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DDO: Primeira Chamada

por Andrusca ღ, em 30.03.13

Capítulo 7

Pazes & Missão * Parte 1

 

Will observava Chelsea, por detrás de uma das muitas árvores plantadas no pátio do Liceu de Diamond City. Desde a aparição da Defensora do Oculto no dia anterior, no Largo da Câmara, que ele pensa em como se aproximar de Chelsea. A maneira mais simples seria apenas desculpar-se, mas ele era demasiado orgulhoso para tal. A rapariga levantou os olhos do telemóvel em que mexia e olhou directamente para ele, revirando-os em seguida, ao mesmo tempo que se levantava e se dirigia a ele.

- Posso-te ajudar com alguma coisa? – Perguntou, num tom não muito amigável.

- Eu… não, eu só… acho que talvez… o que tu fizeste ontem, o que disseste… foi a valer? Ou apenas o disseste?

- Uau… tu fazes um pedido de desculpas excelente – disse Chelsea, sarcástica – Foi a valer.

- Acho que talvez tenha sido injusto contigo – a rapariga dos caracóis ruivos não sabia se havia de soltar uma gargalhada ou então de reclamar mais um pouco com ele, mas como viu que ainda não tinha acabado de falar, decidiu esperar – Acho que és capaz de ter aquilo que eu procuro… seria mais fácil se tivesse conhecido a antiga… tu sabes – Will não podia dizer muitas coisas em voz alta, devido à quantidade de gente à roda deles – De qualquer maneira, ficaria feliz se me deixasses voltar a treinar-te e…

- Está bem – disse Chelsea, revirando os olhos – Mas vais-me pagar o almoço.

- O quê? Porquê?

- Porque me magoaste os sentimentos, e vais ter que me retribuir. Além disso, esqueci-me do dinheiro em casa.

Will bufou e revirou os olhos, já se estava a arrepender.

Depois do almoço na escola, Chelsea ainda teve aulas à tarde, mas combinaram encontrar-se depois na casa de Will para que falassem um pouco sobre o assunto da Defensora.

Quando Chelsea bateu à porta da sala em que ia ter aula de Química, e lhe foi dada a permissão para entrar, todos os olhares se voltaram para ela, e pôde ver Helen e Tony abanarem a cabeça, como se dissessem que ela não tinha remédio ou algo do género. Deu-lhe um aperto no coração, mas não podia ficar eternamente naquele espaço entre a sala e o corredor.

- Desculpe o atraso – disse ela, para o professor.

- Entra lá Chelsea – ele já a conhecia, já lá iam dois anos.

Chelsea entrou e sentou-se numa mesa das de trás, longe de Helen e Tony, onde ficava ultimamente. Olhou para os amigos com desgosto. Sim, ela ainda os considerava seus amigos, apesar de tudo.

O professor continuou a dar a matéria, e Chelsea envolveu-se nos pensamentos sobre o que quereria Will falar com ela. Conhecendo-o como o conhece, não pode esperar uma tarde cheia de diversão.

Quando a campainha tocou, os alunos levantaram-se com bastante barulho e começaram a invadir os corredores aos poucos. Uns dirigiam-se para a saída, outros para a sala das próximas aulas. Chelsea caminhou rapidamente para o portão, e de lá acenou a Cassie, que ainda iria ter mais uma aula. Como ia distraída a olhar para trás, não se apercebeu que estava a chegar-se muito a outra pessoa, e quando se voltou para a frente já era tarde demais e embateu nela.

- Cuidado – reclamou Helen, voltando-se para trás pronta a reclamar. Mas quando viu que era Chelsea não conseguiu. Ela também não gostava do facto de estarem tão afastadas.

- Desculpa – desculpou-se Chelsea, sem saber bem o que dizer mais.

- Não faz mal – Helen voltou a voltar-se e aos poucos foi-se afastando, deixando Chelsea parada no mesmo lugar.

