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DDO: Primeira Chamada

por Andrusca ღ, em 06.04.13

Capítulo 8

O Primeiro Príncipe * Parte 1

 

- Posso parar? – Perguntou Chelsea, sem parar de correr.

- Mais cinco voltas – Chelsea bufou e Will riu-se, voltando a dirigir a sua atenção a um dos seus muitos livros. Will estava a fazer Chelsea correr à volta do descampado no bosque, com a desculpa de que ela tinha que ganhar resistência caso fosse preciso fugir. Claro que como sempre, ele exagerava no que lhe pedia e Chelsea já estava quase a correr há meia hora, estando prestes a cair para o lado de cansaço e de tonturas.

Quando as últimas cinco voltas acabaram, Chelsea deixou-se cair no chão, a tentar recuperar o fôlego. Will olhou para ela e riu-se, abanando a cabeça. Da sua mala comprida e escura tirou um arco e várias flechas, e aproximou-se então da Defensora do Oculto.

- Estás a falar a sério? – Will não tinha pronunciado uma única palavra, mas Chelsea tinha percebido tudo.

- Tens que aprender a trabalhar com vários instrumentos. Já te apercebeste que o pingente te dá os objectos para destruíres os demónios, não já? – Justificou o rapaz.

- Nem sempre – defendeu-se ela, levantando-se do chão e agarrando no arco e numa flecha.

- Na maioria das vezes. Olha, é muito fácil. Põe-se a flecha aqui… - Will colocou a flecha e depois ensinou Chelsea a agarrar no arco certamente, e em seguida fez-lhe sinal para que mandasse a flecha directamente a uma árvore a poucos metros deles – É só largares.

Chelsea pressionou os lábios e fez pontaria, soltando a flecha em seguida.

- Ups – murmurou ela, quando a flecha caiu a dois passos de onde estava. “Isto vai ser bonito vai”, pensou.

Will insistiu naquilo o resto da tarde. No dia anterior tinham treinado maneiras de Chelsea se defender num combate frontal com um demónio, e tal como hoje, tinha sido difícil para ela conseguir apanhar o ritmo. Mas depois quase que conseguiu deitar Will ao chão. Quase.

Quando começou a escurecer, foram cada um para a sua casa. Chelsea entrou pela janela do seu quarto, graças ao seu poder de levitar, pois para os pais tinha passado a tarde toda fechada a estudar como a aluna aplicada que eles queriam que ela fosse.

- Raios! Esqueci-me que tinha trabalhos de casa! – Murmurou ela, quando olhou para a secretária e viu lá o caderno de Inglês – Ah azar, agora também não me apetece…

Foi tomar um banho relaxante e depois vestiu o seu pijama. Uns calções azuis-escuros e um top branco com uns bonecos extraterrestres. Continuou com o pingente ao pescoço, ultimamente não o tirava nem para dormir. Já não se sentia bem sem ele. Decidiu deixar o cabelo secar naturalmente, e quando se despachou, sentou-se na cama a olhar para os exercícios de Inglês para os resolver.

- Vá lá, tens que te esforçar – exigiu-se.

Quando a mãe a chamou para jantar já ela tinha feito tudo. Hoje sentia-se particularmente cansada, talvez fosse cansaço acumulado também de todos os outros dias de treino com Will e da escola. Desceu as escadas lentamente, e sentados à mesa já estavam os restantes membros da família.

- Já de pijama? – Perguntou-lhe a mãe, a estranhar. Chelsea caminhou até à sua cadeira e sentou-se, servindo-se de arroz e de pato em seguida.

- E assim que acabar de comer vou-me deitar – disse-lhe.

- Mas estás a ficar doente filha? – Perguntou-lhe o pai, Norman.

- Não, estou só cansada – justificou.

Richard olhou para ela com cara de caso, mas ela não percebeu porquê. Depois do jantar, Chelsea ajudou a mãe a arrumar as coisas e depois subiu para o quarto. Esteve pouco tempo à conversa com Helen e Tony pelo computador, porque cedo o sono fez a sua aparição e ela foi forçada a desligá-lo para descansar. Quando estava prestes a desligar a luz da mesa-de-cabeceira, a única que ainda se encontrava acesa, bateram à porta.

- Entre – disse Chelsea, sentando-se junto à cabeceira da cama.

Richard entrou e de novo olhou-a de uma maneira estranha. Fechou a porta e sentou-se ao fundo da cama, aos pés da irmã.

- Passa-se alguma coisa? – Perguntou-lhe a rapariga dos caracóis ruivos.

- Onde é que estiveste esta tarde? – Richard foi directo, e normalmente só o era quando estava ou preocupado, ou chateado.

- Estava aqui, a estudar – Chelsea sabia que para ele estar a fazer aquela pergunta era porque não acreditava nisso, mas mesmo assim arriscou.

- Desde quando é que mentimos um ao outro? – Perguntou Richard.

Chelsea suspirou. “Tenho mentido a todos desde que virei uma salvadora da pátria, isso conta?”, pensou ela.

- Fui dar uma volta. Estava a ficar farta Rich, já não tinha paciência para estudar mais. Não disse aos pais porque senão eles iam reclamar… já sabes como é – Chelsea foi bastante convincente, e de facto Richard sabia que os pais lhe iriam dar um grande sermão se ela fosse sair a meio dos estudos.

- Hum… está bem. E porque é que andas tão cansada afinal? Ultimamente só te arrastas de um lado para o outro.

- Isso não é verdade! – Defendeu-se a rapariga. Era verdade.

- Não sou só eu que noto. O PJ diz a mesma coisa.

Chelsea suspirou.

- Vi um filme de terror – lastimou-se, sentindo-se mal em seguida por mentir ao irmão – Foi tão horrível Rich, toda a gente me disse para não o ver, mas vi, e agora olha, tenho pesadelos e não consigo dormir.

Richard riu-se. A irmã era medricas a esse ponto, ele sabia-o bem.

- Nunca vais aprender, pois não? – Murmurou ele.

Chelsea revirou os olhos, e Richard deu-lhe um beijo na testa e dirigiu-se à porta em seguida, murmurando-lhe um suave “dorme bem” à saída. Chelsea aconchegou-se na cama e desligou a luz, suspirando. Ela detestava mentiras. Especialmente entre os melhores amigos e o irmão. São as pessoas nas quais confia com a vida.

Chelsea estava a meio de um sonho em que ganhava a lotaria e era uma cantora famosa quando acordou subitamente após lhe cair alguma quantidade de água em cima.

- Jensen! – Gritou, ao ver Jensen a rir-se que nem um perdido a pousar um copo de água na secretária.

- Já eram horas de acordares Bela Adormecida! – Gozou ele, ainda a rir-se. Era sábado. PJ e Richard foram para o quarto de Chelsea, atraídos pela algazarra, e lançaram um olhar de reprovação a Jensen – O que foi? Já é quase uma hora.

- Eu vou-te matar! – Gritou Chelsea, levantando-se rapidamente e mandando-lhe a almofada, para depois desatar a correr atrás dele, que fugiu rapidamente para o andar de baixo.

 

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