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Behind Appearances - Mini História

por Andrusca ღ, em 05.07.11

"As suas irmãs escolheram-lhe um vestido comprido, como todos os que tinha, com uma roda e um padrão florido em tons de amarelo-torrado. Com o seu cabelo castanho-escuro, até abaixo do rabo, fizeram uma enorme trança, e apenas depois enfiou os seus pés dentro dos sapatos com o pouco salto, do mesmo tom do vestido.

Ao ver-se ao espelho, Danielle suspirou. Ela não estava feliz. Não sentia que se casaria em breve. Sentia que estava prestes a ser vendida."

 

Parte 2

 

 Danielle foi informada que o seu noivo chegaria a qualquer momento, e sentia-se a sufocar. Ela precisava de ar, precisava de se afastar das suas irmãs e de seu pai por uns momentos.

- Regresso já – anunciou, saindo da Sala do Trono em seguida, deixando-os para trás.

Pelo caminho até à entrada do palácio, ela nunca esteve sozinha. Entre Cavaleiros, Padres e Nobres, era impossível estar-se completamente sozinho.

A princesa mais nova ia a passar pelo lado de fora da porta que ia dar a uma pequena capela privada, quando ouviu vozes vindas de lá.

- Está tudo preparado, Sua Eminência – ouviu. Reconheceu a voz como sendo Claude, um Padre que acompanhava sempre o Bispo Ruenberg. – As tropas atacam neste preciso momento.

- Bom… - Danielle nunca gostara do Bispo, sempre o achara uma pessoa repugnante e egoísta, mas claro que nunca se atrevera a dizê-lo em voz alta – o Rei Steven vai cair.

Danielle engoliu em seco. Ela sabia que o Bispo não era uma pessoa honrada, mas nunca esperou um golpe tão baixo vindo dele.

Correu com todas as forças que tinha, de volta para a Sala do Trono. Tinha que avisar a sua família antes que fosse tarde demais. Mas já era. O Rei tinha sido feito prisioneiro pelas tropas de Jullian, um primo Nobre que sempre desejara o trono, tal como as princesas e respectivos maridos.

Danielle não sabia o que fazer. Em poucos segundos todo o palácio se encheu de guardas, uns a lutar para proteger a glória do seu Rei querido, e outros a tentar deitar a família real a baixo.

- Venha princesa – antes de se ter apercebido, Danielle fora puxada pela mulher que sempre a criou, sua ama, para dentro de uma sala – Entre aí princesa Danielle. Deve salvar-se. Siga o túnel e irá dar à cidade.

Dirigiu a princesa para uma parede que rodou com todas a facilidades em seguida, e tentou forçá-la a entrar.

- Então e a minha família Genevieve? Tu, a minha casa? – Danielle não queria deixar o sítio em que sempre crescera. Não queria deixar as pessoas que amava.

- Tem que ir – insistiu Genevieve – A sua vida é muito mais preciosa que a minha. Vá. Não pode ajudar a sua família se estiver presa.

E ela tinha razão. Danielle deixou cair uma lágrima enquanto abraçou a ama pela última vez. Entrou no buraco na parede e quando a ia a fechar, viu um guarda cravar a espada no coração da mulher que a criou. Suprimiu um grito de puro terror enquanto via o olhar da mulher ficar sem vida, e as lágrimas lhe escorriam pelos olhos, e fechou a passagem secreta.

Danielle correu. Correu como se não houvesse amanhã.

Os túneis eram escuros e húmidos, e pareciam não ter fim. Já não se ouvia nada além das passadas, agora menos apressadas, da filha mais nova do Rei. Danielle parou de andar e olhou para trás, como tantas outras vezes, para se certificar que estava sozinha. Não sabia há quanto tempo estava em fuga, e estava preocupada e aterrorizada. Ela sabia a realidade do que acontecera, já ouvira vários relatos de guerra e tudo o mais. Já vira sobreviventes apenas com uma perna ou um braço, mas nunca pensou ser tão aterrorizante. Nunca precisou, sempre estivera a salvo dentro do palácio.

Parou de andar e encostou-se às paredes de pedra. Doíam-lhe os pés, doía-lhe a cabeça das preocupações. O que é que faria agora? De um momento para o outro encontrara-se completamente sozinha, sem ninguém para a ajudar nem proteger, e não sabia como agir. Ela tinha sempre alguém a sussurrar-lhe ao ouvido o que fazer.

