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DDO: Primeira Chamada

por Andrusca ღ, em 05.03.13

Capítulo 4

Segredo * Parte 3


Ouviu algo a partir-se e apressou-se a correr até à casa de banho, e, ao abrir a porta, viu uma rapariga sua conhecida da escola, de seu nome Cassandra, no chão encostada à parede. Olhou para a frente de Cassandra e arregalou muito os olhos ao ver uma mulher ruiva a flutuar no ar, e com um top vermelho e umas calças justas da mesma cor. Cassandra também olhava para ela cheia de medo, e Chelsea percebeu logo do que se tratava. Demónio. Ou melhor, demónia.

- Anda lá! – Disse ela, para a sua colega que estava no chão, enquanto a puxava para que se levantasse.

Chelsea e Cassandra nunca foram amigas, apenas se conheciam de vista. Eram de estilos diferentes. Cassandra vestia-se sempre de escuro, incluindo maquilhagem sombria. Tinha dois piercings no lábio inferior e mais dois em cada orelha. E actualmente, o seu cabelo encontrava-se pintado de preto, e quase a chegar às pontas ficava vermelho vivo.

As raparigas correram as duas até à porta da saída das traseiras e Chelsea fechou a porta, afastando-se dela em seguida. A má disposição passara-lhe.

- O que é que se passa?! – Perguntou Cassandra, em pânico.

- Um demónio – Chelsea respondeu tão depressa, e com tanta convicção e medo ao mesmo tempo, que Cassandra não teve qualquer reacção.

Elas não tinham saída, afinal a porta ia dar a um beco sem saída. Pedaços de madeira voaram em todas as direcções quando a demónia rebentou com a porta, com uma bola de fogo que tinha criado na mão. Chelsea engoliu em seco ao vê-la tão perto. Era bonita, mas mortífera.

- Não quero morrer – murmurou Cassandra, já encostada à parede – Não quero, não quero, não quero.

Chelsea fechou os olhos com força. Não sabia o que fazer. Por dentro desejava que tudo fosse um sonho, mas não era, pois quando os abriu ainda estava tudo na mesma.

- Não posso fugir – apercebeu-se. E mesmo que conseguisse, a sua maneira de ser nunca lhe permitiria deixar Cassandra para trás. Não era à toa que ela era a Defensora, não era à toa que os Guardiães afirmavam que ela possuía um coração puro. Engoliu em seco e levou a mão ao colar, retirando o pingente de dentro da blusa, e respirou fundo. Apesar de estar à frente da Cassandra e pôr em risco o secretismo da tarefa, ela tinha que se transformar. Mesmo que não adiantasse, mesmo que fosse derrotada, ela tinha tentar. Não permitiria que fosse de qualquer outra maneira.

- Isso é… - murmurou a mulher com rosto de anjo e espírito maléfico.

“Vá lá, vá lá, vá lá”, pensava Chelsea insistentemente, enquanto apertava o colar “Por favor, eu não quero mas… eu preciso. Ajuda-me a ajudá-la. Por favor!”. Chelsea não mentiu. Ela não queria. Mas precisava. Nunca se perdoaria se não tentasse. E quem sabe, com o tempo, talvez aprendesse a querer. O pingente irradiou aquele brilho roxo e, perante o olhar chocado de Cassandra, as roupas de Chelsea mudaram numa questão de segundos, adicionando-lhe a máscara negra a tapar a parte dos olhos. As emoções de Chelsea eram o que controlava o pingente, e enquanto ela precisasse dele, ou o desejasse usar, ele teria sempre que corresponder.

- Tu… - murmurou Cassandra.

- Ora, ora, ora – disse a demónia – Os rumores são verdade… parece que nova Defensora foi encontrada. Vamos ver se és tão boa quanto a anterior.

A demónia criou uma bola de fogo com as mãos e mandou-a a Chelsea, dando-lhe apenas oportunidade de se mandar para o lado e cair no chão. Cassandra gritou, e Chelsea puxou-a para se esconderem atrás de um caixote do lixo.

- Não acredito! Tu és ela! Quer dizer, tu…

- Sim, já percebi – interrompeu-a a Defensora. O caixote tremeu. E depois outra, e outra vez. Estava a ser bombardeado de bolas de fogo.

- Faz alguma coisa! – Pediu Cassandra.

- Tipo o quê?! – A voz de Chelsea também transmitia pânico.

- Qualquer coisa! Afinal és a Defensora do Oculto, ou não?!

Chelsea mordeu a língua para não começar a disparatar com ela. Se ao menos soubesse como a derrotar. Mas a sua intuição dizia-lhe que não ia ser como da última vez, o pingente não iria fazer o trabalho todo. Os seus olhos começaram a vaguear pelo pequeno beco, e entre caixas de papelão e caixotes do lixo, houve um objecto que lhe saltou à vista.

