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Pétalas de Rosas

por Andrusca ღ, em 08.10.10

Sinceramente acho que este não é (nem se aproxima sequer) um dos melhores :s

Mas mesmo assim espero que gostem

Bjs

 

Capítulo 8

Stress

 

Levantei-me cheia de preguiça como habitual e arrastei-me até ao quarto de Abby. Hoje não ia tomar banho de manhã, já tinha tomado à noite. Abri a porta do quarto da minha irmã e aproximei-me da cama dela.

- Abby, acorda – disse, enquanto tirava os cobertores de cima dela. E então percebi que não havia nada além de cobertores.

Acordei logo nesse instante, enquanto mandava os cobertores todos para o chão.

- Abby? – Chamei – Abigail?

Saí do quarto dela e corri até ao de Dylan, onde me mandei para cima da cama, e consequentemente, para cima dele.

- Ei! Que raios?! – Resmungou ele.

Não liguei, acendi a luz da mesa-de-cabeceira e levantei-me da cama.

- Abby, isto não tem graça! – Gritei.

- O que é que foi? – Perguntou-me Dylan, a esfregar os olhos.

- A Abby não estava no quarto.

- Já viste no resto da casa?

- Não! Levanta-te e ajuda-me!

Saí do quarto dele e desci as escadas a correr. Na cozinha não estava, e a sala também estava vazia. Dylan disse que as casas de banho também estavam vazias. O telemóvel dela estava em cima da mesa da cozinha, onde ela o tinha deixado à noite quando se foi deitar.

- Mas onde é que ela podia ter ido? – Perguntou Dylan, já aflito.

Comecei a ouvir o meu telemóvel a tocar, e desatei a subir as escadas a correr. Entrei no meu quarto e agarrei no telemóvel. Não conhecia o número.

- Quem é? – Perguntei, depois de atender.

- “Olá Chloe” – disse uma voz maldosa e algo vaidosa.

- O que é que lhe fizeste?! Charlotte, eu juro, se tu magoaste a minha irmã…

- “Acalma-te boneca. Ela está bem. Vai entrar em casa agora mesmo.”

Neste momento ouvi a porta da rua bater e Dylan gritar.

- Ela está aqui! – Gritara ele.

- Charlotte, que raios é que queres?! – Gritei.

- “Queria provar-te quão fácil seria para mim magoar alguém de quem tu gostes. Talvez da próxima vez seja o Dylan, quem sabe?”

- Porque é que não me deixas em paz?!

- “Agora tenho que ir. Ah, é verdade! Se contares isto a alguém, talvez seja a Gwen, ou o Dylan, ou a pequena Abby. Mas eu ia pelo Derek. Eu sou mais velha que ele, acredita quando digo que o posso magoar muito.”

- O que é que queres de mim? Porque é que continuas com isto?!

- “Vais saber. Em breve. Agora despacha-te, não vais querer chegar tarde, o melhor é não levantar suspeitas” – e desligou.

Mandei o telemóvel para cima da cama com uma força enorme devido à raiva, e saí do quarto para ir ter com Abby. Corri até ao andar de baixo e assim que a vi relaxei mais. Ela veio ter comigo, devagarinho. Abracei-a.

- Onde raios é que andaste?! – Perguntei, quando a larguei.

- Fui passear com a Charlotte – disse-me, inocentemente – Fiz alguma coisa de mal?

- Eu já te tinha dito para não te aproximares dela! Bolas Abby, assustaste-me mesmo!

- Desculpa, mas ela parecia simpática.

- Mas não é, ok? Por isso nunca mais vás com ela a lado nenhum. Ela magoou-te?

- Não.

- Tens a certeza?

- Sim.

- Ok… eu vou-me despachar para irmos para a escola.

- Eu também – disse o Dylan. Abby já estava despachada.

- Nunca mais faças isto, ouviste? – Perguntei, virando-me de novo para Abby, já quando ia a subir as escadas.

- Desculpa. Eu vou preparar-vos o pequeno-almoço.

Eu e Dylan despachámo-nos e depois deixámos Abby na escola. Quando chegámos à nossa, Dylan entrou logo para a sala dele para ouvir música, e eu fiquei sentada nas escadas da entrada.

- Bom-dia! – Exclamou Gwen, sentando-se ao meu lado.

