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Pétalas de Rosas

por Andrusca ღ, em 10.10.10

Aqui vai mais um... Espero que gostem :D

 

Capítulo 10

Baile de Máscaras

 

Ao chegar à escola, vi Scott. Estava sentado nas escadas, de cabeça baixa, e com as mãos em punho. Estava admirada de o ver. Desde que se tornou vampiro, no sábado, que ainda não tinha vindo à escola. Sei que Derek e os irmãos o estavam a tentar convencer, e ontem quase que conseguiram, mas hoje é que foi.

Saí do carro e vi que Dylan ficou um pouco tenso em quanto nos aproximávamos das escadas.

- Passa-se alguma coisa? – Perguntei-lhe.

- Vamos em direcção do vampiro – disse-me ele, num tom quase impossível para mim ouvir. Eu sei que mesmo assim, era quase certo Scott ter ouvido.

- Não sejas assim Dylan – disse eu, também baixo – Ele não tem culpa do que lhe aconteceu.

- Mas pode não se conseguir controlar. E se ele começa uma carnificina aqui na escola? – Apesar de Dylan se dar às mil maravilhas com os Thompson, ele não consegue confiar noutros vampiros. Eu percebo-o perfeitamente, mas no caso de Scott, acho que ele está errado.

- Temos que lhe dar o benefício da dúvida – disse eu.

Vimos Gwen sentada num dos bancos das mesas de pedra e ele mudou logo o rumo para lá, mas eu continuei a andar em direcção às escadas.

- Não vens ter com a Gwen? – Perguntou-me.

- Ainda não, já vou.

Ele encolheu os ombros e continuou a andar. Aproximei-me das escadas e observei Scott. Ele sabia que eu lá estava, mas não ousava olhar. Ele tinha medo de si próprio, pelo que Derek me disse. Eu nem consigo imaginar estar no lugar dele. Claro que se quiser ficar com Derek para sempre, que me vou ter que transformar, mas nunca sem qualquer tipo de preparação mental ou tempo. Ser assim transformado de um momento para o outro deve ser aterrorizante.

Subi os primeiros três degraus e sentei-me ao lado dele.

- O teu irmão tem medo de mim – pronunciou, por fim.

- Tem – eu sabia que ele não tinha feito uma pergunta, mas não sabia que mais dizer – Mas ele está errado, sabes? Não vais magoar ninguém.

- Talvez não hoje.

- Talvez nunca. Não podes ser derrotista, tens que acreditar em ti.

- Tu também não acreditas, ou pensas que eu não sei que odeias vampiros?

- Eu odeio os maus. Tu ainda não fizeste nada que me fizesse odiar-te.

- Espera para veres.

- Scott… - ele finalmente olhou para mim – tu não tiveste escolha ao seres transformado, mas agora tens. Agora tens três opções. Podes desistir de tudo, e isolar-te para que não mates ninguém; Podes mandar todo o trabalho que já tiveste para o lixo, não te importares, e começares a satisfazer a sede da pior maneira possível, e assim tornares-te no verdadeiro monstro; ou podes agarrar a minha mão, ir para ao pé do resto do pessoal, esforçares-te um bocadinho, e continuares a viver a vida que mereces – e estiquei-lhe a mão.

Vi um débil sorriso aparecer-lhe nos lábios, enquanto estendia a sua mão para agarrar na minha. Sorri-lhe também.

- Vamos – disse-me.

Levantámo-nos e caminhámos em direcção à mesa onde Gwen e o meu irmão estavam, e de onde agora os Thompson nos observavam.

Larguei a mão de Scott e cumprimentei Derek com um beijo.

- Bem feito – disse-me, piscando-me o olho – Fizeste-me orgulhoso. Se eu soubesse que conseguias fazê-lo mudar de ideias tão rápido, tinha-te chamado na segunda-feira.

Ouvi Scott dar uma gargalhada.

- Então e já tens a roupa para amanhã? – Perguntou-me Verónica.

Amanhã, sexta-feira, à noite, há uma festa de máscaras cá na escola, no ginásio. Fazemos uma todos os anos, e todos os anos eu falto.

- Não, porque não venho – respondi.

Eles têm-me tentado convencer a vir desde segunda-feira, mas eu nego sempre. Não gosto de bailes de máscaras.

Verónica não insistiu mais, o que era suspeito.

Fomos para as aulas e o dia correu normalmente. Scott parecia um pouco mais descontraído, mas nunca estava ao lado de ninguém humano se um dos Thompson não estivesse perto.

A hora de almoço foi tortura, porque agora tinha mais uma pessoa a observar-me a comer.

Quando finalmente cheguei a casa, fui dar um beijo a Abby, que estava no quarto, e fui fazer os trabalhos de casa.

