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DDO: Primeira Chamada

por Andrusca ღ, em 15.02.13

Capítulo 2

Transformação * Parte 1

 

Will estava estático do outro lado do passeio em frente à casa de Chelsea desde que esta lá chegou, e observava tudo o que podia ver através das janelas com minúcia.

Por uma das janelas do primeiro andar, viu Chelsea entrar no quarto e fechar a porta. Assim que a rapariga ficou no seu campo de visão, o pingente roxo que repousava na sua mão começou a emitir uma pequena luz da mesma cor, confirmando o que Will temia. Era ela. Não era um engano. Aquela rapariga era quem ele procurava.

Chelsea pousou a mala em cima da cama e suspirou. Hoje já não tinha mais aulas. Dirigiu-se à casa de banho do seu quarto e encheu a banheira com água quente, onde após se livrar das roupas que trazia vestidas, se deitou e repousou por um tempo.

Os acontecimentos da manhã do dia anterior não lhe conseguiam sair da cabeça. O colar que tinha encontrado. Aquele rapaz misterioso, Will, a dizer que ela era a escolhida para lutar com umas forças quaisqueres do oculto. Chelsea sorriu perante esta possibilidade. Era completamente impossível. Ela não era nenhuma heroína, era apenas alguém que sonha demasiado alto e tem medo de lutar pelo que quer. Mas depois a recordação de como o pingente reagiu quando ela empurrou Will assolava-a fortemente, e sentia-se a tremer só de pensar na remota possibilidade de Will ter razão. Depois disso nunca mais tinham falado, mas hoje ela descobriu que ele se matriculou na escola, e que está também a frequentar o 11º ano, por isso já se começou a mentalizar que não se verá livre dele tão facilmente.

Quando se despachou do banho, Chelsea regressou ao quarto onde vestiu umas calças de ganga e uma t-shirt simples. Não tinha nada programado para fazer à tarde, e apesar de ter um teste amanhã não lhe apetecia estudar. “Posso sempre estudar mais logo”, pensava sempre. E claro que isso nunca acontecia.

Sentiu abrirem a porta de baixo, o que estranhou visto que os pais estavam no trabalho e o irmão na Universidade, por isso foi espreitar. Desceu as escadas lentamente, e um pouco encolhida, e respirou fundo ao ver aquela figura tão familiar parada diante dela.

- Assustaste-me – reclamou, porém sorrindo logo em seguida.

- Desculpa, o teu irmão telefonou-me a perguntar se lhe podia levar um caderno que se esqueceu aqui em cima, e só agora é que o pude vir buscar – explicou Norman Burke, ajeitando orgulhosamente a parte de cima do seu uniforme de xerife. Sim, o pai de Chelsea é o xerife de Diamond City.

- Não faz mal – disse-lhe a rapariga, passando por ele e dirigindo-se em direcção à cozinha. Estava a começar a sentir-se com fome, precisava de um lanche.

- Vais ficar em casa o resto do dia? – Perguntou-lhe o pai, aproximando-se do balcão onde ela arranjava uma sandes.

- Em princípio – disse-lhe ela – E tu, não voltas para a delegacia?

- Sim, eu… - a conversa foi interrompida pelo som do telemóvel do xerife, que ele se apressou a atender – Xerife Burke… hum entendo… sim, sim, fez bem… não há problema nenhum, vou já para aí.

Desligou a chamada e fez uma cara de desculpas à filha, que suspirou. Ela já conhecia o pai demasiado bem para saber o que se ia passar a seguir.

- Está bem – disse ela, sem que o pai precisasse de pronunciar uma única palavra, estendo a mão na sua direcção. Norman passou-lhe o caderno do filho, sorrindo-lhe – Vai lá salvar o dia.

- Adoro-te Chelsea – disse-lhe, antes de sair de casa a toda a velocidade. Chelsea suspirou, a ideia de uma tarde só para ela tinha acabado de ser destruída.

Foi calçar os seus All-Star e pôs o telemóvel e as chaves de casa dentro do bolso das calças. Pegou no caderno e saiu de casa, a comer a sandes pelo caminho. “E depois eu é que sou uma cabeça no ar”, ia resmungando mentalmente, “ele é que se esquece sempre de tudo, que chatice, e eu que tinha pensado em ficar a relaxar”.

A Universidade de Diamond City não era muito longe, mas também não era exactamente ao virar da esquina. Chelsea tentou caminhar o mais depressa possível, que não queria começar a sentir-se mal disposta por ter acabado de comer, por isso não foi a correr.

- Chelsea! – Chelsea gelou e engoliu em seco. Aquela voz. Desde ontem que não a ouvia, e não queria de todo voltar a ouvi-la. Continuou a caminhar, como se não o tivesse ouvido chamar, mas Will deu dois pés de corrida e apanhou-a em questões de segundos.

- O que é que queres? – Chelsea voltou-se para ele, claramente chateada, e ele ficou apenas parado. Não esperava que ela lhe respondesse assim.

- Eu… - quando teve reacção, levou a mão ao bolso e de lá tirou o colar com o pingente, que Chelsea sentiu um aperto ao ver – Acho que tinhas razão, é só um colar normal. Desculpa ter-te chateado. De qualquer maneira, tu encontraste, é teu, não é justo que fique com ele.

