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Our Scars

por Andrusca ღ, em 20.08.11

Capítulo 9

O Baile da Estrela * Parte 2

 

Pus-me dentro do vestido e puxei o fecho, vendo-me ao espelho em seguida. Trazia-me más recordações, mas… continuava lindo como quando o comprei. Dá-me acima do joelho e é preto, de alças, com umas rendas por todo ele a rosa clarinho. Calcei uns sapatos de salto, do tom exacto das rendas, para condizer, que a minha mãe também tinha guardado. Pronto, talvez guardar isto não tivesse sido uma má ideia de todo. Fui para a minha casa de banho e dei apenas uma cor à cara, com blush, um pouco de gloss, rímel e uma sombra para os olhos. Não tinha tempo para arranjar melhor o cabelo, tinha Caleb à espera, mas mesmo assim os meus caracóis pareciam estar em dia sim, e estavam a colaborar.

Peguei numa mala pequena, preta, e lá guardei o gloss e o telemóvel, para mais tarde pôr também as chaves de casa. Dei uma última olhadela ao espelho, e saí do quarto para ir ao encontro de Caleb.

Ele ainda estava no mesmo sítio em que o tinha deixado, nem um centímetro para o lado.

- Estou pronta – anunciei, chegando por trás do sofá, fazendo-o olhar para mim e abrir a boca com uma exclamação.

- Dawn tu… - levantou-se e deu um passo na minha direcção, a sorrir – tu estás…

- Eu sei que não é nem prateado nem dourado, mas não estava exactamente à espera de ir ao Baile – desculpei-me.

- Estás perfeita assim. Vamos?

Respirei bem fundo e assenti com a cabeça.

- Vamos – afirmei, sorrindo-lhe.

Fomos para a escola na mota de Caleb, uma mota preta reluzente, e assim que estacionámos e eu tirei o capacete, os cochichos começaram. Sabia que aparecer com Caleb nesta festa não ia passar despercebido a ninguém, e sabia também que mais tarde iria arcar com as consequências. Tais como ouvir a Claire, ou as reclamações da minha mãe… ou as coscuvilhices de todas as outras pessoas. Mas pela primeira vez em toda a minha vida, não me importei com o que pensavam. Preocupei-me apenas no que eu queria fazer, e apenas o facto de isso ser a única coisa que me ocupava a mente, metia-me medo. Não me podia arriscar a tudo, iria sofrer sequelas dos meus actos… não podia agir de uma maneira ingénua, como se acreditasse que nada de mal me aconteceria, certo? Então, se estou consciente disto, porque é que nem uma parte de mim se importa?

Olhei para Caleb e ele sorriu-me, mais uma vez, enquanto nos encaminhávamos para o pátio.

- Ouve… - começou ele, parando logo em seguida, para respirar fundo – Espero que não te arrependas de teres vindo comigo. Sei que não sou propriamente um acompanhante de sonho, mas…

- Pára – pedi –, é que nem comeces com isso. Já cá estamos, podemos ao menos tentar divertirmo-nos um pouco.

- Vais ter que ser a minha guia neste evento – pediu, rindo-se.

Bem, para sorte dele, farta de coisas destas já eu estava farta de ir.

- A primeira coisa a fazer é arranjar uma bebida. Não têm álcool, estamos na escola, mas dá sempre jeito – disse eu –, e depois… ou sentas-te, ou dançamos.

- Bem, eu não sei dançar.

- Então para a tua sorte, eu sou uma óptima dançarina – brinquei, ao que ele assentiu.

- Parece que alguém quer morrer – ouvi, na nossa lateral. Engoli em seco. Já tinha ouvido estas palavras antes, mas não no mesmo contexto. Sei que agora não são para me afectar a mim, mas afectam na mesma, ainda que indirectamente – Oh miúda, se fosse a ti tinha cuidadinho com o assassino aí!

- Vai passear – gritei, para o moço que não se calava, voltando-me de novo para Caleb, que observava o chão com um certo nervosismo.

- Isto foi um erro – declarou, com a voz dura – Nunca devíamos ter vindo, nunca te devia ter convidado. Foi estúpido.

- Não…

- Dawn?! – Oh bolas… Claire. Voltei-me para trás e vi-a a ela e ao resto do grupo, a dirigirem-se para cá.

- Caleb, que tal ires buscar as bebidas agora? – Pedi – Só tenho que falar com elas, mas depois dedico-te todo o meu tempo, prometo.

- Está bem – disse ele.

Ao mesmo tempo que Caleb se afastava, o “meu” grupo aproximava-se, e elas não pareciam felizes.

- Pensei que não vinhas – disse Jill.

- Decisão de última hora – justifiquei, encolhendo os ombros.

- Estás… bem – é a isto que Claire chama de elogio? Está bem…

- Vocês também – retorqui. Apenas Claire estava de dourado, Jill, Marissa e Tess estavam de prateado.

- O que é que ele estava aqui a fazer? – Perguntou Claire.

- Oh, ele… - engoli em seco e respirei fundo, olhando-a directamente em seguida – ele veio comigo. Ou melhor, eu vim com ele.

Juro que por um momento, confundi Claire com um fantasma, de tão branca que ficou. Ela e não só, também o resto das raparigas.

- Qual é que foi a parte do “afasta-te dele” que não percebeste? – Perguntou Tess – Ele é perigoso Dawn.

- Meninas, eu só…

- Cá estão – interrompeu-me Caleb, passando-me um copo para a mão.

As raparigas ficaram esquisitas, e Caleb ainda mais calado que o costume. Momento constrangedor, sem dúvida.

- Não sabia que assassinos gostavam de festas destas – comentou Claire, ao fim de alguns segundos, fazendo Caleb cerrar os maxilares com força – É nestes sítios que escolhes as vítimas?

- Ouvi dizer que ele conheceu a Dana cá na escola – disse Tess, com a mesma voz maldosa de Claire. – Quem sabe, talvez esteja à procura de um novo alvo, agora que já não se pode divertir com ela.

Engoli em seco. Isto não estava a correr bem. Olhei para Caleb e por um momento desejei desmaiar para não ter que ouvir mais, nem observar a sua cara de pura tristeza. Tristeza e revolta, mas tudo muito bem contido.

- Meninas – chamou Marissa à atenção.

- Meninas nada! – Reclamou Jill – Por amor de Deus, ele nem devia ser autorizado a estar em recintos escolares!

- Ok, chega! – Afirmei eu, levantando um pouco o tom de voz – Se devia, ou não, não sei. Mas já que está autorizado, vou-me garantir que aproveita ao máximo. Anda.

Puxei Caleb pela mão, e perante as dezenas de pares de olhos admirados, comecei a dançar com um suposto assassino no meio dos outros alunos que se divertiam ao ritmo da música. Pude ver raiva no olhar de Claire, mas lidaria com isso amanhã. Talvez fosse boa ideia tomar um comprimido de manhã, lidar com aquela fera iria ser bem deprimente… mas pela primeira vez desde que o… acidente? Bem, não foi bem um acidente, mas pronto. Pela primeira vez desde isso que me estou a divertir sem estar sob o efeito de qualquer tipo de drogas, por isso vou tentar tirar o melhor disto. E Deus me livre, vou conseguir.

 

Talvez poste outro capítulo logo à tardinha...

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