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Pétalas de Rosas

por Andrusca ღ, em 17.10.10

Agora sim, vão ser feitas algumas descobertas.

Olhem que o título é enganador ;)

Beijinhos

 

Capítulo 17

Juntos ao Luar

 

Gwen já tinha regressado, mas ainda não nos tínhamos encontrado. Tem chovido a semana toda, com breves intervalos. Para Verónica não parar a chuva, então anda mesmo chateada comigo. Viva eu…

- Estás a ouvir ou não?! – Guinchou-me Darla aos ouvidos.

- O que foi?! – Gritei-lhe, também furiosa.

- Eu disse que não tinhas limpo bem o pó. Em frente à televisão ainda há um pouco – disse-me – E tem cuidado com o tom de voz, eu tenho idade para ser tua mãe!

- Mais para minha avó… - sussurrei, azeda.

- O quê?!

- Nada. Só disse que se não tive uma até agora, não preciso de nenhuma agora.

- Não sejas insolente Chloe, vá, limpa lá melhor aquilo.

Mandei-lhe o pano do pó para o colo – ela estava estendida no sofá enquanto eu limpava o móvel – e comecei a andar para as escadas.

- Se quiseres melhor limpo, limpa tu! – Disse-lhe. Já passei a parte de a tratar por você, já não há pachorra para aturar os dramas dela.

Subi as escadas e enfiei-me no quarto. Acho que a fase de chorar a toda a hora passou, e que agora vem a raiva.

Deitei-me na cama a ouvir música e fiquei quieta. Queria paz, sossego, e sobretudo estar sozinha. Mas então Dylan entrou de rompante no quarto. Virei-me para ele e tirei os fones dos ouvidos, e fiquei à espera que me dissesse alguma coisa, mas ele ficou quieto e a olhar.

- Então? – Incentivei.

- Nem vais adivinhar o que aconteceu! – Disse-me, num misto de choque com surpresa e tristeza.

- O quê?

Aproximou-se da cama e sentou-se, eu sentei-me também, de pernas cruzadas, e fiquei à espera.

- Os pais do Josh morreram – disse-me.

- Sim eu… eu já sabia, a Lisa contou-me.

- Porque é que não disseste nada?

- Eu meio que… esqueci-me.

- Bem… estás melhor? – Em resposta encolhi os ombros – Pois…

- Posso ficar sozinha? – Pedi.

- Ninguém quer ficar sozinho Chloe… mas por agora faço-te a vontade – e piscou-me o olho – Eu volto.

Levantou-se e saiu, fechando a porta.

Voltei a pôr os fones e a recostar-me. É óbvio que não me tinha esquecido da morte dos pais de Josh. Especialmente quando acho que foi ele quem os matou. Mas… o Josh que eu conheci, seria ele mesmo capaz de fazer uma monstruosidade dessas? Mas por outro lado, ele já não é o Josh que eu conheci há muito tempo…

É difícil imaginar Josh com aqueles olhos e dentes, claro que Derek também, mas Derek já vi, não tive que me limitar a imaginar. Acho que ver Josh com aqueles dentes enormes, branquíssimos e pontiagudos, e os olhos com os vasos sanguíneos vermelhos-vivos seria o cúmulo da minha má sorte. E espero sinceramente não ter que o ver novamente.

Mas não consigo deixar de ter este nó no estômago. É diferente de nos outros dias. O nó no estômago, a má disposição e as lágrimas por ter deixado Derek são diferentes desta sensação, apesar de cá continuarem.

Esta sensação “diz-me” que as coisas vão mudar, mas não consigo perceber a razão, ou mudar em que aspecto. É como se o aperto que tivesse no coração se alargasse, e agora abrangesse uma área muito maior que todo o meu corpo. Como se abrangesse tudo aquilo em que toco, em que penso, e que tudo isso está condenado. Só gostava de perceber porquê, e não perceber é muito frustrante, ou pior que isso.

Mas acho que não vou ter sorte em não voltar a ver Josh. Afinal, acho que já o vi, naquele dia, nas árvores ao pé da estrada. É ingénuo pensar que não era ele, mas é doloroso demais pensar que era.

Levantei-me e aproximei-me do computador portátil, em cima da secretária, entrando no Messenger em seguida. Sentei-me na cadeira enquanto ninguém metia conversa, e depois quando ia ver quem estava online, Lisa meteu conversa.

