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One-Shot - Desejos Mortais

por Andrusca ღ, em 20.06.11

"Mas desta vez foi diferente. Havia qualquer coisa nos olhos de Vanessa, uma total estranha para Rose, que a fez sentir.

- Sei – respondeu-lhe, com aquela voz dura e impenetrável que sempre usava, como um disfarce.

- Podes-nos explicar? – Pediu Kyle, aproximando-se dela.

- Posso – cedeu Rose, enquanto mirava atentamente o grupo desconhecido."

 

Parte 3

 

Jess mudou de novo o canal da televisão e bufou; estava aborrecida. Só pensava no quanto os seus amigos se deviam estar a divertir no bar, e que ela estava presa em casa por causa da pirralha da sua irmã. E isso metia-lhe tanta raiva.

- Oh meu Deus! – Exclamou, mudando de novo de canal, pela milionésima vez. Dirigiu o seu olhar para o pequeno postal que tinha ao seu lado e agarrou-o, levantando a pequena película que cobria o pó do segundo altinho – Desejo que parem de passar filmes românticos e dê um de terror, estou entediada – disse, soprando em seguida o pó avermelhado, que foi desaparecendo no ar. E tão simples assim, a emissão do filme que estava a dar foi cortada e começou a dar um de terror, o seu preferido.

Jess sorriu e acomodou-se no sofá, ainda sem acreditar na sorte que tinha tido em encontrar o postal que lhe concretizava tudo o que desejasse.

 

Rose respirou fundo e olhou para o exterior, enquanto sentia os olhares curiosos pararem sobre ela. Ela tinha que lhes explicar o que estava a acontecer, já o tinha feito anteriormente a outros grupos, mas este era diferente. Ela sentia isso, apesar de não o conseguir explicar. Finalmente ganhou coragem e voltou-se, para enfrentar o seu público amedrontado.

- O que querem saber? – Perguntou, ainda sem simpatia na voz.

- Que sítio é este? – Kyle ia falar, mas Paul foi o mais rápido.

- Não sei ao certo – disse Rose. Ela já sabia que lhe iam perguntar isto, perguntavam sempre. E a sua resposta era igual de todas as vezes.

- Como é que viemos cá parar? – Perguntou Callie.

- Alguém fez um desejo – E esta era de novo uma das respostas recicláveis. A verdade é que as conversas eram sempre as mesmas. Rose ouvia o mesmo, e dizia o que já tinha dito dezenas de vezes. Tinha o discurso todo decorado.

- Como assim? – Perguntou Kate, ao mesmo tempo que Leanne, fazendo-as formar um pequeno sorriso.

- Há uma coisa chamada “Postal dos Desejos”. Concretiza sete desejos à pessoa a quem calhar. Mas há um preço. Um desejo, por uma vida. Sete desejos… - Disse Rose, apontando para o grupo em seguida – por sete vidas.

- Isso é ridículo – murmurou Fred. – E mesmo se fosse verdade, como é que isso funciona? E quem faz os desejos?

- Alguém próximo de vocês – interveio Rose – Alguém que não sabe o que está a fazer. Os desejos realizam-se verdadeiramente, e a partir do momento que a pessoa faz o primeiro, sete outras pessoas são trazidas para aqui.

- É por isso que aqueles “assassinos” nos queriam matar? – Perguntou Kyle, fazendo aspas com os dedos.

- Sim. Eles são escravos, assassinos criados pela Maldiva. Ela também é a criadora do postal. É uma bruxa.

- E tu? – Perguntou Vanessa – Quem és tu? Porque é que nos estás a ajudar? Também ficaste aqui presa?

E finalmente, as perguntas que por muito que Rose tentasse escapar, vinham sempre. Aquelas perguntas que nunca respondia. Eram as perguntas que passavam da linha das que se podem perguntar, para as que nunca se devem mencionar.

- Eu não falo sobre isso – pronunciou, livre de quaisqueres sentimentos.

Esse tipo de atitude ainda despertou mais o interesse de Kyle, que tomou mais atenção à beldade de cabelo ruivo. Não conseguia perceber como alguém tão belo podia ser tão frio. Como alguém com as capacidades que esta rapariga tem, está aqui. Não sabia porquê, mas estava demasiado atraído por esta rapariga.

- Nós vamos todos morrer? – Perguntou Leanne.

Rose engoliu em seco. Esta pergunta. Esta era mais difícil de responder. Ela tinha tentado de tudo. Esgotara as maneiras. Mas Maldiva tinha razão, não importava os esforços que fazia, os grupos que chegavam, morriam eventualmente. Não podia mudar isso, apenas adiar.

- Muito provavelmente – respondeu, vendo os olhos de Leanne encherem-se de lágrimas que não chegaram a cair.

- Não há nenhum modo de escapar? – Perguntou Fred, desesperado. – Tem que haver um modo.

- Tu podes proteger-nos – pronunciou Kyle, seguro do que dizia. E isso surpreendeu Rose, mas a verdade é que o rapaz acreditava mesmo nisso, como se qualquer outra ideia fosse absurda.

- Não posso – disse a rapariga, pressionando os lábios em seguida – O que aconteceu há pouco não foi nada. Vai ficar muito pior.

- Como é que ainda estás viva? – Interveio Paul.

- Sorte – mentiu Rose. Não era sorte. Não era nada parecido com isso, e ela sabia-o.

- Podemos dormir? – Perguntou Kate, com a voz baixa devido ao pânico.