Chelsea respirou fundo e olhou para o telemóvel para ver as horas. Tinha que se despachar. Foi até casa rapidamente e pousou a mala no seu quarto. Ouviu barulho no quarto do irmão, por isso decidiu ir espreitar. Bateu à porta e após um “entra” com a voz de Richard, abriu-a.

- Olá! – Disse-lhe PJ, levantando-se da cadeira da secretária para a ir cumprimentar. Chelsea sorriu-lhe e deu-lhe dois beijinhos nas bochechas, lançando depois um olhar a Jensen, que nem um músculo tinha movido.

- Não sabia que estavam aqui todos – disse a rapariga – Era só para avisar que vou sair e não sei a que horas chego.

- A miúda vai ter um encontro? – Perguntou Jensen, levantando agora os olhos do livro que estudava e levando-os em direcção a Chelsea.

Esta quase que o fulminou com o olhar. “A miúda? Mas ele pensa que é muito mais velho?!”, disparatou ela, dentro de si.

- A miúda tem que viver – disse ela, agarrando na bola de futebol americano que Richard tinha no chão, e mandando-a com força a Jensen, que apenas a apanhou por sorte –, não é como certos velhos. Até logo Richard.

- Diverte-te! – Disse-lhe o irmão, antes de ela fechar a porta.

Chelsea saiu de casa e começou a caminhar com certa rapidez, se chegasse muito tarde já sabia que Will ia começar a reclamar. Tocou à campainha e a porta foi aberta electronicamente segundos depois. Subiu as escadas até ao andar do rapaz e encontrou-o à porta, à espera dela. Entraram os dois e Will fez sinal a Chelsea para que se sentasse. E assim começaram a conversar sobre o que tinham acontecido nos últimos dias.

- Gorman? – Chelsea tinha-lhe perguntado se conhecia algum demónio com esse nome, e descreveu-o fisicamente, mas Will não sabia quem era – Não sei, porquê?

- Vi-o ontem. Estava a atacar um homem e lutei com ele. Não consegui… não te zangues comigo, mas não o consegui matar… quando o mandei ao chão e ele se levantou, desapareceu e disse que um dia viria por mim – explicou a rapariga.

- Mas ele viu-te apenas como Defensora, certo?

- Sim.

- Tens que ter cuidado para que a tua identidade não seja descoberta Chelsea.

- Eu sei, relaxa.

- Disseste que o tinhas mandado ao chão – por alguma razão, era difícil para Will acreditar nisto –, como?

Chelsea sorriu e os seus olhos quase que brilharam. De manhã, enquanto se despachava para ir para a escola, e até ontem à noite, tinha estado a treinar mover coisas com a sua mente como tinha feito a Gorman. E tinha conseguido. Chelsea mirou uma almofada na outra ponta do sofá e concentrou-se nela, e com um pequeno gesto com a sua mão, ela começou a levitar levemente. Will ficou atónico a olhar para aquele espectáculo.

- E consigo fazer o mesmo comigo – adicionou a rapariga, voltando a pousar a almofada – Levitar.

- Uau… és mesmo ela.

- Will, o que é que me querias dizer? Não me chamaste aqui para me ouvires falar do que aconteceu. O que é?

- Está na altura de saberes mais sobre a tua missão. Mas não ta consigo explicar. Por isso está na hora de conheceres os Guardiães.

- Os Guardiães? – Chelsea gelou. Eles não iam gostar dela, Chelsea tinha a certeza absoluta – Mas Will…

Will não a deixou acabar. Disse umas palavras numa língua desconhecida a Chelsea e depois tocou-lhe com o dedo indicador na testa, fazendo com que num segundo todo o cenário mudasse. O sofá em que Chelsea estava sentada saiu de baixo dela, fazendo-a cair para um chão branco e bastante polido. Will evitou rir, e Chelsea levantou-se com uma cara de chateada. Olhou em volta. Não sabia onde estava, mas sabia que era lindíssimo. 

 

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