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As Leis do Amor

por Andrusca ღ, em 19.01.12

É uma história nova e vai ser também pequenina, dez capítulos mais ou menos.

A primeira parte nunca é grande coisa, mas espero que gostem ^^

Ah! Ainda tenho muito pouco escrito, por isso vai ser devagarinho...

 

Parte 1 – Como Perdi Tudo

 

Aqui estava eu. Presa no mesmo quarto de onde saíra anos atrás à procura de um novo e brilhante futuro. Presa na casa dos meus pais, no Iowa. Presa em… bem, apenas presa.

Fechei a porta e deixei as malas caírem no chão, suspirando e deixando-me sentar entre elas logo de seguida. Aos poucos comecei a ser invadida por soluços e lágrimas que me escorreram pelas bochechas sem me darem sequer um aviso e, quando reparei, já chorava até não conseguir parar. Mas como tinha isto acontecido? Como tinha eu, Sarah Parker, uma das melhores advogadas de Washington DC, voltado a vir aqui parar? Como é que passei desde ser convidada para festas da elite e dar entrevistas sobre casos importantes em que trabalhava, a estar na casa dos meus pais, na mesma cidade onde jurei nunca mais meter os pés?

Bem, tudo começou…

 

Há três meses atrás


Um novo caso tinha chegado às nossas secretárias. Este era importante, a comunicação social estaria a cobri-lo de uma ponta à outra. Envolvia o cunhado do senador e, se fizéssemos tudo como deve ser, ganharíamos imenso dinheiro e notabilidade. Claro que o meu chefe pôs os seus melhores advogados a defendê-lo. E quem eram eles? Eu e o Félix Burtin, o meu namorado. Juntos éramos imbatíveis, eu juntava as minhas ideias juvenis e mais ousadas, visto que tenho vinte e cinco anos, com os seus conselhos e prática, visto que tem mais nove anos que eu, e nenhum outro advogado nos conseguia vencer. Foi por isso que o cunhado do senador recorreu a nós.

O caso era relativamente simples, apesar de estes casos nunca serem fáceis de aceitar. Era simples numa questão de provas. O cunhado do senador estava a ser acusado de ter violado e matado uma rapariga de treze anos, e era o nosso trabalho impedi-lo de ir parar à cadeia. Sempre acreditei que fosse inocente, tínhamos as provas do nosso lado, ele era bom mentiroso. Até que…

- Ela não pode saber – era a voz de Felix, vinda do seu escritório. Olhei para o relógio, já eram quase dez da noite. Normalmente eu era sempre a última a sair, por isso estranhei e, conforme me aproximei, dei conta do que dizia – A Sarah é uma óptima advogada, mas se souber a verdade pode não conseguir convencer em tribunal. Ela acredita na tua inocência, vamos deixá-la assim. Foi-nos oferecido muito dinheiro para ser desperdiçado.

Mudei de ideias acerca bater à porta. Ele estava a falar com meu chefe sobre o cunhado do senador, que aparentemente não era tão inocente como eu pensava. Não pude acreditar no que ouvi, simplesmente não podia ser possível, não conseguia compreender no que é que Félix estava a pensar para me mentir.

Saí da firma e fui directamente para casa.

Depois de um longo banho de água quente, aqueci restos de comida que tinha no frigorífico e sentei-me no sofá a comê-la, com a televisão ligada. Estava a dar uma notícia sobre o julgamento de amanhã, por isso aumentei o som para ouvir melhor.

- Após várias sessões será amanhã o dia decisivo. Irá o arguido ser declarado culpado, como o povo garante que deveria ser, ou irá a justiça falhar uma vez mais para com quem paga por ela? Verdade seja dita, Félix Burtin e Sarah Parker não se deixarão vencer facilmente, sendo eles implacáveis em tribunal.

Fechei os olhos e suspirei. Félix sabia. Ele sabia que o cunhado do senador era culpado e omitiu-me isso. Jogaram comigo, manipularam. Quando os voltei a abrir vi a entrevista ao tio da menina que tinha sido encontrada morta e senti um aperto no coração. Se ganhássemos este caso, o que de certeza que íamos ganhar se eu participasse nele, estaria a deixar mais um assassino nas ruas. Estaria deliberadamente a dar-lhe permissão para voltar a tirar alguma vida.

Quando me tornei advogada já sabia como as coisas funcionavam, e por isso sempre aceitei os casos mais simples e sempre contra quem eu sabia estar a mentir. O meu desejo, com esta profissão, era colocar criminosos atrás das grades e não libertá-los.

