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Pétalas de Rosas

por Andrusca ღ, em 18.10.10

Este não é dos melhores capítulos :s

Beijinhos

 

Capítulo 18

Tudo por Tudo

 

Scott convenceu-me a deixá-lo ir comigo, mas antes ia precisar de algumas coisas. Ainda não sei se confio nele, agora é complicado, mas se está a querer redimir-se, assim é uma boa maneira.

Fui direita a casa, já estava a anoitecer.

Entrei e fui directa ao quarto. Não havia tempo a perder. Descalcei as botas e procurei pelos ténis dentro do armário. Despi a blusa e as calças que tinha vestido, e vesti umas calças de ganga já não tão justas, que me deixavam mexer melhor, e também uma blusa roxa escura, de manga comprida. Calcei os ténis pretos e roxos e fiz um rabo-de-cavalo. Ajeitei o meu colar, que entretanto já estava torto de tirar e pôr blusas.

Peguei numa mochila preta e esvaziei-a. Saí a correr, mas antes de chegar à porta Darla interceptou-me, pondo-se mesmo em frente.

- Onde é que pensas que vais? São horas de jantar – disse-me.

- Eu não demoro – contornei-a, abri a porta e saí.

Mas quem é que ela pensa que eu sou? É que se pensa que manda em mim está muito enganada.

Meti-me no carro e conduzi até à igreja. Ao entrar, não agarrei bem a porta e ela fez um estrondo enorme ao fechar-se.

- Não te vais benzer? – Perguntou a voz rouca do padre, por trás de mim. Dei um pulo ao ouvi-lo, não estava à espera. Virei-me para ele e benzi-me.

- Desculpa padre, já faz um bom tempo desde que cá vim… - disse eu.

- E como podes ver – levantou o braço e começou a passar por ele de modo a mostrar-me a igreja, completamente vazia – nada mudou.

- Pois…

- Então, Chloe Simms, o que é que te trás aqui a esta hora, minha filha?

- Eu preciso de água benta.

A expressão dele mudou. Não estava a gostar muito da conversa. Na volta acha que estou a gozar com ele, perfeito.

- Que conversa é essa? – Perguntou-me, a torcer o nariz.

- Só… - eu não posso mentir para um padre, eles são como detectores de mentiras… credo – eu não posso contar porquê, mas preciso mesmo de água benta.

- Anda, vamo-nos sentar aqui…

Começou a andar em direcção a um daqueles bancos compridos de madeira e super desconfortáveis e sentou-se, fazendo-me sinal para me sentar também, reforçando o que tinha dito.

Sentei-me ao lado dele.

- Agora, porque é que não me dizes o que vai nessa cabecinha? – Oh não…

- Porque prometi a uma pessoa – murmurei – Eu não posso contar um segredo de outra pessoa, ela confiou em mim.

- Hum… percebo a tua posição… mas posso confiar que nada de mal está a acontecer?

- Pode confiar – disse, fazendo figas por trás das costas.

- Muito bem. Nesse caso fazemos um acordo.

- Que tipo de acordo?

- Tu confessas-te, e eu dou-te toda a água benta que quiseres.

- Só isso?

- Só isso.

- Ok, combinado. Quando é que quer que cá venha?

- Não, não, não. Eu não te dou a água benta sem antes de confessares.

Respirei fundo, derrotada. Se fosse mesmo um caso de vida ou de morte – o que espero que não seja – este padre não facilitava nada.

- Estou livre agora – disse-lhe.

- Então vem minha filha.

Ele levantou-se e dirigiu-se à “câmara dos segredos”, como eu chamo ao sítio para onde eles entram para as pessoas se confessarem.

Respirei fundo uma outra vez e segui-o. Ele entrou e eu fiquei do lado de fora, sentada numa cadeira.

- Bem-vinda à casa de Deus – disse-me ele.

- Obrigado – respondi.

- Agora, conta-me os teus pecados, sabendo já que Deus não te irá julgar ou punir de modo algum. Irá apenas admirar a tua coragem ao admitires os teus erros e perdoar.

- Hum… ok… eu… eu não sei bem o que dizer.

- Fala de coração Chloe. Conta-nos o que fizeste durante os últimos cinco anos, em que não te vi uma única vez aqui.

Ok, agora está-me só a fazer sentir mal. Malvado do padre.

