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DDO: Primeira Chamada

por Andrusca ღ, em 16.02.13

Capítulo 2

Transformação * Parte 2


Após ter perdido a noção do tempo, entre pensamentos e lamúrias, Chelsea reparou que o sol já se estava a pôr, e que em breve a sua mãe estaria a chegar a casa. Levantou-se do banco e caminhou até à saída do parque, retomando então o caminho para casa. Como fez a volta ao contrário, passou ao pé do liceu, e lembrou-se que a esta hora já poucas turmas estariam a ter aulas, mas que Helen ainda se encontrava na escola. Lembra-se de manhã ela a ter convidado para estudar com ela para o teste de amanhã, mas que como sempre, recusou. Passou pelos portões do liceu e entrou pela porta. Os corredores estavam completamente vazios, nem um ruído soava.

Caminhou até às escadas, para ir ter à biblioteca, onde tinha a certeza que a melhor amiga estava, mas quando chegou ao início destas, ouviu um ruído forte no andar de cima e impulsionou-se para trás, como num reflexo. Seguiu-se um grito, e Chelsea apenas teve tempo de se encostar à parede para se desviar de uma cadeira que tinha acabado de ser mandada para as escadas.

“Mas o que se passa?!”, perguntou-se ela, em pânico.

O seu coração começou a palpitar com força e a sua respiração começou a tornar-se mais irregular à medida que ia vendo uma sombra a descer o primeiro lanço de escadas reflectida na parede em frente. Assim que os seus olhos observaram a figura de manto escuro e olhos negros que descia as escadas – não, flutuava sobre as escadas –, o medo tomou conta de si e começou a correr em direcção à saída mais próxima.

A figura, no entanto, não pareceu importar-se com a sua presença, e foi pelo caminho contrário.

Chelsea chegou à porta apenas para verificar que esta se encontrava trancada, e ao longe viu uma das auxiliares desmaiadas.

- Helen – murmurou, preocupada com a amiga.

Olhou para todos os lados e não viu sinais da figura que tinha descido do primeiro andar, por isso começou a correr de novo de volta à escadaria. Subiu as escadas à pressa mas com cautela, apenas para encontrar vários corpos deitados no chão. Levou a mão à boca, horrorizada, enquanto via os seus colegas e conhecidos desmaiados sobre aquele chão frio, à porta da biblioteca.

- Helen! – Exclamou, quando entre vários alunos, viu a bonita rapariga de cabelos castanhos compridos, também deitada e toda torta. Chelsea correu até ela e ajoelhou-se ao seu lado, pegando-lhe na cabeça – Helen acorda. Acorda, temos que sair daqui! Helen!

Começou a ouvir ruídos vindos do andar de baixo, por isso entrou para a biblioteca e fechou as duas portas, trancando-as nos trincos de cima de baixo. Chelsea engoliu em seco. Toda ela tremia, estava em pânico, não conseguia perceber o que se passava.

- Pai – murmurou. Levou a mão ao bolso, e trémula tirou de lá o telemóvel, mas antes que o pudesse usar para alguma coisa, a porta que a separava do resto da escola começou a ser alvo de várias pancadas, e ela assustou-se e deixou que o telemóvel caísse e deslizasse para baixo de um móvel.

- Não, não, não – sussurrava ela, dobrada e com o braço a tentar alcançar o telemóvel. Quando finalmente o conseguiu agarrar, a porta quebrou e por trás dela apareceu a figura que vira antes. Não conseguia distinguir se era homem ou mulher, pois estava completamente coberta por um manto negro, e de novo, não estava poisada no chão. Em vez disso flutuava. Chelsea não conseguia acreditar naquilo que via. Era impossível, a única explicação racional que arranjava era que tudo isto era um sonho.

- Estou a sonhar – murmurou ela, enquanto dava vários passos para trás e a figura se aproximava lentamente – Acorda Chelsea, acorda, acorda, acorda! – Gritou, já enervada.

