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One Shot

por Andrusca ღ, em 02.04.13

As Capacidades

 

Melody entrou na sala de grupo e olhou em volta. Ele não estava ali, e algo de errado se passava.

- Claire, sabes do Tom? – Perguntou.

- Acho que saiu, mas porquê?

- Nada… vou procurá-lo.

Saiu e olhou para o céu. Aquela escuridão apenas era iluminada pelos raios que rasgavam o céu e que a faziam estremecer. Pôs o capucho do casaco pela cabeça e começou a correr pela rua. Se não estava junto dos outros, e não estava em casa, só podia estar num outro lugar.

Melody correu e correu até já não poder mais. Já estava completamente ensopada quando finalmente chegou ao rio. Um rio largo de água límpida rodeado por um pequeno prado cheio de relva verdinha e alguns bancos de madeira para que a paisagem das montanhas pudesse ser apreciada.

- Também não está aqui… - murmurou, deixando-se cair num dos bancos, já sem tampouco se importar com a chuva que lhe caía furiosamente em cima – Onde é que andas, Tom…? Não faças nenhum disparate…

Nesse momento um outro relâmpago iluminou o céu, e uma árvore entre muitas caiu, despertando-lhe a atenção. “Aquilo não foi do relâmpago… Tom!”. Desatou a correr pela pequena floresta, chegando perto das montanhas, e ao longe começou a vê-lo. A chuva tinha-lhe ensopado os caracóis loiros e a roupa, e o alívio que Melody sentiu ao vê-lo desvaneceu-se ao ver que não estava sozinho. Um outro homem, mais alto, mais musculado, mais forte. Um outro homem que ela não desconhecia, mas que não queria ver ali.

- Tom! – Gritou, pondo-se perto do rapaz que a olhou com indiferença e frieza, dirigindo a sua atenção mais para o homem.

- Sai daqui Melody – mandou Thomas.

- O que é que se passa? – Exigiu ela saber – Quem é este homem?

- Não tens nada com isso, rapariga – disse-lhe o homem, agindo como ela e fingindo que não se conheciam. “Patrick seu idiota”, amaldiçoou ela, “vais estragar tudo”.

E dito aquilo, Patrick atacou-os. Sem mais nem menos um relâmpago saiu das suas mãos e mandou os dois adolescentes ao chão sem qualquer advertência. Melody olhou-o com raiva, mas ela desvaneceu-se depressa quando viu o estado de nervos em que Thomas se encontrava. “Isto não é bom”, e antes de terminar o pensamento já Patrick se encontrava no chão, a levar murros e pontapés do vento, a criar hematomas, a deitar sangue, a ser espancado pelo ar.

- Pára Tom! – Melody levantou-se e agarrou-se ao rapaz, que a afastou com repudia. Pôde ver o ódio nos seus olhos. Pôde ver a sede de poder, como queria destruir o homem que o tinha ido atacar – Pára com isso! Thomas acaba com isso já!

Nada resultava. Foi então que, ao ver que o corpo de Patrick não aguentaria por muito mais, se colocou à frente do ataque e levou ela com os ataques do ar. Apenas isso o fez parar, e onde no seu olhar antes havia fúria, pairava agora arrependimento. Tinha finalmente caído em si e visto o que tinha acabado de fazer.

- Mel… - murmurou, horrorizado.

- Não faz mal – tranquilizou-o ela, embora todos os seus músculos estivessem doridos – Não eras tu.

Ele engoliu em seco. Não era? Será que não era mesmo? A raiva que sentira, o poder que sentira. Tinha gostado de se sentir assim. E queria continuar. Forte e poderoso. Tinha cedido à fúria e deixado que a sua outra face tomasse controlo do seu corpo. Agora já parecia outra pessoa completamente diferente de novo. “Porquê?”, perguntou-se, “porque é que isto me tem que acontecer a mim?”. Desde que descobrira as suas capacidades, que podia dobrar o vento, nada na sua vida continuara igual. Olhou para o corpo inanimado de Patrick no chão e não pôde evitar de pensar o pior.

- Ele está vivo – descansou-o Melody, após lhe verificar a pulsação – Anda, vamos embora – quando lhe ia tocar no braço, Thomas afastou-a e desviou o olhar para o chão. Tinha uma expressão dura, mas não como a que tinha antes.

- Deixa-me.

- Thomas…?

- Não percebes? Não viste o que acabei de fazer? Sou mau! – Explodiu ele, dizendo o que queria dizer à muito tempo – Quando perco o controlo das minhas capacidades, eu… sou mau, Melody!

- Não interessa – garantiu ela, com um tom calmo para ver se o descansava.

- Para mim interessa.

- Mas para mim não! – Desta vez elevou mais a voz, apanhando-o desprevenido – Não importa, Thomas, ainda és o meu rapaz. Lembras-te?

Os olhos dele foram de encontro aos dela e brilharam. Ela ainda se lembrava daquilo?

- Lembras-te disso?

- És o meu rapaz, e eu sou a tua miúda. Nada mais importa.

Ele sorriu e deixou-se envolver num abraço, chegando até mesmo a retribuí-lo enquanto regressava àquele dia. Não deviam ter mais de sete anos, e estavam a brincar perto do rio onde Melody o procurara há minutos. Mais um grupo de miúdos apareceu e começaram a meter-se com eles, a gozar com Melody e a dizer maldades, e foi então que Thomas a defendeu.

- É a tua namoradinha, é? – Perguntou um dos miúdos.

- Não! Mas eu sou o rapaz dela e ela é a minha miúda! – Dissera ele, com o seu ar inocente de menino rebelde, ar esse que ainda não tinha perdido.

Melody sorriu, enquanto relembrava também esse momento, mas então o seu sorriso desvaneceu-se de novo. Isso tinha sido tudo enquanto não era obrigada a mentir-lhe, a mentir a todos, por causa das capacidades, dos poderes, ou como fossem chamados. Antes de os seus pais terem morrido, antes de ter sido recrutada por aquela agência secreta, antes de o encontrar desolado e perdido num beco há já apenas alguns meses, quando tudo tinha sido feito para que se voltassem a reunir.

- Eu posso-te ajudar – dissera-lhe quando vira que ele não fazia ideia de que poderes eram aqueles, ou de como os usar.

- Não, ninguém me pode ajudar – respondera-lhe Thomas, ainda sem a reconhecer.

- Tom, eu posso-te ajudar.

Thomas quebrou o abraço e olhou para ela, mostrando-lhe um pequeno sorriso. Continuava a não gostar da situação, mas sabia que ela não ia desistir dele, fosse por que motivo fosse.

- Vamos ter com os outros? – Perguntou.

- Vamos.  

 

Meninos e meninas, acho que vou fazer uma história disto, o que acham?

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