- Ok – vou dizer o que ele quer ouvir – Querido Deus, eu pequei. Desculpa por não te ter vindo visitar mais vezes, e por não ter rezado ou falado contigo nestes últimos anos – esta é a parte mais ridícula de sempre, mas o padre gosta de ouvir.

- Que mais? – Perguntou.

- Eu… - credo, não é como se o padre fosse dizer a alguém, por isso porque não? – Eu menti a uma pessoa de quem gosto muito porque… eu pensava que a estava a proteger e deu tudo para o torto…

- E?

- E para mentir a essa pessoa, tive que mentir a muitas outras. Eu fui fraca, cedi. Mas estou a tentar mudar isso. Já não quero ser fraca. Agora quero lutar pelo que me pertence. Por isso… eu peço que me dês forças para conseguir ultrapassar isto tudo e para que tudo corra bem.

- Mais alguma coisa?

- Não… só a água benta.

Consegui ouvi-lo a abafar um riso.

- Isto não foi bem uma confissão Chloe…

- Eu sei que estou destreinada mas… ok, se me der a água benta já eu venho cá todos sábados durante um mês para ajudar no voluntariado.

- Quatro meses.

- Dois e meio.

- Combinado.

- Perfeito – ia-me levantar quando ele fez um barulho para clarear a garganta, que obviamente era para eu não me levantar ainda.

- Falta uma coisa. Não queres mesmo dizer mais nada?

- Ámen?

- Exacto. Vamos.

Ele saiu da “câmara dos segredos” e entrou para o escritório dele, enquanto eu fiquei sentada nos bancos compridos, à espera. Voltou quase cinco minutos depois com duas garrafas médias cheias de água.

- Tem a certeza que isso é água benta? É que parece mesmo que foram acabadinhas de comprar na mercearia… - disse eu.

- Foram acabadinhas de benzer agora mesmo.

- E funcionam?

- É água benta Chloe, não sei o que esperas que faça…

- Pois, muito obrigado – praticamente tirei-lhe as garrafas da mão e dirigi-me à porta.

- Vejo-te no próximo sábado!

- Combinado! Obrigado! – Gritei-lhe, sem me virar.

Saí da igreja e conduzi até casa. Os meus irmãos e Darla estavam a comer esparguete à bolonhesa, mas eu não tinha tempo para isso.

- É mana, pareces uma mulher numa missão – disse Dylan, por me ver de cabelo apanhado e mala apenas num ombro.

- Sim – disse-lhe, enquanto pousava a mala no chão.

- Não comes? – Perguntou Abby.

- Como uma sandes, tenho que me despachar – respondi, enquanto tirava pão, queijo e fiambre.

Fiz a sandes e comi-a juntamente com um copo de leite frio. Não tinha tempo para muito mais. Praticamente que corri para o quarto e mandei a mala para cima da cama.

Esperei impacientemente e andei de um lado para o outro. Telefonei a Scott umas doze vezes, e já me estava a fartar quando ele me tocou no ombro, assustando-me.

- Trouxeste o que te pedi? – Perguntei, sem rodeios.

Ele abriu o saco de plástico que trazia na mão e vi várias seringas pequenas, do hospital, lá dentro.

- Perfeito – disse-lhe.

Enchemos as seringas com água benta para o caso de precisarmos. A água benta funciona como uma droga para os vampiros, impossibilitando-os de mexerem-se ou até falar. É claro que não é duradouro, mas é melhor que nada. Além disso os vampiros não a conseguem cheirar (nem eu, é água…) e são apanhados desprevenidos.

Depois Scott saiu por onde entrou, a janela, e foi à casa dos Thompson mudar de roupa. Eu desci as escadas e vi Darla estendida no sofá, e Abby a levar-lhe um gelado. Era bem feito que lhe desse uma indigestão.

- Morando e Baunilha?! – Gritou Darla, histérica – Tu achas que eu como disto? Eu pedi Pistácio e Stracietela!

- Não temos esses – disse Abby.

- Então vai comprar pirralha, para que é que queres as perninhas?

- Ok, isto acaba hoje – murmurei eu.

Voltei a subir as escadas e entrei no quarto de hóspedes. Peguei nas malas de Darla e pus as roupas dela todas lá para dentro, ao calhas. Fui à casa de banho e guardei também os seus mil e quinhentos cremes. Demorou menos de dez minutos, e a mala quase que não fechava.

