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O Milionário & Eu

por Andrusca ღ, em 28.12.11

Eu queria uma coisa pequena, mas as ideias começaram a chegar e vai ter pelo menos dez capítulos...

Espero que gostem ^^

 

O Milionário & Eu

 

Parte 1 – O Festão

 

Já era a segunda aula em que aquela música, vinda de um sítio que ninguém sabia onde era, invadia as salas e interrompia o que os professores diziam. Primeiro, às oito e trinta, os alunos ainda pensavam que fosse algum ensaio para uma peça da escola, mas quando isso se prolongou até à aula do meio da manhã essa possibilidade ficou desfeita. Ninguém ensaiava durante tanto tempo. E além disso depois a música mudou. Passou de ser variada entre cantores e cantoras para ser apenas de uma banda, que por sinal era a preferida de muita gente daquela escola.

Quando a campainha soou para a hora de almoço os alunos começaram a dispersar pelos corredores; uns seguiam para a saída da escola para irem comer a casa ou ao café, e outros dirigiam-se para a cantina para almoçarem lá. Melody e a sua amiga Tessie caminharam lado a lado até aos cacifos, que eram um ao lado do outro, onde enfiaram as mochilas.

- Queres ir almoçar ao café ao pé da biblioteca? – Perguntou Tessie.

- Não posso, tenho que ir procurar a professora de Filosofia, tenho um trabalho para lhe entregar, lembras-te? – Respondeu-lhe a amiga, portadora de uns caracóis loiros presos num rabo-de-cavalo bem puxado para cima.

- Pois é, esqueci-me completamente. Eu combinei lá com a malta, depois voltamos para cá – afirmou a rapariga dos cabelos curtinhos e pintados de bordô.

- Anda lá, eu levo-te até à porta.

Depois de tirar o trabalho, que tinha dentro do cacifo, Melody acompanhou a amiga até à porta da escola e ambas pararam lá, a olhar especadas para os carros lá estacionados. Um Aston Martin preto seguido de duas carrinhas da mesma cor e de uma marca também bastante cara estavam estacionados mesmo em frente à saída do edifício.

- O presidente veio visitar a escola ou algo assim? – Perguntou Tessie, no gozo.

- Não faço ideia…

Elas despediram-se e enquanto uma rumou ao portão para se ir encontrar com o resto do grupo, a outra voltou para dentro da escola onde se dirigiu à sala de professores. Lá disseram-lhe que a sua professora de Filosofia se encontrava no auditório, mas que não sabiam se a iam deixar entrar, coisa que Melody estranhou. Desde quando é que o auditório da escola é privado?

Ela subiu as escadas até ao terceiro piso e após percorrer um pequeno corredor percebeu que se estava a aproximar da localização da música. Vinha do auditório. Assim que virou para a porta, viu dois homens grandes e musculados lá parados à frente, muito direitos e com os óculos de sol apoiados com uma haste por dentro das camisas dos fatos que vestiam, para que eles caíssem naturalmente por cima da camisa. Melody olhou para eles, desconfiada, e assim que tentou levar a mão ao puxador da porta um deles agarrou-lhe nela.

- Não pode entrar – informou ele.

- Porquê? – Retorquiu a rapariga.

- É uma festa privada – Melody ergueu a sobrancelha.

- Festa privada? Ouça, eu tenho que entregar este trabalho à minha professora de Filosofia, e ela está aí. Por isso tenho que entrar.

- Já disse que não é possível – disse o outro homem, com um ar mais intimidador.

Melody engoliu em seco e respirou fundo.

- Ouçam seus gorilas, que não me vão deixar passar por essas portas já eu percebi. Quem vos contratou, ou é muito idiota e gosta de mostrar que tem dinheiro, ou então está desesperado por fazer amizades – Melody sabia que hoje seria o primeiro dia de um rapaz que se tinha mudado de Los Angeles, mas não era da sua turma, por isso associou logo que a festa fosse dele – Por isso é assim, eu tenho um trabalho para entregar e não saio daqui enquanto não o der mão a mão à minha professora. Chamem-na, chamem o vosso patrão, chamem quem quiserem. Não me interessa. Mas a não ser que queiram que eu arme já aqui uma confusão é bom que façam alguma coisa!

A porta abriu-se nesse momento e de lá detrás Melody viu surgir um rapaz com os seus dezassete anos, também loiro e uma franja que lhe tapava parcialmente os olhos azuis-escuros.

- Passa-se alguma coisa? – Perguntou ele – Que barafunda é esta?

- Preciso de…

- Esta rapariga quer entrar – disse um dos “gorilas” ao rapaz.

- Lamento, mas esta é uma festa privada – afirmou ele, voltando-se agora para Melody e olhando-a de alto a baixo. A loira usava uma blusa preta, de alças, e umas calças de ganga clarinha, rasgadas aqui e ali, e calçava uns All-Star pretos – É só para a minha turma.

- Mas eu não quero entrar na tua festa estúpida! Mas que idiota! Eu só quero entregar um trabalho à minha professora de Filosofia, essa festa não me interessa para nada! – Gritou Melody, já sem paciência.

O rapaz ficou a olhar para ela bastante admirado e depois ergueu a sobrancelha.

- Não queres? – Perguntou – Porquê?

Melody não conseguiu evitar rir.

- Espera lá, primeiro ficas amuado por achares que quero entrar na tua festa, e agora ficas por eu dizer que não quero? Ai rapaz, vai-te mas é tratar. Se chamares aqui a professora eu nem preciso de aí entrar.

Ele pensou durante alguns segundos e depois encolheu os ombros.

- Entra, dá-lhe o trabalho, também não há-de ser por mim que vais tirar negativa – acabou por dizer, fazendo com que Melody revirasse os olhos ao mesmo tempo que passava pelos dois seguranças e entrava no auditório.

 

Digam-me o que acham :p

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