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Pétalas de Rosas

por Andrusca ღ, em 20.10.10

E cá está o penúltimo capítulo.

Hoje estou tristinha :( só recebi quatro comentários no capítulo anterior :(    (mas sei que também o postei mais tarde que o normal)

 

Espero não desiludir com esta cena de luta, e que gostem tanto (ou mais) como foi da primeira.

Anyway, espero que gostem ;)

 

Ps: vocês provavelmente podem ficar um bocadinho revoltados com o fim de algumas personagens, mas eu explico: com o tempo fui-me afeiçoando, e além disso, preciso dessas personagens para a continuação.

 

Capítulo 20

O Resgate

 

Beijei-o e voltei a sentar-me quieta ao lado dele.

- Estás a sangrar – murmurou.

- Não – disse eu, observando a pele que tinha à vista.

- Não estava a perguntar, estás mesmo a sangrar.

Ao olhar para ele vi que tinha os vasos sanguíneos dos olhos a ficarem mais vermelhos, mas os dentes ainda não tinham descido.

- Desculpa – pronunciei, ainda sem saber se onde escorria o sangue. Podia ser de qualquer lado, visto que me dói tudo.

- Não faz mal.

- Queres que me afaste? – Não acho que me vá atacar mas também não sei se vai conseguir controlar-se bem, não se tem andando a alimentar-se ou se o facto de estar longe de humanos há algum tempo lhe dificulta a tarefa de se controlar.

- Não, eu aguento.

- Eles… alimentam-te?

- Claro que alimentamos – respondeu Josh, abrindo a porta – Ele morto não nos servia para nada.

- E vivo serve? – Perguntei, com um tom de repugnância.

- Vem, há alguns amigos a quem te quero apresentar

- Eu não vou a lado nenhum contigo – e fiz mais força contra a parede.

Ele abanou a cabeça e começou a andar para mim.

- Chloe… ainda não percebeste que aqui não decides nada? Dou-te mais uma oportunidade. Levanta-te e anda comigo.

- Não!

- Deixa-a em paz – rugiu-lhe Derek.

- Tu fica caladinho – disse Josh, ao apontar o dedo para Derek.

Em décimas de segundos, eu já estava em pé e a ser de novo segurada pelo braço por Josh.

- Larga-a! – Gritou Derek, cheio de raiva.

- Estás-me a magoar seu imbecil! – Gritei.

Josh encostou os lábios à minha orelha, desviando-me o cabelo com a mão que lhe sobrava, e apesar de tentar desviar-me, não conseguia.

- Em breve… - sussurrou – não sentirás nada.

Puxou-me com uma brutidão tremenda para fora da sala, mas não fechou a porta. Charlotte estava do lado de fora, juntamente com mais três vampiros. Todos eles com os dentes descidos e os vasos sanguíneos mais vermelhos que o habitual.

- Trá-lo – disse Josh, a Charlotte – Eu tenho um grande fim planeado.

Charlotte sorriu, mas havia qualquer coisa diferente no seu sorriso. Parecia estar a cair na realidade, estar a ver as coisas como são. Mas isso depressa desapareceu e o sorriso voltou a ser aquele maldoso ao qual já me tinha habituado.

Josh voltou a puxar-me e parámos em frente aos três vampiros. Comparados com Charlotte quando fazia a cara assustadora, não metiam medo a ninguém. Mas comparados a vampiros amigáveis como os Thompson, eram como terroristas.

- Quero que todos conheçam a Chloe – disse Josh, e depois olhou para trás. Olhei também. Derek vinha já solto, mas agarrado por Charlotte. Ela é mais velha que ele, logo mais forte, mesmo que apenas por um ano – E o Derek… eles têm uma história de amor… que está prestes a acabar. Mas agora… aproxima-se qualquer coisa.

- Quando é que vais parar de falar? – Olhei para a direita e vi Verónica, Gary e Gwen. Gwen?! Ela não devia ter vindo, é demasiado perigoso para ela aqui estar, ela é tão frágil e humana e… tal como eu.

- Tenho que dizer… é péssimo ver-te de novo – disse Gary.

