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DDO: Primeira Chamada

por Andrusca ღ, em 02.04.13

Capítulo 7

Pazes & Missão * Parte 2


Parecia o interior de um palácio de contos de fadas, ou um ponto de imaginação da mente de uma criança. As paredes não pareciam fazer sentido umas com as outras, mas mesmo assim, num todo, ficavam perfeitas. Faziam curvas graciosamente, e eram como se fossem de um vidro espesso que não deixa ver nada para o outro lado. Era um sítio cheio de luz, e acolhedor. Estranhamente, não era estranho a Chelsea, ela sentia-se bem de lá estar.

Ao longe, lentamente, começou a aproximar-se uma figura. Era um velhote já careca e com umas poucas rugas na nuca e na testa que caminhava em direcção a eles. Um dos mais poderosos Guardiães, um dos poucos que teve o privilégio de conhecer a Defensora do Oculto nos dias do antigamente. Guardiães vivem por muitos mais anos que os humanos, e envelhecem muito menos depressa. Alguns chegam a viver por cinco séculos. Outros apenas duram três. Chelsea semicerrou os olhos para o ver melhor enquanto ainda se aproximava deles. Trazia um manto vestido, num tom pérola e com umas riscas a dourado e roxo a fazerem uns símbolos nunca antes vistos.

- Porque é que ele está de vestido? – Perguntou Chelsea, entre dentes, a Will.

- É uma túnica – Disse o Guardião, chegando ao pé deles – Ou um manto, se preferires. Não há dúvida – pronunciou o Guardião, com um rosto de felicidade –, és mesmo a nossa guerreira renascida.

- Desculpe, quem é você? – Perguntou Chelsea.

- O meu nome é Oyuan, sou um dos muitos Guardiães. É uma honra conhecer-te pessoalmente, oh valente salvadora.

“Valente salvadora? Que raios?!”, Chelsea olhou para ele desconfiada, e em seguida para Will.

- Ele é o meu superior – disse Will.

- E fizeste um trabalho esplêndido ao encontrá-la – disse-lhe Oyuan, dirigindo-lhe um sorriso – E obrigado por a trazeres aqui. Faith… és mesmo tu.

- Não, eu… chamo-me Chelsea.

O velho Guardião sorriu e assentiu.

- Eu sei, Faith era o teu antigo nome. Quem costumavas ser.

- Desculpem mas… porque é que o Will foi mandado à minha procura? O que é que preciso de saber?

- O pingente que usas ao pescoço reagiu quando a Escuridão se começou a erguer de novo, e logo partiu em busca da sua verdadeira e única dona. Mandei o Will procurar-te para garantir que nada te aconteceria, e para te treinar para o que há-de vir.

- Disse que a Escuridão se ergueu de novo… isso quer dizer que desde há cem anos para cá que não haviam demónios?

- Não, apenas estavam mais enfraquecidos.

- Está na altura de saberes a tua missão Chelsea – disse Will, olhando para Oyuan, que lhe assentiu e começou a falar em seguida.

- Por favor, aproximem-se – Chelsea e Will chegaram-se mais para ao pé de Oyuan, e este, com um gesto, criou uma espécie de holograma junto deles. Um holograma do planeta Terra – Sabem o que isto é?

- A Terra – disse Chelsea.

O Guardião assentiu com a cabeça e fez outro gesto com a mão, fazendo agora com que a Terra ficasse sem as suas cores azuis e verdes e ficasse completamente negra.

- A Escuridão – murmurou Will.

- Sim Will, a Escuridão. Era isto que pretendiam fazer. Arruinar a Terra, destruir a vida… mas graças à Defensora, não conseguiram – disse Oyuan.

- Mas se a Terra está salva… então por que precisam de mim? Disseram que a Escuridão estava a voltar… isso quer dizer que ainda querem fazer isto ao planeta? – Perguntou Chelsea.

