-a a levantar-se, posicionando-a em frente ao espelho – Oh Evie, estás linda.

Pela primeira vez, a médica observou-se bem e sorriu. Tinha o cabelo castanho liso apanhado num carrapito com algumas mechas soltas e encaracoladas, e com uma pequena grinalda com pedras preciosas; o vestido, branco e sem mangas, assentava-lhe na perfeição e fazia uma pequena roda da cintura para baixo; os sapatos, também brancos e com um salto bem alto, iam começar a massacrar-lhe os pés quando chegasse a hora do copo de água. Parecia uma verdadeira princesa.

- Sim… pois estou – admitiu, com um sorriso tosco nos lábios – Mas vocês também estão todas lindas. Especialmente tu, Lola!

Lola seria a menina das alianças, e por isso envergava também um vestido comprido, branco, idêntico ao da noiva, e ia com os seus caracóis soltos. As damas d’honor, Claire, Lizzie e Maura, tinham vestidos até ao joelho, azuis-claros e, enquanto Lizzie e Claire usavam uns sapatos de salto alto, Maura estava de sabrinas. Tinham todas uma trança. Christina estava de saia e casaca, também bastante aperaltada, e com um lindo colar de pérolas ao pescoço.

Bateram à porta e Steve espreitou, sorrindo perante aquela visão.

- Todas prontas? – Perguntou.

Evelyn debateu-se com aquela decisão por muito tempo porém, visto que o seu pai há muito tinha falecido, e não tinha ninguém mais chegado que a pudesse levar ao altar, optou por convidar o pai do noivo.

- Prontíssimas! – Exclamou Maura.

Começaram a empurrar Evelyn para fora da sala, todas em euforia, até que Christina lhes pediu que dessem um momento a ambas. Saíram todas, deixando-as apenas às duas, e por momentos Evelyn teve medo que a médica lhe fosse arruinar aquele dia tão especial.

- Estás tão bonita, filha – murmurou Christina, fazendo uma festa no ombro desnudo da filha e esboçando um sorriso sincero – Sempre sonhei com o teu casamento, sabes?

- Apenas não sonhaste com este noivo – resmungou Evelyn, fazendo-a sorrir mais forçosamente.

- É verdade – admitiu ela – Tens a certeza que é ele quem te faz feliz?

- Não, mãe – aquela resposta apanhou-a de surpresa –, porque ele não me faz feliz. Ele dá comigo em louca e… e há muitas vezes em que só lhe quero apertar o pescoço. Está-me sempre a desafiar, e a fazer-me fazer coisas novas que eu nunca faria se não fosse por ele. Na maior parte dos dias… nem sei. Ele não me faz feliz… - um sorriso apaixonado apareceu nos lábios de Evelyn ao mesmo tempo que ela encolheu os ombros –, porque faz-me muito mais que isso. Eu acordo todos os dias apenas para me apaixonar por ele uma vez mais, e apaixono-me sempre.

Christina assentiu com a cabeça e deu um abraço à filha.

- Então vamos lá casar-te.

Saíram daquela pequena sala e andaram até à entrada para a capela, cujas portas estavam cerradas, onde Lizzie, Claire, Lola e Steve esperavam. Lá dentro estava tudo a postos. O padre estava no seu sítio e, no altar, esperava Doug com uns olhos brilhantes e um nervoso miudinho, muito elegante no seu fato com uma rosa branca na lapela. Ao lado estava o seu padrinho, Wren, e ao lado deste estavam os restantes membros da banda, Riucci e Dave, e Clark, o namorado de Maura. Entre os convidados estavam Phil e Carl, colegas de Evelyn e Claire, a mãe de Doug já emocionada, alguns amigos de Billingsley, outros amigos de Evelyn de Nova Iorque, familiares de ambos os lados, o namorado russo de Lizzie... A igreja estava decorada também com rosas brancas, menos o caminho da noiva até ao altar, que se encontrava com pétalas vermelhas a cobrir o tapete bege.

- Está tudo a postos – disse Lizzie, claramente entusiasmada com tudo.

- Esperem… onde está a Maura? – Perguntou Evelyn, depois de reparar na falta da futura cunhada. Todos olharam em volta, e ela sorriu – Eu vou procurá-la, não se preocupem. Volto já.

Regressou à sala em que se tinham preparado, porém esta encontrava-se vazia. Então lembrou-se de ir ver à casa de banho e, quando estava quase a chegar lá, ouviu um pequeno grito. Fez a curva a tempo de ver as águas de Maura rebentarem, e de esta trocar um olhar assustado consigo.

- Oh meus Deus! – Exclamaram as duas ao mesmo tempo, completamente apanhadas desprevenidas.

- O bebé vai nascer! – Disse Evelyn, aproximando-se de Maura.

- Não dá tempo para o casamento? – Perguntou ela, ainda sem se aperceber da realidade que estava a viver – Mas ainda é demasiado cedo, ainda faltam umas semanas, nós…

- Oh, acredita, temos que te levar para o hospital e já! O bebé é que escolhe quando quer nascer. Anda lá.

Enquanto deixava que Maura se apoiasse em si e saía da igreja à pressa, Evelyn não conseguiu deixar de pensar em Doug, naquela sala cheia de convidados, à sua espera. Mas sabia que tinha que levar Maura o mais rápido possível a uma unidade hospitalar, e decerto que Doug iria compreender, de certeza que não ia querer que a sua sobrinha nascesse no chão da igreja a meio do seu casamento.

- Então e o meu irmão? – Perguntou Maura.

- Não te preocupes com isso.

