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Pétalas de Rosas

por Andrusca ღ, em 16.10.10

E a menos de cinco capítulos do fim, está na hora de se começar a resolver coisas, certo?

Espero que gostem

 

Capítulo 16

O Ex-namorado

 

Os primeiros três dias de férias foram super aborrecidos. Gwen, que é praticamente a minha única amiga do momento, foi passear com os pais e só volta no final da semana. Dylan e Abby têm saído juntos, mas eu não tenho paciência para isso. E pior, Darla continua cá a moer-nos o juízo.

Sempre que parava sozinha com os meus pensamentos, pensava nos planos que tinha com Derek para estas férias. Ia ser tudo tão esplêndido. E é aí que as lágrimas voltam a cair. Juro que não sei de onde é que vêem tantos líquidos, eu nem sequer bebo muita água…

Agora também estou de férias do café, logo não tenho nada para me ocupar a cabeça, excepto ouvir Darla a reclamar, e acho que prefiro a minha própria tortura, à dela.

Pelo lado positivo, nunca mais tinha ouvido falar de Charlotte, e isso alegrava-me um pouco, assim pelo menos não iria ter que magoar mais ninguém. Mas visto bem… quem é que me falta magoar?

Decidi ir dar uma volta, queria espairecer. Dei uma volta pela cidade no carro, e depois pensei em ir à praia. Pelo caminho, olhei para o lado, a estrada estava praticamente deserta. Do meu lado via-se apenas árvores. E entre elas pareceu-me ver um rapaz. Consegui ver os seus caracóis loiros e o seu sorriso. Josh? Mas não era possível.

Tirei os olhos dele por dois segundos para pôr as mudanças para travar o carro, e quando voltei a olhar já não o vi. Saí do carro, deixando-o no meio da estrada mas ainda ligado, e dei uns quantos passos em frente.

- Josh! – Chamei – És tu?

Só depois é que reparei na figura que fazia. Esforcei a vista um pouco mais, mas não vi ninguém. Abanei a cabeça e voltei para o carro. Acho que estou a ficar maluca de vez. Além disso, o que faria Josh em Great Falls?

Essa pergunta esteve-me na cabeça o resto do tempo. Já não fui à praia, mesmo que fosse já não ia conseguir relaxar.

Será que era mesmo Josh? Mas ele mudou-se… o que terá vindo cá fazer?

Fui novamente para casa e fechei-me no quarto. O resto do dia foi bastante calmo, excepto pela discussão no meu cérebro e pela depressão por causa de Derek.

Acabei por adormecer a ler um livro.

 

***

 

- Adeus Chloe! – Exclamou Verónica.

- Adeus, até logo! – Respondi-lhe eu.

Saí da mansão dos Thompson e entrei no meu carro. Comecei a conduzir em direcção à casa de Gwen, tinha um bilhete no carro que me dizia para lá ir.

Estava bastante trânsito para a hora que é, e parece que nunca mais andamos. Fiquei na fila, completamente parada, aí uns dez minutos. Começou a chover. Depois os carros começaram finalmente a andar.

Depois de uma curva, íamos apenas eu e outro carro na estrada, um Seat preto, e conseguia ver-lhe a matrícula e tudo.

- IG UYFGT – disse, em voz alta.

De repente o carro da frente acelerou desalmadamente, deixando-me sozinha na estrada. Continuei a andar.

Vi um vulto passar, e do nada e tive que parar bruscamente para não lhe acertar. Senti-me a perder o controlo do carro, enquanto dava cambalhotas e eu era fortemente segurada pelo cinto de segurança. Quando o carro finalmente parou, ficou com o tecto no chão, deixando-me de cabeça para baixo. O cinto de segurança estava-se a começar a romper, e eu pousei as mãos no tecto, para que não caísse de qualquer maneira. Cortei-me nos vidros, que estavam em todo o lado.

Fiquei quieta e com a respiração ofegante durante poucos segundos, até dar um gemido quando o cinto me largou completamente. Mesmo com as mãos no tecto, caí mal. Caí para cima dos vidros, mas em vez de ser de cabeça, foi de lado. Arrastei-me até à janela, já partida, e vi que não conseguiria sair por lá. Não sou assim tão pequena. Tentei empurrar a porta, mas mesmo já estando amolgada, não se movia.

Dei vários pontapés na outra porta, até esta finalmente sair, e saí de dentro do carro de marcha atrás.

Pus-me em pé, muito desengonçada. Via tudo enublado, e sentia a minha perna a arder. Só então reparei que deitava sangue.

