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O Véu entre Mundos

por Andrusca ღ, em 22.09.11

Capítulo 8 (parte 1)

Milagre Natalício

 

- Estou exausta – lamentei-me, ao mesmo tempo que me deixava cair no banco de madeira que se situava mesmo atrás de mim, num espaço entre lojas.

- Isto está complicado – murmurou Sheilla, imitando o meu gesto – Nunca pensei que comprar um vestido para ti era tão difícil.

- Normalmente não é – resmunguei – Mas esta vez é importante. Eu quero… eu tenho que mostrar que não sou nenhuma falhada como todos diziam que era. Ai Sheilla, obrigada por teres vindo comigo, precisava mesmo de uma companhia para isto.

Ela sorriu-me.

- Não precisas de agradecer, agora que voltaste gostava de te voltar a conhecer melhor outra vez Nikki. As amigas servem mesmo é para estas coisas. Vá, vamos lá, temos que encontrar o vestido perfeito!

Olhei para ela e não consegui evitar rir. Já andávamos entre lojas há quase três horas, mas ela continuava com a energia toda recarregada.

- Vamos lá então – concordei, levantando-me.

E recomeçámos a nossa busca. O que primeiro era um plano para comprar um vestido para o meu Encontro do Liceu, tornou-se numa tarde para compras de Natal para Sheilla.

Tenho que admitir que nestas ocasiões sinto-me mal. Ela fartou-se de comprar coisas para os filhos, para o marido e para a mãe… e eu, nada. A verdade é que até há bem pouco tempo o meu único amigo era Frank, que, sejamos sinceros, está morto. E mesmo agora, não tenho ninguém com quem passar o Natal. Isso é o que acontece a quem não tem família e vive a mudar-se.

Demos mais uma volta pelas lojas e quando estava prestes a desistir vi-o. Azul-turquesa, curto e com um decote em forma de coração, cai-cai. Assentava na perfeição no manequim em que se encontrava exposto, e assim que o vi soube que era o perfeito para usar. Avisei Sheilla, que estava a ver outra montra, que ia àquela loja e ela disse que já ia ter comigo.

Assim que entrei pedi a uma das funcionárias para experimentar o vestido do manequim, e ela sorriu-me e perguntou-me que número vestia, para ir buscar às arrumações atrás da loja.

Ela voltou com o vestido na mão pouco depois, e quando o fui experimentar já Sheilla estava ao pé de mim. Ela adorou-o, e concordou comigo quando disse que era aquele que ia levar. Condizia na perfeição com os sapatos pretos de plataforma… se bem que qualquer coisa condiz com esse tipo de calçado. Na mesma loja encontrámos também uma encharpe, preta e meio transparente, que iria servir para me resguardar um pouco do frio. Sei que é Dezembro e está neve lá fora, mas dentro do ginásio do Liceu vamos estar protegidos de tudo isso, e se bem me lembro, aquela escola sempre foi bastante quente de Inverno, o que até sabia bem.

Paguei o vestido e quando íamos a sair da loja, Sheilla agarrou-me no braço e sorriu-me, apontando para o lado de que estava.

- Olha quem ali está – proferiu, divertida. Segui o seu dedo e vi Rick, em frente a uma montra, vestido bastante casualmente, com umas calças de ganga, uma camisola e um casaco castanho que condizia com os sapatos. O que seria feito do fato do FBI?

- Vamos dizer “olá” – sugeri, sorrindo. Ela sorriu-me e começámos a dirigir-nos para lá.

Sheilla tocou-lhe no ombro, e ele voltou-se para nós, sorrindo-nos em seguida.

- Por aqui? – Perguntei-lhe.

- Parece que sim… compras de última hora. O FBI deu-me os dias livres até ao Natal – disse ele.

- Os quatro dias inteirinhos? – Perguntou Sheilla, de olhos muito abertos.

- Sim, hoje, amanhã, a Véspera de Natal, e o dia vinte e cinco. Porquê? – Ele parecia desconfiado, e eu também fiquei assim que vi o sorriso que se formou nos lábios dela.

- Porque assim podes acompanhar a Nikki ao seu Encontro do Liceu – disse ela, de dedo espetado, com ar de sabichona.

- Vais ter um encontro de Liceu? – Perguntou-me ele.

- Sim mas… não tens que vir, por favor – apressei-me a dizer, revirando os olhos.

- Quando? – Insistiu.

- Amanhã à noite – Sheilla respondeu em vez de mim, e piscou-me o olho enquanto sorria – Vá lá maninho, eu até ia, mas não posso deixar o James sozinho com os miúdos, já sabes como é. E além disso a Nikki vai apanhar uma seca do pior. E já que estás de férias não tens nada para fazer.

- Sheilla – repreendi, como se ela se tratasse de uma criança – Rick, eu vou sobreviver, prometo.

- Não, na verdade não me importo. Onde é? – Muito bem, não esperava que ele cedesse tão facilmente. Na verdade, não esperava que cedesse de todo.

- A umas cinco horas de caminho – esclareci, observando bem as feições que fazia. Estranho, nem sequer exprimiu qualquer sinal de que fosse desistir.

- Está bem. Passo amanhã pela tua casa? Mas tenho duas condições: a primeira, temos que estar de volta para o jantar de Véspera de Natal na casa da mãe, e segunda, vamos no meu carro – disse ele, seguramente.

- Tens a certeza? – Insisti.

- Sim, ele tem a certeza – apressou-se Sheilla a dizer – Rick, já acabaste com as compras?

- Não, na verdade ainda tenho que tratar de umas coisas. Vocês vão já embora?

- Sim. Amanhã vais-me buscar a que horas? – Perguntei-lhe.

- Hum… às onze da manhã? – Parecia estar aberto a negociações, mas por acaso àquela hora até nem era má hora.

- Está bem. Combinado. Obrigado.

Sheilla deu-lhe um beijo na bochecha, e começámos a afastar-nos em direcção à saída. Ainda não conseguia acreditar que ele tinha aceitado assim sem mais nem menos.

Deixei Sheilla na sua casa e conduzi de regresso à minha, onde comecei a pôr poucas coisas numa mala de viagem, pequena. Pus roupa interior, um pijama lavado, e um conjunto de roupa para vestir no regresso. Guardei logo também o meu vestido novo, e os sapatos, para não me esquecer.

Aqueci pizza, no microondas, que tinha sobrado do jantar de ontem, e comi-a sentada no sofá, enroscada numa manta quentinha, enquanto via os programas que iam dando na televisão.

Não me deitei muito tarde, mas por alguma razão tive alguma dificuldade em adormecer. A noite de amanhã ia ser importante, acho que os nervos de voltar ao sítio em que me senti tão mal por tanto tempo se começaram a acumular e não me deixam descansar. Quando adormeci já deviam ser para lá das três da manhã.

Acordei com a claridade vinda do estore mal fechado a dar-me na cara, e espreguicei-me. Vi as horas, ainda tinha tempo suficiente até Rick chegar.

Vesti umas calças e uma camisola quentinha, e depois penteei-me e guardei o resto das coisas na mala, incluindo maquilhagem para logo à noite. Tomei o pequeno-almoço com calma e arrumei o quarto, e ainda tive que ficar à espera de Rick.

Dez minutos após a hora combinada, lá o vi aparecer. Estacionou o carro em frente à minha porta e buzinou, sorrindo-me e acenando-me. Peguei na mala e tranquei a porta. Ele veio-me ajudar a colocar a mala no porta-bagagens, e depois entrámos.

 

Está pequeno e demorei "anos" a fazê-lo.

Desculpem mas a partir de agora vai ser mais ou menos assim por causa da escola :s

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