Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

DDO: Primeira Chamada

por Andrusca ღ, em 13.04.13

Capítulo 9

Ceifeiro * Parte 1

 

- Eu não te disse para não te aproximares dele?! – Will estava furioso por Chelsea ter ignorado uma ordem tão directa, mas mais que isso estava preocupado. Se alguma coisa lhe tivesse acontecido, não sabia o que faria.

- Já pedi desculpa – disse a rapariga pela milionésima vez, enquanto punha um penso no corte do joelho.

- Foste parva, e irresponsável, e…

- Foi culpa minha – tentou Cassie falar.

- Não, não foi. Ela podia não ter ido. Ela teve sorte.

- Sorte?! Já olhaste para mim? Não me vou mexer por três semanas – discutiu Chelsea. Mas sim, podia ter sido bem pior.

- A esta altura já podias estar morta – limitou-se Will a dizer.

- Ainda bem que o meu pai não está em casa… ai, e graças a Deus que não fiquei com marca nenhuma na cara – pensou Chelsea em voz alta, pondo Will prestes a explodir – Tem lá calma, se tivesse ficado marcada na cara então as pessoas iam começar a fazer perguntas, não achas?

O rapaz pôs as mãos na cintura e abanou a cabeça. Amanhã seria outro dia, depois lidariam com isso, mas hoje já estavam os três cansados. Will tinha aparecido logo após a luta, quando os Guardiães o alertaram para o que estava a acontecer.

Will e Cassie foram-se embora, deixando Chelsea no seu quarto, deitada na cama todo encolhida. Ainda lhe doía a barriga, e o corte no joelho continuava a arder. E agora, graças a Will, a cabeça. Mas ela não o podia culpar, sabia que a sua missão era protegê-la e que se ela tivesse tido menos sorte, estaria tudo arruinado. Já Cassie fartou-se de lhe pedir perdão por quase a obrigar a ir para a luta.

Chelsea fechou os olhos, respirando fundo calmamente. Sabia-lhe bem um momento de silêncio após toda aquela algazarra.

Bateram à porta do quarto e ela abriu os olhos, a tempo de ver PJ a entrar.

- Não sabia que estavas cá – disse ela, fazendo uma careta ao sentar-se na cama por causa das dores.

- Não estava, chegámos agora. Não queres vir connosco? Estávamos a pensar ir comer fora hoje – convidou ele, ainda quieto de pé, à porta.

- Não… estou cansada – apesar de lhe partir o coração recusar um pedido do rapaz por quem se sentia atraída, no mínimo, Chelsea não conseguiu dizer que sim – Mas divirtam-se.

- Mas estás bem? Se não te sentires bem podemos ficar e…

- Fazer de babysitters – ouviu Chelsea, de trás de PJ, de onde apareceu Jensen – O que é que tens caracolinhos?

- Não é nada, a sério. Podem ir – assegurou Chelsea – Vou-me deitar cedo para ver se…

- Amanhã não chegas atrasada? Será que vale de alguma coisa? – Interrompeu-a Jensen, a gozar.

- Pára lá, não vês que ela não está bem? – Repreendeu-o PJ – Chelsea…

- Só preciso de descansar… e de estar sozinha, está bem? Fico bem, vão – disse Chelsea, firmemente e rápido demais. PJ ficou a tentar decifrá-la durante mais um pouco, mas Jensen encolheu os ombros e foi-se embora. Richard também apareceu no quarto, e disse à irmã que não ia chegar tarde.

Ao jantar foram apenas ela e a mãe. O xerife Burke tinha telefonado a dizer que ia ter que trabalhar até mais tarde, mas não especificou o porquê.

Assim que caiu na cama, Chelsea adormeceu. Estava cansada, queria entrar no mundo dos sonhos e não voltar a acordar, o dia de hoje tinha-lhe valido por todos os outros que se podiam seguir. E ela não queria ver Kayor outra vez. Tinha medo que da próxima vez não tivesse tanta sorte do seu lado, apesar de não o admitir a Will.

 

 

- O quê? – Chelsea passou ao lado de uma banca de jornais e revistas, como passava todos os dias no caminho para a escola, e algo lhe saltou à vista. Agarrou no jornal de hoje, o Diamond’s News e abriu-o na página onde estava a notícia que comunicavam na capa.

- Oh menina, isso não é para se ler sem se comprar – resmungou logo o vendedor.

