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DDO: Primeira Chamada

por Andrusca ღ, em 03.03.13

Capítulo 4

Segredo * Parte 2


Depois de comerem o gelado, Jensen e PJ acompanharam Chelsea a casa, apesar das reclamações do primeiro, e depois seguiram o seu caminho.

Chelsea entrou em casa e assim que deu meia dúzia de passos avistou logo a mãe, sentada à mesa da sala de jantar, de roda de um tecido cor de pérola.

- É para um vestido? – Perguntou-lhe, aproximando-se.

Margaret Burke é a dona de uma das várias lojas de vestidos de noivas de Diamond City, e nunca se pôde queixar de insucesso. Na verdade, sempre teve bastante sorte no seu negócio, e não faz por menos.

- Sim, estou a ver se tenho ideias – disse ela, calmamente – A noiva pediu-me para ser original e depois lhe mostrar as minhas ideias… ela viu os vestidos expostos e gostou, mas diz que quer algo inédito.

- Tenho a certeza que vais conseguir – afirmou Chelsea, sorrindo – O pai já chegou?

- Não, ainda não. Mas o mano está no quarto a estudar, acho que tem um exame para a semana. E tu Chelsea, não tens testes? – Chelsea engoliu em seco. Os pais ainda não sabiam das últimas cinco negativas que se encontravam bem escondidas no seu armário dos sapatos.

- Não te preocupes, eu estudo – disse ela, com a voz meio esganiçada – Vou para o quarto.

Subiu as escadas calmamente e entrou para o seu quarto, deixando-se cair em cima da cama. Estava cansada.

Começou a sentir o seu telemóvel vibrar no bolso das calças, e levou-lhe a mão num ápice, atendendo depois de ver que era Tony.

- Ei! – Disse ela.

- “Oi. Ouve, eu a Helen estávamos a pensar ir dar uma olhadela naquele novo bar que abriu ao pé da DoubleShoe” – “DoubleShoe” é o nome da sapataria mais famosa de Diamond City – “Não queres vir? É sexta-feira, amanhã podemos dormir até mais tarde”.

Chelsea ia recusar, ia mesmo, mas depois repensou na resposta. Já não tinha uma noitada com os amigos há demasiado tempo. “E além disso, de hoje em adiante, sei lá eu quando posso voltar a ter outra”, pensou, referindo-se à sua recente descoberta sobre o seu destino. Não queria recusar e depois mais tarde arrepender-se e não poder voltar atrás.

- Sabes que mais? Soa perfeitamente! – Sentiu o amigo sorrir do outro lado da chamada, e sorriu também – A que horas vou lá ter?

- “Às nove e meia dá-te jeito?”

- Lá estarei. Adeus Tony.

- “Combinado. Beijos”.

Assim que desligou a chamada, foi tomar um banho. Saiu da banheira e enrolou-se na toalha, pondo uma mola no cabelo para que não pingasse água para o chão, e foi para a frente do roupeiro para escolher a roupa. Talvez esta saída fosse exactamente o que precisava.

Optou por umas calças cinzentas claras, justinhas, uma blusa roxa escura com um ombro descaído, e umas sandálias pretas, com um salto de cunha. Pôs umas pulseiras prateadas, e achou por bem não tirar o pingente. Apesar de não querer, sentia-se apegada àquele colar que tantas chatices e dores de cabeça lhe tinha trazido.

Deixou a maquilhagem pronta a aplicar no armário da casa de banho, para depois de jantar, e quando ia sair do quarto, deu com Richard à frente da porta, pronto a bater.

- A mãe disse que estavas a estudar – disse Chelsea –, não te queria ir interromper.

- Não fazia mal. Ouve, eu e os rapazes hoje vamos ver aquele novo bar ao pé daquela sapataria, o Drink&Tell… não queres vir? – Perguntou-lhe o irmão, enquanto lhe avaliava o visual.

- Já tinha combinado ir com a Helen e o Tony, vou-me encontrar lá com eles – disse-lhe, sorrindo.

- Fixe, então vamos todos! – Resumiu-se Richard, encolhendo os ombros – Mas vê lá o tempo que te demoras a despachar. Agora anda lá, a mãe disse para te vir chamar para irmos jantar.

- As últimas vezes que saímos fui eu a esperar por ti – reclamou Chelsea, enquanto se dirigiam às escadas.

A verdade é que apesar dos problemas com Jensen, Chelsea anda bastante com o grupo do irmão. Sempre andou. Nunca foi considerada a irmã mais nova que se quer impor, foram sempre PJ e Richard que a quiseram acolher. E até os três amigos irem para a Universidade, eles andavam sempre juntos.

Quando chegaram à sala de jantar, o comer já estava na mesa, e o pai de Chelsea estava com ar de caso.

- Passa-se alguma coisa, pai? – Perguntou-lhe Richard, levando uma garfada de comida à boca.

