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Pétalas de Rosas

por Andrusca ღ, em 09.10.10

Acho que este até nem ficou mauzinho.

Quanto à continuação, vou ver o que posso fazer, tenho algumas ideias e acho que podem resultar :D

Boa leitura ^^

 

Capítulo 9

Novo Vampiro na Cidade

 

Como pensava, quando acordei estava só a espirrar. A tarde que passei ontem com Derek foi esplêndida, mas a água gelada do mar fez-me ficar constipada.

Deixei os meus irmãos a dormir e fui para o café. Tinha vestido um vestido azul-escuro, para variar um bocadinho, e uns All-Star pretos. É o primeiro sábado de manhã em que me pedem para ir. Sinceramente, espero que não seja o primeiro de muitos, mas se tiver que ser, tem mesmo.

Fiquei a trabalhar até ao meio-dia, e depois voltei para casa. Abby estava estendida no sofá da sala a ver desenhos animados, e Dylan devia estar no quarto.

- Tens uma pessoa no quarto – disse-me Abby, quando pus um pé em cima do primeiro degrau das escadas.

- Quem? – Perguntei.

- Eu não a queria deixar entrar – disse Dylan, que vinha da cozinha. Afinal não estava no quarto –, mas a Abby disse que tu não querias que a chateássemos.

- Charlotte… - murmurei.

- Yap. Se quiseres eu posso expulsá-la…

- Nem penses Dylan! – Gritou Abby – Ela mata-te!

- Ok! Eu vou, vocês ficam – disse eu, enquanto subia o resto das escadas.

- Mas… - Dylan ia ripostar, mas eu não lhe dei tempo. – Dylan, estou a falar muito a sério.

Entrei no quarto e Charlotte estava sentada em cima da minha cama, muito quieta.

- O que é que estás aqui a fazer? – Perguntei.

- Estava a passar cá perto e parei para dizer olá – encolheu os ombros e sorriu.

- Agora a verdadeira razão – pedi.

- Vim-te avisar. Não falta muito para eu sair triunfosa do nosso joguinho…

- Que joguinho? Não estamos a jogar a nada – é verdade, ela ainda não fez nada além de falar.

- Sim, estamos. Estás a mentir para o teu namorado por minha causa, e já percebeste o que posso fazer… é um bom jogo.

- Não ando a mentir. Omiti uma pequena coisa.

- É o mesmo – levantou-se e caminhou até ficar ao meu lado.

Pousou a mão no meu ombro e sorriu-me. Este sorriso era tão doce, tão inocente, que se eu não soubesse a verdade, nunca pensaria que ela era tão víbora quanto é.

Eu fiquei a olhar para ela, mas não movi um músculo, com sorte ela ia-se embora sem fazer nada.

Vi a cara dela transfigurar-se e os dentes desceram, ao mesmo tempo que os vasos sanguíneos ficaram vermelhíssimos.

Não tive tempo de pestanejar duas vezes e já estava encostada à parede, com ela com a sua mão agora no meu pescoço. Todos os instintos do meu corpo me diziam para gritar.

- Não ouses gritar – disse-me, com uma voz ameaçadora – Os teus irmãozinhos estão lá em baixo, e se gritares vêm cá a cima, e eu juro que mato o primeiro que puser os pés no quarto.

Fiquei a olhar para aqueles olhos. Normalmente olharia para os dentes, é o que normalmente assusta mais, mas neste caso não. Os olhos dela transpareciam pura maldade. Já tinha visto o Derek com os olhos assim, e Verónica e Gary, mas não se aproximam nem um pouco dos de Charlotte. Fisicamente, sim, são iguais. Mas não consigo explicar, os de Charlotte são mais frios, mais insensíveis, mais… maus. Por dentro daqueles olhos reina uma certa malvadez de um grau muito elevado. São equivalentes aos de Aisaec. Brrr, só de me lembrar da cara do vampiro que matou o meu pai dão-me arrepios.

- Agora vais ouvir muito calmamente – continuou ela – Daqui a poucos dias vou-te fazer um pedido muito simples, e tu vais dizer que sim. Podes não gostar, mas vais ver que é a melhor opção. Até lá… tem cuidado. Vou passar o tempo a mostrar-te quão difícil seria magoar qualquer pessoa que conheças ou que alguma vez falaste.

E antes que eu voltasse a piscar os olhos, já estava sozinha no quarto. Deixei-me deslizar pela parede até cair sentada no chão, com a mão no pescoço.

Fiquei sentada durante talvez minutos, até que Derek entrou pelo quarto a dentro, alarmado.

