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É um Mundo de Bruxas

por Andrusca ღ, em 22.12.11

Peço imensas desculpas pelo atraso.

Espero que gostem ^^

 

Anteriormente:

 

- Porque é que ele te quer?

- Acho… - Carly engoliu em seco e abanou a cabeça – não sei. Mas lembro-me de estar com ele, uma vez. Era mais pequena, uma criança… e nego sempre lembrar-me disto mas… seja como for, nós estávamos no topo de uma colina, e estávamos a olhar para uma vila que vivia no caos. Incêndios, as pessoas a gritar enquanto fugiam… trovões, vento… tudo de mau que possas imaginar.

- Tu e o Yuri?

- Acho que ele me estava a ensinar Jason. Por algum motivo, acho que me estava a fazer uma demonstração qualquer de poder. E depois ele olhou para mim e disse “Gostas do que vês? Destruição, caos… um dia será a tua vida, minha querida” – Carly calou-se. Ela lembrava-se de todas as palavras ditas por Yuri nessa frase, mas não ousava dizer a que faltava.

(...)

- Finalmente te encontrei – Carly separou-se depressa de Jason, fazendo com que toda a água lhes caísse para cima, e olhou assustada para o homem que se lhe estendia à frente. Olhos negros e cabelo castanho, corpo magro de tal maneira que permitia ver os ossos, e um manto negro a tapar-lhe a pele. Carly engoliu em seco.

- Yuri – amaldiçoou ela, entre dentes.

 

Parte 4

 

- Já sabes como é. Vem comigo, e poupo este mundo. Mas se não vieres…

- Eu vou – Carly cortou a palavra a Yuri e engoliu em seco, esforçando-se para não chorar. Isto era pior do que se nunca tivesse vindo para este mundo e tivesse sido logo encontrada por ele. Em vez disso viveu com aquela família amorosa, apegou-se ao modo de vida sem magia, ligou-se a pessoas – Posso ao menos despedir-me?

Yuri remeteu-se ao silêncio e virou costas de modo a dar-lhe privacidade. Ele já sabia que ela ia com ele, sabia que não o ia desafiar, por isso não queria fazer nada que a fosse irritar. De todas as pessoas do mundo, fosse no mágico ou não, ele era a única que conhecia o verdadeiro poder que Carly possuía.

- Não podes ir com ele – sussurrou Jason, agarrando as mãos da rapariga com força.

- Tenho que ir. Se não for…

- Não podes ir, eu acho… acho que me apaixonei por ti.

Carly deixou uma lágrima fugitiva soltar-se ao controlo e esta escorreu-lhe a face até ser travada pelo dedo do rapaz.

- Acho que também me apaixonei por ti – proferiu ela, dando-lhe um beijo no cantinho dos lábios e desviando-se lentamente – É por isso que não o posso deixar destruir o teu mundo.

Ela aproximou-se de Yuri e Jason viu os dois desaparecerem mesmo à sua frente, deixando-o completamente atónico. Por momentos não teve reacção, foi tudo demasiado repentino. Num momento estava prestes a beijar a rapariga por quem aos poucos tinha começado a sentir qualquer coisa, e no outro ela é levada pelo mesmo motivo que a fez vir ter com ele. Jason engoliu em seco, não se conseguia parar de perguntar o que quereria Yuri com Carly e o porquê de ter sido tão calmo com ela.

Correu para casa, mas não tinha a quem recorrer, os pais estavam no trabalho. Correu escadas acima e entrou no quarto dos pais, abriu a gaveta da mesa-de-cabeceira de Rosie e lá viu a varinha de Carly. Prateada, fina e, à vista desarmada, delicada. Esticou a mão para a agarrar mas parou logo a seguir. Tinha receio do que fosse acontecer. Ele não mentiu à bruxinha, temia mesmo todo o mundo da magia. Tinha o coração aos pulos.

- Vá lá Jason, ela pode depender de ti seu idiota! – Resmungou, agarrando a varinha velozmente e fechando os olhos com força, para poucos segundos depois os abrir sentindo-se como um perfeito idiota. “Ela sabe o que queres, e dá-te”, dissera-lhe Carly em relação à varinha – Eu vou-te ajudar Carly. Leva-me a ela varinha mágica!

 

*

 

- Onde estamos? – Perguntou Carly, olhando em volta.

- Não reconheces? – Ela esforçou-se mais. Era a aldeia ou a vila das recordações que tinha de Yuri. Agora apenas restavam ruínas, paredes meio caídas e meio de pé, carbonizadas. Árvores partidas e restos de destruição por todos os lados – Tenho outra coisa para veres.