Não sei porquê, mas respirei de alívio neste momento, e todos se viraram para mim excepto Gwen. Todos eles me ouviam respirar, e essa era uma das coisas às quais ainda não me tinha habituado completamente.

- Estás aliviada Chloe? – Perguntou um dos vampiros. O que estava no meio. Tinha o cabelo preto, pelos ombros e cheio de tranças muito pequenas.

Voltei a ficar tensa. Claro que estava um pouco mais aliviada, afinal o meu plano tinha resultado e Verónica e Gary tinham vindo ajudar, mas isto ainda estava longe de acabar. Josh estava longe de acabar.

- Vocês não deviam ter vindo – disse Charlotte, falando pela primeira vez, e parecia ter na sua voz uma coisa que eu não estava à espera de ouvir: remorsos.

- Parece que agora vais ter mais pessoas para matar – respondeu-lhe Verónica.

- Parece que vou – disse ela. Eu acredito que tudo o que Charlotte fez foi por amor, mas tenho medo de até onde isso a pode levar.

- Quando é que passamos à matança? – Perguntou o vampiro do lado esquerdo, um com o cabelo rapado, uma t-shirt de cavas preta e calças rasgadas.

Ouvi alguém gemer, e olhei para Gwen. A coitada estava horrorizada. Pudera, era a primeira vez que vinha a um confronto de vampiros. A primeira vez que expunha a sua vida desta maneira.

- Matem-nos a todos – ordenou Josh, mas no entanto agarrou-me com mais força e encostou-me mais a ele – excepto a Chloe.

Os três vampiros acenaram e enquanto Charlotte agarrava em Derek, que se tentava libertar a qualquer custo, mas que se notava que estava mais fraco – ela deve-o ter “drogado” de novo –, os três vampiros avançaram em direcção a Gary e Verónica.

Gary pôs-se a defender Gwen enquanto Verónica arrancou a cabeça do vampiro do cabelo rapado com a maior das facilidades.

O vampiro do cabelo às tranças lançou-se para ela, e o outro – um meio aloirado – lançou-se sobre Gary. Começaram os quatro a lutar, e Gwen encostou-se à parede aterrorizada. Mas porque é que ela veio? Ela não devia ter vindo. Não devia.

Queria correr até ela e abraçá-la, mas não me conseguia soltar dos braços de Josh, que entretanto me puxou de novo com violência e me fez cair em direcção à parede. Por trás dele consegui ver Derek soltar-se de Charlotte, e também eles começaram a lutar.

- Agora que estão todos ocupados… - sussurrou Josh, de cócoras, ao meu lado – vamos ao que interessa.

A sua cara transfigurou-se e as presas desceram, brilhantes e afiadas como as de todos os outros. Ele levou o seu pulso à boca e mordeu-o, fazendo o sangue começar a pingar lentamente. Arregalei os olhos de terror, perante o que ele me ia obrigar a fazer.

- Chloe… - murmurou, num tom autoritário.

- Não… - queria gritar, mas a voz não saía.

- Fá-lo – ordenou, agora com ainda mais força nas palavras.

- Não! – Gritei, a plenos pulmões. Porém ninguém pareceu importar-se.

Voltei a olhar para os meus amigos. Verónica e Gary lutavam agora contra o vampiro das tranças, o único que dos três ainda vive. Derek acabou de ser mandado ao chão por um golpe de Charlotte, e ao vê-lo assim vieram-me de novo as lágrimas aos olhos. Gwen estava o mais encostada à parede, paralela à minha, quanto podia.

Charlotte, que estava a mandar Derek de novo ao chão, virou a sua atenção para mim por poucos momentos. “Por favor…”, pensei.

Josh agarrou na minha cabeça e meteu-a quieta enquanto encostava o pulso à minha boca, obrigando-me assim a beber o sangue. Cada gota de sangue que me ia parar à boca fazia-me querer vomitar ainda mais que a anterior, até ele finalmente desviar o pulso. Fez-me levantar e eu fiquei o mais encostada à parede quanto pude, e então beijou-me, encostando os seus lábios aos meus com uma força fora do normal e magoando-me mais do que qualquer ser humano conseguiria. Mas não apenas fisicamente.