 

^^Lisa^^ diz:

Já foste ver a Gwen?

 

Chloe diz:

Não, porquê?

 

^^Lisa^^ diz:

Ela teve um acidente de carro, está no hospital. Não sabias?

 

Chloe diz:

Ela o quê?! Eu tenho que ir, adeus Lisa, obrigado por me teres dito.

 

Saí do Messenger e deixei o portátil ligado. Calcei umas botas pretas à pressa e agarrei no meu casaco roxo e corri escadas abaixo.

- Vais sair? – Perguntou Dylan, enquanto eu vestia o casaco ao pé da porta e agarrava nas chaves e as metia no bolso.

- Sim, vou ao hospital, a Gwen teve um acidente – respondi-lhe.

- O quê? Eu vou contigo…

- Não, fica com a Abby, senão ela enlouquece com a Darla. Eu telefono assim que souber alguma coisa.

- Boa sorte.

Saí e entrei para o carro. Conduzi o mais rápido que pude, aproveitando a pausa da chuva, e quando cheguei a meio do caminho apanhei uma fila horrenda. Tinha havido um pequeno acidente, e a polícia estava a mandar os carros darem a volta. “Só podem estar a gozar comigo…”, pensei.

Quando finalmente cheguei ao hospital, já estava a novamente a chover a potes. Molhei-me dos pés à cabeça de ir do estacionamento à entrada.

Entrei no hospital a correr e vi Gary e Verónica sentados da parte de fora dos quartos. O de Gwen era onde eles estavam, de certeza, assim não precisava de ir perguntar a uma enfermeira.

Eles olharam para mim e levantaram-se. Dirigi-me a eles com a passada apressada e parei poucos centímetros à frente de Gary.

- Como é que eu só estou a saber disto agora?!

- Não sabíamos se querias saber – disse ele.

- Ela é a minha melhor amiga e vem parar ao hospital! Como raios é que não ia querer saber?! Estás chateado comigo, tudo bem. Eu percebo isso. Mas ela é minha amiga e vocês não tinham o direito de esconder isto de mim!

Não esperei para ouvir a resposta e entrei pelo quarto de Gwen a dentro, sem sequer bater. A porta também estava aberta, logo ela já me devia ter ouvido aos berros. Aproximei-me da cama e ela olhou-me com cautela.

- Como é que te sentes? – Perguntei, muito mais calma do que quando há segundos atrás tinha gritado com Gary.

- Dorida, mas estou bem – respondeu-me, sorrindo-me em seguida.

- Foi um acidente de carro – disse Verónica, atrás de mim –, perdeu o controlo do carro mas deve ficar bem.

- Vai ter alta logo à tarde – disse Gary.

Não sei porquê, mas Gwen não parecia concordar com o que eles me tinham dito.

- Posso falar com a Chloe a sós? – Pediu.

Eles consentiram e saíram do quarto, fechando a porta em seguida.

- O que foi? – Perguntei – Porque é que eles não podiam ouvir? É que mesmo lá fora eles ouvem…

- Mas não interrompem. Eu já lhes disse, mas eles disseram que era do stress e que eu devia ter alucinado. Não foi um acidente normal, eu não perdi o controlo do carro.

- O quê? Gwen, estás-me a assustar.

- Foi o Josh.

O Josh? Então eu não ando a alucinar, nem maluca, nem paranóica. Então ele está mesmo cá. E isto só prova o que mais medo tinha: ele matou os próprios pais. Não sei como só prova, mas na minha cabeça faz todo o sentido. E agora está de volta a Great Falls.

É oficial, não dá para negar mais. Josh está aqui por uma razão, e seja ela qual for, é bom que seja descoberta rápido.

- Ele causou o acidente? Porquê?! – Ela fez uma careta ao perceber que eu não estava surpreendida por ter falado de Josh.

- Ele voltou. E ele tem o Derek.

- O quê? Não Gwen… o Derek foi embora, e o Josh não o ia agarrar, o Derek é muito mais forte, e o Josh é… - Raios, por favor que ela responda “sim” a esta pergunta, e eu dou-me por realizada – O Josh ainda é humano?

Ela abanou a cabeça, confirmando os meus medos. Isso faz sentido. Como eu o vi num momento e no outro já não. Como ele desapareceu misteriosamente do mapa. Já tinha pensado em tudo isso mas acho que a negação era mais forte.