Os seus olhos pararam primeiro em mim, e só depois de revistarem o resto do quarto e que voltaram para mim. Ele baixou-se e observou-me.

- O que é que a Charlotte queria? – Perguntou-me.

Deu-me a mão e ajudou-me a levantar. Usei todas as forças do meu corpo para não tremer por todos os lados, e para que a voz me saísse normal, mas quando saiu, quando me permitiu mentir, senti uma dor enorme no peito.

- Era sobre um trabalho de Espanhol – disse-lhe.

- Chloe… não tens que me mentir, ok? O que é que ela queria?

- Era mesmo por causa disso, juro. Mas ela nem ficou muito tempo, só tinha uma dúvida.

- A Charlotte preocupada com trabalhos de casa? Vamos fingir que acredito. Porque é que estavas sentada no chão?

- Depois de ela se ir embora, deu-me uma tontura e fui de encontra à parede, deslizei e sentei-me.

- E o teu pescoço está vermelho porque…

- Uma alergia.

- Uma alergia a…

- A um lenço. Bolas Derek! Já não chega de interrogatório?!

Os meus irmãos entraram no quarto nesse momento e ficaram a olhar para mim.

- Estás bem? – Perguntou Dylan.

- Sim, ela não me fez nada – raios! Digo ao Dylan para não me mentir, e depois prego-lhe uma destas. A Charlotte tem razão, eu ando a mentir a todos. Minto a Derek, minto aos meus irmãos… quem sabe, talvez até me esteja a mentir a mim própria também. A desgraçada é mesmo boa jogadora.

- Queria que viesses à minha casa – disse Derek – Vinha-te buscar quando senti o cheiro da Charlotte, e aí apressei-me mesmo.

- Aconteceu alguma coisa? – Perguntei.

- Hum… nada de grave, mas por sorte. Vamos, vocês também podem vir – agora referia-se a Dylan e Abby.

Fomos todos no carro dele, e ainda bem. Estava aterrorizada com a ideia de Charlotte aparecer lá em casa e atacar os meus irmãos enquanto eu não estava. A pior parte era que não o podia mostrar.

Derek estacionou o carro, um mercedes descapotável, na garagem e fomos os quatro para a sala. Gwen também lá estava.

Será que Charlotte fez alguma coisa? Não, não deve ter sido isso, senão porque me iria ela dizer que ia começar a mostrar-me o que podia fazer? Se bem que nada do que ela faz, faz sentido.

Reparei numa cara desconhecida. Era um rapaz da minha idade, e lembro-me de o ver pela escola. Era o Jonh… ou era Richard? Ou talvez Mickael…

- Chloe, este é o Scott – disse-me Verónica. “Uau, estava muito longe de adivinhar esse nome”, pensei.

- Olá – disse-lhe.

Verónica deitou um olhar a Gwen, que se levantou do sofá.

- Abby, vamos passear um bocadinho para o jardim – disse ela.

- Porquê? Eu quero ouvir – contrapôs Abby.

- Abby, eu depois conto-te, ok? – Pedi.

- Está bem – respondeu amuada.

Foi com Gwen e só quando fecharam a porta da rua, é que Gary começou a falar.

- É melhor sentares-te – disse-me ele.

Dei uma olhadela rápida a Derek. Ele estava com cara de caso, aliás, estavam todos.

Voltei a pousar com os olhos em Scott. Ele observava o chão, e tinha as mãos fechadas em punho. O seu cabelo castanho-escuro, curto e com uma crista, estava acachapado, e apesar de não lhe conseguir ver bem a cara, dá-me a impressão que está a morder o lábio.

- Não – disse, para Gary – Digam-me o que é que se passa. O que é que se passou com o Scott?

- Eu estou aqui – refilou Scott, com uma voz que parecia tremer.

Eu dei um passo na sua direcção e Derek agarrou-me o braço.

- É melhor não – disse-me.

- Ele é um vampiro? – Perguntou Dylan.

Também era a única explicação razoável em que consegui pensar. Derek assentiu com a cabeça.

- Ele não se lembra de quem o transformou – disse Verónica.

- Achamos que foi a Charlotte, mas não conseguimos ter a certeza – continuou Gary.

- Vamos confrontá-la mas… duvido que nos conte qualquer coisa – disse Verónica.

- Ok, eu vou fazer uma pergunta muito má mas… - dei mais dois passos na direcção de Scott – Scott, tu mataste alguém?

- Não. Eles impediram-me a tempo.