Ouvi um rugido enorme, e arrepiei-me toda. Virei-me para trás e vi o vulto ao longe.

Senti o pânico apoderar-se de mim e gritei a plenos pulmões.

 

***

 

Acordei quando o livro que estava em cima de mim caiu, e dei um pulo, assustando-me. Agora ando a ter mais pesadelos que habitualmente, tenho tido um quase todos os dias. E são piores. São mais sentidos, mais reais. A maior parte das vezes já nem sei que estou a sonhar.

Estava toda a tremer, e quase que sentia a dor na perna. Respirei fundo várias vezes para me acalmar, pelo menos desta vez não tinha acordado ninguém.

Já não conseguia dormir. Levantei-me, embrulhei-me num cobertor e pus-me a observar a noite, do parapeito da janela. O céu estava completamente limpo, e conseguia-se ver perfeitamente os pequenos pontinhos brilhantes.

Uma hora antes dos raios de sol ameaçarem aparecer, vi as nuvens aproximarem-se. Com Derek aprendi a não sentir falta do sol, mas agora sem ele, sinto bastante falta. Sinto falta de tudo.

Fiz o pequeno-almoço, e quando todos se levantaram, já eu estava a ver televisão. Eles comeram os três juntos, e conseguia ouvir que a única voz que falava era a irritante da Darla.

- Queres ir às compras? – Perguntou Dylan, interrompendo-me os pensamentos tristes e auto-destrutivos.

- Porquê? – Perguntei.

- Porque o Natal está mesmo a chegar, e ainda não comprei nada.

Levantei-me num segundo.

- Chiça! O Natal! – Exclamei.

- Pois… queres vir?

- Sinceramente não… - ele lançou-me um olhar capaz de me incinerar – Mas vou na mesma.

Despachámo-nos e fomos os dois. Abby ia para casa de Amy, uma amiga dela.

Quando chegámos ao centro comercial, lembrei-me que não sabia o que comprar, para ninguém.

- Sabes o que a Abby quer? – Perguntei.

- Sim, ela entregou-me a “Lista para o Pai Natal” – disse, a rir-se, enquanto tirava do bolso uma folha de papel dobrada.

Todos os anos, Abby faz essa lista. Apesar de não acreditar no Pai Natal, ela manda sempre uma carta para o Pai Natal do centro comercial onde diz o que quer que eu compre para ela, para o Dylan, para mim e para Gwen. Claro que eu, ou neste caso Dylan, agarramos sempre a carta antes que os correios a mandem.

- O que é que ela escreveu? – Perguntei.

Em vez de ler, Dylan passou-me o papel para as mãos. Comecei a ler. No meio de todas as palavras, e de montes de prendas para comprar, senti um aperto no coração ao ler o que li quando chegou a minha vez, “ (…) para a minha irmã queria que ela voltasse a ter o Derek, e que voltasse a sorrir. Sei que não precisa de mais nada para ser feliz (…) ”.

- Por favor não chores outra vez – pediu Dylan, ao ver a minha cara.

- Não… - em vez de chorar, sorri-lhe debilmente, sem vontade nenhuma.

Acabámos por comprar um casaco para Gwen, um jogo para Dylan, e nada para mim. Abby ganhou uma blusa e a boneca que me andava a pedir há séculos. Não me apetecia fazer compras, e quanto mais depressa nos despachássemos, melhor.

Quando voltámos para casa, Abby estava a pôr a mesa para o almoço. Eu cozinhei uma coisa rápida só para nós os três, porque Darla não devia de dar o ar da sua graça, graças a Deus.

Depois de comermos, decidi sair, espairecer, desanuviar. Vesti o meu casaco de cabedal roxo, com pêlo por dentro, e comecei a andar pelas ruas.

- Chloe, Chloe!

Esta voz não enganava ninguém. Virei-me para trás e vi Lisa a correr direita a mim.

- Sim Lisa? – Perguntei.

- Nem te passa pela cabeça o que aconteceu! – Disse, arfando, já parada à minha frente.

- O quê?

- É sobre o Josh.

- Ele está cá?!

- Não! – Ela parecia surpresa, mas não comentou mais, voltou ao assunto pelo qual tinha corrido – Os pais dele morreram…

- O quê?! Mas… isso é horrível! Como? – De certeza que as minhas palavras se ouviam ao fim da rua.