Dylan chegou pouco depois e veio ter ao meu quarto.

- Podes-me ajudar numa coisa? – Perguntou.

- Claro, o quê?

- Vem ao meu quarto.

Fomos os dois para o quarto dele e vi que tinha várias roupas em cima da cama. Disfarces.

- Há montes de tempo que não uso nada disto – disse-me, ao apontar para os disfarces –, e como não tinha nada para usar no baile, o Derek e o Gary emprestaram-me algumas coisas. Estas são as que me servem.

Uau, quantos disfarces é que eles têm? É que estes não são nada poucos. Havia de fantasma, cavaleiro, rei, um monstro qualquer verde, o assassino do Scary Movie 1, polícia, uma máscara horrorosa com o cabelo em pé e várias outras.

- Do que é que precisas? – Perguntei.

- De uma opinião. Qual é que achas que deva levar?

- Isso é só amanhã à noite…

- Sim, mas como à tarde tenho aulas, assim é mais fácil.

- Ok… - comecei a remexer nas roupas, e tenho que dizer que era tudo muito realista. Talvez por eles terem vivido durante o tempo de algumas das vestimentas…

Quando acabei de ver tudo e concordámos num disfarce, era hora de fazer o jantar.

Depois de comermos, eu e Abby fizemos uma maratona de filmes cómicos, e quando nos deitámos era quase meia-noite.

Não dormi praticamente nada. Tinha medo que Charlotte aparecesse cá em casa e fizesse alguma coisa. Aliás, isto tem acontecido quase todas as noites. Até que em fim o sono vence o medo, e acabo por adormecer, mas nunca descanso completamente.

Não percebo o jogo dela; não percebo o que quer de mim. Disse-me que me ia pedir uma coisa, mas não pede. Disse-me que magoaria todos aqueles de quem eu gostava, mas ainda não tomou iniciativa nenhuma de me dizer o que tenho que fazer para que isso não aconteça. Eu tenho este mau pressentimento o tempo todo, e nunca estou descansada.

Acordei com o barulho do despertador e desliguei-o. Levantei-me e arrastei-me até ao quarto dos meus irmãos, para os acordar. Eles agora demoravam imenso tempo a levantarem-se, devia ser por estarmos quase a acabar o primeiro período e andarem esgotados. Mas faltava apenas uma semana para as férias de Natal, e aí poderiam descansar. A pergunta é: eu também poderia?

A verdade é que estou desejosa que as férias venham. Derek tem mil e um planos, e eu quero segui-los todos (dentro dos possíveis). O décimo segundo ano tem sido uma caixinha de surpresas, sendo a primeira, ter ficado com os mesmos professores a quase todas as disciplinas.

Tomei um banho rápido e vesti umas calças pretas com uns ténis e uma blusa roxa. Depois de me pentear e de meter as coisas dentro da mala, desci e preparei o pequeno-almoço.

Quando os meus irmãos desceram, tomámos o pequeno-almoço e fomos para a escola.

Hoje sim, todos fizeram de tudo para eu mudar de ideias em relação à festa. Juro que não percebo a necessidade que eles têm de eu lá estar. Como sempre, eu fiquei firme na minha palavra e disse que não ia.

Já não tinha aulas à tarde, por isso fui almoçar a casa, e Derek foi comigo.

À tarde vimos um filme e falámos, até que Dylan chegou e reclamou a televisão da sala para ele. Nós fomos para o meu quarto e recostámo-nos na cama.

- E então como é que anda o Scott? – Perguntei.

- Ele tem-se aguentado bem. Ao princípio não é nada fácil, mas ele está a levar tudo com calma.

- Achas que ele vai perder o controlo alguma vez?

- É difícil saber… pelo menos por agora sei que não.

- Ele parece torturado…

- E está. Ele não pediu por esta vida, foi-lhe imposta por um desconhecido.

- Por falar nisso, já perguntaste à Charlotte se foi ela?

- Não, ela tem-me evitado a todo o custo. Mas hoje na festa não vai poder fugir, vai estar rodeada de pessoas, de certeza que não se vai expor.

- Boa sorte.

- Pois... então e tu estás mesmo decidida? Não queres mesmo ir?

- Não. Mas tu vais na mesma, e vais-te divertir.

- Sem ti lá aquilo perde a graça toda…

- Não perde nada… tu gostas dessas coisas, por isso vai. Eu fico em casa e vai ser uma noite como todas as outras.

- A Gwen anda a fazer um mistério horrendo sobre a máscara dela. Sabes o que vai ser?

Não consegui evitar rir. Na minha opinião, era um bocado óbvio.

- Ela não me contou, mas tenho a certeza que sei o que é.