Entraram na limusine estacionada em frente à igreja, originalmente alugada para os noivos após a cerimónia, e Evelyn ordenou ao motorista que os levasse ao hospital mais próximo, porém o trânsito estava um caos para aqueles lados. As contracções de Maura começaram a ficar mais recorrentes e os seus gritos de dor eram cada vez mais altos. No rádio relatavam que, afinal, aquele acidente tinha influenciado mais uma fila de carros e que as vítimas não paravam de chegar. Evelyn engoliu em seco, sabia como eram os hospitais nestes dias, já tinha presenciado vários.

- Vire aí à frente – ordenou, ao motorista.

- Mas aí não vai dar ao hospital – retorquiu-lhe ele.

- Não, vai dar à minha clínica.

- Mas… o quê… o meu médico está em Mobile e… - balbuciou Maura.

- Não te preocupes, eu faço o parto.

- Tu? Mas… oh Deus… vou ter um bebé.

- Não tenhas medo, relaxa, e respira.

O motorista deixou-as à porta da clínica de Evelyn e esta recorreu à chave extra, que mantinha escondida no canteiro das flores, para entrarem. Dirigiu Maura às salas mais remotas, o que a deixou surpreendida pois nunca lá tinha estado, e ajudou-a a despir-se e a vestir uma bata para depois a deitar numa das camas.

- O que é isto? – Perguntou ela, entre os gritos das contracções.

- Uma nova ala da clínica. Íamos abri-la quando voltasse de lua-de-mel, acho que a vamos ter que experimentar mais cedo. Maura, aguentas aqui dois minutinhos?

- Sim, vai!

Evelyn saiu da nova ala e correu até à recepção. Descalçou os sapatos, ficando descalça no chão frio, e tirou a pequena grinalda da cabeça enquanto, agarrada ao telefone, esperava que lhe atendessem a chamada.

Na igreja toda a gente estava a ficar impaciente. A música já tinha começado e acabado várias vezes, e as más-línguas diziam já que a noiva tinha abandonado o noivo no altar. A família de Doug e todos os padrinhos menos Wren, encontravam-se à procura de Evelyn. Ele esperava no altar, juntamente ao melhor amigo, que já estava muito mais nervoso do que antes. Ia-lhe dizer qualquer coisa, quando sentiu o telemóvel a vibrar no bolso de dentro do casaco do fato. Não ia atender mas, ao ver quem era, não conseguiu evitar.

- Evie? Finalmente! Onde é que estás? – Atendeu, captando a atenção de Doug, que lhe pediu para lhe passar o telemóvel.

- Passa o telemóvel ao Doug – pediu-lhe logo ela.

- Mas…

- “Wren! Já!” – Assim que Evelyn lhe gritou, Doug tirou-lhe o telemóvel das mãos.

- Evie? O que é que se passa? Não estás a planear abandonar-me no altar, pois não? – Apesar de a sua voz ser de troça, o medo e o nervosismo nela eram evidentes.

- “Sim, mas não é o que pensas” – Ela não o deixou interromper – “A tua irmã entrou em trabalho de parto. Pega nos teus pais, na minha mãe e no Clark e venham para a minha clínica imediatamente!”

Evelyn desligou o telefonema ao ouvir mais um grito sofredor de Maura, e Doug ficou feito idiota a olhar para o telemóvel.

- Então? – Perguntou-lhe Wren.

- A minha irmã está a ter o bebé Wren – disse-lhe – Tenho que ir encontrar o Clark e os meus pais!

Dito isto, começou a correr.

- Então e as pessoas? – Perguntou Wren.

- Arranja-te tu, és o meu padrinho!

Wren olhou para o enorme público que pedia por explicações para, de seguida, soltar o maior suspiro da sua vida.

Evelyn chegou ao pé de Maura e limpou-lhe o suor da testa. Despiu o vestido de noiva, ficando apenas com a roupa interior, e em seguida vestiu a sua bata de médica.

- Respira, Maura, com calma – dizia-lhe.

Após quase vinte minutos de contracções e muita dor, chegou finalmente a hora. Doug e os restantes chegaram mesmo a tempo disso, acompanhados por Phil, e Clark deu a mão a Maura enquanto Evelyn realizava o parto e os restantes esperavam na recepção.

- Não consigo… já não consigo mais… - arfava Maura, com as bochechas completamente vermelhas do esforço e o suor a escorrer pela testa – Ninguém… nunca… disse… o quanto custava… ter filhos!

- Vá lá, Maura, só mais dois empurrões!

Pouco depois ouviu-se um choro e Evelyn perguntou a Clark se este queria cortar o cordão umbilical. Embrulhou a pequena Quinn numa mantinha, depois de a limpar minimamente, e entregou-a à “recém mamã”.

 

 

Maura dormia na cama da nova ala da clínica, completamente esgotada. Steve e Theresa estavam de volta do novo membro da família, enquanto Lola tentava passar por eles para ver a nova prima que repousava nos braços do pai. Doug estava abraçado a Evelyn, também perto deles, e até Christina sorriu com o bocejo que Quinn fez.

- É tão pequena – murmurou Clark – E parece tão frágil. Nasceu muito cedo.

- Ora, a minha Evelyn era ainda mais pequena e cresceu bem – assegurou Christina – Vais ter aí uma menina muito forte e cheia de vida.

Evelyn, abraçada ao namorado, não conseguiu deixar de sorrir ao ver as covinhas nas bochechas da sobrinha à qual tinha trazido à vida há poucos minutos.

- Doug… - murmurou.

- Hum?

- Quero um destes.

Ele olhou para ela, apanhado desprevenido, mas então sorriu e assentiu com a cabeça.

- Está bem.

 

Eu avisei que este ia ser maior, porque sinceramente não sabia como o separar em dois.

A Mary Lou consegue sempre antecipar as minhas ideias ahah

Espero que tenham gostado e que comentem.

Já acabei a história e só faltam mais 2 capítulos.

Beijinho

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