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Our Scars

por Andrusca ღ, em 25.08.11

Capítulo 17

Parecenças

 

- “Já disseste à tua mãe?” – Perguntou Caleb, através do computador. Estávamos no Skype.

- Que namoramos? De certeza que já sabe – afirmei – As notícias nesta cidade viajam mais depressa que o vento.

- “E ainda não te disse nada?” – Ele parecia surpreendido.

- Caleb, a minha mãe tem poucas regras, mas a mais importante é não se falar de assuntos desconfortáveis. Não falamos da tentativa de suicídio, não falamos do motivo que me fez querer ficar na cidade, não falamos de ti.

Convencer a minha mãe a ficarmos custou muito mais do que convencê-la a fugir. Ela insistia em perguntar-me o que ia ser de agora em diante, quando a vissem na rua e a julgassem má mãe, uma mãe que deixou a filha chegar ao ponto a que chegou. E eu disse vezes e vezes sem conta que isso não importava. Porque não importa. Absolutamente nada.

E passados dois dias, acho que ela finalmente se habituou aos olhares. Pessoalmente, eu ainda não. Houve vezes ao longo destes dois dias que apenas não fugi para me esconder por ter Caleb ao lado. Mas mudei de comportamento. Cada vez que alguém gozava comigo ou me perguntava pelas cicatrizes, apenas as mostrava. Isso calou-os, de todas as vezes.

- “Mas vocês parecem dar-se tão bem” – murmurou.

- E damos… desde que certos assuntos não sejam tocados. Mas ela vai falar de ti, tenho a certeza disso. Provavelmente só está a dar tempo para lhe entrar ar suficiente para os pulmões, para depois poder gritar tudo de seguida.

- “Dawn, se for para te pôr em problemas…”

- Pára – nem o deixei acabar – Caleb, tu és a única coisa que me está a manter fora de problemas neste momento. Não te afastes de mim também.

- “Claro que não” – respirei fundo.

- Acho que vou dar um passeio – pensei, em voz alta – Queres vir?

- “Sim, encontro-te na tua rua”.

- Até já, beijinho.

Desligámos o computador e fui-me calçar. Quando saí de casa, não o avistei, por isso ainda não devia estar despachado. Comecei a caminhar lentamente até à sua casa, porém algo me fez parar.

Não sei porquê, mas por alguma razão fiquei a observar aquela homenagem que era prestada a Dana. O repuxo continuava a deitar água, e a pequena mesa oval continuava com velas, embora agora a maior parte estivessem apagadas.

Levei a minha mão a uma das várias molduras que guardavam as suas fotografias, e agarrei-a para a observar mais de perto. É engraçado como já moro nesta cidade há um tempo, e só agora reparo bem em Dana, quando na verdade toda a cidade parece viver à volta do que lhe aconteceu. Ela era assustadoramente parecida a mim. Passei com o dedo sobre o vidro da moldura, delineando as linhas do seu rosto. Ela sorria, parecia feliz. Tinha o cabelo como o meu, cheio de caracóis e canudos, mas era num tom um pouco mais claro. Os olhos eram iguaizinhos aos meus, o que me fez arrepiar-me um pouco.

- Ei – pulei quando senti uma mão no meu ombro, mas logo a seguir vi Caleb ao meu lado e relaxei.

- Assustaste-me – murmurei.

- Desculpa. O que é que estás a fazer? – Perguntou, pondo-se por trás de mim e abraçando-me pela cintura.

- Fala-me dela – pedi, olhando para ele a tempo de o ver franzir as sobrancelhas.

- Da Dana? Porquê? – Perguntou, largando-me e pondo-se ao meu lado, para agarrar também numa moldura com a sua fotografia.

- Porque sinto que… esta cidade está toda à volta dela, percebes? E no entanto só ouvi coisas tristes. O homicídio. A maneira como foi encontrada. Os pais dela mudarem-se. Ninguém me disse como ela era enquanto estava viva.

- Ela era… - vi-o sorrir – Era teimosa. A pessoa mais teimosa que alguma vez conheci. Mas estava sempre a sorrir.

- E? – Incentivei, quando vi que parou.

- Gostava de ajudar pessoas, o que era estranho, considerando que a melhor amiga dela era a Claire e vice-versa.

- A Claire?! – Admito, não esperava esta.

- Sim, por isso é que ela nunca gostou de mim. Acreditou sempre que lhe tinha morto a melhor amiga – lamentou.

- Ela parecia ser uma boa pessoa – afirmei – Não fazes ideia de ninguém que…

- Não – não me deixou terminar – Quer dizer, todos gostavam dela. Mas ela não dava muita atenção aos rapazes, eles tentavam abusar. Alguns ficaram com ciúmes quando me começou a dar atenção a mim, mas acho que nenhum deles seria capaz de a matar por isso. Seria uma estupidez.

- Gostava de a ter conhecido – murmurei.

- Gostarias dela. Vocês são parecidas, e não só fisicamente.

- Certo, porque eu também sou teimosa – brinquei, fazendo-o rir.

- Não, vocês… ambas têm uma personalidade diferente, não são o que aparentam à superfície… têm esta maneira de ser que… - mais uma vez sorriu e abanou a cabeça – Não consigo explicar.

- Bem, seja o que for, tenho a certeza que somos óptimas – afirmei, rindo-me. Ele riu-se também. Sim, gostava de ter chegado a conhecer Dana.

Caleb pôs as suas mãos na minha cintura e voltou-me para ele, sorrindo-me.

- É bom estar agarrado à minha namorada em plena luz solar sem ser chamado de nenhum nome – murmurou.

- Hum… o homicida e a suicida – brinquei – Nós fazemos um casal giro, sim senhora.

- Cala-te – mandou, ao rir-se, dando-me um beijo em seguida. Beijo esse que interrompi segundos depois.

- Caleb… quando disseste que me amavas… estavas mesmo a falar a sério ou querias apenas que acreditasse em ti? – Perguntei.

- Estava a falar a sério. Tu és uma pessoa incrível, acreditaste em mim desde o início e… não pude evitar. Apaixonei-me por ti. Irremissivelmente.

- Ainda bem porque… acho que há uma grande probabilidade de também me ter apaixonado irremissivelmente por ti – murmurei. Os seus lábios abriram-se no maior sorriso que alguma vez vira nele, e pude jurar ver os seus olhos brilharem, antes de nos juntar num dos beijos mais perfeitos de sempre.

 

Logo para a noitinho posto outro ^^

btw, as votações acabam às 19h que aí já tenho a certeza que tou em casa xD

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