- Ele disse-me para te dar uma mensagem – continuou Gwen.

- O quê?

- Ele disse: juntos ao luar. Significa alguma coisa para ti?

- Sim… significa – não acredito que ainda me lembro do significado dessa estúpida frase.

- Ele tem o Derek, não podes desistir. Não vais desistir, vais?

Fiquei sem falar durante um bocado enquanto mergulhava em memórias.

Há uns meses atrás, enquanto ainda namorava com Josh, fomos ao Giant Springs Park, já de noite. Lembro-me de nos sentarmos e de Josh me dizer “Aconteça o que acontecer, sempre que nos chatearmos, vamo-nos sempre encontrar aqui, juntos ao luar”.

- Chloe… estás aí? – Gwen balançava a mão nos meus olhos, até que eu finalmente saí do mundo das memórias e regressei ao real.

- Sim, estou aqui. Gwen… eu vou-te fazer uma pergunta muito importante, e vais ter que responder seriamente, ok?

Não sei que ideia tenho, mas esta pergunta é mesmo muito importante. Mas também não sei se quero ouvir a resposta.

- Diz.

- Ias a caminho da tua casa, saída da casa dos Thompson?

- Sim… como é que sabias?

Gelei completamente e puxei a cadeira para me sentar ao lado dela. Engoli em seco. Não pode ser… pode?

- E o carro à frente do teu… era um Seat preto?

- Sim…

- Lembras-te da matrícula?

- O quê? Acho que não… qualquer coisa com um “I” e talvez um “Y” para o meio… e acho que acabava em “T”. Porque é que me estás a perguntar isso?

- IG UYFGT – murmurei.

- Sim, acho que era isso. Chloe, estou a falar a sério, como é que soubeste isso?

- Eu acho que sonhei com o futuro…

Será que é mesmo possível? Será possível prever o futuro? E como é que sei que foi mesmo isso que aconteceu? Todo este tempo a dizer que vampiros eram anormais e agora a aberração sou eu. Mas que raio?! Como é que posso sonhar com uma coisa que ainda nem aconteceu?!

- Chloe! – Gritou Gwen – Que queres dizer com que achas que sonhaste com isto? Sonhaste comigo a ter um acidente?

- Não exactamente… era eu no carro… e não foi a primeira vez.

- O que queres dizer?

- Tu sabes que eu costumo ter montes de pesadelos como… eu lembro-me de sonhar com vampiros a matarem-me antes de o meu pai ser morto por um… ou quando o Derek foi raptado e eu tinha sonhado com a casa… ou antes de deixar Derek, sonhei com ele a chorar, a dizer que eu tinha morrido…

- Mas tu não morreste, deixaste-o.

- Exacto. Quando uma pessoa morre, deixa-nos. Foi isso que lhe fiz. Os sonhos não são claros, é como se estivessem em código…

- Ok, isso ultrapassa o nível que esquisitice que aguento por um dia.

- Nem me digas nada…

- Mas mete isso de lado um bocadinho e responde-me a uma coisa: o que é que vais fazer com o Josh?

- O que queres dizer? Se ele é um vampiro, não há muito que possa fazer, ou nada sequer.

- Chloe… - e fez-me aqueles olhos de “eu conheço-te, tu não me enganas”.

- O que foi?

- É o Derek. E podes enganar toda a gente, mas não a mim. Eu sei que o amas. Que sempre amaste. Por isso por favor, já foste tão forte até agora, não desistas. Não ainda. É o Derek.

- Obrigado Gwen – inclinei-me e dei-lhe um beijo na testa, levantando-me. Dirigi-me a porta e mal a abri, voltei-me de novo para ela – Melhora depressa.

- Onde é que vais? – Gritou-me.

- Fazer qualquer coisa para mudar tudo! – Gritei-lhe, do corredor.

Corri até à saída, mas mal saí, Verónica e Gary esbarraram-me o caminho.

- Sabes que ela bateu com a cabeça, certo? – Perguntou Gary.

- Eu acredito nela – disse-lhe, sem pestanejar duas vezes.

- Vais perder o teu tempo, nós não sentimos cheiro nenhum – disse Verónica.

- Então não têm nada com que se preocupar.