- A Escuridão é governada por cinco bruxas, as Cinco Bruxas da Escuridão, cinco irmãs maldosas e mortíferas, e pelos seus companheiros, os Príncipes da Escuridão. Em busca de mais poder, fizeram uma aliança poderosa e juraram governar o mundo em nome do mal e com as suas próprias regras. No passado a Defensora do Oculto foi capaz de atrasar os seus planos, deixando-os na miséria, e isso custou-lhe a vida. Por anos pensámos que os tinha de facto derrotado. Mas não derrotou. Agora que as Cinco Bruxas estão a voltar a trazer a Escuridão ao mundo, não vão parar enquanto não obtiverem o que querem. A tua tarefa, a tua verdadeira missão é impedi-las. Mas aviso-te, será uma longa jornada jovem Defensora. As Bruxas terão os príncipes, Kayor, Jecek, Trou e Fleth, do seu lado, e eles defendê-las-ão com todas as forças.

- Óptimo, então não só tenho que derrotar bruxas como também os seus príncipes malvados. Mas são apenas quatro… o que aconteceu ao quinto príncipe? – Perguntou Chelsea. 

Houve uma troca de olhares suspeita entre Will e Oyuan, da qual Chelsea não gostou nada. Eles não sabiam se lhe haviam de contar toda a verdade, mas sabiam que se o fizessem arriscavam toda a missão por algo que provavelmente nem chegaria a importar. É que o quinto príncipe tinha desempenhado um papel bastante importante na luta da antiga Defensora contra a Escuridão. Mas Chelsea não precisava dessa informação, pelo menos ninguém estava interessado em lha dar.

- Byron, o quinto príncipe, o mais novo dos cinco irmãos, morreu no combate com a antiga Defensora – limitou-se Oyuan a dizer. Porém Chelsea sentiu que ele não lhe dizia a verdade toda.

- Como é que devo matar as Bruxas? – Perguntou a rapariga.

- Não sei, é uma tarefa que apenas compete à Defensora. Mas será mais difícil do que podes alguma vez imaginar pequena Chelsea. A antiga Defensora deu a sua vida pela salvação do mundo, e tenho que te avisar, pode não ser diferente para ti. Os Príncipes e as Bruxas guardam um rancor inimaginável da Defensora do Oculto, são guiados pela raiva que sentem por ela.

- Porque ela lhes arruinou os planos, é natural – murmurou Chelsea, ao que Oyuan e Will assentiram. Mas não era apenas por isso. Mas mais tarde se descobriria.

- Estes – Oyuan estalou os dedos e o holograma do planeta Terra dividiu-se em nove outros, que criaram caras de pessoas – são os teus inimigos.

Chelsea observou-os bem. Os rapazes não pareciam muito velhos, o mais novo ia até aos vinte e cinco anos, no máximo. Mas só haviam quatro deles. De novo o quinto príncipe não estava mostrado. As raparigas eram todas portadoras de uma beleza extrema. Podiam ser confundidas com modelos ou princesas do passado.

- Nós vamos ter que treinar bastante – murmurou Will.

Chelsea encheu o peito de ar e voltou-se de frente para Oyuan, que lhe deu atenção imediatamente.

- Eles vão vir a mim? Ou tenho que os procurar? – Chelsea não estava a gostar da ideia de ter que derrotar tanta gente. Ela não era uma assassina, não tinha qualquer desejo em andar metida em lutas. Mas também não iria fugir, porque além de não a deixarem, a sua consciência não o permitiria – E não vou ter ajuda? Vou ter que fazer tudo sozinha?

Oyuan franziu as sobrancelhas e ficou sem resposta. Ele não estava acostumado a isto. A Defensora ao lado da qual tinha lutado nunca teve medo de lutar sozinha nem nunca pediu qualquer tipo de ajuda. Ele esperava que Chelsea fosse igual.

- A Defensora és tu – limitou-se ele a dizer – Agora devem ir. Preparem-se para as batalhas que se avizinham.

- Obrigado Oyuan – disse Will, curvando-se em sinal de respeito. Chelsea não mexeu um cabelo, e quando Oyuan voltou a estalar os dedos, tudo regressou a como era dantes. Já não havia paredes de vidro, nem um chão brilhante, nem aquele clima de tranquilidade. Estavam de volta à sala desarrumada e com poucos móveis de Will, de regresso a Diamond City. 

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