Acabei por ir para cama e passei a noite em claro. De manhã vesti uma camisa branca, que usei por dentro da minha saia preta que me dava até abaixo dos joelhos e calcei uns sapatos de salto, da mesma cor. O cabelo liso e loiro prendi num rabo-de-cavalo bem puxado para cima e maquilhei-me só um pouco.

Fui para o tribunal, com a pasta do caso debaixo do braço. Já lá estavam vários jornalistas, e um deles interpelou-me enquanto subia a escadaria, já com a câmara a filmar.

- Dra. Parker, diga-nos, acredita na inocência do seu cliente? – Perguntou-me ele. Tenho que acreditar. Se um advogado não acreditar no cliente e no que defende, então como o pode defender? Mas naquele momento não soube o que responder, e quando vi a família da rapariga chegar, todos eles desmanchados em lágrimas e com um ar de sofrimento horrendo, não pude mesmo responder.

- Não faço comentários – limitei-me a dizer – Desculpe.

Subi o resto da escadaria e, ao fim do corredor, vi Félix e apressei-me a ir ter com ele. Cumprimentou-me com um beijo carinhoso, como sempre fazia, e sorriu-me.

- Preparada? – Perguntou-me, acenando depois ao senador, que entrou para a sala em que o cunhado seria julgado. Abanei a cabeça em sinal de negação e ele franziu os sobrolhos – O que se passa?

- Ele matou-a – afirmei – O nosso cliente matou-a mesmo Félix.

Ele ficou com uma cara de assombrar, e suspirou.

- Vais entrar naquela sala e vais defender o nosso cliente, ouviste Sarah? Vais defendê-lo e vamos fazer tudo o que combinámos, e depois ele dá-nos o resto do dinheiro e acabou. Ganhamos mais um caso, ficamos um pouco mais ricos, e vamos os dois felizes para casa.

Não consegui acreditar no que os meus ouvidos ouviam. Desde quando é que o meu namorado se tinha tornado num homem tão sem sentimentos, egoísta e com tanta ambição pelo dinheiro?

- Vais para casa feliz? E se tu tiveres uma filha de 13 anos Félix, vais para casa feliz sabendo que há mais um homem na rua a fazer dela um possível alvo? – Discuti baixinho – Vais? Não pensas no sofrimento daquela família? Ele matou-a, ele admitiu-te isso e tu escondeste-me tudo. E as testemunhas? Foram subornadas ou algo assim?

- Porque és demasiado emocional! – Disse ele também, num tom chateado mas em sussurro – Não serves para este tipo de julgamento.

- Tens razão, não sirvo. Não vou ajudar a devolver um assassino às ruas – voltei costas e comecei a caminhar até à porta.

- Se saíres dessa porta ficas sem trabalho, e sem namorado! – Ameaçou, fazendo-me parar. Fechei os olhos e respirei fundo, voltando-me para ele.

- Félix…?

- Nunca vais conseguir ser uma advogada de sucesso sem recomendações nossas e sabes perfeitamente que ninguém tas vai passar se abandonares este caso a meio. E sabes que se o ganhares nunca serás esquecida! Engole esse orgulho estúpido e pára de pensar nos outros! Pensa na quantidade de riquezas que podes adquirir!

Abanei a cabeça e, de novo, suspirei.

- Acho que estou desempregada – murmurei –, e solteira.

E apenas assim, saí do tribunal e recomecei a descer a escadaria, indo ao encontro do jornalista que há pouco me tinha vindo falar. Ele estava a falar para a câmara, mas eu cheguei lá e agarrei no microfone, virando-me para ele.

- O meu ex cliente não é inocente – afirmei – E ele também está a subornar algumas das testemunhas.

 

Agora


E foi assim. Perdi o meu trabalho e ninguém mais me contratou para fazer parte de alguma firma de advocacia, pois só tinham más referências minhas. Félix encarregou-se disso. Com o tempo comecei a ficar sem poder suportar o valor da casa e foi aí que telefonei aos meus pais, que imediatamente me disseram para vir viver com eles até conseguir arranjar um rumo para dar à minha vida. Só tenho que poupar algum dinheiro, e depois posso voltar. Eu vou tornar-me numa advogada de sucesso como fui em tempos. Vou.

 

Não se esqueçam de comentar, sim?

Vocês também fantasminhas ^^

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