 

O jovem Frederick, belo e aventureiro, chegara finalmente à cidade de destino. Envergava umas roupas simples, não queria ser o centro das atenções, e sorriu ao ver a beleza da cidade. Havia uma catedral enorme, que parecia elevar-se aos céus, e as pequenas casas de pedra nada tinham a ver com aquelas às quais estava acostumado.

E no cimo de um monte, o palácio. Fascinou-o desde o primeiro olhar. Mas estava envolto de pessoas, uma grande confusão, o que confundiu o rapaz.

Mais á frente viu que uma outra confusão estava instalada. Deu ordem ao seu acompanhante, Juan, e ambos se aproximaram em seus cavalos.

- Esta é bastante bonita – dizia um homem, para um grupo de outros, enquanto todos observavam a rapariga mais bela que Frederick alguma vez vira.

- Tenho umas quantas ideias do que podemos fazer com ela – riu-se outro homem.

- Por favor, eu… - a rapariga estava aflita. Danielle estava num sítio que não conhecia, ela nunca tinha saído além dos muros de palácio – Por favor não façam nada, eu…

Um homem aproximou-se da filha mais nova do Rei e empurrou-a, fazendo-a embater contra o chão enlameado. Ela engoliu em seco, tinha medo, muito medo. Finalmente saíra da passagem secreta, e agora tinha sido emboscada por aqueles homens sem escrúpulos.

- Parem! – A voz de Frederick soou por entre aquela balburdia toda – Deixem a rapariga em paz.

- E quem sois vós, estranho? – Um dos homens voltou-se para ele e sorriu-lhe. Um sorriso desdentado.

- O meu nome é Frederick, e isso é tudo o que precisais de saber – disse o valente jovem – Deixem a rapariga para mim.

- Não – opôs-se outro dos sete homens.

Frederick, sem pensar duas vezes, deu um pontapé a esse homem, fazendo-o cair ao lado de Danielle, na lama.

- Bem, obrigado – agradeceu o homem, sarcástico, enquanto pousava a sua mão na perna de Danielle e começava a subir levemente o seu vestido.

A rapariga olhou para ele com ódio. Ela tinha sido criada num palácio. A sua família estava agora prisioneira da Igreja. Ela não era indefesa, lutaria até ao seu último fôlego. Pensado isto, Danielle ergueu a sua mão e esmurrou o nariz do homem, com força, magoando-se a ela também. Nunca tinha dado um murro a ninguém, nunca fora preciso, mas agora que estava cá fora e sozinha, Danielle não se deixaria apanhar facilmente. Debaixo de todo o aspecto suave e requintado, ela era uma lutadora.

- Sua puta! – Gritou-lhe o homem.

- Tocai-me de novo e ides ver – desafiou a jovem princesa, levantando-se lentamente.

- Vem – pediu Frederick, esticando-lhe a mão para que montasse no seu cavalo com ele.

- Eu não preciso de ajuda – afirmou ela, orgulhosa, enquanto passava pelos homens e caminhava para a frente.

Juan e Frederick seguiram-na, a mando do segundo.

- Por favor – insistiu ele.

Danielle respirou fundo. Ela de facto precisava de ajuda, apesar de o negar… e aquele estranho não lhe parecia ser má pessoa…

- O que me vai fazer? – Perguntou a rapariga.

- Nada que não queira – afirmou Frederick.

A rapariga assentiu com a cabeça e com a ajuda de Frederick, subiu para o seu cavalo.

- Eu sou o Frederick, este é o Juan – indicou o jovem.

- Danielle.

Os olhos de Juan ficaram presos na rapariga, com um brilho assombroso.

- Sua Alteza – cumprimentou ele, curvando-se no cavalo.

Agora a vez de ficar em pânico foi de Danielle.

- Não, não, não – disse ela – Por favor, a minha família foi capturada, não me podeis chamar assim. Por favor, vão ouvir, vão-me capturar também.

- Bem, não tendes nada a temer – continuou Juan – O jovem Frederick é… - Frederick, sem que Danielle visse, fez sinal a Juan para que não dissesse o que pensava. Ele também tinha um segredo. – Ele é um óptimo espadachim – disfarçou Juan.

 

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