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DDO: Primeira Chamada

por Andrusca ღ, em 15.03.13

Capítulo 5

Expectativas * Parte 3


Não conseguia acreditar que isto tinha acabado de acontecer. Acabou por perder as forças e deixar-se cair no chão, encostada ao muro, mesmo no começo de uma curva. As lágrimas começaram a escorrer pela sua face. As lágrimas acumuladas da conversa com o pai, da discussão com Will. Os amigos terem-lhe virado as costas tinha sido a última gota. Não conseguiu aguentar mais o choro.

Estava entre lágrimas e soluços há algum tempo quando sentiu embaterem-lhe nas pernas, que se encontravam esticadas, e olhou para cima.

- Oh, por favor – murmurou Chelsea, limpando as lágrimas, quando viu quem tinha embatido nela – Vai-te embora, apenas… deixa-me em paz.

Jensen ia largar uma piada daquelas que normalmente deixam a irmã do seu melhor amigo mais que chateada, mas quando a viu sentada, agora toda encolhida, com as bochechas rosadas e os olhos todos enlagrimados, quando a viu completamente indefesa, não conseguiu.

- O que aconteceu?

Chelsea não lhe respondeu. Em vez disso baixou o olhar e apertou mais as pernas com as mãos, enquanto mais uma lágrima lhe escorria pela bochecha. Jensen suspirou e sentou-se ao seu lado, puxando-a de modo a que ela ficasse encostada ao seu peito, e abraçando-a apenas com o braço desse lado, como se de um bebé se tratasse. Noutras alturas Chelsea nunca lhe permitiria sequer um toque, mas neste momento não se sentia em condições de recusar nada. E além disso, contra todas as probabilidades, o calor vindo do corpo de Jensen sabia-lhe bem. E o seu perfume cheirava bem. Não… não era o perfume. Era mesmo ele. O seu cheiro característico. Era-lhe familiar. Estranhamente, era-lhe familiar estar assim com Jensen, apesar de nunca o ter feito.

- Já alguma vez sentiste como se não valesses nada? – Perguntou a rapariga, ao fim de poucos minutos, afastando-se do abraço de Jensen e olhando-o nos olhos, enquanto limpava algumas das lágrimas, ao mesmo tempo que outras se criavam nos seus olhos.

- Quem é que te disse isso? – Perguntou-lhe ele, ao que ela suspirou.

- Ninguém… todos… mas a verdade é que acredito. Não consigo fazer nada de jeito. Mas não é minha culpa. Eu tento. Tento mesmo. Mas eles pedem todos demasiado. O meu pai, os meus amigos… o Will, especialmente ele. Eu só… não consigo! É demasiado. E depois faço tudo mal. E eles têm razão, percebes? Não consigo fazer nada, sou uma falhada, eu…

- És fantástica – garantiu o rapaz, interrompendo-a, fazendo-a ficar surpreendida. Apesar de se conhecerem desde sempre, esta é a primeira vez que Jensen faz um elogio a Chelsea. Pelo menos desde que ela se lembra – Por isso tira essas ideias da cabeça. És fantástica do teu próprio jeito – Chelsea criou um pequeno sorriso, e Jensen tomou isso como iniciativa de fazer o que melhor sabia fazer com ela – Além disso, desde que vi que tinhas o cabelo vermelho, nunca criei grandes expectativas em relação a ti, logo nunca me poderias deixar mal.

Primeiro Chelsea riu, e depois chamou-lhe de “estúpido”, mentalmente.

- És um idiota – murmurou ela, fazendo o rapaz sorrir. Já o insultava, estava melhor –, mas quer acredites quer não, esse foi o melhor elogio que me deram nos últimos dias.

Ao fim de pouco tempo Chelsea foi para casa sozinha, apesar de Jensen ter insistido que a levava. Mas ela era mais teimosa, mesmo quando estava deprimida.

O jantar foi passado mas uma vez em silêncio, os seus pais perceberam que algo estava errado mas não se atreveram a perguntar, e Richard não queria tocar em nenhum assunto à frente deles. Depois de ajudar a mãe a arrumar a cozinha, Chelsea subiu para o quarto e abriu a janela, passando em seguida para o telhado. Era isto que ela gostava no seu quarto. Podia sentar-se do lado de fora da janela, com a vista para o bosque, com a brisa a abanar-lhe suavemente os caracóis e a apreciar as estrelas que brilhavam no céu. Acalmava-a sempre um pouco. Encolheu as pernas e abraçou-as, pousando-lhes a cabeça em cima. Ficou assim durante bastante tempo, até que se voltou para a janela quando ouviu alguém a bater nela. Assim que pousou os olhos nele, Richard passou para o lado de fora, onde ela estava, e sentou-se ao seu lado.

- Falei com o Jensen – murmurou-lhe o irmão, calmamente.

- Estou bem – mas não era isso que a voz de Chelsea transmitia.

- Não te zangues com ele, estava apenas preocupado. Chelsy, nós sempre nos demos bem, porque é que não me disseste que estavas com problemas? Eu posso ajudar.

Chelsea sorriu sarcasticamente e abanou a cabeça, antes de voltar a olhar para o irmão.

- Não, não podes – garantiu – Mas sabes que mais? Não faz mal porque… eu própria vou ajudar-me. Eu consigo fazer isto, tudo isto, só preciso… só preciso…

- Precisas do quê?

Chelsea voltou a olhar para o bosque, e desta vez fez um sorriso verdadeiro.

- De um motivo – disse ela, encolhendo os ombros – De algo que me faça querer fazê-lo.

Richard não estava a perceber nada da conversa, mas não se atrevia a perguntar. Ele tinha confiança na irmã, sabia que se ela precisasse, dizer-lhe-ia o que quisesse.

- E acho que o encontrei – Chelsea voltou a falar após uma breve pausa, e olhou para o irmão novamente – Não quero ser uma falhada – “Nem na minha vida secreta”, acrescentou por pensamento.

A rapariga engoliu em seco. Agora era a sua vez de criar expectativas sobre o queria ser e fazer. Ia ter cuidado para não as criar demasiado elevadas, mas também não iria facilitar. Ela queria melhorar. Não sabia como, mas queria. E esse era o primeiro passo. 


É mini, sim, mas como só duas pessoas leram o outro não faz mal. A essas duas pessoas, peço desculpa.

Vou deixar outro programado, mas isso não quer dizer que não comentem, que quando voltar vou ver tudinho!

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