Dei-lhe murros no peito, tentei que me largasse, mas só o fazia puxar-me mais para ele. Até que as minhas lágrimas começaram a cair e ele me largou. Estes poucos segundos que tive os seus lábios a tocarem nos meus pareceram uma eternidade. Lembrei-me da primeira vez em que beijei Derek quando ele estava com o seu verdadeiro aspecto; os dentes e os olhos. Este beijo não tinha nada a ver. Não tinha amor, desejo ou amizade, ou qualquer empatia.

Pôs as suas mãos, uma de cada lado, na minha cara, e sorriu-me. Eu sabia o que se seguia. Partir-me-ia o pescoço, e em seguida dores horríveis viriam, enquanto me tornava num ser imortal.

- Josh não – murmurei, sem voz para mais alto. Já não chorava, agora a raiva era maior que a tristeza.

- Vai ser rápido… e depois serás minha – ao dizer isso senti o meu pescoço rodar um pouco, talvez um milímetro, e fui mandada para o chão.

Apoiei-me no cotovelo, de barriga para baixo e a olhar para trás, e vi Charlotte arrancar a cabeça a Josh com as próprias mãos. Josh transformou-me num pequeno monte de areia fina e escura, e sobretudo, insignificante.

Não tive tempo para absorver mais nada com os meus olhos de humana, mas quando os consegui ver, os Thompson – Derek, Verónica e Gary – estavam em frente a Charlotte, em posição de ataque. E Charlotte estava quase encostada à parede.

“Nem acredito que vou fazer isto”, pensei, enquanto me tentava levantar rápido o suficiente para os parar. Charlotte tem bastantes defeitos, e duvido que haja alguma boa qualidade… mas não posso deixar que a matem depois disto. Afinal… ela salvou-me a vida, embora tenha sido quem a pôs em perigo. Mas ela matou a pessoa que amava para me salvar a mim. E isso tinha que admirar. Charlotte amava-o. Ele podia fingir, mas via-se nos olhos dela que não fingia. Ela acreditava nele cegamente, e por causa disso, tudo acabou como acabou. Eu nunca conseguiria matar Derek por uma causa destas. Nunca.

Levantei-me desengonçada. Charlotte tinha-me mandado com força a mais. Até já tinha a roupa cheia de buracos. Aproximei-me deles e meti-me no meio, com os braços abertos, como se estivesse a proteger Charlotte. O que na verdade até estava.

Ela olhava para os irmãos adoptivos com lágrimas nos olhos. Pensei antes de me pôr à frente de três vampiros bem chateados, para defender uma atrasada mental sugadora de sangue? Pensava que sim, mas agora percebi que não. Mas agora que estou aqui parada no meio, comecei a pensar de novo. De maneira nenhuma que eles me iam atacar. Não a mim. Quer dizer, eu sei que fiz muita porcaria, mas bolas, Derek ainda me ama, e os irmãos dele também ainda gostam de mim, espero eu.

- Sai daí Chloe! – A voz de Derek não lhe saiu naturalmente. Consegui ver que estava a lutar para ser simpático comigo, quando tudo o que lhe apetecia era rugir. Estava completamente dominado pela raiva. O meu namorado vampiro.

Já o tinha visto com os dentes para baixo e os olhos assim várias vezes, mas nunca como está agora. A sua expressão está diferente, está maldosa, assustadora. Derek não está em si.

Neste momento, frente a frente com o meu namorado, finalmente percebi. O Derek é um vampiro. Ele pode lutar contra a vontade de me morder, e pode não se alimentar à minha frente e tentar não deixar descer as presas. Mas neste momento, e sempre, o Derek é um vampiro. E eu finalmente percebi. Posso não o ver caçar pessoas, posso não o ver a beber sangue, posso não o ver a ser mau, mas não muda o que ele é. Eu namoro com um vampiro, e se Derek fosse diferente eu não gostaria dele como gosto. O vampiro é uma parte dele. Uma das tantas que o torna especial. Uma que nunca vou ignorar ou tentar repeli-la.