- Não, não… está tudo bem – disfarçou o xerife, forçando um sorriso – Como foi o vosso dia?

- O que é que aconteceu pai? – Insistiu Chelsea.

- Aquela coisa na escola, esta semana… não compreendo como é que aquilo foi, não consigo descobrir quem é aquela rapariga… só espero que não venha dar chatices – desabafou Norman, dando um jeito ao bigode.

Chelsea nada disse, apenas comeu. Ela também esperava não ter que se envolver em mais nada, mas no fundo sabia que essa opção era remota.

- Chelsea, filha, estás toda arranjada, vais sair? – A mãe dela fez questão de mudar de assunto.

- Sim, vamos àquele bar que abriu há pouco tempo – em vez de Chelsea, foi Richard quem respondeu.

- Mas vejam lá, há muita asneira a acontecer em bares – disse-lhes o pai.

- Sim, não te preocupes – Chelsea sabia que mesmo pedindo, era escusado o pai não se preocupar. Mas também sabia que era apenas porque adorava a família e não suportaria se algo mau acontecesse.

Depois do jantar, a filha mais nova dos Burke foi para a sua casa de banho aplicar uma maquilhagem leve e agarrar na mala, e o filho mais velho foi-se vestir, deixando a irmã mais uma vez à espera.

Quando saíram, caminharam lado a lado pelas ruas, entre conversas e gargalhadas. Eles sempre se deram bastante bem.

Ao longe, Chelsea começou a avistar quatro pessoas, duas mais altas que as outras. Os amigos já os esperavam.

Cumprimentaram-se e entraram. Enquanto as raparigas, Tony e PJ se foram sentar nuns puffs, Jensen e Richard foram buscar as bebidas ao bar. Chelsea gostou do ambiente, não era muito pesado.

Helen apressou-se logo a puxar a melhor amiga para a pista de dança, que lançando a mão a tempo, conseguiu arrastar Tony com elas. PJ juntou-se a eles logo a seguir, de copo na mão, e a abanar-se desajeitadamente.

Richard não gostava muito de ver a irmã a dançar assim na companhia de tantos rapazes, e detestava a maneira como muitos a olhavam. Ela não fazia de propósito, mas a verdade é que tem uma beleza natural que salta à vista.

- Estou esgotada! – Exclamou ela, sentando-se no puff ao lado do irmão.

- Do que é que se fala por aqui? – Perguntou PJ, que chegou com Helen, deixando Tony a dançar com uma rapariga que se aproximara minutos antes.

- Daquela rapariga, a Defensora…

- Ah! A Defensora do Oculto! – Helen nem sequer esperou que Jensen acabasse de falar para começar a gritar – Ela salvou toda a gente lá na escola.

- Sim, isso veio no jornal – comentou PJ – Mas alguém sabe quem é?

Chelsea pousou os cotovelos na mesa e suspirou, pousando a cara nas mãos logo em seguida. “Que frustração! Hoje era a noite de folga, não quero ouvir falar dela!”, pensava, furiosa. Ela já estava farta do assunto. Helen falava nisso sem parar. O pai achava que a devia encontrar. Os jornais já tinham falado nela duas vezes apesar de só ter aparecido uma vez em público. Era maçador.

- Eu cá gostava de saber quem é – disse Jensen.

- Oh por amor de Deus! – Exclamou a rapariga dos caracóis ruivos, levantando-se – Já estou farta de ouvir falar nesse assunto.

- Tens ciúmes, é? – Gozou Jensen.

- Oh sim, porque o que mais desejava era ter-te a pensar em mim dia e noite – disse ela, cheia de sarcasmo, fazendo os outros rirem-se – Olhem, vou mas é buscar uma bebida, estou farta.

Caminhou furiosamente até ao bar e quando se encostou a ele bufou. Já não podia ouvir nem mais uma palavra sobre a Defensora, ou o que aconteceu na escola. Pediu uma cerveja, e começou a bebê-la lá, porque não lhe apetecia voltar para ao pé dos amigos, que continuavam com o mesmo tópico de conversa. Viu Jensen e Tony a sair do bar e não os viu regressar mais. Eles já estavam cansados, tinham começado a dirigir-se a casa.

Bebeu a bebida num instante, e depois perguntou ao empregado onde era a casa de banho, e seguiu o caminho que ele lhe tinha indicado. Estava a sentir-se tonta, e com náuseas. Não era da bebida, ela estava habituada a beber de vez em quando, e ainda nem tinha bebido nada por aí além. “Que treta”, reclamava, para dentro, enquanto entrava num corredor que ficava longe de toda a confusão do bar. Ao seu lado esquerdo tinha a porta da casa de banho dos homens, e a das mulheres ficava um pouco mais à frente. Viu que à direita era a saída das traseiras, e pôde passar por algumas caixas de papelão emparelhadas.

 

O que será que se vai passar? :b

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