- O quê? – Insistiu Derek.

- Aquilo que a fascina mais neste momento.

Não adiantei mais nada, mas ele não percebeu o que era o disfarce.

À hora de jantar, Derek foi-se embora e eu e os meus irmãos fomos jantar. Depois fiquei a arrumar a cozinha enquanto Dylan se foi vestir e Abby foi ver televisão para a sala.

Depois subi para o quarto e pus-me a ler uma revista, recostada na cama. Bateram à porta e em seguida abriram-na. Dylan entrou e não consegui evitar a gargalhada que me saiu.

- O que foi?! – Perguntou – Disseste que era um disfarce giro!

Ele tinha umas calças prateadas brilhantes, à boca-de-sino, com uma camisa, azul florescente com folhos ao lado dos botões, para dentro e com os três botões de cima desabotoados. Tinha umas botas de salto alto e largo, pretas. E ainda tinha uma peruca cheia de caracóis. Estava muito disco, anos 80.

- E é! – Disse eu, enquanto me levantava – Estás esplêndido.

- Tens mesmo a certeza que não queres vir?

- Tenho. Vai. Diverte-te.

Ele obedeceu e foi-se embora. Eu fartei-me de estar no quarto e fui sentar-me ao lado de Abby, no sofá.

- Porque é que não foste à festa? – Perguntou-me ela.

- Porque não me apetece.

- E vais ficar aqui em casa a apanhar uma seca enorme? Devias ir.

Ela até tinha razão, eu não ficava a fazer nada em casa… e talvez a festa estivesse gira. E ia ser um desperdício não ver o disfarce de Gwen… e iria surpreender Derek… para além que eu tenho um disfarce guardado há séculos…

- No que é que estás a pensar? – Perguntou-me ela.

- Talvez vá à festa…

- E estás à espera do quê?! – Virou-se para mim entusiasmada – Eu posso ir dormir à casa da Sra. Jonhson.

- Hum… está bem.

Subi para o quarto e tirei uma caixa grande de dentro do roupeiro. Destapei-a e vi um vestido branco e uma cabeleira. Também tinha os sapatos. Lembro-me de ter comprado esta roupa para ir à festa de anos de Gwen, em que tínhamos que ir mascarados, mas depois ela adoeceu e não houve festa.

Vesti o vestido, com um decote em V enorme, de apertar ao pescoço, e que era justinho na barriga e depois caía até aos joelhos, mas nunca totalmente direito, sempre com jeitos. Calcei as sandálias de salto alto, prateadas, e dirigi-me à casa de banho. Procurei pelo meu batom vermelho vivo e depois pu-lo, pondo em seguida outro, mais acastanhado, para misturar as cores. Pintei os olhos e fiz um sinal com o lápis preto, na bochecha. Voltei para o quarto e agarrei na peruca loira. Depois de a pôr olhei-me ao espelho e respirei fundo. O cabelo curto e encaracolado não é o meu género, mas mesmo assim estava bonita.

Deixei Abby na casa da Sra. Jonhson, a nossa vizinha e quase mãe, e dirigi-me para a escola no carro.

Quando cheguei ao ginásio, demorei um bocado a encontrar quem queria. Estava montes de gente, e tudo mascarado, e havia de tudo.

Finalmente avistei Verónica, e dirigi-me a ela. Pelo caminho fui-me apercebido do seu disfarce. Estava lindíssima, como sempre. Estava vestida à Rainha do Nilo. O seu vestido branco tinha uma cauda que ia até ao chão, mas à frente era como se estivesse preso pelo cinto, porque estava na diagonal dos dois lados, como se tivesse sido retirada uma pétala a uma flor. O cinto era de lantejoulas douradas, fininho, e depois deixava cair uma tirinha também dourada, com um enfeite azul em baixo. Da parte de cima tinha também uma tira na horizontal, como o cinto, de onde no meio caíam duas tiras azuis-escuras de tecido transparente, que passavam por dentro do cinto e depois caíam soltas. Tinha um aplique de pescoço também dourado, com o mesmo enfeite da tira do cinto. Tinha o seu cabelo escuro esticado – como quase sempre – e tinha também um aplique também dourado, de onde caíam dois fiozinhos dourados de cada lado.

- Vieste! – Gritou-me, quando cheguei ao pé dela.

- Sim! Mudei de ideias! Estás linda!

- Obrigado, também tu. Muito Marilyn Monroe! Deslumbrante!

- Obrigado. Onde está o Derek?

Ela apontou e eu vi-o logo. Ao menos posso dizer que o meu disfarce está bem feito, Verónica percebeu logo o que eu era.

Derek estava encostado à mesa das bebidas, e vi que ao seu lado estavam Gary e Gwen.