- Preciso de chegar ali – sussurrou, apontando para cerca de dez metros para a sua esquerda, para ao pé de um dos caixotes do lixo.

- Como?

Chelsea não ouviu Cassandra, apenas espreitou, respirou fundo, agarrou na tampa do caixote do lixo e começou a correr enquanto rezava para que nada lhe acontecesse. A demónia, como era de se esperar, começou a mandar as bolas a Chelsea, e a tampa de metal estava a aquecer cada vez mais. A Defensora acabou por ter que a mandar para o chão, e saltou para a lateral de outro caixote, alcançado assim o taco de basebol a que queria chegar.

Engoliu em seco e levantou-se, com o taco pronto a arrebatar qualquer bola de fogo que fosse mandada.

A demónia soltou uma alta gargalhada.

- Esse é o teu plano? – Perguntou, rindo-se ainda mais – Esta é a guerreira lendária que todos temem? És uma anedota.

Num piscar de olhos, literalmente, o taco começou a arder e Chelsea foi obrigada a largá-lo, ficando sem fuga possível, visto já se ter afastado um pouco do caixote em que estava abrigada. Cassandra observava tudo com o coração nas mãos.

- Adeus – proferiu a demónia, friamente. Elevou as mãos ao céu e nelas começou-se a criar uma bola de fogo maior que as anteriores. Chelsea gelou. Não se conseguia mover, não conseguia fugir. Quando a demónia lhe mandou a bola flamejante, pôde jurar que viu a vida passar-lhe para trás das costas, mas depois foi derrubada por alguém que se apressou a levantar-se logo.

- Devias escolher alguém do teu tamanho – a voz era masculina, e quando Chelsea levantou os olhos do chão pôde ver que um rapaz alto, vestido de um fato preto e uma capa com a parte de dentro cor de vinho tinto, estava entre ela e a demónia. Chelsea levantou-se, com pouca força nas pernas por já ter caído tantas vezes, e colocou-se ao lado do rapaz. Tal como ela, ele envergava uma máscara escura que não permitia a ninguém descobrir quem é, mas tinha uma postura firme perante o inimigo.

- Muito bem – a demónio não pestanejou. Num movimento quase imperceptível mandou três bolas de fogo directamente ao rapaz.

- Não! – Chelsea não tinha dado tempo para que nada acontecesse. Meteu-se em frente do rapaz, não sabia porquê mas sentia que tinha que o proteger, como se ele fosse algum tipo de tesouro para ela, e pôs as mãos à frente, como se tentasse afastar as bolas quando estas a atingissem. E para surpresa dela, assim que sentiu aquela pontinha de desejo de o salvar, aquele calor já conhecido trespassou-lhe o corpo e as bolas foram enviadas para trás, como se mandadas pelo movimento das mãos de Chelsea, como ela desejou que acontecesse. Foram tão rápidas que embateram na demónia, incendiando-a numa questão de segundos. Os três adolescentes ouviram os seus últimos gritos e viram-na evaporar-se juntamente com as chamas que eram como se nunca tivessem existido. Cassandra saiu do esconderijo, com as pernas a tremerem, e juntou-se aos outros dois. Chelsea voltou-se para o rapaz, intrigada.

- Quem és? – Perguntou-lhe.

Ele não respondeu, em vez disso subiu para um dos caixotes e saltou para cima do muro que os separava da rua.

- Porque é que me vieste ajudar? – Insistiu Chelsea.

O rapaz respirou pesadamente.

- Não sei – disse, apenas. E era verdade. Ele ainda não compreendia o que tinha acontecido, nem tão pouco como tinha ido ali parar nem como aquelas roupas tinham coberto o seu corpo. Não sabia nada. Saltou o muro e foi à sua vida.

- Obrigado – murmurou a Defensora do Oculto, baixinho, mas muito sinceramente.

Cassandra ficou a olhar para ela por alguns segundos, e viu as vestes roxas escuras abandonarem o seu corpo para darem lugar às calças e à blusa de ombro descaído que Chelsea envergava antes. Assistiu maravilhada à mudança do cabelo da rapariga ruiva, que já estava encaracolado como antes, e só depois é que lhe olhou para os olhos, já com a cara completamente descoberta. Chelsea olhou para ela com preocupação.

- Não podes dizer a ninguém – pediu ela.

- Salvaste-me a vida – murmurou Cassandra –, claro que não conto. És do liceu, não és?

- Sim, chamo-me Chelsea.

- Cassandra, mas chama-me Cassie.

 

Meninos e meninas, é favor deixar comentários, shim?

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