- Bom-dia – disse-lhe, sem qualquer entusiasmo na voz.

- Uau, estás mesmo feliz por ver-me – e revirou os olhos – Problemas?

- Foi… uma manhã stressante.

- O Dylan anda outra vez com problemas?

- Irmão errado.

- A Abby?! – E fez uma cara de surpresa e choque total.

- Sim. Ela saiu da casa de manhã, sem dizer nada a ninguém, e quando a ia acordar enlouqueci completamente.

- Ela está bem?

- Sim, quem está mal sou eu e o Dylan. Mas deixa, já passou. O que vale é que não se magoou.

- E porque é que se magoaria, afinal, ela só saiu. Ela já andou na rua sozinha várias vezes…

- Sim… - vi Charlotte chegar, a pé como sempre – Já volto.

Levantei-me sem esperar para ouvir o que Gwen ia dizer e dirigi-me a Charlotte, quase num passo de corrida.

- Charlotte! – Gritei, enquanto ela estava de costas, a olhar para o bosque.

Ela virou-se para mim e sorriu-me como se nada tivesse acontecido esta manhã.

- Bom-dia! Uau, tu pareces stressada – disse-me.

- Nunca mais faças uma coisa dessas!

- Oh, eu estava só a brincar.

- Pois, mas eu não estou. Tu queres brincar comigo, tudo bem! Mas deixa as outras pessoas fora disto!

Ela sorriu, sacudiu o cabelo para trás e caminhou lentamente até mim.

- E qual seria a graça disso? – Perguntou. Não ficou ao pé de mim tempo suficiente para me deixar responder, começou logo a entrar em direcção à entrada e entrou.

Voltei para ao pé de Gwen e sentei-me ao lado dela.

- Porque é que foste falar com ela? – Perguntou-me.

- Eu… trabalhos de Espanhol.

- Credo, tenho pena de ti.

- Pois, e podes continuar a ter.

A partir do momento em que Derek chegou, senti-me mais aliviada, e mais ainda quando ele disse que Abby ia passar a tarde com Verónica e jantar lá em casa deles. Não me disse o porquê, apenas que queria passar tempo comigo, mas tenho a sensação que não é tudo.

Quando as aulas acabaram, tive que ir trabalhar para o Coffee 4 Ever e Derek fez questão de ir comigo. Ele sentou-se numa mesa sozinho, enquanto eu fui buscar o bloco de notas e cumprimentar o meu colega de trabalho.

- Trouxeste o namorado arrastado hoje? – Perguntou-me Bruce, a rir-se.

- Uma coisa desse género – disse-lhe, a rir-me – Quem é que falta atender?

- Bem… o teu queridinho e a mesa 4.

- Ok, vou lá.

Dirigi-me à mesa quatro e anotei os pedidos, pedi a Bruce, que estava atrás do balcão para fazer os batidos e as tostas, e depois dirigi-me à mesa onde Derek estava.

- Sabes que não podes ficar aqui, certo? – Disse-lhe.

- Porquê?

- Bem… porque não consomes… e estás a ocupar uma mesa…

- Hum… o que é que é bom? Para comer.

- Para ti? Nada…

- Eu aceito um batido de morango.

- Vais mesmo comprar uma coisa que não vais beber só para ficares?

- Até compro duas, se quiseres.

Não consegui evitar sorrir.

- Já to trago – disse-lhe.

Fiquei no café até às cinco, e depois finalmente podia relaxar. Hoje tinha sido um dos piores dias de sempre, e só queria chegar a casa e esperar que acabasse. De preferência em paz, e com Derek ao meu lado.

Saí do café com Derek a agarrar-me pela cintura e entrámos para o carro dele. O meu já estava estacionado ao pé de casa.

Ele começou a conduzir para o lado contrário da minha casa.

- Para onde vamos? – Perguntei.

- Eu disse-te que queria ficar sozinho contigo. Nós vamos para a praia.

- Agora?

- Sim, porquê?

- Nada. Vamos.

Ele estacionou o carro, descalçámo-nos e fomos para a areia.

Ia-me sentar na areia, mas ele impediu-me e deu-me a mão.

- Vamos caminhar um bocadinho – pediu.

- Ok… mas não me vais dar mais nenhum iate, vais?

