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Mini História - É um Mundo de Bruxas

por Andrusca ღ, em 10.12.11

Já não postava aqui há séculos... mas com as férias a chegar vou voltar ao meu cantinho ^^

Já estou livre de todos os testes e trabalhos e quero ver se acabo de postar a história que estava a postar

Até lá, deixo-vos a parte 1 de uma mini história, que provavelmente só vai ter 3 partes...

Espero que gostem e desculpem a ausência ^^

 

É um Mundo de Bruxas

 

Parte 1

 

Por todo o caminho Carly refilou com os seus pais. Não aceitava a decisão que tinham tomado. Achava que não a podiam mandar para fora da sua natureza, que não a podiam simplesmente mandar para o mundo dos humanos, um mundo em que teria fingir ser quem não é, onde não poderia praticar magia nem ser livre. Mas eles não a ouviam. Eles fariam de tudo para manter Carly em segurança, e estavam convencidos que Yuri nunca a procuraria num mundo sem magia. Lá ela estaria a salvo.

- Mas mãe… - murmurou a rapariga de dezassete anos de novo.

- Está decidido – cortou-lhe a palavra o seu pai. Carly engoliu em seco.

Quando chegaram à passagem, a mãe de Carly tocou com a sua varinha no muro do poço e logo em seguida uma luz dourada começou a aparecer lá de dentro.

- Nem os conheço – queixou-se a rapariga.

- São nossos amigos – tentou a sua mãe tranquilizá-la –, e têm um filho praticamente da tua idade. Tenho a certeza que se vão dar bem.

- Não sei como me “ligar” a alguém que não tenha magia mãe – resmungou ela – Sou uma bruxa, não quero fugir.

- Já chega de conversa – interpôs-se o seu pai, dando-lhe um abraço demorado – Vamos ter saudades tuas Carly.

Carly suspirou, derrotada e, após se pôr em cima do muro, pulou para dentro do poço. Enquanto viajava entre mundos, não havia formas, Carly estava apenas rodeada de várias bolhas douradas que passavam por ela a uma velocidade extraordinária. E então finalmente começou a ver uma casa por baixo dela, e após passar pelo telhado e o chão do primeiro andar, a jovem bruxa aterrou de pés ao lado da escada.

Quando ergueu a cabeça viu três pessoas a olhar para ela. Uma mulher mais ou menos da sua altura, com os cabelos encaracolados e loiros, um homem sem cabelos de qualquer cor, e um jovem com o cabelo castanho.

- Bem-vinda Carly – a mulher foi a primeira a falar-lhe e a chegar ao pé dela – Estás tão crescida, não te via desde que eras bebé.

Carly sorriu-lhe, ainda que desconfortável. Não, desconfortável não era a palavra certa… contrariada.

- Obrigada – respondeu ela à mulher.

- Não sei se os teus pais te disseram, eu sou…

- Rosie, uma bruxa que desistiu de tudo para ficar no mundo dos humanos e seguir o amor – completou Carly – E este deve ser o seu marido, Tom, e o filho Jason. Acho que sei o básico.

A mulher, Rosie, suspirou e olhou demoradamente para Carly. Os seus pais tinham-na avisado que a filha podia ser um pouco difícil ao princípio, mas que era uma rapariga encantadora.

- Carly querida… sabes porque é que os teus pais te mandaram para aqui, não sabes? – Perguntou ela, sempre com compreensão na voz.

- Sei – respondeu Carly, suspirando.

- Por isso sabes porque é que tenho que te pedir a tua varinha – adicionou Rosie, perante o olhar escandalizado de Carly.

- Não! – Respondeu logo a jovem bruxa rapidamente – Como é que é suposto que eu viva sem magia?!

- Como… todas as outras pessoas? – Foi a primeira vez que Jason, o rapaz de dezanove anos, falou, e transmitia um certo tom de gozo.

- Jason – repreendeu-lhe o pai.

- Engraçado – resmungou Carly.

- Apenas queremos ter a certeza de que não fazes nada de estúpido Carly – insistiu Rosie, de mão esticada.

Carly detestava esta situação. Ela conseguia fazer magia sem a sua varinha, era o que a diferenciava de todos os outros feiticeiros, mas não sabia o porquê. E muito menos que isso a fazia ser a mais especial deles todos. Mas não estava treinada. Não conseguia controlar. Por isso não lhe servia de nada. Ou assim o pensava.

- Eu detesto isto – fez questão de partilhar, enquanto levava a mão à parte de dentro do manto cor de vinho que trazia vestido, e tirava de lá a sua varinha de prata e a passava para a mão da velha amiga dos pais.

- Obrigada – agradeceu Rosie – O Jason mostra-te o teu quarto, e tens lá roupas novas para poderes vestir. Não podes andar por aí nesse manto, os humanos não estão habituados a ver.

- Não é culpa minha que sejam incultos – resmungou Carly, baixinho, para que ninguém ouvisse.

Ela seguiu o rapaz pelas escadas e depois de ele abrir uma das portas, entrou e suspirou. O quarto estava escuro, dava-lhe apenas para delimitar umas poucas formas, tais como uma cama, e uma secretária ou uma cómoda. Já era noite, bastante tarde, e por isso já não vinha luz nenhuma pelos pequenos buracos da persiana.

Carly concentrou-se e o candeeiro de cima acendeu-se por poucos segundos, para espanto de Jason, mas logo depois a luz piscou e apagou-se. Carly suspirou.

- Já odeio este mundo – resmungou para si, sem ter noção que Jason a tinha ouvido.

Este revirou os olhos e passou por ela, carregando no interruptor para a luz acender. Ele não gostava da ideia de a ter lá em casa, mesmo antes de a conhecer detestou quando a mãe informou que iam abrigar uma bruxa. Claro que ele é meio bruxo, mas nunca teve qualquer contacto com essa sua “meia parte”. E depois do momento em que conheceu Carly, sentiu menos vontade ainda. Parecia-lhe uma rapariga mimada e difícil, para a qual não tinha qualquer paciência.

Ficou a olhá-la com ar de Chico esperto, e depois ela suspirou.

- Sim, porque ter que carregar no interruptor para acender as luzes é terrível – disse Jason, num tom de gozo.

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