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One-Shot - Desejos Mortais

por Andrusca ღ, em 19.06.11

"- Ahh! – Gritaram Vanessa e Callie ao mesmo tempo, ao verem os amigos aparecerem do nada.

- O que se passou? – Perguntou Fred, com a voz a tremer. Ele era dos mais medricas do grupo, o que fazia com que muitos pensassem que é homossexual.

Ninguém lhe respondeu, estavam todos pasmados a ver a estrutura do sítio em que se encontravam. Parecia uma casa, mas não muito. Agora que Callie e Vanessa reparavam bem, em conjunto com o resto do grupo, toda a estrutura parecia ser feita de osso, e não era recta, toda ela fazia curvas, fazendo com que não houvesse um único canto."

 

Parte 2

 

- Temos que sair daqui – disse Paul, enquanto Kate se afundava mais no seu abraço.

- Antes disso, temos que descobrir onde o “aqui” fica – interpelou Callie.

- Vamos andar – propôs Kyle, que deu o primeiro passo em frente, sendo seguido pelos demais.

Andaram durante algum tempo, mas a vista parecia toda igual. Salas com formatos irregulares, nunca com cantos, e feitas de osso. Praticamente vazias. Ouviam vários barulhos que os fazia voltarem-se para trás sobressaltados e com aquele pensamento que era o fim, mas nunca viam nada.

- Tenho medo – proclamou Vanessa.

- Oh, não te preocupes – disse-lhe Fred, que aproveitou para pôr o braço à sua volta – Vai correr tudo bem – mas nem ele acreditava nisso.

E continuaram a andar, até que às suas frentes apareceu uma mulher. Tinha uma capa cor de vinho vestida, com um capucho gigante pousado na nuca, e uns olhos pintados bem carregados de preto. Tinha as mãos entrelaçadas uma na outra, em frente ao peito, mas não dava a mínima impressão que rezava. Parecia sinistra. Má. E de facto, era.

- Que belas crianças – Disse, fazendo com que todos se arrepiassem com a maldade que a sua voz exprimia – Lamento, mas chegou a vossa hora.

Os sete adolescentes engoliram em seco mas nada fizeram. Estavam completamente petrificados. Não percebiam onde estavam, o que se passava, e muito menos o que deviam fazer. Estavam perdidos. Precisavam de ajuda. De salvação. E era para isso que ela existia.

- Maldiva pára! – Gritou ela, aparecendo do nada como sempre fazia. Ela vivia para isto; não tinha escolha. Uma rapariga que desde que se lembra, vive neste sítio, seja ele onde for, cujo destino é tentar salvar aqueles que cá vêm parar. Portadora de uma beleza que enfeitiçou Kyle desde o primeiro momento em que pousou os olhos nela, e de uma força de vontade extraordinária, de seu nome Rose.

- Por favor – Disse Maldiva, a mulher sinistra, quando Rose saltou do poial da janela onde se encontrava, e aterrou entre a mulher e o grupo – Não achas que isto já se começa a tornar ridículo? Ainda não percebeste que mesmo que dês tudo… eles mesmo assim vão morrer? Como sorte, morres com eles.

- Vai-te lixar – atirou Rose, retirando a espada de prata da bainha das calças justas que vestia, que combinavam o top curto que mostrava o umbigo.

Para o grupo de sete amigos, Rose parecia uma heroína acabada de sair de uma revista aos quadradinhos, pronta para os salvar. Aquela rapariga com o espírito forte e a voz da liderança. Aquela que no fim fica sempre com o que quer. E quem sabe, talvez fosse mesmo.

A mulher apenas sorriu e desapareceu, desvanecendo-se no ar.

- Vocês precisam de fugir, eles estão a chegar! – Disse Rose, para os sete adolescentes que a olhavam embasbacados.

- Eles quem? – Fred foi o primeiro a reagir, coisa que era rara acontecer, enquanto que os outros se perdiam na beleza e agilidade da desconhecida que tinham à frente.

- Assassinos – disse Rose, sem se virar para eles, e sempre atenta à porta – criados pela Maldiva, a dona deste lugar.

- Onde estamos? – Perguntou Vanessa, como se tivesse acabado de acordar de um transe.

- Num sítio mau – respondeu-lhe a rapariga.