- Não – a minha voz foi forte e determinada, apesar de não me sentir nada assim.

- Porque é que a estás a defender?! – Perguntou Verónica, também a esforçar-se para não desatar a gritar comigo. Infelizmente não teve lá muito sucesso.

- Não a estou a defender a ela. Estou-vos a vocês. Vocês não querem fazer isto – disse eu, calmamente.

- Ela estragou tudo – disse o Gary – Cada coisa boa que tínhamos, ela arruinou!

- Não Gary, nós arruinámos. Ela preparou a arma, mas nós é que disparámos! – Gritei, no mesmo tom de voz que ele.

- O que é que estás a fazer? – Perguntou Gwen, mais atrás e com uma cara de puro terror – Depois de tudo o que ela fez…

- Não quer dizer que ela deva morrer – interrompi – Ela errou. Mas ao menos errou por amor. Não errámos todos? Quer dizer… todos nós fizemos asneiras nestas últimas semanas, a começar por mim.

- Obrigado – ouvi, num sussurro rouco de lágrimas, atrás de mim.

Olhei para Charlotte e voltei a olhar para a frente.

- Não é por ti. Já sabes isso – e depois voltei a dirigir a palavra aos Thompson – Vá lá malta, respirem fundo, relaxem…

- De que lado estás? – Perguntou Gary.

- De que lado… isso é ridículo!

- Ela arruinou tudo! – Rugiu Verónica, de novo.

Se eu acabar sem sangue por causa de Charlotte juro que arranjo maneira de voltar dos mortos e assombrá-la. Afinal, se vampiros existem porque não fantasmas?

- Ok, isso tem que parar! – Gritei eu também – Olhem para um espelho. Não foi tudo culpa dela. Foi de todos nós. No momento em que eu cedi, vocês viraram-me as costas! Querem culpar alguém? Culpem-me a mim. Culpem-se a vocês próprios! Quando eu cedi vocês cederam todos atrás. E isso não é justo. Eu tenho o direito de abdicar de uma coisa – embora não quisesse – sem ter que pensar no que me vão fazer a seguir, se me abandonam, se me desprezam! Eu não sou a base de uma pirâmide! Não sou controlada ou equilibrada! Bolas, sou só eu! Por isso recomponham-se e acalmem-se! Já têm idade suficiente para não se deixarem levar pelas hormonas adolescentes e a raiva toda.

- Vou contar até três – disse Gary – Ou sais da frente…

- Sim, ela chantageou-me – interrompi – Ela chantageou-me, mas não me conhecia. Vocês conheciam – as lágrimas voltaram a reaparecer –, e o que é que fizeram? Viraram-me as costas. Viam-me a chorar, viam que não saía de casa e… - começou-me uma a cair pela face e eu não a parei – os meus três melhores amigos deixaram-me quando eu precisei mais.

- Chloe… - murmurou Gwen.

- Não – gritei –, agora é a minha vez de falar. Gwen, tu só voltaste a falar comigo quanto tiveste problemas. E vocês os dois – olhei para Gary e Verónica –, vocês os dois deviam conhecer-me melhor… eu não podia contar… mas não significa que vocês não pudessem tentar descobrir. Mas em vez disso acusaram-me e agiram como se nunca me tivessem conhecido.

- Lamentamos – disse Gary.

- Agora – encolhi os ombros –, porque sabem a verdade.

- Nós ficámos assim por causa do que ela fez – disse Verónica – Ela manipulou-nos! Ela manteve o Derek preso este tempo todo! Não queres que ela sofra tanto quanto tu sofreste?!

Ouvi um soluço vindo de trás de mim e voltei a olhar para Charlotte, que me fitava com aqueles olhos cheios de arrependimento e receio.

- Lamento – soluçou-me. Deve ser horrível querer-se chorar e não se poder por se ser vampira…

- Pessoal… ela matou o rapaz que amava… não acham que isso chega? – Perguntei, com uma voz implorativa.

Endireitaram-se os três mas continuaram a fitar-nos.

- O que é que fazemos? – Perguntou Gwen, quebrando o silêncio constrangedor que se tinha instalado.

