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O Véu entre Mundos

por Andrusca ღ, em 27.08.11

E aqui está o primeiro capítulo... espero que gostem ^^

 

Capítulo 1 (parte 1)

FBI

 

Enquanto ia andando até chegar àquele armazém abandonado, uma sensação de mau estar perseguia-me. Sabia que não devia estar aqui. Que não devia entrar. Mas não tinha outra hipótese.

- Anda, depressa! – Disse Frank, um fantasma que aos poucos se tornou meu amigo, e que está sempre comigo quando preciso.

- Tem lá calma – sussurrei eu, um bocado rabugenta.

Frank tinha-me feito levantar às quatro e meia da manhã, dizendo que tinha uma possível pista sobre onde poderia estar o meu irmão.

Passei para o lado da rua do armazém e ouvi um tiro. Olhei para Frank, que me deitou também um olhar assustado antes de desaparecer, desvanecendo-se no ar, e corri para o armazém. Abri a porta de correr, que estava perra como tudo, e fiquei especada a olhar para um homem deitado no chão. Por baixo dele formava-se uma grande poça de sangue. Ouvi um ruído, mas olhei para todos os lados e não vi ninguém.

Frank já estava ao lado do homem morto.

- Ele está… - “vivo”, ia eu perguntar, ao que Frank respondeu que não com a cabeça.

Comecei a olhar em volta de novo, mas desta vez à procura de alguém que tivesse um buraco de bala e um aspecto meio morto, que mais ninguém visse sem ser eu. Mas nada.

Ouvi passos atrás de mim, agarrei na pistola que estava no chão, ao pé do homem morto, e empunhei-a, voltando-me para trás.

- Polícia! Larga a arma! – Gritou-me um homem, que também me apontava uma arma, e tinha um colete à prova de balas.

- Raios – murmurei, enquanto pousava a arma lentamente no chão e a mandava para ao pé dele e do seu companheiro.

- Agora põe-te de joelhos! – Ordenou o homem, de novo aos gritos.

Obedeci e ele aproximou-se.

- Oh, estás tão tramada – disse Frank, em tom de gozo.

- Cala-te – mandei.

- O quê? – Perguntou o polícia, um bocado confuso.

- Esqueça – disse eu.

Ele algemou-me e depois pôs-me dentro do seu carro de patrulha. Devo ter ficado aqui sozinha durante quase meia hora, e então chegou uma carrinha preta e um carro, um mercedes preto, atrás.

Da carrinha saiu uma mulher com os cabelos castanhos-escuros, e curtos. Trazia uma bata vestida, uma maleta e umas luvas de plástico nas mãos. Era médica-legista.

Do outro carro saíram dois homens, porém só os consegui ver de costas.

Dirigiram-se os três para dentro do armazém, juntamente com um dos polícias que me tinha apanhado.

Os polícias saíram pouco depois e meteram-se no carro, ligando-o logo de seguida.

- Para onde é que me vão levar? – Perguntei, pela primeira vez desde que me tinham posto no carro.

- Para a sede do FBI – respondeu o polícia que ia a conduzir.

E assim foi. Ele conduziu pelas ruas de Washington DC até chegarmos à sede do FBI.

Nem tentei livrar-me de nada, já estava habituada a ser apanhada, afinal, estou sempre a bisbilhotar onde não devo.

Tiraram-me do carro, ainda com as algemas postas, e levaram-me para uma sala de interrogação.

Fiquei quase uma hora sentada até entrar um homem. Trazia um fato vestido, e estava bastante em forma. Era negro, mas tinha uma expressão bastante amigável. Sentou-se na cadeira à frente da minha e pousou uma pequena pasta na mesa.

- Bom dia menina… - disse ele.

- Conrad – completei.

- Menina Conrad, sabe que está numa grande alhada aqui, certo? – Perguntou-me – Eu sou o agente Kohl.

- Oh, ela sabe – disse Frank, assustando-me. Deitei-lhe um olhar intimidador. Ele tinha desaparecido desde que fui apanhada, e agora chega e mete-se com este tipo de comentários.

- Para onde é que está a olhar? – Perguntou o agente, virando-se para trás.

- Para nada – disse eu – Você estava a dizer que…

- Que tu tens que me dizer o que aconteceu naquele armazém e qual é a tua relação com a vítima.

- Eu não conheço… conhecia a vítima.

- Hum… e o que é que estavas a fazer ao pé do armazém?

- Um passeio.

- Às cinco da manhã?

- Eu sou uma pessoa matinal.

- Matinal o suficiente para matares o Sr. Connely antes de todas as outras pessoas acordarem?

Pela primeira vez em algum tempo senti-me assustada. Inclinei-me para a frente e pousei os braços sobre a mesa. Já tinha sido interrogada mil e uma vezes por polícias gordos, magros, rabugentos, felizes, mas sempre com acusações menores, tipo invasões de propriedade ou assim. Nunca fui contra uma acusação de homicídio.

- Não acredita mesmo que o matei, pois não? – Perguntei – Porque eu já disse que não tive nada a ver com isto…

- Olha, estava a tentar ser bonzinho mas tu tens que saber que não se sai assim de um crime – levantou-se bruscamente e bateu com a pasta com força na mesa. Engoli em seco. Sabia que era uma actuação, que no fundo até pode ser boa pessoa e que apenas agia assim para me intimidar e para apanhar o suspeito, mas eu não era o suspeito certo. E tudo bem, intimida-me – Nós temos-te na cena do crime! A arma do crime estava nas tuas mãos! Tudo o que nos falta é um motivo, e se tivermos sorte, não precisamos dele para te incriminar.

- Mas eu sou inocente! – Gritei.

- Bolas, este tipo é tramado – disse Frank, que estava encostado ao espelho, na parede por trás do agente.

Mandei-lhe outro olhar furioso e o agente voltou a olhar para o mesmo sítio que eu, é óbvio que não viu nada.

- A não ser que comeces a falar, vou pedir que te levem para a cela, onde vais esperar julgamento, e depois vais para a prisão. Deixa-me dizer-te, a prisão não é um sítio bonito onde queiras estar. Raparigas bonitas como tu raramente saem bem de um sítio assim.

- Não pode fazer isso. Não me pode prender, eu não fiz nada de mal! – Gritei, levantando-me também.

A porta abriu-se e entrou um homem que parecia ser da minha idade, tirando um ano ou pondo outro. Tinha o cabelo castanho, curto, e vestia também um fato. Este tinha a pinta que os agentes do FBI das séries televisivas têm. “Parece que hoje me calham os giraços todos”, pensei. É pena os motivos.

- Importas-te se falar com ela a sós? – Perguntou, para o outro agente.

- Fica à vontade – respondeu-lhe, com um ar aborrecido, enquanto saía e batia com a porta.

O agente lindo de cair para o lado sentou-se na cadeira à minha frente e observou-me por um momento. Aquela cara não me parecia lá muito desconhecida, mas não sei de onde me lembro dele.

- Posso tratá-la por “tu”? – Perguntou.

- Claro – disse-lhe.

- Como é que te chamas?

- Nikki Conrad – ele ficou a olhar para mim, ok, queria o nome real e não uma abreviatura – Nicole Conrad.

- Nicole, eu sou o agente especial Rick Fallon. Agora, tu estás a enfrentar uma grande acusação, tens a certeza que não há nada que me queiras contar?

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