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Behind Appearances - Mini História

por Andrusca ღ, em 09.07.11

"- Considerarias ensinar-me a lutar? – A pergunta veio totalmente do desconhecido, mas a vontade de Danielle era forte. Ela queria salvar a família, independentemente dos perigos.

- Mas sois mulher.

- E vós sois homem. Frederick, eu preciso de ajuda para salvar a minha família.

- E eu vou ajudar.

- Obrigado. Tendes sido tão amável comigo. Porquê?

- Talvez algumas pessoas apenas gostem de dar – mas nem Frederick acreditava nisso."

 

Parte 4

 

Três semanas se tinham passado, e Frederick tem-se entretido ensinando a jovem princesa a usar uma espada, como a própria lhe pediu. Ao princípio, Danielle parecia que tinha medo do objecto, que se o agarrasse com força, talvez recebesse uma mordidela. Mas com o tempo e a prática, a jovem princesa aprendeu a manejar a espada ao ponto de derrotar Juan numa pequena brincadeira. Estava orgulhosa de si própria, e tinha razões para isso. Tal como Frederick e Juan, que cada vez menos conseguiam acreditar que estavam diante de uma das filhas de Steven, antigo Rei, de tais comportamentos que Danielle demonstrava.

Durante este tempo, também Danielle aprendeu mais do que a lutar. Aprendeu que viver longe de todas as barreiras do palácio tem os seus privilégios. Pela primeira vez tinha tomado banho no rio, e mandado água a alguém na brincadeira. Como a vida era agora, não tinha ninguém a dizer-lhe o que fazer nem como o fazer, podia ser apenas ela sem impedimentos ou olhares de reprovações.

Mas ela temia estar a apaixonar-se pelo jovem que outrora a resgatara de um grupo de homens com más intenções. Ela via em Frederick uma pessoa estupenda, um rapaz com grande potencial de se tornar num verdadeiro homem. E claro, ela achava-o lindo, tal como todas as outras raparigas que já tiveram o privilégio de o ver.

Mas ela sabia que era errado. Pecado. Não podia viver um romance com outro homem que não o seu noivo, ainda que não amasse este. Mas de novo, ela nem sequer sabia como ele era. Ele nunca chegara a aparecer, após toda a confusão que se instalara por causa da ganância do Bispo e de seu primo. Mas mesmo assim, Danielle não queria viver em pecado. Porém, o seu coração dizia-lhe para avançar. Para ser feliz. Para pôr as suas crenças de lado, ou então vê-las de outro modo: como pode o amor ser um pecado?

- A pensar de novo? – A voz de Juan fez-se ouvir naquela pequena sala, e Danielle desprendeu o olhar do chão e dirigiu-o a ele.

- Ides sair? – Perguntou a rapariga.

- Vão anunciar a data da sentença de madrugada, milady, e eu quero ouvi-la.

- Eu…

- Vós deveis ficar – intrometeu-se Frederick. Como é que ela lhe poderia alguma vez negar algo? – É perigoso, o Bispo estará lá, e se alguém a vir… é perigoso Danielle, deveis ficar.

- Ficarás comigo? – Perguntou a princesa, em vez de negar o seu pedido. A única coisa que ela não sabia, era que também Frederick não lhe conseguia negar um pedido, de tão apaixonado estar. Mas ele, ao contrário de Danielle, sabia que Deus os perdoaria.

- Certamente – disse, à rapariga – Juan…

- Eu sei, assim que souber de algo, virei – apressou-se o homem de cabelo grisalho a dizer, saindo em seguida.

- Que desejais fazer? – Perguntou Frederick.

- Poderíamos praticar com as espadas – sugeriu a jovem –, preciso de ficar perfeita para salvar a minha família.

- Ou, podíamos definir um plano – disse Frederick, encostando-se também à parede ao lado da jovem.

A jovem encheu o seu peito de ar e deitou-o todo cá para fora em seguida, sempre sob a observação de Frederick. O rapaz olhava completamente maravilhado para ela. Nunca na sua vida vira alguém tão belo, ambos por fora como por dentro, e estava fascinado com a rapariga que tinha ao lado. Ele não se importava com as consequências. Era jovem, e corajoso. E sabia que Deus, o Deus que Danielle acredita, o Deus em que ele está a começar a crer, nunca puniria um amor como aquele que sente.

- Porque me estais a encarar? – Perguntou Danielle, quando reparou no que Frederick fazia, enquanto sentia a sua face roborizar aos poucos.

- Estava a admirar a beleza que tendes… - murmurou o rapaz, fazendo uma festa ao de leve na pele macia e rosada, da bochecha de Danielle.

- Frederick, eu… - a rapariga voltou-se para ele, mas não lhe foi permitida a finalização da sua frase. Os lábios do rapaz tinham ido de encontro aos dela a uma velocidade impossível de ser determinada, e agora o beijo que ambos partilhavam era como se fosse o mundo para eles. Danielle sabia que estava errado, mas não se conseguia importar. Agora tinha a certeza, ela amava-o.

O rapaz agarrou-a pela cintura e puxou-a mais para si, enquanto ela enrolava os braços em redor do seu pescoço. Sentiam-se como se este momento acabasse, tudo acabaria com ele.

Aos poucos Frederick foi conduzindo a jovem princesa até ao quarto, onde ambos caíram na cama. Entre beijos apaixonados e carícias de amantes, a culpa começou a atacar Danielle em força. Ela não podia fazer isto. Estava prometida a outro homem. Não poderia ter relações sexuais antes da sua noite de núpcias, seria um escândalo.

Ainda apenas Frederick se encontrava em tronco nu quando a jovem o desviou de cima dela e se sentou.

- O que foi? – Perguntou o jovem, preocupado e em desespero.

- Eu estou prometida a outro homem, Frederick – proferiu a rapariga, enquanto sentia uma vontade de chorar enorme. Mas não choraria. Ela tinha que ser forte.

- Danielle… - o rapaz pegou-lhe na mão e pô-la sobre o seu coração, permitindo a Danielle sentir como batia descompassadamente – Vedes o efeito que produzis em mim? – Perguntou-lhe, baixo – Um pedaço de papel não se compara a isto – afirmou – Eu estou apaixonado, Danielle. Por a pessoa que sedes, pela força, a vontade, e a coragem que há dentro de vós.

- Mas é pecado… - murmurou ela.

- Como pode o amor ser um pecado? – Perguntou-lhe o rapaz, rastejando para a sua frente na cama – Eu sei que me amais também.

- Não vou mentir… amo – confirmou a rapariga.

- Então tentai esquecer tudo o mais.

Dito isto, uniu de novo os lábios de ambos, para se envolverem minutos depois na maior noite de amor das suas vidas. Uma noite onde o amor reinou sobre o pecado. Onde a fé ultrapassou a crença. Onde havia apenas espaço para aqueles dois seres apaixonados e nenhum mais. Uma noite repleta da mais pura magia que pode existir.

 

Estou a pensar fazer só mais três partes...

Que estão a achar da história até agora?

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