De tanto recuar, Chelsea viu-se entre a parede e a estranha figura que agora esticava a sua mão para ela. Já estava a começar a ficar com os olhos enlagrimados de medo, e mesmo que conseguisse alcançar um objecto para se defender, certamente que o deixaria tremer. Não se sentia capaz de nada. Estava encurralada. Não era um sonho. Era o fim de tudo.

Chelsea fechou os olhos com força, ao mesmo tempo que cerrava os punhos, mas o que esperava que acontecesse não aconteceu. Não foi atacada nos dois segundos seguintes. Em vez disso ouviu um ruído e sentiu-se a ser puxada pelo braço, e foi quando abriu os olhos.

Deu por si a correr, puxada por aquele belo rapaz de cabelos loiros que até à data chamava de louco. Apenas teve tempo para olhar para trás e ver a figura recompor-se, depois de ter caído ao chão. Desceram as escadas e continuaram a correr pelos corredores das salas de aulas, até que Chelsea não conseguiu aguentar mais e foi forçada a parar para poder respirar.

- O que… está… a acontecer? – Perguntou ela, ofegante, encostando-se à parede. Sentia que ia perder as forças a qualquer momento.

- É um Procurador – Chelsea olhou para Will, e só agora reparou que também ele estava com falta de oxigénio. Encontrava-se curvado, com as mãos apoiadas nos joelhos, e a respirar irregularmente.

- O que é isso? – Perguntou a rapariga, com a voz a tremer e as lágrimas prestes a cair. Ela vira que aquilo não estava pousado no chão. Viu a coisa a flutuar. E sabe que foi salva por Will. Apesar de nada fazer sentido e de nunca ter acreditado em monstros nem em magia, sentia que agora não tinha outro remédio se não confiar no rapaz que tanto se esforçou para a convencer a tal.

- É um dos muitos tipos de demónios. Está à procura do pingente, esse que tens ao pescoço – disse Will, baixinho.

- Demónio? Pingente… eu dou-lho. Eu dou-lhe esta coisa estúpida, só me trouxe problemas, só… - Chelsea estava a falar consideravelmente alto, e estava prestes a tirar o colar quando Will lhe agarrou nas mãos e a impediu.

- Pertence-te a ti – Chelsea quis responder. Quis mesmo. Mas na voz, e até nos olhos do rapaz, sentiu que ele acreditava mesmo no que acabara de afirmar. Via certeza no seu rosto. Mas ela não sabia o que fazer com aquilo. – Ao princípio, o Procurador achava que eu o tinha… mas quando me apanhou e viu que não, começou a revistar os outros alunos, e quando descobriu que ninguém o tinha, procurou-te a ti.

- Mas ele já me tinha visto – murmurou Chelsea.

- Estes demónios… este tipo, pelo menos, não são inteligentes. São pura força bruta.

- Eles… toda a gente… estão…

- Mortos? – Por um segundo Chelsea ficou grata por Will ter percebido o que ela quis dizer, pois não achava que seria capaz de o dizer – Não, desmaiados. A maior parte dos demónios age assim, para não levantar perguntas desnecessárias.

- Mas disseste que não eram inteligentes.

- Nem independentes. Há alguém por trás disto, tenho a certeza.

- Will… - pela primeira vez, Will olhou nos olhos da rapariga, para ver o puro medo espelhado. Ela estava aterrorizada.

- Há várias pessoas a lutar contra criaturas destas Chelsea – assegurou ele –, e desde sempre. São chamados de Guardiães.

- É isso que tu és?

- Não, eu… ainda estou a caminho disso. Sou apenas um aprendiz. A minha tarefa era seguir o Pingente Mágico e encontrar a Guerreira Defensora contra o Oculto.

- Mas não posso ser eu – murmurou a rapariga. Ela não tinha nenhuma das qualidades de uma guerreira. Pelo menos aparentemente.

- O pingente escolheu-te a ti. Não fui eu, nem os Guardiães. Ele transformar-te-á na guerreira que és verdadeiramente, asseguro-te.


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