Apenas com um gesto, sem recorrer à varinha, Yuri fez com que os pais de Carly aparecessem. Estavam bastante maltratados. A sua mãe tinha o manto todo rasgado e estava esfolada em toda a pele que tinha à vista, e o seu pai estava no mesmo estado.

- Mãe… pai! – Carly precipitou-se em direcção a eles e ajoelhou-se no chão, onde ambos estavam – Lamento tanto, se eu me tivesse logo entregado, eu…

- Não é culpa tua – afirmou-lhe a mãe, apertando-lhe a mão.

- Adoramos-te querida – declarou-lhe o pai – Independentemente do que acontecer.

Yuri soltou uma enorme gargalhada e Carly levantou-se de súbito. Ela queria que ele pagasse por tudo. Estava desarmada perante ele, era uma verdade. Não tinha a sua varinha, não tinha hipóteses. Mas tinha que fazer alguma coisa. Não podia simplesmente vê-lo a destruir tudo o que ela viu crescer. Não o podia deixar magoar a sua família nem ameaçar o mundo dos humanos.

- És odioso, sabias disso? – Ofendeu ela, com a voz firme apesar do medo. De novo, o maléfico bruxo apenas riu.

- Não somos tão diferentes assim, não é verdade? – Perguntou-lhe, seguro do que dizia.

- Não sou nada como tu.

- Então não consegues fazer magia sem a tua varinha? – Carly engoliu em seco. Era disso que tinha medo. E se ela não tivesse imaginado as coisas? E se as recordações que tinha fossem reais e não invenções da sua cabeça devido ao passar do tempo? – Não somos diferentes, Carly.

- Porquê eu? – Perguntou ela – De entre todas as bruxas e bruxos no mundo, porquê eu? O que queres de mim?!

- Porque o mal corre-te nas veias, tal como a mim. O poder no mal – afirmou ele, abalando-a. “Não pode”, tentou-se convencer.

- Estás errado! – O demorado silêncio foi perturbado por uma voz que Carly pensou nunca mais vir a ouvir. Jason encontrava-se a poucos metros deles, também no pinhal acima da vila, de varinha empunhada na direcção do bruxo – Não há nada de maléfico nela.

- Jason… - murmurou ela, formulando um pequeno sorriso.

- Rapaz idiota – amaldiçoou Yuri entre dentes, fazendo com que a varinha lhe saltasse da mão recorrendo apenas a um pensamento. Jason olhou para ele assustado, e quando o viu criar um pedaço de vidro do nada até empalideceu. “A magia não foi criada para ser intimidadora ou assustadora” dissera-lhe Carly, porém nunca na vida tinha tido tanto medo. Viu o pedaço de vidro voar directamente a si e no último segundo, contra todas as expectativas, parou com apenas um grito:

- Não! – Carly gritara com todo o terror que sentia dentro de si e o pedaço de vidro caiu para o chão. Ficou surpreendida pela facilidade com que parara o ataque de Yuri, mas não se deixou ficar parada por isso. Correu até ao rapaz e pôs-se à sua frente. “Ele veio-me ajudar. Enfrentou o medo da magia e veio-me ajudar. Não posso deixar que lhe aconteça nada”, pensou ela – Deixa-o em paz. Deixa-nos a todos em paz! Porque é que fazes isto?! O que queres?!

- Porque és minha filha – Carly engoliu em seco ao ouvir aquelas palavras através daquela voz tão ríspida – Estas pessoas roubaram-te de mim! Tiraram-te de mim e esconderam-te para que nunca te pudesse ter!

- É verdade? – Perguntou a jovem bruxa, voltando-se agora para aqueles a quem sempre chamou de “pais” com uma expressão de pura desilusão. Mas eles não deram qualquer indício de que responderiam – É verdade?!

- S… sim – confirmou a sua mãe, com a voz baixa – Ele estava-te a treinar para usares os teus poderes para o mal e não podíamos deixar que isso acontecesse…

- Encontrámos-te por acaso. Eras uma criança tão carinhosa, tão emotiva… não o podíamos deixar corromper-te com o mal – defendeu-se o pai dela.

Yuri formulou um pequeno sorriso de vitória e Jason ficou simplesmente sem reacção perante todas aquelas revelações. Carly foi preenchida por uma raiva imensa. Não só por eles, mas também por ela. Ela já sabia a verdade. Sempre soube a verdade, apenas preferia ignorá-la e não a pronunciar. Naquele dia, no topo da colina, enquanto observavam a destruição da pequena vila, Yuri virara-se para ela e dissera: “Gostas do que vês? Destruição, caos… um dia será a tua vida, minha querida… filha”.

 

O próximo é o último ^^

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