Mal acabou de falar, a sala foi invadida por cinco seres escondidos por mantos negros, também de espadas empunhadas nas mãos. Eram demasiados para Rose domar sozinha, e ela sabia disso perfeitamente. Mas tinha um dever para com este grupo. O dever de os proteger, mesmo que não os conheça de lado nenhum. Um dever que se impôs a si mesma. Sempre com a espada em posição, atirou-se aos seres que se encontravam por baixo daqueles mantos e entre manobras perigosas e tentativas de se esquivar de ataques, conseguiu cortar a cabeça a um deles, fazendo-o desvanecer-se em pó. Rose já estava presa há tempo suficiente para perceber que estas criaturas são mortais, mas não há tempo suficiente para descobrir o que são realmente.   

- O que é que se está a passar?! – Perguntou Callie, com a voz a tremer, enquanto todo o grupo recuava até bater na parede. – Quem é aquela rapariga?!

- Não sei… - a voz de Kyle mal se ouviu, devido à mistura de medo, e de admiração, que continha nela. Ele estava maravilhado pela rapariga misteriosa do cabelo ruivo pelos ombros, que lutava para os defender – Mas temos que a ajudar!

- Não! – Gritou-lhe a rapariga, após cortar a cabeça do terceiro assassino. “Três já foram, dois para ir”, pensou ela. Rose não queria que se metessem. Sabia que os assassinos os matariam sem sequer pestanejar. E ela tinha uma vantagem sobre eles. Um segredo que lhe era bastante útil.

- Que se lixe! – Disse Paul, dirigindo-se a Rose, com Kyle. Ambos ficaram frente a frente com um dos assassinos, enquanto Rose cuidava do outro.

- Paul! – Gritou Kate, desfazendo-se em lágrimas, preocupada com o seu namorado.

Rose finalmente conseguiu acabar com o penúltimo assassino, e cravou a espada no coração do último no momento exacto em que este ia matar Kyle.

- Eu disse para não me ajudarem – disse Rose, firmemente – Estes seres são perigosos. Venham.

Eles não sabiam se podiam confiar nesta estranha, mas pelo menos tinha sido a única que ainda não os tinha tentado matar, por isso decidiram fazer o que tinha dito.

Seguiram-na, desceram uma escadaria, e entraram por uma porta também feita de osso – que Rose se apressou a fechar –, para uma sala que tinha pouco mais de uma janela e de cadeirão do mesmo material de toda a casa.

- Não se ponham demasiado confortáveis – alertou Rose – Vai mudar.

- O quê? – Perguntou Vanessa.

- A casa. Ela muda. Altera-se. – Esclareceu Rose, apesar de saber que o grupo de amigos tinha ficado na mesma sem entender nada.

- Quem és? – Perguntou Kyle, sem conseguir esconder mais a curiosidade.

- O meu nome é Rose.

- E…? – Insistiu ele, quando viu que ela não ia dizer mais nada.

Quando a rapariga lhe ia responder, a voz de Fred fez-se soar:

- Pessoal! Whoa, olhem para aquela cena! – Ele estava junto da janela e apontava para o lado de fora. Os restantes amigos apressaram-se a juntar-se a ele e observaram o exterior. Era como se estivessem dentro de um enorme buraco negro, apenas seguros por esta casa. A janela que podiam ver tinha a forma exacta de um crânio, e isso causou arrepios por todos eles.

- Rose… - disse Vanessa, com uma voz de súplica – Sabes o que se está a passar?

Há muito que Rose suprimira os seus sentimentos. Que decidiu parar de sentir, para assim evitar magoar-se. Afinal, o seu pobre coração não aguentaria apegar-se tanto a alguém de novo, apenas para perder essa pessoa de novo. Por isso jurou a si mesma que nunca deixaria ninguém chegar perto o suficiente para a permitir sentir de novo.

Mas desta vez foi diferente. Havia qualquer coisa nos olhos de Vanessa, uma total estranha para Rose, que a fez sentir.

- Sei – respondeu-lhe, com aquela voz dura e impenetrável que sempre usava, como um disfarce.

- Podes-nos explicar? – Pediu Kyle, aproximando-se dela.

- Posso – cedeu Rose, enquanto mirava atentamente o grupo desconhecido.

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