Desci as escadas e pousei as malas à mala; Darla estava esticada no sofá, não me viu passar por trás.

Deixei lá as malas e caminhei até ao pé do sofá, onde Abby ainda estava a fazer Darla perceber que ou comia daquele gelado ou não comia nenhuma. Agora é que já não come mesmo nenhum.

Dylan entrou nesse momento, vindo da cozinha, e ficou a olhar para Abby e Darla, como eu.

- Darla – disse-lhe eu.

Ela olhou para mim e eu pus-me à frente dela.

- Sim, querida? – Perguntou.

- Sai da minha casa imediatamente – pronunciei, sem qualquer falha e com a voz implacável.

A expressão que ela tinha – de sorriso falso e felicidade mentirosa – alterou-se e ficou séria. Levantou-se e pôs-me à minha frente, como se me quisesse intimidar. Esta mulher é mesmo uma anedota.

- Tu não me podes expulsar – disse-me.

- Já expulsei. As malas estão à porta. Sai.

Sentia os olhos de Abby e Dylan em nós. E quase de certeza que estavam com uma vontade de rir enorme.

- Esta casa não é tua Chloe, é da tua mãe. E ela disse que eu podia ficar, por isso vou ficar – disse, com um tom autoritário.

- É aí que te enganas. A casa é minha. Sou eu que a pago, por isso é minha – tecnicamente, se pensarmos assim, é de Derek, mas há coisas que não é preciso dizer em voz alta.

- Chloe, querida, tu sabes que eu vos adoro, e nunca vos faria uma coisa destas e…

- Por favor! Darla, eu juro que se não saíres agora mesmo, te corro daqui ao pontapé.

- Mas…

- Rua!

Ela baixou a cabeça e caminhou até à porta.

- Um dia vais-te arrepender disto – disse-me, antes de sair, e em seguida bateu com a porta.

- Sim, já estou a tremer – murmurei.

- Fizeste mesmo isto, ou estou a sonhar? – Perguntou Abby, estupefacta.

- Fiz – disse-lhe, sorrindo – Anda cá.

Puxei-a pela mão até ao sofá, onde nos sentámos, e fiz sinal a Dylan para que também se sentasse. Eu fiquei no meio e agarrei numa mão de cada um dos meus irmãos.

- Eu preciso de sair – disse-lhes –, mas antes queria pedir-vos desculpas sobre como tenho agido nos últimos dias, semanas.

- Nós sabemos que não andas bem – disse Dylan.

- Eu sei, mas mesmo assim.

- Onde é que vais? – Perguntou Abby.

- Não posso dizer.

- Tem a ver com vampiros? É por isso que tinhas a mochila e estás com uma roupa prática? – Perguntou Dylan.

- Eu fiz asneira, e agora tenho que remediar tudo – disse-lhes.

- Estás a falar do Derek, não estás? – Ao ouvir Abby dizer o nome dele veio-me um ardor ao coração. Só espero não ser tarde demais… para nada.

- Estou – respondi – Ele está com problemas, e eu vou ter que o ir ajudar, ok?

- Eu vou contigo – disse logo Dylan.

- Não, não podes. Eu preciso que fiques com a Abby…

- Chloe tu… tu não vais numa missão suicida qualquer, pois não? – Pude ver o medo dele ao pronunciar isto. Espero mesmo que não…

- Eu quis dizer que precisava que ficasses com ela agora.

- Ah, ok. Por momentos assustaste-me – disse, com alívio.

- Mas Chloe… depois de amanhã é dia de Natal, vais estar aqui, não vais? – Implorou Abby.

- Acho que sim – disse-lhe –, mas agora tenho mesmo que ir.

- Vais sozinha? – Perguntou-me o meu irmão.

- Não, o Scott vai comigo.

- Um vampiro… há mesmo problemas.

Não lhe respondi. Dei um beijo na testa de Abby, um abraço e um beijo a Dylan e levantei-me. Corri escadas acima e pus a mochila às costas. Guardei o telemóvel no bolso das calças e voltei a descer as escadas.

Os meus irmãos estavam em pé, ao pé da porta, e tinham uma cara que parecia que iam para um velório.

- Promete-me que ficas bem – implorou Abby.

Dei-lhe um abraço muito apertado.

- Vamos todos ficar bem – sussurrei-lhe, ao ouvido.