Comecei a dirigir-me para eles, apesar de ser complicado por causa dos dançarinos todos.

Gwen, como eu esperava, estava mascarada à vampira. Tinha um vestido comprido, com uma roda enorme. O vestido em cima era preto e vermelho, e da cintura para baixo era apenas preto. Tinha ainda uma capa preta, que a parte de dentro era vermelha, e que ficava levantada na cabeça, como se vê nos filmes. Tinha um colar dourado com uma pedra vermelha enorme, falso claro. O seu cabelo estava preso num carrapito.

Quando me cheguei ao pé deles vi que tinha os lábios vermelhos vivos e os olhos com uma sombra escuríssima.

- Não acredito que vieste mesmo! – Gritou-me, por causa da música.

- Sim, nem eu! Mas não ia perder a oportunidade de ter ver como uma vampira!

Gary riu-se. Ele estava vestido à cowboy, com chapéu, arma e tudo aquilo a que tinha direito. Até às botas de biqueira.

Derek dirigiu-se a mim e pôs o seu braço em volta da minha cintura. Ele estava todo vestido de preto, com uma casaca preta por cima da camisola, e um casaco também preto e de cabedal, mas desta vez quase até ao chão, desabotoado. As calças também eram pretas, e também tinha um chapéu preto. Tinha o que parecia ser uma roda com vários bicos no cinto, e uma pistola do outro lado. Não faço a mínima ideia do que ele é.

- O que é que és? – Perguntei-lhe, com a voz normal, porque sabia que ele ia ouvir.

- Não sabes?! Eu sou o Van Helsing!

- O caçador de vampiros?! Ele usa uma besta!

- Lamento imenso, não me apetecia estar a agarrar em nenhuma durante a noite inteira.

Eu ri-me. Derek como um caçador de vampiros. Tenho que admitir que é um bocado irónico.

- Olhem! – Gritou Gwen, a apontar para Charlotte, que se dirigia para o corredor, sozinha.

Derek fez um olhar a Verónica e encaminharam-se para lá, com Gary. Eu e Gwen íamos atrás, apesar de mal os conseguirmos acompanhar.

Quando finalmente conseguimos sair do ginásio, Charlotte e os Thompson estavam no corredor.

Charlotte estava vestida à Diaba Sexy. Tinha um vestido cai-cai em forma de coração, vermelho, que em baixo fazia uma rendinha preta, e na zona em que começava também. Tinha umas collants de rendinha vermelhas, e umas botas pretas de salto alto que lhe acabavam acima do joelho. Tinha o cabelo caído normalmente, e os dois chifres também vermelhos, que estavam presos numa bandelete preta. Tinha um tridente também vermelho nas mãos, e bem afiado.

- O que é que vocês querem? – Perguntou ela, enfadada.

Parece que eu e Gwen não perdemos nada.

- Criaste algum vampiro desde que chegaste à cidade? – Perguntou Derek.

- Devia? – Perguntou Charlotte.

- Responde – insistiu Gary.

- Não – respondeu Charlotte.

- E porque é que devíamos acreditar? – Perguntou Verónica.

- Porque eu não me quero expor, e criar um vampiro daria demasiado nas vistas – respondeu Charlotte – É só isso?

- O que é que estavas a fazer no quarto da Chloe ontem à noite? – Olhei para Derek. Não sabia que ele me tinha visitado ontem à noite. E pior, não sabia que Charlotte me tinha visitado ontem à noite. Olhei para ela, horrorizada. Chiça, ela agora de certeza que pensa que eu disse alguma coisa.

Vi a sua feição mudar e ela mostrar os dentes. Mandou-se contra Derek numa velocidade que devia ser proibida e ficaram os dois juntos à parede, com Derek preso por ela. Verónica ia ajudar, mas Derek mandou-lhe um olhar daqueles “fica mas é quieta”, e ela obedeceu.

- Eu não te devo satisfações nenhumas – disse Charlotte, enquanto com o tridente se preparava para espetar Derek. Olhei em volta, e não via ninguém dar o primeiro passo. Será que a única pessoa horrorizada e assustada aqui era eu? Ou seria por isso que eles não ajudavam Derek?

Dei dois passos mas fui impedida de dar mais por Gwen e Gary, que me agarraram.

- O que é que estão a fazer?! Larguem-me! – Gritei. Queria ajudar Derek. Queria acabar com isto. Apesar de não saber como.

- Da próxima vez que me chatearem, vai ser no pescoço – disse Charlotte – e acreditem que não me vai custar nada.

Num movimento quase invisível espetou o tridente no abdómen de Derek e desapareceu.

- Não! – Na minha voz reinava o pânico, enquanto via Derek sentar-se no chão.

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