- Eu não aconselharia – disse Rose –, mas não vos vou impedir. Devemos ficar a salvo por pelo menos duas horas. A casa vai mudar entretanto, mas não se preocupem, isso é o menor dos males.

- És sempre tão optimista? – Perguntou Paul.

- Sim – Rose respondeu rápido, respirando pesadamente em seguida. – Eu tenho que ir buscar as espadas. A casa mudou, por isso tenho que procurar por elas. Não saiam daqui.

- E vais sozinha? – Interpelou Kyle. Ele viu o que ela conseguia fazer, mas de qualquer maneira continuava demasiado preocupado para a deixar seguir sozinha. Apesar de tudo, parecia frágil como uma pequena rosa. Mas as pessoas esquecem-se que elas têm espinhos.

- Estou habituada.

- Vou contigo – declarou.

Paul revirou os olhos. Já tinha visto onde isto ia dar. Pensava que o amigo estava de novo a ser o garanhão do habitual, que se queria dar bem, e que não se importava com a situação, mas estava errado. Kyle sentia algo mais, algo estranho e desconhecido por ele, algo que nunca antes tinha sentido por ninguém.

- Não. – Recusou Rose.

- Não foi um pedido.

Rose mordeu-se para não lhe responder, mas conseguiu conter-se. Afinal, também estava curiosa sobre o rapaz que tinha entre mãos.

- Não nos demoramos – declarou, abrindo a porta para que Kyle passasse – Se acontecer alguma coisa, gritem.

Saíram da sala e Rose voltou a fechar a porta, para em seguida se porem em marcha pelos corredores vazios e húmidos da estranha casa em que se encontravam. Kyle ainda pensou em meter conversa uma ou duas vezes, mas cada vez que olhava para a face impenetrável de Rose, perdia a coragem. E isso nunca lhe tinha acontecido ao pé de uma rapariga. Rose notava os olhares indiscretos pela parte dele, mas preferia ignorar a perguntar o que queria. Era-lhe mais fácil não se importar. Ou fingir, pelo menos.

- Então sempre viveste aqui? – Kyle finalmente arranjou coragem e falou, fazendo a sua voz ecoar por todo o lado.

- Não – admitiu Rose –, nem sempre.

- Então como é que vieste cá parar? Como eu?

- Não exactamente.

- Bem… porque é que estás aqui?

- Não consigo explicar bem.

Kyle deu uma passada mais larga e parou em frente a Rose, agarrando-lhe nos braços para que não avançasse mais.

- Alguma vez me vais dar uma resposta elucidativa? – Perguntou. Ele não sabia porquê, mas o facto de todas as respostas vindas da boca da sua heroína serem vagas, magoava.

- Talvez – mas a rapariga não sabia como mais responder, sem se expor completamente.

Kyle abanou a cabeça frustrado, e Rose desviou-o ao ver uma porta familiar.

- Ali – disse a rapariga, seguindo em direcção à porta.

Entraram na sala em que Rose tinha deixado as espadas, sete, que era bastante idêntica àquela em que os amigos de Kyle esperavam. Rose desviou um pouco da parede e tirou de lá as espadas, passando-as a Kyle em seguida.

- Sabes como as usar? – Perguntou-lhe, ao que ele negou abanando a cabeça – Ok, basicamente, tens que apontar a parte pontiaguda à coisa que queres ferir.

- Uau, afinal era também goza – disse Kyle, sorrindo em seguida.

- Cala-te – ordenou Rose, puxando-o para ela.

Em menos tempo que leva um piscar de olhos, a sala encheu-se de assassinos, envoltos por aqueles mantos que não os deixam ser vistos.

- Hora de pores isso em prática – disse Rose, retirando a sua própria espada do cinto – Se queres viver, faz alguma coisa por isso.

Kyle mal teve tempo de respirar até ver os assassinos atirarem-se a eles. Rose era esguia e graciosa ao defender-se dos ataques dos seus oponentes, e conseguia sempre arranjar maneira de ficar na melhor posição; já ele era desajeitado com a espada, não tinha prática e muito menos jeito para lidar com uma arma daquelas.

Tinha coragem, porém. Nunca fora o tipo de rapaz de virar as costas a um problema. Mas coragem não é tudo.

Rose matou um, matou outro, enquanto Kyle continuava a fugir aos ataques de um dos outros, sempre com a sorte do seu lado, visto ser um milagre não ter sido atingido. Rose matou o último com que lutava, e quando se voltou para o rapaz viu-o no chão, pronto para ser trespassado pela lâmina da espada do ser que a agarrava.

- Ei! – Gritou ela, fazendo com que o assassino lhe dirigisse alguma atenção – Mete-te com alguém do teu tamanho.

Era impossível ver-lhe a cara, mas o ser emitiu um som que Rose identificou como um riso. E assim começaram a lutar. Mas por um breve segundo Rose distraiu-se. Kyle distraiu-a ao pegar na sua espada para a ajudar. E um segundo depois, era demasiado tarde. Rose tinha sido mortalmente trespassada por aquela espada de prata, bicuda. Porém, não caiu sem antes, num último esforço, espetar também a sua no ser que se encontrava à sua frente, transformando-o em pó.

À medida que caía, Rose sabia que estava mais perto do fim do que nunca. Kyle debruçou-se sobre ela e agarrou-a, vendo-a fechar os olhos calmamente, apesar de não se sentir assim de todo. Tinha morrido.

 

Mais duas partes e acaba, em principio...

Que acharam? Estão a gostar? :s

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