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É um Mundo de Bruxas

por Andrusca ღ, em 18.12.11

Anteriormente:

 

- Porque é que ele te quer?

- Acho… - Carly engoliu em seco e abanou a cabeça – não sei. Mas lembro-me de estar com ele, uma vez. Era mais pequena, uma criança… e nego sempre lembrar-me disto mas… seja como for, nós estávamos no topo de uma colina, e estávamos a olhar para uma vila que vivia no caos. Incêndios, as pessoas a gritar enquanto fugiam… trovões, vento… tudo de mau que possas imaginar.

- Tu e o Yuri?

- Acho que ele me estava a ensinar Jason. Por algum motivo, acho que me estava a fazer uma demonstração qualquer de poder. E depois ele olhou para mim e disse “Gostas do que vês? Destruição, caos… um dia será a tua vida, minha querida” – Carly calou-se. Ela lembrava-se de todas as palavras ditas por Yuri nessa frase, mas não ousava dizer a que faltava.


 

Parte 3

 

- Eu tenho que ir – disse a bruxa, após alguns momentos de silêncio – Ele está a massacrar toda a comunidade mágica por minha causa. Tenho que ir, e lutar. Preciso da minha varinha. Ajuda-me a recuperar a minha varinha Jason.

Jason suspirou e olhou para o céu. Estavam ambos deitados na relva da entrada, ambos a apanhar com os raios de sol e a pouca brisa que se fazia sentir em pleno mês de Agosto.

Tinham-se passado exactamente dezassete dias desde a chegada da morena à pequena e pacata cidade onde ele vivia, e ao longo desses dezassete dias várias coisas lhe tinham passado pela mente sobre ela. Por momentos achou-a impertinente e malcriada, rude e com demasiada mania, mas depois percebeu que apenas tinha medo do que estava a acontecer à sua volta e não o queria mostrar. No fundo era forte, mas não tão forte. Não mostrar que sentia, eram as suas armas, e Jason já a tinha percebido nesse aspecto. Mas ainda havia muito mais a desvendar. Ela já não escondia a preocupação e o medo que sentia em relação ao seu mundo, mas continuava com aquele ténue fio de mistério que o fazia querer desvendá-la mais e mais, até não haver qualquer coisa que o intrigasse. Talvez fosse a magia que existia nela, quem sabe…

- Não sei… soa perigoso – disse ele – E agora já não quero tanto que te vás embora… até és boa pessoa.

Carly riu, e Jason revirou os olhos. Ela suspirou e olhou também o céu. Não havia uma única nuvem no horizonte. No seu mundo também costumava fazer isto. Deitava-se na relva sozinha e passava várias horas apenas acompanhada pela tranquilidade. Ela não tinha muito amigos, mesmo num mundo habituado a lidar com magia e seres estranhos, os preconceitos existem e Carly, por ter a capacidade de fazer magia sem recorrer à sua varinha, é diferente de todos os demais, e por conseguinte, excluída. Ela não podia negar gostar de, pela primeira vez, ter alguém da sua idade com quem falar e passar tempo, mas esse era outro dos motivos pelos quais sabia que tinha que abandonar este mundo. Estas pessoas eram genuinamente boas. Antes Carly não conseguia compreender a escolha de Rosie em abandonar o mundo mágico, mas agora já tinha entendido. A magia não era apenas aquela dita que se faz com uma varinha ou poções; está em qualquer lado, são as pequenas coisas.

- Comigo vêm os problemas – afirmou ela, após alguns momentos de silêncio – Nestes dias mostraste-me o teu mundo – Carly virou-se para Jason e este dirigiu-lhe o olhar e a atenção –, e eu não quero que ele fique como o meu ficou. Antes de vir para cá passámos por vários sítios arrasados, até chegarmos ao Poço das Viagens. Se isso acontecesse com o teu mundo… seria culpa minha.

- Não sejas parva – afirmou ele, suspirando – Se fores para o teu mundo o Yuri apanha-te. E pelo que me contaste, ele conhece-te. E quer-te por um motivo qualquer.

- E se eu for má? – Perguntou ela, apanhando-o desprevenido – Não posso dizer que nunca tenha pensado nisso, afinal, que mais estaria a fazer com ele quando era mais nova? E pelo que sei, ele também é capaz de fazer magia sem recorrer à varinha.

Jason forçou uma gargalhada.