Ele soltou uma gargalhada estridente, mas ninguém ouviu, porque além de nós, via-se apenas uma mulher com duas crianças, ao longe, para trás de nós.

- Não, não vou – disse-me.

- Óptimo.

Caminhámos pela areia, e não nos aproximámos da água.

- Porque é que viemos à praia? Não leves a mal, eu adoro estar contigo mas… acho que já te conheço o suficiente para perceber quando não fazes uma coisa só por quereres estar comigo.

Ele respirou fundo e parou, virando-se em seguida para o oceano.

- Ele interminável, sabias? – Referia-se ao oceano.

Virei-me também e observei a graciosidade com que as ondas iam e vinham.

- Sim, sabia – respondi-lhe.

Ele apertou mais a minha mão, e eu olhei para ele. Conseguia ver que me queria dizer qualquer coisa, mas que não estava confortável para o fazer.

- O que quer que seja, podes dizer – disse-lhe.

- Às vezes não sei o que pensas – murmurou.

- Às vezes? És um leitor de mentes e eu não sabia?

O sorriso que lhe apareceu nos lábios foi genuíno, mas não durou muito.

- Não. Mas às vezes é fácil descobrir o que vais fazer a seguir mas agora… eu não sei. E sinto que não andas tu, que andas preocupada… e sei que não me contas.

Desviei o olhar do mar para observar a cara de Derek.

- Isso não é verdade. Eu confio em ti, e conto-te tudo.

- Tudo?

- Tudo o que acho que vale a pena contar. Tudo de importante que se passa na minha vida.

Eu sabia que isto de “quero estar contigo” e livrar-se dos meus irmãos não ia ser como ele dizia que ia ser. Sabia que havia qualquer coisa por trás. E suspeitava que poderia ser qualquer coisa deste tipo.

- E o que não vale a pena? O que é que eu não sei?

- Eu tenho andado preocupada, mas não é com nada a ver contigo, juro.

- E se te pedir para me contares na mesma?

- Eu conto… - ele fez-me sinal com a cabeça para que continuasse – Eu tenho andado preocupada com a Charlotte. Mas ela não me fez nada. Eu só ando assim porque fico naturalmente desconfiada perto de vampiros.

- Todos os vampiros?

Fiz uma cara pensativa durante uns momentos, até finalmente responder.

- Sim, todos os vampiros – vi na sua cara que tinha ficado magoado, mas não era o que ele pensava. Sorri-lhe – Especialmente tu. Sabes… - pus-me à frente dele e pus os meus braços em volta do seu pescoço – Tu tens uns poderes de sedução esplêndidos…

Ele riu-se. A expressão magoada fugira. Agora percebia onde eu queria chegar.

- Tenho? – Perguntou, com um tom sedutor.

- Sim, e olha que se não fico atenta, posso passar o dia inteiro… - aproximei os meus lábios do dele e beijei-o – a fazer isto.

- Isso não parece nada má ideia…

Ele recomeçou a beijar-me e a envolver-me nos seus braços. Começou a puxar-me mais para ele, e cada vez com mais força, como se não me visse há séculos.

- Onde está o teu telemóvel? – Perguntou-me, entre beijos.

- Deixei em casa, não tinha bateria. Porquê?

- Nada de especial.

Num movimento brusco mas suave, pôs-me pendurada no seu ombro e caminhou até à água.

- Derek?! O que é que estás a fazer?! – Gritei.

Ele não me ligou, entrou dentro de água, molhando-se a ele e a mim. As gotas que me salpicavam estavam tão geladas. Ai, só espero que ele esteja só a ameaçar e não faço o que eu penso que vai fazer…

- É melhor fechares a boca – disse-me, e em seguida largou-me.

Caí dentro de água e levantei-me. Olhei para mim, com a roupa completamente encharcada. Por isso é que ele me perguntou pelo telemóvel…

- Tu! – Gritei.

Já que estou dentro de água vou-me vingar. Comecei a mandar-lhe água, mas de alguma maneira ele molhava-me sempre mais do que eu a ele.

Apesar de a água estar completamente gelada, já quase que não sentia. Estava a aproveitar o tempo com Derek, e não queria saber se amanhã acordava constipada. Era uma tarde diferente. Uma tarde de sonho.

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