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É um Mundo de Bruxas - mini história

por Andrusca ღ, em 13.12.11

Esta parte é maior que a outra xp

Espero que gostem ^^

 

 

Parte 2

 

- Ela é tão chata! – Reclamou Jason, à mesa, enquanto tomava o pequeno-almoço com os pais.

Após uma semana fechada no quarto, Carly finalmente se tinha decidido a sair, mas quando ouviu que a conversa que rolava na cozinha era sobre si, decidiu ficar à escuta.

- Tens de ter paciência – disse Tom, para o filho – Deve ser complicado para ela fazer uma transição tão difícil.

- A mãe não se queixou – Jason encolheu os ombros e Carly dirigiu o olhar para o chão. Ela não percebia. Ela não queria estar no mundo dos humanos, estava a ser um incómodo para aquela família quase normal, então porque não podia simples regressar? Suspirou, tinha saudades de casa. Tinha saudades de acordar naquele campo com a relva verdinha e molhada, ou da chuva, ou da rega que o pai fazia magicamente. Magia… sentia saudades de fazer magia. Enquanto esteve no quarto tentou fazê-la sem a sua varinha, mas apenas conseguiu pequenos feitos, que perderam o efeito logo no momento a seguir.

- As situações são completamente diferentes – afirmou Rosie – Eu deixei aquele mundo por escolha, não por obrigação. Fi-lo pelo teu pai, à Carly ninguém está a dar nenhuma opção, trouxeram-na para cá e não a deixaram optar por nada.

- Ela está preocupada com a família – disse Tom.

- Tal como tu estarias, se fosse ao contrário – disse Rosie – O mundo das bruxas e dos bruxos está a meio de uma guerra, os pais dela estão a lutar lá… eles disseram que ela ia ser um pouco difícil, mas não é má rapariga Jason. Temos que ser pacientes. A mãe dela sempre foi a minha melhor amiga e a única que me apoiou quando me quis vir embora, não lhe vou voltar as costas agora.

- Mas afinal porque é que a mandaram para cá? – Jason levantou-se velozmente e falou com a voz um pouco mais elevada, e Rosie olhou para ele com preocupação. Ela não lhe tinha dito o porquê, não ainda – O mundo dela está em guerra, tudo bem. Mas se este mundo ficar em guerra, nós não nos vamos impingir no dela!

- Estás a ser injusto. Ela está aqui para ficar a salvo, é tudo o que precisas de saber – afirmou Tom.

- E por estar cá, põe-nos a nós em perigo.

Carly engoliu em seco. Ele tinha razão, e ela sabia-o. Por estar escondida naquele mundo, corria o risco de que Yuri o atacasse também, e então ninguém estaria a salvo em lado nenhum.

Olhou para a sua roupa, tinha vestido umas calças de ganga e uma t-shirt vermelha, estava uma boa tarde de Verão, e o seu cabelo castanho comprido caía-lhe sobre os ombros.

Começou a retroceder, lentamente, pelo corredor até chegar à porta, e quando a abriu saiu e não pensou duas vezes antes de correr. Sabia que estava a ter uma atitude infantil, que fugir não iria melhorar nada, mas ela pretendia voltar. Voltar para o seu mundo. Até lá, e enquanto tivesse que fechar presa num isento de magia, ia precisar de espaço para poder respirar e pôr as ideias em ordem. Yuri ia encontrá-la, ela sabia que era apenas uma questão de tempo, e em vez de a deixarem treinar e preparar-se para quando esse momento chegar, tiram-lhe o seu único modo de se defender.

Correu pelas ruas sem saber para onde se dirigia, mas sem se importar minimamente. Correu e correu até se deixar vencer pelo cansaço que sentia nas pernas, e se sentou num pequeno banco de madeira, de frente para um grande lago, num grande terreno de relva. Automaticamente sorriu ao ver várias crianças a brincarem com bolas de futebol ou algumas mais velhas com papagaios de papel. Ela não era a rapariga rude e forte por quem a família de Rosie a julgava, era até bastante atenciosa e não detestava o mundo sem magia tanto quanto os queria fazer acreditar. As coisas pequenas faziam-na sorrir. Como tentar levantar o papagaio apenas com a ajuda do vento e não de magia, ou então não conseguir chegar a ele quando se prende numa árvore e ser-se forçada a pôr-se às cavalitas de alguém para o conseguir alcançar, em vez de recorrer apenas à varinha. Porque esses pequenos gestos sem magia fazem com que verdadeiros risos sejam criados.

