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O Véu entre Mundos

por Andrusca ღ, em 11.09.11

"- És tão idiota – bufei e abanei a cabeça – Isto não tinha acontecido se não tivesses feito uma investigação sozinho, sabes? É culpa tua Rick, por isso pára de agir como se eu fosse a culpada de tudo. Só estava a tentar ajudar.

- Então pára de ajudar – murmurou.

- Tudo bem, da próxima vez deixo-te morrer – murmurei – Raios, tenho que ir a uma casa de banho urgentemente.

- Ali – respondeu, com a voz azeda, enquanto apontava com o polegar para uma sanita que estava um pouco afastada de nós – Prometo que não olho.

- Oh Deus… - murmurei."

 

Capítulo 6 (parte 3)

Presos em Nenhures

 

Dirigi-me à sanita e puxei a estreita cortina, que era tudo o que me dividia de Rick. Simplesmente perfeito. Este dia não podia piorar. Nem sequer sei como é que consegui fazer o que tinha a fazer.

Quando voltei a puxar a cortina, Rick estava sentado no chão, encostado à parede, e eu fui-me sentar ao pé dele, sem nunca um de nós pronunciar uma palavra sequer.

- Desculpa – estava tão absorta nos meus pensamentos que me assustei quando ouvi a voz do pai de Rick, vinda do nada, e dei um pulo. Rick ficou a olhar para mim como se fosse uma louca – Assustei-me. Não estou acostumado a sair da casa.

- Deixa-me adivinhar, um dos teus amigos está aqui – resmungou Rick.

- Ele não parece estar de bom humor – murmurou Albert.

- E não está – concordei, ignorando Rick por completo.

- Quem é desta vez? O habitual Frank? – Perguntou Rick.

- O meu Deus! Podes parar de agir dessa maneira?! – Gritei-lhe – Mas que raio é que te fiz?!

- Oh, desculpa, agora não posso dizer nada – resmungou.

- Diz-lhe que eu disse para ele parar de ser um parvo Nikki – pediu Albert, enquanto olhava para o filho – Diz-lhe que não sabe a sorte que tem, devia tratar-te bem, porque és uma boa rapariga para ele.

Não consegui evitar rir.

- Pois, não lhe vou dizer isso Albert, desculpa – disse-lhe, apenas apercebendo-me depois que tinha dito o seu nome. E é claro que Rick olhava para mim como se já tivesse percebido com quem falava. E tinha. – Rick…

- É o meu pai? – Perguntou-me.

- Sim… ele trouxe-me cá – respondi – Sei que te devia ter dito antes mas… desculpa.

- O que é que ele disse? – Insistiu Rick.

- Hum… ele ama-te, e está arrependido por te ter batido antes de ter morrido… - expliquei – E admitiu que até tinhas razão, ele estava a ser egoísta.

- Sim… e a coisa que não me ias contar?

- Não vou contar na mesma. Nós temos que sair daqui Rick, está a começar a escurecer.

- Eu posso destrancar a porta – ofereceu-se Albert –, tenho treinado.

- Isso seria fantástico. E também nos podias dizer onde o tipo está e quando podemos fugir – continuei eu – Soa como um plano.

Expliquei tudo a Rick e agimos como planeado. Assim que Albert destrancou a porta do alçapão, nós saímos e começámos a correr em direcção ao bosque, já sobre um manto branco de neve. E ela continuava a cair e a cair. Perdi Albert de vista, provavelmente voltou para casa, ou algo do género, mas Rick e eu continuámos a correr e só abrandámos quando já não conseguíamos mais.

Começámos a andar, mas estava tão frio. Já não conseguia sentir a ponta de nariz quando o meu corpo começou a tremer mais do que era suposto. E Rick também estava com frio, notava-se. Estava todo encolhido, tal como eu.

- Tenho frio – queixei-me, com a voz a tremer.

- Vamos abrigar-nos, tentar aquecer-nos um pouco – opinou, também com a voz tremida.

Assenti com a cabeça e assim que encontrámos um pedacinho de espaço mais escondido, entre três pedras grandes, sentámo-nos encostados a elas. Estava tão frio. Mas se acendêssemos uma fogueira então aquele homem podia encontrar-nos facilmente, e isso seria simplesmente terrível.

- Chega aqui – disse Rick, puxando-me para me encaixar no meio das suas pernas. Nem senti qualquer vontade de reclamar. Estava gelada, e o calor do seu corpo sabia-me bem. Pus-me para trás e encostei as minhas costas ao seu peito, enquanto tremia por todos os lados - Desculpa ter sido tão estúpido – disse ele, cortando o silêncio. Arrepiei-me e encolhi-me mais, e senti-o a apertar-me um pouco mais.

- Pois sim, só dizes isso porque estamos no meio do nada, já anoiteceu, e o mais provável é morrermos congelados – tentei brincar, mas saiu um pouco para o torto – Se eu morrer, não ias querer saber que me fui chateada contigo.

- Não, Nikki, a sério. Na semana passada… tu magoaste-te.

Voltei a cabeça e olhei para ele, dando com os seus olhos a observar-me.

- Foi só um corte Rick – murmurei.

- Eu sei mas… podia ter sido bastante pior. Eu levo-te às cenas dos crimes, até que és apanhada no meio de tudo. Foi um corte porque o Marty chegou a tempo. Continuo a esquecer-me que não és treinada, que não és indestrutível. É que… tens sempre tanta certeza sobre tudo – sorri – Às vezes esqueço-me que também és humana.

- Eu sabia no que me estava a meter, não tens que te sentir culpado – afirmei – Foi culpa minha, não tive cuidado. Eu gosto de vos ajudar nos vossos casos, às vezes é o ponto alto da minha semana. Eu sei que não sou polícia mas… sinto que ajudo, sabes?

- E ajudas. Desculpa.

- Não faz mal. – Sorri de novo, e depois suspirei – Ei Rick, ainda queres saber o que o teu pai me pediu para te dizer quando estávamos na cave?

- O quê?

- Que tu devias parar de ser um parvo porque eu era uma boa miúda…

- E és – murmurou.

- Sim. Ele disse “para ele”. Disse “porque tu és uma boa miúda para ele”.

Senti Rick a rir-se contra o meu corpo.

- Nem morto ele pára de ser casamenteiro, hã?

- Pois, há pessoas assim. – Comecei a ouvir um ruído ao longe, mas a aproximar-se cada vez mais. Pareciam pessoas. Várias pessoas – Rick, estás a ouvir?

- O quê? – Perguntou.

Desencostei-me dele e pus-me de joelhos voltada para a pedra, para espreitar. Via luzes ao fundo. Será que era?

- Fallon! – Ouvi. Reconheci a voz imediatamente.

- Oh, graças a Deus – murmurei – Marty! – Gritei – Estamos aqui!

Rick e eu levantámo-nos e em poucos segundos fomos rodeados de polícias, que, miraculosamente, tinham agasalhos. Parece que o pai do Rick arranjou uma maneira de avisar Marty que ele estava em perigo, e com uma pequena ajuda dos helicópteros, a equipa chegou aqui num instante. Eu estava simplesmente feliz por tudo ter acabado, e só queria ir para casa, beber uma boa chávena de chá bem quentinho, meter-me no meu pijama de Inverno e enfiar-me dentro dos lençóis, bem aconchegada na minha cama.

 

Pessoal, vou deixar um post a seguir que gostava que vissem...

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