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O Milionário & Eu

por Andrusca ღ, em 01.01.12

Parte 6 – Almoço Finório

 

Finalmente o fim-de-semana tinha chegado. Sábado tinha passado a correr, e domingo vinha a caminho. Melody desligou o computador e, depois de ir à casa de banho, sentou-se na sua cama a ler um livro.

- Posso entrar? – Perguntou-lhe o pai, com a porta entreaberta, já depois de ter batido.

- Sim, claro. Diz.

- Amanhã temos um almoço com um antigo colega meu – anunciou, vendo o divertimento desaparecer do rosto da filha – Oh Mel, não faças essa cara. Ele é um grande amigo meu, começámos neste negócio juntos.

- Pai – queixou-se ela –, sabes o quanto detesto esses encontros? São tão entediantes, e só há gente mesquinha e fútil.

- Ele não é nada assim. Decidiu dar uma festa por se ter mudado para cá e convidou algumas pessoas. Não sejas assim – insistiu ele. Melody suspirou.

- Está bem – aceitou, derrotada.

- Perfeito. Dorme bem – o seu pai ia fechar a porta mas, ao lembrar-se de outra coisa, voltou a abri-la – E não te esqueças de vestires uma coisa bonita. Está despachada ao meio-dia.

De novo, Melody suspirou. “Uma coisa bonita… ele quer dizer uma coisa cara”, lamentou-se.

A manhã não tardou a chegar e, ao segundo toque do despertador, Melody levantou-se e dirigiu-se à casa de banho, onde tomou um duche rápido. Desceu depois as escadas, de toalha enrolada no corpo, para ir beber uma chávena de leite com chocolate, e depois regressou ao quarto para se despachar. Abriu o roupeiro e fitou a roupa que tinha. A maioria era “normal”. Calças de ganga, pretas e de outras cores, blusas normais… a roupa que usava no dia-a-dia, nada de extravagante ou caro. Mas do outro lado tinha a roupa “bonita”, como o pai lhe chamava. Os vestidos e malas Prada, Dolce & Gabbana, Versace… as coisas que usava quando ia sair com o pai a algum encontro especial e tinha que se comportar como a filha de um milionário bem sucedido e não a rapariga liberal que é.

- Bem, a tarde vai ser um tédio – lamentou-se, enquanto enxugava os caracóis loiros.

Depois do cabelo arranjado – decidiu levá-lo solto –, voltou ao quarto e vestiu um vestido vermelho, com duas tiras vindas do peito, uma para cada lado do pescoço, para atarem. Dava-lhe um pouco acima do joelho e caía-lhe naturalmente, ela não se podia queixar do corpo que tinha. Depois foi ao guarda-jóias, de onde tirou uma pulseira de ouro que colocou no pulso direito e um anel, que decidiu usar na mão esquerda. “Com o valor disto dava de comer a cem sem abrigos”, rezingava enquanto se despachava.

- Melody, despacha-te! – Ouviu o pai gritar do andar de baixo.

- Estou quase! – Gritou-lhe de volta.

Calçou umas sandálias de salto alto, pretas, e aplicou um pouco de maquilhagem, apesar de pouca. A verdade é que quando se viu ao espelho parecia outra. Só a roupa a tornava numa rapariga diferente.

- Estás linda – elogiou o pai, quando a viu finalmente descer as escadas. Ela assentiu com a cabeça, sabia que estava. Apesar de não apreciar usar estas roupas sabia que ficava lindamente nelas.

Levou o telemóvel e as chaves de casa numa pequena mala preta e entraram os dois no Lamborghini para que o pai dela conduzisse até à casa do amigo.

Apesar de não se impressionar facilmente, ao ver aquela moradia Melody não se conseguiu conter. Parecia uma casa tirada de um conto de fadas. Tinha um jardim enorme e era rodeada por uma cerca preta, alta, com um portão mesmo em frente à porta da casa, que ficava a muitos metros de distância.

O carro foi deixado à entrada, para que um dos empregados o fosse estacionar, e Melody e o pai seguiram a pé. Havia muita gente a falar, muitos risos no ar, mas sempre aquela sensação de requinte a pairar.

- Ele tem bom gosto – elogiou Melody, ao olhar para a decoração do jardim, onde, aparentemente, iria ser o almoço.

As mesas eram várias e já muitas tinham aperitivos em cima, e por trás estava uma fonte redonda e bastante grande.

- Olha, lá está ele – o pai dela apontou para o colega e este veio logo ter com os dois, de sorriso aberto.

- Peter! – Exclamou ele, abraçando o pai da loira com todo o gosto, e dando-lhe dois beijinhos a ela logo de seguida – Estou tão feliz por terem vindo. Tens uma filha lindíssima.