Contornei-os e dirigi-me ao carro, por baixo de chuva. Desatei a acelerar até casa dos Thompson. Tinha que aproveitar que eles estavam no hospital para ver se tinha razão sobre uma coisa.

Ao fazer o caminho até à casa dos Thompson as lágrimas começaram a apertar. Raios!

A raiva estava agora a dar lugar à tristeza de novo. Ao conduzir por esta estrada deserta, memórias e flashbacks apareciam na minha mente. Não é justo o que me fizeram, e sinceramente, espero muito estar errada sobre o que penso.

Não sei se tenho razão, mas esta é uma daquelas coisas que tenho mesmo que perguntar. Se for verdade… se for verdade posso estar a perder um amigo. E se não for, bem, pelo menos fico aliviada.

Estacionei fora do portão, como sempre fiz, e toquei à campainha. Em vez de a abrir, Scott aterrou de pés à minha frente, assustando-me.

- Desculpa – disse-me, sorrindo – Tudo bem?

Por algumas razões, ainda bem que ele não me deixou entrar, acho que desataria a chorar desalmadamente e não conseguiria dizer o que queria, e depois não iria descobrir nada. Mas agora não está na hora de ser fraca, Derek agora precisa de mim. Agora tenho que ser mais forte que nunca, porque estou sozinha.

Mantive a cara implacável, e quando a voz saiu, saiu dura e chateada.

- Porque é que me mentiste? – Perguntei-lhe.

- O quê? – Perguntou, fazendo-se de desentendido.

- Sabes… quase que não descobri. Pouco depois de saber que tinhas sido transformado, quando conversámos nos degraus da entrada da escola… tu disseste-me que sabias que eu odiava vampiros… - a cara dele perdeu o sorriso num instante – mas eu nunca te tinha dito isso, nem os Thompson. Então, Scott, quem é que te disse?

- Não é o que pensas.

- Foi a Charlotte? Oh espera, não. Foi o Josh. Sabes, é interessantes teres aparecido pouco antes de eu ter que mandar Derek embora, e a Charlotte se ter ido embora com tanta facilidade. Porque ela sabia que ia ser bem informada.

- Chloe, eu lamento imenso…

- Porque é que eles têm o Derek? – Perguntei, ignorando o comentário dele.

- Não sei.

- Scott, porque é que eles têm o Derek?! – Gritei.

- Não sei, ok?!

- Não! Não está tudo bem! Seu filho da mãe, mentiste-me este tempo todo, confortaste-me e fingiste ser meu amigo! Como é que ainda tens coragem de me dizer que não sabes?!

- Eu não te conhecia! Não sabia que ias sofrer assim tanto, juro! Eu pensei… pensei que isso te passasse depressa…

- E isso mudou o quê?! Hã?! Porque eu continuei a chorar dia após dia, e tu continuaste a mentir. Scott, porque é que eles têm o Derek?!

- Eu juro que não te queria magoar. Não te queria destruir a vida. Não sabia no que me estava a meter, e só soube depois de ser transformado, de acordar sem saber o que era, e descobrir que era um monstro. O Josh disse-me que me podia fazer voltar a ser humano se o ajudasse.

- E caíste nessa?

- Agora sei que era uma mentira mas… desculpa.

- Desculpa?! Desculpas não servem para nada! Eu quero saber tudo o que sabes.

- Mas…

- Scott – baixei o tom de voz e olhei-lhe directamente para os olhos – Eles fizeram com que acabasse com o Derek e ficasse miserável. Se ele está em perigo por minha causa, eu quero saber o que posso fazer para ajudar. E isto também é culpa tua. Por isso é bom que comeces a desembuchar.

- Sei que o Josh planeia matá-lo, mas não sei a parte da Charlotte. Juro, é tudo o que sei.

- O Derek nunca se deixaria matar assim…

- Deixaria… se não tivesse motivos por que viver. O Josh apanhou-o na noite em que acabaste com ele, eu vi… mas não sei onde o mantém aprisionado.

- Eu sei… - virei costas e comecei a dirigir-me para o carro.

- Chloe, não faças nada estúpido – disse, agarrando-me no braço.

Desviei o braço da sua mão e voltei-me de novo para ele.

- É o Derek, e por ele faço tudo, e nem te atrevas a tentar impedir-me.

- Não vou tentar. Mas não podes ir sozinha. Eu ajudei a criar esta confusão por isso… deixa-me ir contigo.

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