- Tenha calma, só quero ver uma coisinha – disse Chelsea, observando bem a fotografia do cais, com uma parte do muro algo destruída, e outra ao lado, de si, como Defensora do Oculto, encostada a ele ainda sem antes ter sido mandado mais abaixo. Chelsea engoliu em seco, não se tinha apercebido da presença de mais pessoas enquanto tudo aquilo decorria. E bolas, não tinham demorado tempo nenhum a vender as fotografias. “Mas também quem é que se mete a tirar fotografias numa situação daquelas?!”, pensou ela.

- Não é uma coisinha, nem são duas. Eu tenho que fazer negócio, não pense que…

- Está bem, tome lá – Chelsea tirou umas moedas dos bolsos e pagou pelo jornal, indo caminhando em seguida enquanto o lia. Só o título deu-lhe calafrios.

 

Nova aparição da Defensora do Oculto dá que falar

 

Ontem, por volta das seis horas da tarde, a tão aclamada Defensora do Oculto fez a sua mais recente aparição em público. Sendo vista num confronto directo com um homem ainda por identificar, ficou afirmado por espectadores que a tão auto-denominada heroína não é mais que uma rapariga adolescente. Várias pessoas assistiram horrorizadas à luta que ocorreu no Cais Principal, e as suas opiniões em relação a esta nova rapariga são bastante diversificadas. O “Diamond’s News” quis ter uma maior noção do que os populares pensam deste assunto, e por isso entrevistou alguns dos presentes. Alguns afirmam que ela lutava para defender uma mulher que “estava suspensa no ar”, por palavras deles. Outros diziam que não se tratava de nada mais além de um espectáculo montado por uma adolescente que quer ganhar protagonismo. Mas há ainda quem a considere perigosa. “Acho que é um perigo andarem pessoas assim livres na rua. Nunca me sentirei segura enquanto souber que há malucos destes”, afirmou uma das pessoas que assistiram a tudo, que preferiu ficar no anonimato.

Até agora uma das poucas certezas sobre este assunto é que a Defensora do Oculto não age sozinha. Várias testemunhas afirmam que um rapaz correu ao seu auxílio, sendo até o que “a impediu de ser morta”. Mas quem é o rapaz? Um mistério, tal como a identidade da Defensora do Oculto.

A polícia esteve no local, liderados pelo Xerife Burke, até quase à meia-noite, a analisar e a tentar decifrar que tipo de arma destruiu parcialmente o muro. Segundo testemunhos os estragos foram causados por “bolas que saíram das mãos do homem”, mas a polícia quis ir mais longe e investigar.

Tivemos a oportunidade de fazer umas perguntas ao Xerife Burke.

DN (“Diamond’s News”): Diga-nos Xerife, qual é a sua opinião acerca desta nova tão chamada heroína?

Xerife Burke: Bem… em primeiro lugar quero afirmar que o que se diz é impossível. As pessoas não voam, e muito menos criam bolas nas mãos que possam fazer aqueles estragos. A ciência tem uma explicação para tudo isto.

DN: Sim, mas e então sobre a Defensora do Oculto?

Xerife Burke: Acho que essa rapariga, seja ela quem for, tem sérios problemas. Não se brinca com coisas tão sérias como a segurança de uma cidade inteira. Do meu ponto de vista ela não está a agir de acordo com a lei, e além disso, como se pode ver pelo muro, está a destruir a nossa cidade. E por isso deve ser punida. Para mim a Defensora ou seja lá como for que é chamada não é mais que uma adolescente problemática que tem que ser punida.

DN: E tem medo que a moda pegue?

Xerife Burke: Que a moda pegue? Só se as pessoas foram burras é que começam a imitar algo tão ridículo. Para manter a ordem na cidade há a polícia, não precisamos de super-heróis.

DN: E se por acaso descobrir quem é a Defensora do Oculto, que fará?

Xerife Burke: Minha cara, eu vou fazer de tudo para descobrir quem ela é, e quando a encontrar, farei os possíveis para que tenha toda a ajuda que precisar e depois para que pague pelos seus comportamentos.

 

Chelsea parou de ler e bufou. Se o seu pai descobrisse, mais valia que ela se entregasse à Escuridão de livre vontade. Ao fundo da rua já podia ver o liceu, e então ouviu o toque de entrada.

- Oh não, vou chegar atrasada outra vez! – Exclamou. Começou a correr, mas ainda lhe doía o joelho, e as calças de ganga a roçarem não a faziam sentir-se nada confortável.

4 comentários

Comentar post