- Obrigada – agradeceu Peter ao mesmo tempo de Melody.

- Bem, não se acanhem, isto parece tudo muito finório mas metade das pessoas aqui estão a desejar cachorros quentes – o dono da casa, Michael, riu-se, e Melody não se conseguiu conter. “Talvez ele seja normal”, pensou ela.

Estiveram alguns momentos à conversa, enquanto não chegavam mais convidados para Michael ir cumprimentar, e Melody achou-o uma pessoa muito simples até, nada com a mania das grandezas nem fútil.

- Ei, pai… - Liam calou-se ao ver Melody ao pé do pai e ficou estático a olhar para ela. Aos seus olhos nem era a mesma pessoa, estava arranjadíssima e simplesmente perfeita. Por sua vez a loira ficou simplesmente em pânico. Claro que fazia sentido a festa ser também dele, ela é que ainda não tinha pensado nessa possibilidade – O que é que estás aqui a fazer?

- Liam, que maneiras são essas? – Repreendeu Michael – A Melody é uma convidada, veio com o Peter, o colega de que te falei.

- Ele é seu filho? – Perguntou Melody, para Michael, ao que este assentiu com a cabeça – Credo, mas como é que uma pessoa como você conseguiu criar uma coisa dessas?!

- Melody! – Repreendeu Peter, envergonhado.

- Que graça – disse Liam, indo-se embora e fazendo Melody revirar os olhos.

- Não faz mal Peter, eu conheço bem o filho que tenho. Bastou-me estes minutos com a tua filha para ver que são totais opostos, não admira que não se entendam bem. O Liam é um rapaz impecável, e eu sou culpado pelos seus comportamentos, sempre lhe quis dar tudo, e tanto dei que acabei por o habituar mal. Ele está a precisar urgentemente de uma dose de realidade.

Ao fim de pouco tempo toda a gente começou a dispersar. Enquanto Peter ficou com Michael, Melody dirigiu-se para a fonte, na qual se sentou à borda. Não lhe apetecia falar com ninguém, apesar de Michael ser simpático ela tinha o pressentimento de que muita gente desta festa não o era.

- Com que então a defensora dos pobres é na realidade… milionária – ouviu, do seu lado esquerdo. Nem precisou de olhar para saber de quem se tratava.

- Não me chateies Liam.

- O que diriam os teus amigos se te vissem aqui assim, vestida de Prada dos pés à cabeça?

- Não estou a usar Prada.

- Percebeste o que quis dizer.

Melody suspirou e levantou-se, voltando-se directamente para ele.

- Vamos esclarecer uma coisa: ninguém sabe que tenho dinheiro, e pretendo que as coisas continuem assim. Não escolhi ter dinheiro, apenas tenho. Mas não ando na rua a exibi-lo como algumas pessoas para provar alguma coisa a alguém. Os amigos que tenho escolheram-me para estar com eles porque gostaram de mim, não por saberem o número de dólares que tenho no banco.

- Acho patético chateares-te comigo por ser rico quando também és – disse ele, em tom de discussão.

- Não é por seres rico! É como o gabas!

- Ei Liam! – Eles voltaram-se os dois e viram Harry, que abriu um sorriso imenso ao ver a loira ali – Melody? Tu estás… diferente.

“Óptimo, haverá mais alguém aqui para descobrir que tenho dinheiro? Na volta o melhor é publicar no jornal, escusavam de se deslocar a este palacete”, pensou ela para si.

- Oi Harry – disse ela.

- Sabias que aqui a menina rabugenta também é rica? – Perguntou Liam, levando com um olhar de morte da loira – Ei, relaxa, eu não conto a mais ninguém. Mas ele não é parvo, esse vestido não é propriamente barato.

- É verdade? – Perguntou Harry, para a rapariga.

- Sim, mas ao contrário do teu amiguinho aí, não me gabo disso – disse ela – Harry, não digas a ninguém, não quero que ninguém me trate de maneira diferente, nem tu.

Harry abriu um sorriso de orelha a orelha e deu-lhe um beijo na bochecha, para surpresa de Liam.

- Fica descansada – prometeu – Anda lá, tens que provar algumas das coisas que estão ali na mesa.

Melody riu e seguiu com ele em direcção à mesa, deixando Liam para trás ainda a perguntar-se o que tinha acabado de acontecer. A loira passou o resto do almoço, e da tarde, na companhia de Harry e Liam ficou amuado pelo melhor amigo não lhe prestar atenção nenhuma e ter de aturar as conversas chatas dos amigos do pai, e as esquisitices da mãe.

 

Que tal?

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