- Não sei – admitiu Verónica.

- Eu não quero deixá-la livre – murmurou Derek, com aquele olhar assustador pregado a Charlotte.

Aquele Derek era tão diferente… e no entanto, tão igual.

Dei um passo na sua direcção e ele pareceu recuar, ainda que fossem meros milímetros. Devia temer descontrolar-se ainda mais à minha frente. Pior, descontrolar-se comigo.

Não hesitei e continuei a andar até ele. Ele ficou quieto enquanto lhe agarrava na face com as minhas mãos, e olhou-me com um misto de tristeza, arrependimento e raiva.

- Desculpa por te ter magoado – disse-lhe, baixo – Mas continuo a preferir tê-lo feito, se a outra opção fosse a tua morte. Derek, olha para ela… olha para ela e imagina… como é que ficarias se fosses obrigado a matar-me? Não percebes? Ela já foi castigada. Matá-lo foi castigo suficiente.

A cara dele deixou de ficar tão tensa, aliviando-se só um pouco, e aos poucos os dentes foram encolhendo e os olhos voltando ao normal.

- Então e tu? – Perguntou, já sem a raiva tão exposta – Onde é que ficas no meio de tudo o que aconteceu?

- Ela matou o Josh, para me salvar a mim. Não te preocupes comigo – e dei um pequeno sorriso – Eu estou bem. Eu não preciso de vingança. Agora só quero uma cama e descanso…

Ele pôs as suas mãos nos meus braços e eu estremeci.

- Tu não estás bem – constatou, ao ver a cara de dor que mostrei. Não, tenho o corpo todo arranhado, de certeza, e sinceramente o sangue de vampiro não ajuda em nada. Pensava que ao bebê-lo não ia sentir isto, mas estava muito enganada.

- Mas vou ficar – garanti – Quero ir para casa, dizer aos meus irmãos que estou bem e… dormir.

Derek deu uma olhadela rápida aos irmãos, e em seguida a Charlotte.

- Mas continuamos com a mesma pergunta – disse Gary – O que é que fazemos com ela?

Desviei-me de Derek por momentos e caminhei até Charlotte. Ela continua imóvel e calada. Fitei-a por um bocado, mas ela não se atreveu a fazer nada.

- Ela não vai fazer nada – disse eu – Pelo menos nos próximos tempos.

- Vamos para casa – disse Verónica.

- Graças a Deus! – Ouvi Gwen exclamar.

Gary agarrou nela, e Derek em mim, para subirmos até ao cimo destas salas subterrâneas. Bastou-lhes saltar. Charlotte deixou-se cair, encostada à parede e a envolver os joelhos com os braços.

Gwen parecia estar em estado de choque, e Verónica parecia acalmá-la, enquanto Derek e eu nos dirigíamos para a saída e Gary vinha atrás de nós. Usou a velocidade anormal e no momento seguinte já estava à minha frente.

- Desculpa – proferiu –, tens razão. Nós desistimos cedo demais.

- Não – disse eu. Gary fez uma expressão de incompreensão, tal como Derek. Suspirei – Eu provavelmente tinha feito o mesmo se fosse algum dos meus irmãos.

Ele respirou fundo, e eu não consegui evitar rir-me. Apesar de antes me chatear e confundir um pouco, agora ver um vampiro, um ser que não necessita da respiração, respirar fundo, é cómico.

- Mas estamos muitíssimos arrependidos – disse Verónica, já ao nosso lado, tal como Gwen.

- Estão perdoados – cedi eu – Mas não me vou esquecer disto e vou querer muitas recompensas.

- Vamos lá, eu levo-te a casa – disse Derek – Precisas de comer e de dormir, senão…

- Ficas rabugenta o dia todo – completei, revirando os olhos.

Ele parou e fitou-me, sorrindo em seguida. Eu fiz o mesmo. Há tempo demais que não fazíamos isto, completar estas frases irritantes e sem sentido, e revirar os olhos um ao outro.

- O que é que acontece agora? – Perguntou Gwen, afastando-se da investida de Gary para a abraçar. Estranhei esta reacção.

- Veremos – respondeu Derek.

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