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O Milionário & Eu

por Andrusca ღ, em 12.01.12

Parte 10 – Como Conquistar uma Rapariga?

 

- Essa é uma pergunta difícil – admitiu Melody, rindo-se – Como conquistar uma rapariga…? Para que é que queres saber isto?

- Porque aparentemente sou um imã de interesseiras – de novo, Melody riu, e Liam revirou os olhos – É estranho, sabes? Quando todos gostavam de mim odiavas-me e pensava que o problema eras tu. Obrigado por me mostrares que estava errado.

A loira corou e desviou o olhar para a lata de Coca-Cola que repousava em cima da mesa da esplanada em que ambos se encontravam sentados.

- Até és boa pessoa – admitiu ela – Nunca pensei que fosses.

- Porquê? Eu sou uma óptima pessoa. Sou divertido, e simpático, e bonito, e paciente e…

- Humilde.

Ambos riram.

- Tudo bem, humildade não é uma das minhas muitas boas características – admitiu Liam – Mas gosto de ti.

- Sim, pois, também gosto de ti – disse ela, mordendo a língua e sorrindo. Liam sorriu-lhe também, porém não foi aquele sorriso glorioso a que a tinha acostumado. É que ela tinha-o dito em tom de brincadeira, quando ele foi verdadeiro em todas as sílabas. Tinha-se passado quase um mês e meio desde que ambos tinham começado a ser amigos e cada dia que passava ele gostava mais de partilhar a companhia da loira. Gostava da maneira como ela, ao contrário da maioria das pessoas que conhecia, não ligava ao dinheiro e como tinha as ideias tão definidas do mundo e do que queria para si. Gostava da força que ela transmitia e da maneira como defendia as pessoas de quem gostava. Gostava da maneira como o defendia a ele e o ajudava quando precisava. Com o tempo começou a gostar um pouco mais do que era suposto.

- Mas vá lá, responde à pergunta – insistiu ele. Melody revirou os olhos e ele suspirou – Se fosses tu, como é que um rapaz te conquistaria a ti?

- Bem… sei como não o faria. Nenhum rapaz me há-de conquistar com jóias ou malas Prada, isso eu posso comprar. Para me conquistar, ele teria que me dar o que não me posso dar a mim mesma: teria que me amar, e eu teria que o amar.

- Prada seria mais simples – murmurou ele, fazendo-a corar.

- Mas seria material. Eu quero uma coisa que dure. Quero… sentimento. Quero alguém que esteja lá para mim quando precisar… não alguém que me compre alguma coisa para me fazer calar.

- Isso… - Liam parou e encolheu os ombros – é fantástico. Então… é o Harry esse rapaz?

Ele estava curioso para fazer esta pergunta há bastante tempo, mas nunca a tinha conseguido formular. Melody respirou fundo e encolheu os ombros.

- Eu gosto bastante dele…

- Mas?

- Mas ele nunca está presente. Ele é a pessoa mais querida que já conheci, e percebe-me. Mas tem todos aqueles horários, e se não puder falar com ele numa hora já só posso falar no dia seguinte, e está sempre fora com a banda. O Harry é querido, mas eu não gosto dele dessa maneira.

Liam assentiu com a cabeça e, de novo, Melody encolheu os ombros. Ele tinha ficado feliz em saber isso, ainda que não se deixasse mostrar.

- Então quem? – Insistiu – Não queres que acredite que uma rapariga como tu não está interessada em ninguém, pois não?

A loira sentiu-se a corar. Ela não queria responder àquilo. Ela estava confusa. Durante estas últimas semanas tinha conhecido um lado de Liam que nunca pensou que pudesse existir e que provavelmente nunca conheceria se ele não tivesse perdido a fortuna. Claro que não estava feliz por ele já não ser milionário, mas estava contente por ter conhecido aquela sua maneira de ser. E ela gostou dessa maneira de ser, desse Liam descontraído e alegre que não está sempre a tentar impingir coisas aos outros.

- Eu… - por trás do rapaz viu uma figura muito bem-parecida dirigir-se a eles e sorriu-lhe – É o teu pai, olha.

- Boa tarde! – Saudou Michael, chegado à mesa. Liam estranhou o seu pai estar ali, mas nada disse – O Peter disse-me que estavam aqui.

- Boa tarde pai – disse Liam – Precisavas de alguma coisa, era?

- Na verdade… - Michael olhou para Melody e sorriu-lhe – queria agradecer à Melody tudo o que ela fez por ti. E queria dar-te isto – de dentro do bolso Michael tirou umas chaves de um carro e passou-as para as mãos do filho.

- As chaves do Aston Martin – murmurou ele – Mas pensava que o tinhas vendido para mantermos a casa…

- Menti – admitiu Michael, perante o olhar de Melody. “Mentiu?”, pensou ela – O nosso dinheiro está bem Liam, não falimos. Vi o horrível ser humano em que te estavas a tornar e pensei que precisavas de um gostinho do mundo normal. Quando discuti isto com o pai da Melody, ele disse-me que ela sempre agiu muito descontraidamente em relação ao dinheiro e que não ligava muito a isso. Pensei que como eram da mesma escola, ela havia de te ajudar no que precisasses, logo esta era a melhor altura para te retirar algumas regalias.

- Tu… nós… então ainda somos milionários? – Perguntou Liam, com um brilho no olhar, enquanto Melody sentia um aperto na garganta.

- Agora está nas tuas mãos seguires o caminho que te faz mais feliz – anunciou Michael – Já viste um pouco dos dois mundos, resta-te fazer as escolhas que achas certas. Acho que já passou tempo suficiente para diferenciares o certo do errado. Agora tenho que ir, estou a ficar atrasado para uma reunião.

Michael começou a desviar-se e Melody deixou-se chegar para trás, recostando-se na cadeira de plástico, ainda em choque.

- Eu tenho o dinheiro de volta – murmurou Liam, visivelmente felicíssimo – Mel, sou rico outra vez!

- Isso é… óptimo – murmurou ela, sem qualquer ponta de entusiasmo.

- Porque é que estás assim? Vamos lá, temos que ir festejar! Escolhe um sítio, escolhe qualquer sítio onde queiras ir e vamos. Vamos só os dois, eu pago e…

- Liam! – O raciocínio do loirinho foi cortado pela voz levemente mais alta de Melody e por isso parou de falar para a escutar – Desculpa, eu… vou para casa.

- Mas…

- Falamos amanhã, está bem? – Ela levantou-se e, para não lhe mostrar que tinha ficado estranha devido à mais recente revelação, despediu-se dele com um beijo na bochecha como já era hábito – Até amanhã.

Começou a desviar-se num passo rápido deixando-o, especado, sentado na cadeira na esplanada. À primeira curva que encontrou, fê-la e encostou-se à parede, levando a mão à testa em seguida. Tudo aquilo que viu crescer nele durante todas as anteriores semanas, tinha visto ser deitado abaixo apenas em poucos segundos, e tudo devido a uma palavra: dinheiro.

 

Já só falta um.

Se quiserem que o poste, sete comentários ^^

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