Dylan também me abraçou, e depois de ouvir a buzinadela vinda da rua, saí e dirigi-me ao carro de Scott, um Fiat cinzento.

Entrei e pus o cinto.

- Para onde vamos? – Perguntou-me.

- Giant Springs Park.

Ele olhou-me e franziu o sobrolho.

- Tens a certeza que é aí? É que…

- É aí. Tenho a certeza.

Ele desatou a acelerar, mas quando estávamos quase a chegar diminuiu a velocidade. Deve ter visto que eu estava horrorizada…

- Queres mesmo fazer isto? – Perguntou-me, com o carro a menos de vinte quilómetros por hora.

- Sim – tentei que a minha voz soasse firme, mas não resultou lá muito bem, e ele notou o meu nervosismo.

- Tens a certeza? Se quiseres eu vou sozinho e…

- Não! Eu meti o Derek nisto, vou tirá-lo, é só que… depois do que lhe disse… e se ele me odiar?

- Ele nunca te poderia odiar Chloe. Ninguém consegue. Tu tens essa maneira especial de atrair as pessoas e pô-las à vontade…

- Pois, de alguma maneira isso não funcionou com a Charlotte.

- Vai correr tudo bem, vais ver.

Nem dei por ele parar o carro, de tão devagar que vínhamos.

Saímos do carro e começámos a caminhar para o parque. Andámos e andámos, e Scott não pronunciava uma única palavra.

- Não o cheiras? – Perguntei. Ok, isto é uma pergunta muito estranha…

- Sim… mas é vago… como se ele estivesse aqui mas não estivesse… percebes?

- Não, nada mesmo.

Ele sorriu.

- Espera – pôs a mão à minha frente e começou a andar.

Parou poucos metros à minha frente, e começou a mexer na relva, como se procurasse alguma coisa. Pouco depois levantou a relva, literalmente. Um pequeno quadrado, uma pequena entrada.

Aproximei-me dele e fiquei a olhar para o buraco. Tinha umas escadas como as dos esgotos, só que em fez de ser um espaço redondo, era quadrado.

Senti um arrepio ao olhar para baixo.

- Ele está aqui? – Perguntei, a sussurrar.

- Sim, estou – virámo-nos os dois rápido, Scott mais rápido que eu obviamente, e observámos Josh.

Os seus caracóis loiros, agora mais bonitos que nunca, brilhavam mesmo à luz da lua. E os seus dentes também. Fiquei petrificada ao observá-lo. Já tinha visto muitos vampiros. Demasiados até. Mas nunca nenhum como Josh. Ao pé dele, Charlotte parecia um anjo. Josh tinha raiva “escrita” na cara. Os seus dentes compridos e pontiagudos eram aterrorizadores, e os olhos raiavam a cor do sangue. Era sinistro.

- Josh – murmurei, com a voz a tremer por completo, enquanto tentava engolir em seco.

- Oi Chloe – ouvi, vindo da minha direita. Virei apenas a cara, e vi Charlotte. Então eles estão mesmo juntos – Tiveste saudades?

- Não acreditavas se contasse – respondi, agora com mais raiva que medo.

- Bem, bem, bem, parece que na verdade não sabes qual a tua equipa Scott – disse Josh.

- Sei perfeitamente – desafiou Scott.

- Não devias ter dito isso – repreendeu Charlotte.

Mal vi Josh mexer-se, e quando olhei para o lado estava lá ele em vez de Scott. Scott estava caído vários metros à frente.

- Estás com bom aspecto – disse-me Josh.

- Sim, as olheiras e cara carrancuda sempre me ficaram bem – disse-lhe.

- Deixa-a em paz! – Assim que Scott correu para Josh, este foi de encontra a ele e mesmo com as próprias mãos, arrancou-lhe a cabeça.

- Não! – Gritei, com toda a minha força, ao ver Scott desintegrar-se em areia negra.

- Estivemos muito tempo à tua espera – disse Charlotte.

- Seus atrasados mentais! – Gritei – Onde está o Derek?

- Não te preocupes, vais ter com ele agora mesmo – disse Josh – Se bem que não vai ser por muito tempo.

- Eu vou fazer tudo por tudo para que isso não se cumpra – afirmei.

- Então pensa um pouco – disse ele – porque não há muita coisa que possas fazer contra dois vampiros.

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