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As Leis do Amor

por Andrusca ღ, em 10.02.12

Parte 5 – O quê?! Novo Advogado?!

 

- Acho que temos problemas.

Eu estava sentada na minha secretária, a ler, pela milionésima vez, o caso de Luke. Tom tinha ido ao café aqui ao lado comprar alguma coisa para comermos, visto que a clínica estava vazia, e quando entrou não parecia nada contente.

- Porquê? – Perguntei-lhe, ao mesmo tempo que pousava os papéis do caso em cima da secretária e me levantava.

- Lembras-te de quando me disseste que o facto de eles terem um advogado fraco podia ser o que nos ia salvar o julgamento? – Assenti, e ele suspirou, ligando a televisão (que se encontrava junto à parede) logo de seguida – Comecei a ver isto no café. Parece que assim que ouviram o teu nome, a acusação mudou também de advogado. Foram buscar…

- O Félix Burtin – não podia acreditar no que os meus olhos viam. Félix estava a ser entrevistado, feliz e a largar sorrisos, mesmo em frente ao tribunal local.

- Conhece-lo? – Perguntou-me Tom. Apenas assenti que sim, para depois tomar atenção ao que o estupor de homem dizia na televisão. Ele estava tal e quando como eu me lembrava. O charme continuava lá, os sorrisos encantadores, os olhos galanteadores que a tudo tomavam atenção… a atitude confiante que me conquistou logo ao primeiro olhar. “Deus, como eu o odeio”, resmunguei para dentro.

- “E diga-nos, Félix, não teme que a advogada da defesa seja a sua ex parceira? Ela deve ter algumas cartas na manga” – Perguntou-lhe um dos jornalistas que lhe apontavam microfones.

- “Temer?” – Félix soltou uma enorme gargalhada, e eu rangi os dentes – “Claro que não. A Sarah era… boazinha. Nada de extraordinário para a profissão. Os seus atributos é que a levaram tão longe, se querem saber… por alguma razão foi despedida quando já não tinha mais nada de novo a mostrar”.

- Aquele imbecil! – Gritei, para a televisão.

- “Além disso, eu já a conheço e sei quais são os seus métodos” – continuou o anormal a falar – “Não é de admirar que tenha vindo aqui parar, afinal, com a sua falta de jeito e profissionalismo nunca iria arranjar nenhum trabalho em DC, e ainda bem que a minha firma abriu os olhos antes que ela fizesse alguma asneira. Ninguém nunca gostou muito dela”.

Não podia acreditar nisto. Como se não bastasse estar cá, Félix estava ainda a acabar com a minha – já pouca – reputação.

- Despedida? – Perguntou-me Tom – Ninguém gostava de ti? Falta de profissionalismo? O que é que me falhou, Sarah?

Engoli em seco e olhei para ele. Aquele Félix devia ser morto, desmembrado e enterrado.

- Não é o que pensas – garanti.

- Com quem é que falei ao telemóvel? – Bolas, ele era perspicaz!

- Tom, eu sou uma boa advogada – afirmei – Sim, fui despedida de DC, mas a história não é como ele a conta.

- Com quem é que falei, Sarah?! – Ele elevou um pouco o tom de voz, e eu suspirei.

- O meu… pai – Respondi, pressionando os lábios logo de seguida – Tom, deixa-me explicar…

- Explicar? – Tom abanou a cabeça e levou a ela as mãos, suspirando. Ele não acreditava que eu lhe tinha mentido, era mau demais – Explicar o quê?! Esta é a vida do meu irmão, Sarah! E eu confiei em ti!

- Eu sei disso! E eu consigo…

- Sai – calei-me nesse momento, e olhei para ele, incrédula.

- Tom…

- Sai – repetiu. A sua expressão permanecia impávida, livre de quaisquer emoções – Agora, Sarah.

- Se tu apenas…

- Agora! – À medida que ele gritou, eu pulei. Engoli em seco e contornei-o, para ir buscar as minhas coisas à secretária. Agarrei na mala e na pasta do caso, que lá enfiei discretamente, voltando-me depois para Tom.

- Apenas…

- Não fales – pediu Tom, abanando a cabeça – Como é que foste capaz? E eu gostava de ti. Gostava mesmo… Vai.

Baixei a cabeça e saí com um peso no coração, sentindo-o fechar a porta atrás de mim. Perfeito, cinco dias até ao julgamento e Luke encontrava-se, uma vez mais, sem ninguém. “Como é que pensei que isto podia dar certo?”, pensei, suspirando.

Ia voltar para a casa dos meus pais, não ia fazer nada na rua, mas de repente um pensamento invadiu-me. A entrevista que passara na televisão estava a ser feita em directo, o que significava que Félix ainda se encontrava no tribunal. Mudei o meu rumo para lá, ele ia-me ouvir.

Havia uma grande multidão na escadaria do tribunal, e no cimo, rodeado por vários repórteres, estava ele. Reconhecendo-me, quase todas as pessoas me deixaram passar, e, assim que me viu, Félix sorriu-me.

- Sarah! – Exclamou.

- Conversar. Lá dentro. Já! – Disse-lhe apenas, antes o puxar. Nem me preocupei em ser meiguinha ou dar atenção aos jornalistas. Puxei-o pelo casaco e entrámos no hall do tribunal.

- Alguém anda agressiva – gozou ele.

Não esperei nem mais um segundo. A minha mão “voou” até à sua bochecha como se tivesse sido empurrada por um furacão, e a cabeça dele apenas se voltou para o lado.

- Isso é por me teres feito perder o trabalho, seu cretino! – Gritei-lhe – Mas quem é que te julgas ser? Tu não és Deus, Félix, não és invencível, lembra-te disso.

- Não sou invencível? Sou o mais próximo de Deus que este mundo tem – disse ele, presunçoso – Como vai a vida na vila pequena, Sarah? Estás a gostar? Porque te posso fazer muito pior se me chateares.

- O rapaz que estás a acusar é inocente! Como é que podes deixar que um rapaz de dezanove anos seja acusado por homicídio quando sabes que não é verdade?! Isto não fica assim. Não te vou deixar fazer isso. O Luke é um bom rapaz. És mesmo um filho da mãe, sabias disso?

- Oh, deixa-te disso Sarah. Costumavas gostar – afirmou Félix, segurando-me na mão, porém afastei-a imediatamente – Deixa-me adivinhar, estás chateada por te ter obrigado a vires para este fim de mundo. Tudo bem, compreendo. Mas agora tens um caso, não é? Talvez me venças – ele soltou uma gargalhada bem sonora, era demasiado convencido e seguro de si para acreditar que algo assim iria acontecer.

Engoli em seco. Tinha. Tinha um caso. Agora estava de volta ao princípio, presa na terra dos pais, sem qualquer trabalho.

- Não vou deixar que o condenes a um castigo por algo que não fez – garanti, voltando costas e começando a andar a passadas largas, apenas com os sapatos de salto alto a fazer barulho, murmurando depois entre dentes: - e acredita que te vou ganhar.

 

E agora? :o

xD

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