- Não sei – abanou a cabeça – Acho que o Louis leu no jornal, e depois disse à Lara, que disse ao John, que disse ao Liam, que disse à Kat, que disse ao irmão, o Hollis, que disse à namorada Jessica, que disse à…

- Ok, já percebi. De alguma maneira, isso veio ter a ti.

- Sim. É tão trágico! Eu nem consigo imaginar!

- Sim… nem eu.

- Claro que consegues, o teu pai também morreu!

Mas será que nem nestas situações esta rapariga consegue ser delicada?!

- Seja como for… já alguém falou com ele? – Perguntei.

- Não que eu saiba.

- Pois… dá-me lá o número dele, se faz favor.

- Tu namoraste com o tipo, não tens o número?

- Não achei que fosse precisar mais… - e nem o queria no meu telemóvel, depois de ter quase matado Derek.

Lisa deu-me o número de Josh e depois seguiu viagem. Fiquei a olhar para o ecrã do telemóvel a pensar se ligava ou não. Na verdade não queria, mas não seria um bocado mau se não o fizesse?

Pus a chamar e encostei o telemóvel ao ouvido, mas ninguém atendeu. Acho que lá no fundo até foi um alívio.

Andei durante mais um bocado, e vi Verónica e Gary passarem. Olharam-me directamente e continuaram a andar. Acabou, fartei-me. Corri até eles e eles viraram-se ainda antes de lhes tocar.

- O que é que queres? – Perguntou Verónica, num tom azedo.

- É assim? – Perguntei – Nós vemo-nos na rua, mas não nos falamos… olhamos uns para os outros, mas é só isso?

- Do que é que estavas à espera? – Perguntou Gary, também nada simpático.

Olhei para baixo. Esta é uma hora terrível para as lágrimas começarem a cair.

- Não sei… - respondi.

- Bem, talvez nunca descobrisses se não tivesses mandado o Derek embora – atirou-me Verónica de novo à cara.

- Eu sei que agora não parece, mas talvez um dia me agradeçam… - murmurei, a olhar agora para os olhos dela – Mas eu espero mesmo que não.

Dei meia volta e comecei a caminhar para casa. As lágrimas fugiram-me ao controlo quando me faltavam poucos metros.

Entrei em casa, e encostei-me à porta, tentando secar as lágrimas. Fui directa às escadas.

- Fizemos a árvore de Natal! – Exclamou Abby – Gostas?

- Sim – respondi, sem parar nem olhar.

- Nem sequer olhaste! – Disse-me, num tom chateada.

- A árvore é igual todos os anos Abby, eu já sei como está! – Disse-lhe.

- Chloe… - disse Dylan, num tom de repreensão.

Olhei finalmente para Abby, estava com uma expressão triste. Sou tão estúpida!

Comecei a descer as escadas.

- Desculpa – disse-lhe, pondo-me de cócoras.

- Estiveste a chorar outra vez? – Perguntou-me.

- Sim… - murmurei.

Ela abraçou-me.

- Eu não quero que chores mana…

- Eu também não quero chorar…

Enquanto estava abraçada a ela vi a árvore de Natal, verde, com os mesmos enfeites prateados e vermelhos de sempre.

- Vocês não estão fartos de termos a árvore sempre assim enfeitada? – Perguntei, quando a Abby me largou.

- No que é que estás a pensar? – Perguntou Dylan.

- Tirem algumas bolas, mas deixem as fitas. Volto já.

Subi as escadas a acelerar e fui à minha caixa de recordações, onde tinha praticamente todas as fotografias desde sempre.

Desci com algumas na mão. Fizemos um furo em cada uma, e passámos com o cordel nelas, para depois as pendurarmos.

Quando acabámos, haviam fotos de nós mais novos, fotos de aniversários, outros Natais, saídas que fizemos… e em todas elas sorriamos.

- Que piroseira é essa?! – Berrou Darla, assim que entrou na sala.

- É a nossa árvore – respondeu Abby, a sorrir.

- É… horrível! – Contrapôs Darla.

- Pois, mas tu estás na nossa casa, por isso nós decidimos como a árvore fica – disse Dylan.

Darla subiu as escadas, chateada, e nós sentámo-nos no sofá, com Abby no meio.

- Não estou habituada a ver a árvore assim – disse-me ela.

- Não te preocupes, pelo menos assim não há nenhuma igual – disse Dylan.

Depois de um jantar rápido, fechei-me no quarto. Estava cansada, farta da vida, e sem paciência. Tentei telefonar de novo a Josh, mas ele voltou a não atender. Como terão os pais dele morrido?

