Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

O Véu entre Mundos

por Andrusca ღ, em 09.09.11

"Depois de comermos, ofereci-me para lavar a loiça enquanto Eleanor regressou às arrumações na garagem, e foi aí que Albert voltou a aparecer.

- Não é bom – afirmou-me. Engoli em seco. Não que não esperasse uma má notícia, já esperava. Mas isso não quer dizer que estivesse preparada para receber uma confirmação – Está a ser mantido preso numa cave, longe."

 

Capítulo 6 (parte 2)

Presos em Nenhures

 

 

- Leva-me lá – pedi. Ele assentiu com a cabeça e eu corri até à garagem, pondo a cabeça por dentro, para ver Eleanor – Eleanor, tenho que ir, desculpa. Eu volto depois para te ajudar, está bem? Aconteceu uma coisa.

- Claro querida, mas aconteceu alguma coisa? – Perguntou ela, já preocupada.

- Não te preocupes. Adeus.

Atravessei a rua e meti-me no meu carro. Disse a Albert para entrar, e ele passou directamente pela porta e acomodou-se no banco do pendura, de onde me ia dando direcções. Ao fim de quase duas horas a conduzir, comecei a avistar uma floresta. As árvores abanavam, os ramos faziam barulho ao embaterem uns nos outros, e o vento fazia-se soar alto e claramente. “Vai definitivamente nevar”, pensei.

Continuei a conduzir até Albert me dizer para parar, afirmando em seguida que o resto do caminho iria ter que ser feito a pé. Perfeito, eu, gelada, a andar por uma floresta com o meu horrível sentido de orientação. Segui Albert, e ao longe comecei a avistar uma pequena fazenda, que aos poucos foi ficando maior, à medida que me aproximava. Escondi-me atrás de uns arbustos, e vi um pequeno floco de neve pousar graciosamente sobre eles. “Simplesmente perfeito”, lastimei. Fechei mais o fecho do casaco e olhei para Albert, que me assentiu a confirmar que era aqui que Rick estava. Era hora de telefonar ao Marty. Tirei o meu telemóvel da algibeira do casaco, e no preciso momento em que ia pôr a chamar para ele, ouvi um pequeno estalinho atrás de mim e gelei por completo – se é que ainda era possível gelar mais. Engoli em seco e virei-me lentamente, para observar um homem de cabelos e barbas ruivas, bem agasalhado, também com um gorro na cabeça, e que me apontava uma espingarda.

- Dá-me o telemóvel – ordenou – E põe as mãos para cima.

Voltei a engolir em seco e quando olhei para o lado Albert tinha desaparecido. Eles abandonam-me sempre quando a coisa fica feia. Sempre.

- Oh, desculpe… não é a casa do Johnny? – Tentei disfarçar, sorrindo também – Lamento, acho que ele me deu o endereço errado. De qualquer maneira… eu vou embora, e…

- Não estou a brincar! – Gritou-me.

- Por favor não dispares – pedi, baixo. Nunca me iria habituar a estas situações. Armas apontadas a mim, criminosos a dar-me ordens… nunca perderia o medo que sinto cada vez que vejo um deles fazer um movimento. Mas claro que tento não o mostrar. Tento ignorá-lo. Mas ainda cá está. Eu sei o que são capazes de fazer. Eu vejo as vítimas. Vejo-as como mais ninguém consegue.

- Telemóvel – exigiu. Respirei fundo e mandei-lhe o telemóvel – Anda. E nada de te armares em espertinha, a não ser que queiras acabar como comida para os porcos.

O homem com o aspecto de lenhador conduziu-me até um alçapão atrás da fazenda, e deu-me a chave para destrancar o cadeado que o fechava, fazendo-me entrar para lá logo em seguida, deixando bem claro que se tentasse qualquer coisa não pensaria duas vezes em premir aquele gatilho. E a pior parte é que nem sequer consegui pedir ajuda.

Desci as poucas escadas de madeira e suspirei, observando o sítio em que me encontrava. Era frio, quase tão frio como aquele que se sentia na rua, ainda por cima agora com a neve.

- Que raios é que estás aqui a fazer? – Ouvi, assustando-me e dando um pulo. Olhei para o lado e vi Rick, com uma cara sem paciência, como ultimamente me tratava.

- A tentar salvar-te, seu idiota – reclamei – Escusas de me falar nesse tom.

Na verdade o nosso “relacionamento” já conheceu melhores dias. Ele tem estado a armar-se em parvo comigo, e não tenho qualquer ideia porquê.

- Pois, bom trabalho – revirou os olhos e olhou para o lado.

- Desculpa?! O que é que tens Rick? Tens agido com um estúpido para mim – reclamei.

- Tu não me estás a salvar, não és polícia! – Gritou-me – Por isso pára de tentar ser algo que não és.

- Ei, tu é que me pediste ajuda nos teus casos, idiota! Posso não ser uma polícia, mas fui a única que te conseguiu encontrar!

- Então pára de procurar!

- És tão idiota – bufei e abanei a cabeça – Isto não tinha acontecido se não tivesses feito uma investigação sozinho, sabes? É culpa tua Rick, por isso pára de agir como se eu fosse a culpada de tudo. Só estava a tentar ajudar.

- Então pára de ajudar – murmurou.

- Tudo bem, da próxima vez deixo-te morrer – murmurei – Raios, tenho que ir a uma casa de banho urgentemente.

- Ali – respondeu, com a voz azeda, enquanto apontava com o polegar para uma sanita que estava um pouco afastada de nós – Prometo que não olho.

- Oh Deus… - murmurei.

 

Sei que é mini mini, e peço-vos mil desculpas, mas por hoje e amanhã vai ter que chegar, que amanhã não vou parar dois segundos em casa...

See you on sunday :p

8 comentários

Comentar post