- Bem pensado – gozou, numa tentativa de a animar – Na verdade, assim que te vi, pensei logo: bem, esta aqui, com um humor do pior e um mau feitio de fugir, deve ser a encarnação do diabo num corpo de bruxa.

Carly soltou uma gargalhada, e depois voltou a ficar séria.

- Jason? – Ele voltou a olhar para ela – Porque é que nunca tiveste curiosidade sobre o meu mundo? És meio bruxo, a magia está-te no sangue… como é que nunca te interessaste por isso?

Ele respirou fundo e encolheu os ombros.

- A verdade? – Era retórico, por isso não a deixou responder – Essas coisas sempre me meteram um bocado de medo. Lembro-me de quando me juntava com a malta para vermos filmes de terror em que apareciam sempre bruxarias e coisas dessas, e que depois ficava noites sem dormir a pensar que tudo isso era real. O teu mundo, a magia… assusta-me como tudo.

Carly não se conteve e desatou a rir à gargalhada perante a forma incrédula como o rapaz a olhava. Quando finalmente parou com a risota, limpou as lágrimas que se tinham formado nos seus olhos, e levantou-se.

- Anda lá – pediu ela, estendendo-lhe a mão para o ajudar a levantar-se.

- Onde? – Perguntou ele.

Ela apenas o fixou com o olhar e Jason suspirou, dando-lhe a mão para sair do chão. Caminharam até ao chafariz no fim da rua, escondido por umas árvores e uns arbustos, e Carly ligou-o, deixando com que a água fosse para cima e depois caísse.

- Não é muito, mas como não tenho a minha varinha é uma sorte conseguir isto – desculpou-se ela, concentrando-se na água. Aos poucos a água parou de ir para cima para ir para ao lado, formando um círculo desde de onde saía do chafariz, até ao chão. Jason sorriu, maravilhado, enquanto via o círculo de água a ficar cada vez maior e mais fino. Era magia, indiscutivelmente. E mesmo sem ser feita com varinha, estava mais forte do que a que Carly fazia inicialmente. Ela olhou para ele, e sorriu por ter tido exactamente o efeito que pretendia. Ele estava boquiaberto – Dá-me a tua mão – pediu-lhe. Ele estranhou, mas pousou a sua mão esquerda na dela e Carly concentrou-se mais, estendendo o meio círculo de água até este ficar por cima deles. Era exactamente como estar por baixo de um arco-íris, apenas feito de água.

- Isto é…

- Mágico – completou ela, sorrindo-lhe – E estou a fazê-lo com os teus poderes também. Podemos canalizar os poderes dos outros bruxos e amplificar os nossos. Se eles deixarem.

- Eu nem sabia que conseguia fazer estas coisas.

- Não podes, não sem varinha…

- Como é que vocês usam isso? Quer dizer… é um pau!

- Ela sabe o que queres, e dá-te. É tão simples quanto isso. Jason, a magia não foi criada para ser intimidadora ou assustadora… não é um modo de impor respeito. Foi criada para que as pessoas a vivessem e pudessem ter pequenos momentos como este. Infelizmente o poder subiu à cabeça de várias pessoas e bem… nem todos pensam isto. O Yuri é um deles. Está determinado a provar que é o melhor e mais poderoso bruxo de sempre, e vai fazer qualquer coisa para que isso aconteça.

- Tens razão… - Jason puxou a mão da rapariga de modo a ficarem frente-a-frente e, pela primeira vez, observou a sua beleza. Ela era linda, e ele estava encantado – A magia é para ser vivida – começou a aproximar o seu rosto do da bruxinha, como se ela um feitiço lhe tivesse feito para que se apaixonasse, e Carly nenhum índice deu de não desejar exactamente o mesmo que ele. Naquele momento, debaixo do arco-íris de água, a verdadeira magia estava prestes a acontecer. E então, quando estavam separados apenas por milímetros, uma voz ríspida e assustadora fez-se soar:

- Finalmente te encontrei – Carly separou-se depressa de Jason, fazendo com que toda a água lhes caísse para cima, e olhou assustada para o homem que se lhe estendia à frente. Olhos negros e cabelo castanho, corpo magro de tal maneira que permitia ver os ossos, e um manto negro a tapar-lhe a pele. Carly engoliu em seco.

- Yuri – amaldiçoou ela, entre dentes.

 

O que acham que acontece agora?

Digam coisas, quero saber :p

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