A rapariga ficou desconfiada a olhar para ele. “É impossível ter mudado assim de opinião tão depressa”, pensava ela. Will sorriu-lhe, e passou-lhe o colar para as mãos. “Vai ter que descobrir os poderes, sozinha”, planeou ele, enquanto saía de ao pé da rapariga a correr depressa. Ele não tinha mudado de ideias, apenas de táctica. Sabia que era apenas uma questão de tempo até a Escuridão atacar, e quando o fizesse o pingente revelaria a sua verdadeira utilidade e Chelsea transformar-se-ia na Guerreira que ele está encarregue de treinar. Apenas teria que esperar. Nessa altura Chelsea não teria como fugir.

A rapariga ficou poucos segundos a observar o colar, e a ver o rapaz a desaparecer lentamente ao longe. Suspirou e colocou o colar no pescoço, pondo o pingente para dentro da t-shirt logo em seguida. Para ela, Will era maluco, era a única explicação.

Ao fim de quase meia hora a caminhar, Chelsea finalmente começou a avistar a universidade e respirou de alívio. Depois disto iria finalmente ter a sua tarde calma e tranquila que tinha planeado.

A universidade parecia um palácio, com várias torres, e gigante. Chelsea tem a certeza que se chegar a ir para lá, se vai perder pelo menos nas primeiras duas semanas.

- Vamos lá despachar isto – murmurou ela, enquanto se aproximava da entrada.

A entrada da universidade era bonita. Muito mais cuidada que a do liceu. Era toda em relva, apenas um com caminho estreito em alcatrão. Havia alunos sentados no chão, outros na relva. Deviam estar a meio de uma pausa.

- Por aqui? – Chelsea sentiu-se a corar ainda antes de se virar para quem lhe falara, mas só de ouvir aquela voz sentia a pernas a tremer. Voltou-se para trás com um sorriso enorme nos lábios, que rapidamente se desvaneceu.

- PJ… e Jensen – pronunciou este último nome com desdém, o que fez com que PJ se risse, e Jensen fizesse uma cara carrancuda.

- Que andas a fazer por aqui Cabeça de Fósforo? Não achas que és demasiado novinha para andares na universidade? – Perguntou Jensen, com aquele ar de troça.

- Não sejas estúpido, só tens dois anos a mais… - disse a rapariga – e sinceramente a tua mentalidade é bastante mais nova que a minha.

- O que é que queres dizer com isso?! – Resmungou Jensen.

- Que és uma criança! És burrinho, és? Não conseguiste perceber? – Retorquiu-lhe Chelsea.

Jensen fulminou-a com o olhar, e quando lhe ia responder, foi PJ quem falou.

- Parem lá com isso – pediu ele, abanando a cabeça – Mas diz lá Chelsea, o que te trás por aqui?

- O Richard esqueceu-se disto em casa – disse a rapariga, passando o caderno para as mãos de PJ – Dás-lhe?

- Claro – respondeu o rapaz. Ela sorriu-lhe e contornou-os pelo lado de PJ, começando a afastar-se – Mas vais já? Não queres que te mostremos o campus?

- Não – respondeu-lhe, voltando-se para trás, deitando um olhar a Jensen – Mostras-me num dia em que não estejam cá pessoas infantis.

- Olha lá, mas tu… - Jensen gritou-lhe, mas parou assim que PJ lhe lançou um olhar – Ela é que começou – reclamou, baixinho, fazendo com que o amigo abanasse a cabeça e se risse.

Chelsea começou assim o seu caminho de regresso a casa, para entrar finalmente na fase de não fazer nada. Mas ao passar pelo parque teve uma súbita vontade de se deitar num dos banquinhos de madeira à sombra e apanhar com o ar fresco e puro.

O parque de Diamond City não é um sítio muito grande, mas também não é nenhuma miniatura. Tem um belo lago perto de um dos extremos, onde muitos idosos aproveitam para passar o tempo a pescar, e tem umas quantas colinas cheias de relva e espaço para as crianças poderem brincar. Na outra extremidade encontram-se os baloiços e o escorrega, para onde vários pais são arrastados por vontade dos filhos mais pequenos.

Ao longo de todo o parque estão vários chafarizes, e meia dúzia de fontes, e ainda muitos bancos para as pessoas repousarem e apreciarem a natureza se assim o desejarem.

Chelsea caminhou calmamente junto ao lago, e lançou um sorriso a dois velhotes seus conhecidos, antes de se deixar pousar num dos bancos de madeira. Pousou a cabeça numa das extremidades e os pés na outra, ainda que com as pernas dobradas. Tinha as folhas da árvore a protegê-la do sol, por isso podia observar bem o céu.

Retirou o colar do pescoço e esticou o braço para cima, para o ver bem. Ela sentia-se bem com ele posto, não podia negar que não a fazia sentir qualquer coisa, mas não era magia. Nem em pequena acreditou em magia.

Chelsea suspirou. Hoje de novo tinha chegado tarde, e ontem ainda tinha ouvido um raspanete da sua mãe. Ou melhor, outro raspanete. Ela não queria ser tão despistada, mas não consegue evitar. Às vezes dá por ela a pensar que deveria ser mais como Helen, mais estudiosa, mais responsável, menos cabeça de vento. Às vezes pensa que é uma falhada, e que talvez por isso é que PJ não gosta dela e Jensen a goza tanto. Mas não é capaz de mudar. A sua personalidade é demasiado forte para ser alterada de um momento para o outro.

 

Tive muitos poucos comentários no capítulo anterior, então?

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