Sentei-me em frente ao meu computador portátil, em cima da cama, e pesquisei na internet sobre mortes em Dover.

Apareceram várias, cinco para ser exacta, no site do jornal local. Uma das notícias era sobre os pais de Josh. Fiquei petrificada ao ler. O jornal dizia que tinham sido vítimas de um ataque de um animal, mas nenhum animal os deixaria sem pinga de sangue sem ser… um vampiro. Os pais de Josh só podem ter sido mortos por um vampiro. Mas porquê? Será que ele fez algum tipo de acordo esquisito em que trocava a vida dos pais para voltar a pertencer à lista de futuros vampiros? Será que se voltou a meter neste mundo? Não, não pode. Josh não ia cometer esse erro… iria?

Passou uma ideia pela cabeça à qual preferia ignorar. Simplesmente não seria possível. Seria mau demais. Josh pode não ser bom, mas também não é assim tão mau.

Segundo o artigo, ele está desaparecido, logo o rapaz que vi ao pé das árvores ao pé da estrada não pode ser ele. E se ele está mesmo desaparecido? E se foi raptado ou assim? Porque é que estou tão preocupada com ele?

Depois de algum tempo a reflectir na minha última pergunta, cheguei a uma conclusão. Quero saber todas as respostas porque no meu cérebro, vá-se lá perceber porquê, ainda não estou convencida que o rapaz que vi não era ele. E para ter desaparecido assim tão depressa só pode ter uma explicação. A única explicação que me recuso a aceitar.

Mas isto já se tinha passado há mais de um mês, logo de certeza que ele já foi encontrado e ainda está em Dover. De certeza que a notícia já não está actualizada. Não pode estar.

Desliguei o portátil quando era quase duas da manhã, e meti-me a dormir.

Acordei quando eram quase onze horas, levantei-me, tomei banho e vesti umas calças de ganga escura com uma blusa preta. O meu estado de espírito hoje está ainda mais deprimido. Estiquei o cabelo, queria variar um bocadinho. Calcei os ténis e ajeitei o meu colar, e fui para o andar de baixo.

Abby estava a tomar o pequeno-almoço, e vi Dylan sair da cozinha com uma caneca e ir entregá-la a Darla. Depois voltou e sentou-se ao meu lado.

- O que é que acabaste de fazer? – Perguntei-lhe.

- Dei o pequeno-almoço à Darla – respondeu-me, nada feliz.

- Havias de ver o escândalo que ela armou – disse Abby.

- Já não há paciência para esta mulher – disse Dylan.

- O chá está quente demais! – Gritou Darla, da sala.

- Então deixa-o arrefecer! – Gritou-lhe Dylan.

Voltei a sair para apanhar ar. Estes pequenos passeios faziam-me bem. Caminhei durante talvez dez minutos, e então vi uma pessoa conhecida de costas. Será que ele me vai falar?

- Scott! – Chamei. Ele virou-se logo, com um sorriso nos lábios. – Onde é que ias? – Perguntei-lhe, quando cheguei ao pé dele.

- Hum… vinha da tua casa, passei por lá mas estavas a dormir, decidi não entrar – respondeu, acanhado.

- O que é que ias lá fazer?

- Duas coisas. A primeira era saber como estavas.

- Terrível. E a outra?

- Eu lembrei-me de quem me transformou.

- O quê?! – Gritei – Isso é óptimo! Já contaste à Verónica e ao Gary?

- Ainda não.

- Bem… quem foi?

- É melhor sentares-te.

- Estás-me a assustar. Scott… quem foi?

- O teu ex-namorado.

- O Derek? Não ele… - Na verdade não considero o Derek como ex-namorado, apesar de o ser. Mas para todos os outros, esse é o seu título oficial, por isso…

- Ele não é o teu único ex-namorado que é vampiro.

Andei até um banco a aproximadamente cinco metros à frente e sentei-me, enquanto tentava regularizar a respiração.

- O Josh? – Perguntei, com a voz baixa, de pânico.

- Sim… o Josh transformou-me.

- Mas como? Porquê?

- Bem… eu acho que sabes como… e eu não sei porquê. Ainda está tudo muito esquecido…

- O Josh é um vampiro? E os pais dele… - Oh Deus… o que me tinha passado pela cabeça quando pesquisei sobre os pais dele pode estar certo. Josh pode ter drenado os pais até à morte. Porque agora ele é um vampiro.

É oficial, a minha vida é um circo de horrores.

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