- Sabes que és um vampiro, certo?

- Não sou burro, pelos dentes é óbvio – este era o tom de uma pessoa revoltada.

- Pois… mas… não tens que matar para sobreviver – juro que nunca pensei que iria ter esta conversa, fosse quando fosse.

Fiquei no andar de baixo com os Thompson, Dylan e Scott, até que Derek, muitos minutos depois, me agarrou na mão e me começou a conduzir escadas acima.

Entrámos para o quarto dele e sentámo-nos na cama.

- O que é que lhe vai acontecer? – Perguntei.

- Não sei… ele pode tornar-se como nós e escolher não matar e ficar… ou ir-se embora.

- Achas mesmo que foi a Charlotte?

- Não sei… talvez.

- Bem… há alguma coisa que me saibas dizer com todas as certezas?

- Sim. Sei que se não for a Charlotte, temos um problema ainda maior…

- Descobrir quem anda a criar vampiros.

- Bingo.

- Pessoal, nós vamos sair! – Gritou Verónica, do andar de baixo – Vamos à pastelaria com o Dylan, a Abby e a Gwen, e levamos o Scott para o distrair.

- Ok! – Respondemos eu e Derek ao mesmo tempo.

Passados poucos segundos Derek disse-me que estávamos sozinhos.

- Ele não passa pior se ficar perto de pessoas? – Perguntei.

- Sim… e não. Fá-lo sentir-se mais exaltado, mas também faz com se sinta como se pertencesse e como se nada tivesse mudado.

- Hum…

- Chloe, podemos fazer algo mais interessante que falar nisto? Não ficava sozinho contigo há séculos.

- Bem… - sorri e beijei-o – então ainda bem que não envelheces.

Derek continuou a beijar-me, e à medida que os beijos se intensificavam, íamos caindo deitados na cama, até ele ficar praticamente por cima de mim. A sua mão começou a percorrer a minha perna e a puxar o vestido, lentamente, para cima, enquanto me beijava freneticamente.

Eu continuava a puxá-lo para mim, como podia resistir?

Finalmente consegui desabotoar-lhe a camisa toda e tirar-lha, mandando-a para o chão em seguida.

Ele beijava cada vez com mais desejo, como se o mundo pudesse acabar amanhã e esta fosse a nossa última oportunidade de sermos totalmente felizes, nem que por uns momentos.

O meu vestido continuava a ser subido, até que senti uma pequena mordida muito suave no lábio, e aí Derek saiu logo de cima de mim, e quando o voltei a ver, estava virado para a janela. Molhei o lábio com a língua para ver se estava a sangrar, mas não estava, não me sabia a sangue.

Levantei-me calmamente e mal dei o primeiro passo Derek falou.

- Não te aproximes mais! – Disse-me.

- Derek…

- Eu não percebo. Não é… não é a primeira vez – murmurou, frustrado.

Consegui ver pelo espelho que estava na parede ao lado dele, que os seus olhos estavam com os vasos sanguíneos vermelhos, mas os dentes não estavam descidos.

Ao fim de tanto tempo finalmente aconteceu. Ele quis-me morder. Não sei o que devia pensar neste momento. Não sei se não devia sair daqui, ficar assustada e correr, ou se devia aproximar-me dele. Mas sei que ele não me vai fazer mal. Essa é a única certeza que tenho.

Dei mais um passo na sua direcção, e como ele não ripostou, andei até ele.

Agarrei-lhe na mão e ele virou a cara. Tentei virá-lo para mim, mas não conseguia, ele era forte demais. Pus-me entre ele e o cortinado, e pousei-lhe as mãos na cara, virando-a para mim.

Nos seus olhos com aqueles fiozinhos vermelhos, habitava vergonha e tristeza. Nada a ver com os de Charlotte.

Mas ele ainda era o Derek. Ainda é o meu Derek.

Comecei a aproximar a minha cara da dele, mas fui parada pelas suas palavras.

- O que é que estás a fazer? – Perguntou – Chloe, eu posso matar-te…

Não liguei. Respirei fundo e beijei-o, interrompendo-lhe o discurso. Ele é um vampiro. Coisas destas há-de acontecer mais vezes, e eu não posso ficar assustada cada vez que acontecem.

Ele beijou-me também. Conseguia notar que se tentava controlar, e por isso parei. Não queria fazer isto sofredor para ele. Queria apenas provar-lhe que não tenho medo do que há-de vir.

Ele sorriu e voltou a puxar-me para si, dando-me uma volta e deixando-me cair na cama em seguida.

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