Sem saber bem porquê, uma lágrima escorreu-lhe pela bochecha e ela apressou-se a limpar. Como estariam os seus pais? Estariam ainda vivos? E a sua casa, estaria ainda de pé?

Sentiu uma mão no seu ombro e ficou relutante em olhar, e quando o fez suspirou. A pessoa sentou-se ao seu lado e mostrou-lhe um sorriso compreensivo, ao que ela voltou a cara.

- Sabes, este também é um dos meus sítios preferidos – confidenciou-lhe.

- Quero ir para casa – afirmou Carly.

- Eu sei que queres, e compreendo-te – Rosie agarrou-lhe na mão e, de novo, sorriu-lhe com compaixão – Mas até que tudo esteja resolvido, vais ter que ficar na minha casa. Prometo que vou tentar com que se pareça com a tua, vou tentar com que te sintas bem lá.

Carly suspirou e levantou-se, deixando-se guiar pela amiga da mãe.

 

*

 

Bateram à porta e abriram, mesmo sem esperarem que Carly desse a ordem. Ela, deitada na cama, endireitou-se quando viu ser Jason quem segurava um tabuleiro com o jantar.

Desde que tinha chegado a casa, já depois da hora do almoço, que não tinha comido nada. Tinha fome, não o podia negar, mas não queria dar a parte fraca.

- Devias comer – disse o rapaz, fechando a porta e aproximando-se da cama com o tabuleiro, sentando-se depois – Queria pedir-te desculpa.

Carly riu ironicamente.

- Pedir desculpa? Uau, a Rosie deve ter-te dado um raspanete do pior – observou.

Ele revirou os olhos, sim, a mãe não tinha sido muito meiguinha.

- Ela disse que te encontrou perto do lago. Deve ter sido monótono ver todos os humanos sem magia a fazerem coisas que tu podias fazer com duas palavras – ironizou ele – Quer dizer, tenho a certeza que no teu mundo as coisas são tão melhor.

Ela abanou a cabeça e respirou fundo.

- Não… isso não me incomoda de todo – afirmou, suspirando em seguida – É só que… eles estão lá, e eu estou aqui.

- Para estares em segurança – acrescentou ele.

- Sim mas… porque é que eu tenho que ficar a salvo e o resto das pessoas não? – Ele ficou surpreendido com a maneira com que ela falou. Pela primeira vez não tinha sido com ironia ou rabugice. Não. Apenas preocupação.

- A minha mãe não me contou muito do que se está a passar no mundo dos bruxos. Falou apenas de uma espécie de guerra – ele também deixou cair a capa de durão e falou normalmente, ao que ela sorriu.

- Yuri, um dos bruxos mais poderosos de sempre, está atrás de mim. E não se importa de matar quem se puser no meio da sua busca. De algum modo, os meus pais foram avisados antes de ele chegar à nossa casa e conseguimos fugir. E eles mandaram-me para aqui na esperança que ele não me viesse procurar num mundo sem magia.

- Porque é que ele te quer?

- Acho… - Carly engoliu em seco e abanou a cabeça – não sei. Mas lembro-me de estar com ele, uma vez. Era mais pequena, uma criança… e nego sempre lembrar-me disto mas… seja como for, nós estávamos no topo de uma colina, e estávamos a olhar para uma vila que vivia no caos. Incêndios, as pessoas a gritar enquanto fugiam… trovões, vento… tudo de mau que possas imaginar.

- Tu e o Yuri?

- Acho que ele me estava a ensinar Jason. Por algum motivo, acho que me estava a fazer uma demonstração qualquer de poder. E depois ele olhou para mim e disse “Gostas do que vês? Destruição, caos… um dia será a tua vida, minha querida” – Carly calou-se. Ela lembrava-se de todas as palavras ditas por Yuri nessa frase, mas não ousava dizer a que faltava.

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